sem-o-que-fazer

Eu costumava ter aqueles sonhos em que eu te encontrava na rua, na minha casa, na minha cama, e todos te buscavam carregando uma sacola de pedras que você deveria estar segurando, porque você deveria saber da dor que causou. Você deveria estar ciente das peças que movi apenas para te encontrar. Você deveria sentir remorso por instintivamente me ferir. Você deveria sentir vergonha por fazer de conta que você não teria nenhum efeito sobre mim, quando você sabe que eu sinto e choro. Eu ouço suas músicas favoritas e eu ouço as minhas músicas favoritas.

Eu desejo que você saiba que eu adoraria que você aprendesse a amar.

Enquanto tudo o que eu vivo parece não fazer sentido sem ti.

Eu escrevo pra que seus momentâneos olhos pareando os meus olhos não tenham mais efeito.

Ainda penso em você.

Quis voltar para onde tudo parou e tentar fazer de lá um novo começo. Um recomeço qualquer, mais bonito, diferente, sem os erros do passado. Mas percebi que inevitavelmente o tempo passa e as pessoas mudam e as lágrimas secam e você começa a se reerguer devagar. Então, sem tentar fazer força, você olha o que restou dos castelos que a onda levou. E percebe que está na hora de mudar de praia, de areia, de estrutura de castelo. E começar uma nova história. Do zero.
—  Clarissa Corrêa.
Eu não sou legal, não mesmo. Acho que sempre tenho razão e quando minhas previsões dão certo olho com a cara mais abominável do mundo, dou um sorriso irônico e falo o clássico eu-te-avisei. É que, em geral, eu tenho razão. Essa é a primeira –e mais importante – coisa que você precisa aprender a meu respeito. (…) Não sei receber elogios, fico sem saber o que fazer, me atrapalho e acabo trocando de assunto – quando não troco as pernas e tropeço em algum canto de mim. Sorrio para disfarçar desconfortos. Se eu não gosto de você é bem provável que você tenha medo do meu olhar. E eu posso simplesmente não gostar de você de graça. Se eu gostar de você aviso de antemão que você é uma pessoa de sorte. Eu me entrego. Quem vive comigo sabe. Quem convive comigo sente. Eu amo poucos. Mas esses poucos, pode apostar, amo muito.
—  Clarissa Corrêa.
Meu coração acelera perto de você, minhas pernas ficam bambas, é isso. E quando sinto o teu cheiro, tenho vontade de te abraçar e não soltar nunca mais. Mesmo em uma noite sem estrelas, o céu fica lindo quando te vejo. Tudo com você é mais bonito, todos os defeitos são perfeitos. Você é o único que pode tirar o melhor de mim sem esforço algum, me fazer sorrir e me apaixonar cada vez mais, sem precisar de um motivo.
—  A culpa é mesmo das estrelas? 
Percebi que inevitavelmente o tempo passa e as pessoas mudam e as lágrimas secam e você começa a se reerguer devagar. Então, sem tentar fazer força, você olha o que restou dos castelos que a onda levou. E percebe que está na hora de mudar de praia, de areia, de estrutura de castelo. E começar uma nova história. Do zero.
—  Clarissa Corrêa. 
Outro dia, fiquei pensando no mundo sem mim. Há o mundo continuando a fazer o que faz. E eu não estou lá. Muito estranho. Penso no caminhão do lixo passando e levando o lixo e eu não estou lá. Ou o jornal jogado no jardim e eu não estou lá para pegá-lo. Impossível. E, pior, algum tempo depois de estar morto, vou ser verdadeiramente descoberto. E todos aqueles que tinham medo de mim ou que me odiavam quando eu estava vivo vão subitamente me aceitar. Minhas palavras vão estar em todos os lugares. Vão se formar clubes e sociedades. Será nojento. Será feito um filme sobre a minha vida. Me farão muito mais corajoso e talentoso do que sou. Muito mais. Será suficiente para fazer os deuses vomitarem. A raça humana exagera tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância.
—  Bukowski.
Lá se foi a época que eu chorava por um homem, ou melhor, por um moleque. Na primeira vez que eu te vi, logo falei que essa era a última tentativa de ver algo bom nesse tal de amor. Naquele noite você sentou do meu lado e ouviu todas minhas histórias, disse compreender todas minhas dores e o pior que não iria fazer nenhuma daqueles coisas. E bom, você não fez mesmo, fez pior, pois eu acreditei em todas as palavras que saiam do sua boca, acreditei no seu olhar, me sentia segura no seu abraço, me via feliz ao teu lado, me imagina com um grande futuro para nós. Te dei o meu melhor, deixei as noites de lado para ouvir como foi seu dia, deixava você livre para fazer o que gostava sem murmurar, não brigava quando me deixava de lado por causa de um jogo de futebol e eu como te amava, ainda ia ver você jogar, todo mundo que estava em volta podia ver meus olhos brilharem só de olhar para você. Te fiz como minha primeira escolha, te coloquei em primeiro lugar, fiz de ti como minha base, te escolhi como muralha. E ai foi meu erro, te amei demais e você só fingia, assim sabendo que não merecia esse amor, se foi.
—  Ilusões de Esther. 
De repente, tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo as necessidades, vai reduzindo a bagagem. As opiniões dos outros, são realmente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós; não tem importância. Vamos abrindo mão das certeza, pois já não temos certezas de nada. E, isso não faz a menor falta. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado, e sim a vida que cada um escolheu experimentar. Por fim entendemos que tudo que importa é o que traz paz e sossego, é viver sem medo, é fazer o que alegra o coração naquele momento. E só.
—  Desconhecido.
Pessoas com vidas interessantes não tem fricotes. Elas trocam de cidades. Investem em projetos de garantias. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam convite pra fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor.
—  Martha Medeiros
Por que você tem que ser assim? Você tinha mesmo que ser exageradamente lindo? Estupidamente apaixonável, de uma forma tão incrível. Por Deus, haja adjetivos para tantas qualidades existentes em uma única pessoa. Você me pegou em cheio, foi um tiro certeiro, e aposto com toda certeza de que você não tem noção do estrago que você causou. Mas quer saber? Nunca gostei tanto de que minha vida fosse estragada de tal maneira. Você chegou com esse sorriso, e porra, que sorriso, hein? Mesmo que eu quisesse, eu não conseguiria fugir, não há como resistir a tamanha perfeição, é inexplicável, e você nem imagina o quanto eu te odeio por isso. Te odeio por você causar toda essa confusão em mim, me deixar sem saber o que fazer, me deixar sem chão. Te odeio mais ainda por você ter roubado meu coração.
—  You steal my heart.
Acho que quando pensamos demais para escrever algo acabamos não escrevendo nada do que queríamos, por isso decidi tentar escrever tudo que se passa aqui dentro de mim, sem censurar nada. Primeiramente queria saber qual o meu problema em ser tão carente e ao mesmo tempo me fechar assim para todo mundo. Sério. Eu também não entendo. Outra coisa que eu não entendo, é como eu consigo motivar tanto as pessoas a seguirem em frente, a se amarem, a serem felizes, mas viver num mundinho meia boca, todo incolor e sem vida, talvez eu fosse mais feliz, ou menos triste, se eu não mensurasse tanto minhas ações. Não há motivos para isso, todo mundo erra e eu não sou diferente. Não preciso temer os julgamentos, as pessoas sempre estão mais preocupadas com seus próprios erros, só julgam os seus quando não querem ficar lembrando toda hora os erros dela. Tenho que anotar isso em algum lugar e lembrar de não esquecer, acho que será útil em dias de crises existências: que não são raros. Ou melhor, não são nem um pouco raros.
—  Jadson Lemos. 
Ele perguntou o que estava acontecendo com o meu coração. Achei engraçado. Ele é Deus, meu coração cabe na palma da sua mão. Mas naquele momento percebi o quanto era importante para Ele que eu dissesse. Fechei os olhos, respirei fundo e disse:
— Para ser sincero, não sei exatamente o que está acontecendo com o meu coração. Parece que os meus sentimentos estão descontrolados, como se alguns estivessem atropelando outros. Não tenho tido estabilidade. Às vezes me sinto em paz. Às vezes me sinto em desespero.
Me calei por alguns instantes tentando segurar as lágrimas. Recuperei o resto de força que tinha e continuei:
— Eu me sinto perdido, sem saber o que fazer. Perdi pessoas importantes, machuquei quem nunca quis machucar. A minha realidade cruel fere.
Ele olhou para mim se mantendo sério, como se estivesse me examinando.
— Suas ações já trouxeram para você muita dor - Ele falou em um tom sereno. Seu coração ainda está um caos, o que gera grande parte do seu sofrimento. Não estou aqui para julgar as más escolhas que tornam certas partes do seu passado ruim, mas para te libertar dele. Os meus planos para você não se foram com os seus erros, ainda estão bem vivos. Realizá-los depende de você.
Enquanto ouvia aquelas palavras as lágrimas que eu tanto tentava esconder se tornaram visíveis. Ele estava certo, sobre tudo. Olhei para Ele, e com a voz falha pedi:
— Por favor, eu quero viver esses sonhos. Eu quero…
Sem demorar, respondeu Ele:
— Está bem. Colocarei o seu caos em ordem. Do seu coração sou eu quem cuido.
—  Cartas para Deus
Não é possível uma vida sem amor. Ou com amor adormecido. Se você ama alguém, desperte o amor que dorme! Vez ou outra, faça algo extraordinário. Faça loucuras, compre flores, ofereça um jantar, ponha um novo perfume… Não permita que o amor durma enquanto você está acordado sem saber o que fazer da vida. Reconquiste! Acredite: reconquistar é uma tarefa muito mais árdua do que conquistar, pois vai exigir um esforço muito maior. Mas… sabe de uma coisa? Vale a pena! Vale muito a pena!
—  Pedro Bial.
Após uma longa noite de desabafos, a gente acaba se despedindo sem saber o que fazer, e nem qual direção tomar. Eu digo que vou dormir, e vou prometendo que no dia seguinte falarei com você e irei fingir que nada aconteceu. Você chega a dar risada, achando engraçado a minha forma de falar. Mas a gente sabe que nada vai mudar, e tudo vai continuar no mesmo lugar em que já está. Eu aqui, e você lá.
—  Confidências de Eva.
Cá entre nós, vai ser difícil viver longe de você, mas não será impossível. Eu sei que vou sofrer no começo, sei que vou sentir um vazio enorme em meu coração e em nossa cama. Mas, com o tempo, a gente vai se acostumando. Vamos seguir nossas vidas, ir para caminhos diferentes e evitar ao máximo nos encontrarmos na mesma cafeteria. Algum dia nossos olhares irão se cruzar novamente, e será estranho, ficaremos sem jeito, sem saber o que falar ou fazer, será como se algo voltasse à tona, seremos como estranhos que um dia tiveram algum sentimento entre si, como uma paquera de colégio, algo não correspondido. Desviaremos nossos olhares com um sorriso de canto na boca, e seguiremos a vida, como deve ser feito.
—  Gabriel Mariano - Dias de verão, noites de inverno.
Minha mente bloqueou ao escrever sobre você. As palavras fugiram, fiquei sem saber o que fazer. Mas um filme passou diante dos meus olhos, pude ver aquele teu sorriso, teu jeito lindo de viver a vida ainda se faz presente. Tanto tempo passou, eu amadureci, e não importa quanto o tempo passe, você sempre continuará a fazer parte do lado mais bonito do meu ser.
—  Sobre aquele 30 de novembro.
Os livros são a minha automedicação. Na imaginação, sou livre, sem limites e deveres, posso fazer e deixar que façam o que bem entender, sem decepcionar ninguém. É bom para mim. Acredito que o corpo se sente bem quando a alma está em boa saúde e vice-versa. A leitura me ajuda. Mas essa sensação agradável desaparece assim que a história acaba. E toda a minha vidinha miserável volta a estar presente.
—  Christiane Felscherinow.