sem fala

não quero terminar isto dizendo que quis muito fazer dá certo. não quero ter motivos para te largar e nem para você me largar, não quero ser deixada falando sozinha ou desligar o telefone na sua cara. eu quero que seja simples como tudo que eu escrevo, entendeu? quero que a gente seja bom, seja suficiente. não quero terminar isso e não quero terminar isso chorando. seja aquela coisa bonita que um dia fomos. a gente se perdeu muito pra chegar até aqui, perdemos o mapa, era tarde e ninguém deu carona, não estraga. por favor, não estraga.

october, 1994

O dia não combina comigo, mas já a noite, escura e fria, combina perfeitamente. Eu me sinto a vontade com o silêncio, gosto de conseguir ouvir meus pensamentos e conseguir entrar em um consenso comigo mesmo. Então conheci você, completamente silenciosa, ah, como eu gosto disso, dessa sensação de que estou ferrado e não odeio a idéia. Você se ajeita melhor no calmo e silencioso, guerra não faz parte de você, pelo menos não de uma forma exposta. Eu enrolei pra dizer que sinto muito barulho no seu silêncio, somos duas almas silenciosas e cheias de tulipas internas se amando mais e mais. Eu gosto muito disso. E me desculpe a falta de jeito com as palavras, amar você me deixa sem fala.
—  Seu toque interno.

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

—  Fernando Pessoa.

Rivane Neuenschwander
Zé Carioca, O mistério do papagaio sem fala (The Mystery of the Speechless Parrot) (detail), 2003/2014
acrylic paint on comic books
11 pages, 11 x 5 1/8 inches each

One Shot Liam Payne 

Semana LPayne

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— Eu não vou fazer isso! — esbravejei enquanto meus olhos estavam fuzilando a cara de merda que Liam fazia.

— Aquele lugar é um lixo, minha namorada não pode trabalhar naquilo. — ele disse a última palavra com bastante desdém.

— Aquele lixo me acolheu quando você me abandonou! Aquele lixo me manteve viva quando eu não tinha mais nada e nem ninguém, então não me faça escolher entre você e aquele “lixo”. Eu não sou mais aquela idiota que ficava atrás de você como uma sombra. — despejei sobre eles meus pensamentos — E até onde eu sei, eu não sou sua namorada. Você não pediu e eu também não.

— Você não pode está falando sério, (seu nome). — Liam riu sem humor — Eu estou te oferecendo uma vida melhor e você está jogando essa oportunidade na minha cara.

— Oportunidade de quê? Oportunidade de voltar a ser dependente de você e dos seus amigos para vocês me chutarem mais uma vez quando eu menos esperar?

— Quando eles deixaram de ser seus amigos e passaram a ser só meus?

— Quando todos sumiram e só voltaram anos depois porque acharam que seria divertido. — me joguei no sofá porque eu estava cansada demais, Liam esperou eu chegar do meu trabalho para começar mais uma vez o seu discurso machista e controlador.

Estamos ficando e tentando ter alguma coisa há quase dois meses e ele já se vê no direito de querer escolher ou me fazer escolher o que eu vou fazer, parece ser muito difícil ele aceitar que tudo que ele encontrou quando chegou permanecerá do mesmo jeito se ele quiser ficar.

Na noite seguinte a qual nos reencontramos, Liam realmente foi me buscar para sair e eu aceitei porque era o que eu queria fazer, não me custaria nada ouvir as desculpas esfarrapadas saírem de sua boca. Os olhos castanhos dele conseguiram me levar para o seu quarto de hotel quando eu disse que iria para casa, eles também conseguiram com que eu deixasse me levar por seus beijos e não precisou de muito para que eu estivesse nua e suada sob o seu corpo.

— Esquece o passado! — ele alterou o tom de voz passando a mão no cabelo em sinal de irritação, mas se conteve — Cometemos um grande erro, eu principalmente. Metemos você numa briga que não tinha nada a ver com você, eu ainda estava abalado por Zayn ter saído e pelas coisas que ele falou, mas isso não justificativa para nenhum de nós. Eu sei que não tem explicação, mas por favor, tente entender que não vamos fazer a mesma coisa, não vamos repetir o nosso erro.

Liam estava agora de frente para mim ajoelhado no chão ao lado do sofá. Seus olhos encaravam os meus de uma forma tão intensa que eu poderia dizer sim a qualquer coisa que ele me pedisse porque seus olhos são capazes de ter tudo o que querem. Mas eu disse “poderia”. Poderia me fazer dizer sim a qualquer coisa se eu fosse a mesma de antes, agora eles só conseguem me induzir a fazer o que eu já tenho vontade.

— Quando já se esteve no fundo do poço, aprender a não confiar em ninguém é a primeira regra que tem que ser cumprida. Você não entende porque você nunca esteve lá. — ele suspirou.

— Eu nunca achei que eu fosse te ver tão machucada… — sua mão veio de encontro ao meu rosto e eu apenas deixei que ele me tocasse — Me desculpe por ter feito isso com você, esse foi o maior erro que eu já cometi na minha vida.

— Você já disse isso.

— Eu sei, mas vou continuar dizendo porque eu não quero que você esqueça. Eu te amo e estou aqui para ficar, independente você ser a garota doce de antes ou a garota meio punk que trabalha em um bar.

— Eu não sou punk. — me defendi calmamente sem tirar minha concentração de seus dedos macios no meu rosto.

— Para mim você é. — ele riu baixo e beliscou de leve a minha bochecha.

— Você sabe que nada vai voltar a ser como era, não sabe? — perguntei com certo pesar na minha voz, ele tinha que saber que eu não vou voltar a ser a sua namoradinha como o Harry tinha me nomeado aquela noite. Se ele algum dia decidir ir embora, eu prefiro que seja logo.

— Talvez não volte, mas eu não me importo. Agindo diferente ou não, você é e sempre será a pessoa a qual eu me encaixo. — mordi meu lábio para não sorrir.

— Acho que você também sabe que essas suas palavras não podem me comprar. — não conseguir segurar o sorriso por mais tempo e então eu deixei meus dentes a mostra quando Liam também sorriu.

— Será? Eu não teria tanta certeza se eu fosse você… — suas mãos foram tão rápido em direção a minha barriga que eu só me dei conta do que ele estava fazendo quando comecei a rir sem parar.

Gritando para que Liam parasse eu me joguei para fora do sofá quando ele não mostrou sinal de piedade, meu corpo caiu sobre o dele e mesmo que as cócegas tivessem cessado, eu ainda estava rindo e Liam me acompanhava com suas mãos descansando em minha bunda.

— Eu te odeio, sabia?! — meus olhos estão focados nos seus quando eu deixo um selinho em seus lábios.  

— Algo me diz que você me ama, só não quer admitir.

E sem mais delongas, Liam tomou meus lábios com os seus não me deixando outra escolha a não ser retribuir. Minhas mãos foram de encontro aos seus cabelos e puxei alguns fios ao senti-los macios entre meus dedos.

— Vocês precisam de um quarto, amigos? — a voz de Louis carregada de segundas intenções nos tirou da nossa bolha.

— Achei que não precisasse já que nenhum dos quatro bastardos empata foda moram aqui. Achei que estávamos livres de vocês. — me sentei no chão mesmo e olhei os quatro em pé um ao lado do outro como se fossem manequins.

— Só eu que não me acostumei com ela desse jeito? — Zayn perguntou e eu o mostrei o meu dedo do meio.

— Vocês são namorados de novo… Nós somos amigos de novo também? — Niall perguntou em dúvida parecendo fazer alguma conta em sua cabeça.

— Não força a barra, irlandês. E só para deixar claro, eu não tenho um namorado.

— Namora comigo? — Liam jogou em minha direção me olhando com aquela cara de cachorro sem dono.

— Para de brincadeira. — eu empurrei seu rosto de leve para o lado e ele segurou meu pulso.

— Eu não estou brincando. — pelo seu olhar sério eu percebi que não estava mesmo — Namora comigo? Não precisa voltar a ser como você era antes. Não precisa sair daquele bar horrível. Apenas fica comigo como você está agora porque é como eu quero você. Eu quero você de qualquer jeito. — seu polegar acariciou a minha pele.

— Você tem que parar de fazer isso…

— Aceita logo, sua burra! Se fosse eu, já teria dito sim. — eu olhei para Harry com um olhar mortal e Louis entrou na frente dele.

— Ela vai te jogar um feitiço, Harold.

— E então..? — Niall fez um sinal com as mãos para que eu respondesse.

— Eu já disse que eu não vou voltar a ser como era antes e…

— E eu disse que não me importo com seu comportamento punk. — ele me interrompeu — Para de tentar encontrar motivos para dizer não. Eu te amo!

Liam me deixou sem fala por algum tempo, eu realmente estava atrás de alguma coisa para segurar e dizer não incansavelmente, mas Liam é muito esperto para cair todas as vezes, ele sabe que eu quero dizer sim.

— Tudo bem… Mas não ache que…

Minha fala foi interrompida novamente, mas dessa vez pela boca de Liam. Os meninos velas como são, começaram a gritar e bater palma e dessa vez Liam e eu não nos importamos de tê-los como platéia, eu voltei a deitar sobre Liam e continuamos nos beijar de forma quente e gostosa, quando eles achassem que estava demais dariam o fora rapidinho.




Como vocês pediram bastante, aqui está a parte dois.

A semana LPayne será encerrada com ele, demorei um pouco, mas está entregue os cinco 1s que o Liam tinha direito (sendo um deles a continuação).

Espero que tenham gostado e não se esqueçam de dar o retorno. 

- Tay

Anônimo: Mari, você pode fazer um imagine com o Harry, que ele e a S/N brigam no supermercado, pq o Harry ajudou uma moça a pegar algo que está no alto da prateleira, só que ele não só ajudou, ele da uma secada nela, e a S/N vê, e ele tenta se justificar, fala que foi sem querer, as pessoas ficam olhando os dois brigarem. (você pode criar um final para a história) 😉

— Pegamos tudo ? — perguntei avaliando aquele carrinho repleto de coisas 

— Falta o principal — ele sorriu sacana 

— O que ? — perguntei conferindo a lista — de acordo com a lista parece que pegamos tudo 

— Camisinha, meu amor — ele riu e passou por mim, indo até a prateleira de camisinhas 

Peguei mais alguns chocolates e algumas coisas que faltavam e finalmente avistei Harry voltando com vários pacotinhos de alumínio em mãos. 

— Meu Deus, Harry — disse boquiaberta com aquela quantidade 

— Eu sei que vamos usar todas! — piscou e deu um beijo na minha bochecha 

Ele começou a empurrar o carinho se dirigindo até o caixa, quando se deparou com uma mulher na ponta do pé sofrendo para conseguir pegar um condicionador. 

— Quer ajuda ? — ele perguntou e eu senti meu sangue ferver. 

— Vou aceitar — a mulher respondeu dando um sorriso exibido para o meu Harry. 

— Prontinho — ele sorriu entregando o condicionador 

— Muito obrigada 

Ela colocou no carrinho e saiu dali enquanto Harry ficou babando no corpo da mulher, ele nem ao menos disfarçava o quanto estava secando aquela piranha  

— O que foi amor ? 

— Quer ajuda ? -revirei os olhos imitando a forma que ele falou com ela 

— Eu não acredito nisso — ele riu 

- Você sabe como eu odeio quando você tem contato com outras mulheres 

Harry sempre teve fama de mulherengo e por mais que ele jurasse ser fiel a mim, eu ainda tinha o pé atras. Ele não podia ver um rabo de saia que já ia se engraçar e isso me irritava muito. 

— Ela estava precisando de ajuda 

— Ajuda ? Harry o corredor está cheio de gente — berrei atraindo os olhares de todos que estavam ali naquele corredor, que para variar estava lotado — Se ela realmente precisasse ela iria pedir para qualquer um que está aqui. 

— Eu evitei que ela pedisse, oferecendo a minha ajuda. 

— Eu não estou acreditando no que estou ouvindo. Você comeu ela com o olho, Harry 

— Foi sem querer… Fala baixo, amor

— Harry para de levar isso numa boa, você secou uma mulher na minha frente e acha que está tudo bem ? Vai lá usar essas camisinhas que comprou com ela!  

— Eu juro que não percebi para onde estava olhando… Se acalma, esta todo mundo olhando para gente — ele passou os olhos por todo corredor observando o olhar atento daquelas pessoas para nossa discussão — Para com isso. 

— Que droga — abaixei a cabeça sentindo a raiva diminuir

— Calma — ele se aproximou de mim — Você sabe que eu jamais te trairia, não tem porquê ter esse ciúme todo. 

— Mas a forma que você olhou para ela dizia o contrário disso… 

— Desculpa, eu reconheço que errei. Agora para com isso, por favor… 

— Ai Harry — eu não resistia aquele homem

Seus braços tatuados me envolveram em um abraço, e suas mãos faziam carinho nas minhas costas em meio a um corredor de supermercado. 

— Tudo bem ? — ele perguntou me encarando e colocando uma mecha do meu cabelo atras da orelha 

— Você vai levar as compras sozinho — fiz bico 

— Eu levo. Birrenta! 

Saímos daquele corredor como se nada tivesse acontecido e os olhares das pessoas para nós era inevitável.

A poesia é, de fato, o fruto
de um silêncio que sou eu, sois vós,
por isso tenho que baixar a voz
porque, se falo alto, não me escuto.

A poesia é, na verdade, uma
fala ao revés da fala,
como um silêncio que o poeta exuma
do pó, a voz que jaz embaixo
do falar e no falar se cala.

Por isso o poeta tem que falar baixo
baixo quase sem fala em suma
mesmo que não se ouça coisa alguma.

— Ferreira Gullar.

me manda nudes da tua ALMA! do teu sorriso frouxo, da tua voz meio quieta quando fica sem graça. Me fala sobre os teus discos, teus filmes favoritos, me conta um pouquinho da tua infância, sei lá. Me manda uns textos que você curtiu, fala sobre livros que cê comprou e nem leu, sobre remédios que cê tem alergia. Me fala sobre animais de estimação, sobre coisas aleatórias, sobre signos e pessoas que te tiram a paciência.

É um câncer. Do tipo raro. Deu um bote no coração. Impregnou-se pelos pulmões. Os ossos foram atingidos. É cômico. Não fumo. Não bebo. O erro foi amar. Colocar intensidade onde deveria ter um ponto final. O erro foi amar demais. O amor é um câncer e eu estou morrendo. Os dias estão contados. A vida vira piada. Poesia. Canção. Comédia romântica. A porra toda. Os impressionistas ficariam impressionados com a vontade que temos de encontrar o amor mesmo depois que ele mostra a sua verdadeira identidade. Depois que o amor te estupra. Tudo muda. Há sequelas irreparáveis que  vão te sondar para o resto da sua existência patética. O amor é o diabo encarnado no corpo dele. O amor não é uma rosa com espinho. O amor não cheira bem. O amor não é bonito. Nem de perto, nem de longe. Nem do esgoto, nem do Palácio do Planalto. O amor é aquele choro seco, aquele diálogo sem fala, aquela lembrança sem cais, aquele perfume enjoado. O amor está longe de ser um sonho. O amor é realidade. É pesadelo. É gente matando gente. Pessoas ficando carecas. É rato saindo do bueiro, é barata voando pelo o espaço terrestre. Amar é estar no inferno e, Bukowski, você estava certo, “O amor é um cão dos diabos”.
—  oneprince.

A poesia é, de fato, o fruto
de um silêncio que sou eu, sois vós,
por isso tenho que baixar a voz
porque, se falo alto, não me escuto.


A poesia é, na verdade, uma
fala ao revés da fala,
como um silêncio que o poeta exuma
do pó, a voz que jaz embaixo
do falar e no falar se cala.
Por isso o poeta tem que falar baixo
baixo quase sem fala em suma
mesmo que não se ouça coisa alguma.

—  Ferreira Gullar.