sem comer

Acho que você tem que enfiar a cara na lama, de vez em quando, acho que você tem que saber o que é uma prisão, o que é um hospital. Acho que você tem que saber o que é ficar sem comer por quatro ou cinco dias. Acho que viver com mulheres loucas faz bem para a espinha. Acho que você pode escrever com satisfação e liberdade depois de passar pelo aperto. Só digo isso porque todos os poetas que conheci têm sido uns frouxos, uns parasitas. Não tinham nada pra escrever, exceto sua egoísta falta de persistência.
—  Charles Bukowski.
Sabe, às vezes tudo que eu preciso é colocar uma música pra tocar e começar a pular e dançar. Literalmente, me soltar. Colocar pra fora o que tenho de sentimento ruim. Às vezes tudo que eu quero é pedir uma pizza ou um hambúrguer, e tê-lo acompanhado de uma cerveja. Comer sem pensar em dieta, sem pensar no dia de amanhã. Penso que eu queria alguém pra me dizer que fazer isto não é errado, e que, de certa forma, é saudável. Mas se eu estou dizendo isso, é porque já tenho essa informação, e não preciso de alguém pra me dizê-la, não é mesmo? Só preciso quebrar barreiras, e então me deixar ser aquilo que estou com vontade de ser, porque pelo menos, assim, não me sinto tão sozinho; me sinto com a minha companhia, completo.
—  Pode me chamar de Léo. 
Olhe para você. Sério, tire toda a sua roupa, vá para frente do espelho, e olhe para você. Acha fofo ser bochechuda? Isso é apenas gordura localizada na bochecha. NA BOCHECHA! E esse pescoço? Ah é, ele não existe, sua cabeça e seu ombro são uma coisa só. Uma única gordura. Acha seus peitos grandes? Sabe que eles só são assim por que você é gorda né? Os seios tem gordura, porém a sua passou do limite. Não é porque são naturais que eles são caídos. É porque você é gorda mesmo! Tão gorda que nem seus seios aguentam ficar em pé, de tão pesados. Olha essa barriga. Que nojenta. Você é ridícula menina. RIDÍCULA! Suas roupas tem que ser largas para esconder a barriga. E aquela blusa que nem serve mais em você? Não sente falta dela? Preferiu mesmo comprar uma maior do que ficar sem comer para caber naquela que você já tinha? Se você ficasse grávida, não daria nem para notar. Sua barriga já é redonda mesmo. Quantos constrangimentos você não já passou? Porque a blusa subiu e a barriga ficou amostra. Por que usou uma roupa justa e pareceu o boneco de pneu dá Michelin. E essas pernas que assam todo verão? Por acaso elas querem se tornar uma coisa só para andar tão unidas? Se elas nasceram separadas então tem que viver SEPARADAS! Olha essa sua bunda garota! Como pôde deixar ela chegar assim?! Ela é quadrada e negativa! Sua bunda é deformada. SEU CORPO É DEFORMADO! VOCÊ É DEFORMADA! PORQUE VOCÊ É GORDA! Você corre e parece que sua pele vai soltar de você, de tanto que ela balança. De tanta pelanca. Você é tão jovem, mas parece que já desistiu dá vida. Fica aí sentada, deixando essa bunda nojenta mais quadrada. Só comendo, e comendo, e comendo... As pessoas te chamam de fofa para ser educadas. Mas você não é fofa, você é Gorda! Você é Obesa! Você é Nojenta! Você é Ridícula! Você é Deformada! Seu corpo não tem curvas. Só as dobras que esse monte de banha faz. No calor todo mundo sua. Mas você? Você é mil vezes pior. Um leitão sua menos que você. Você não pode nem ser chamada de baleia. Por que até a baleia tem o estômago menor que o seu. Sabe a maior coisa que uma baleia pode comer? Uma maçã. Já você, como uma pizza inteira e ainda sente fome! Toma vergonha na cara e fecha essa boca! Vamos emagrecer. Vamos parar de ser piada. De passar vergonha. Vamos comprar a roupa que quisermos e anda na rua sem se preocupar. Vamos ser magras. Vamos ser leves. A gente consegue! Eu sei que você consegue! Foque. Não desista. Persista! Corra, mas corra muito! Corra atrás do tempo perdido. Corra para perder toda essa gordura. Você consegue! Você não está sozinha! Feche essa boca. Tome apenas água. Viva de ar. Você só precisa de comida para ter energia, não para se satisfazer. Comer não é prazeroso. Comer engorda, e engordar é sempre viver assim. Você não quer ser feliz? Não quer ser notada pela sua beleza e não pelo seu tamanho? ENTÃO FECHE A BOCA. O sofrimento faz parte. Mas é um sofrimento que vale a pena. Você vai ver!
Se vai tentar, vá até o fim.
Caso contrário, nem comece.
Se vai tentar, vá até o fim.
Isso pode significar perder namoradas, esposas, parentes, empregos e talvez até a cabeça.
Vá até o fim.
Isso pode significar ficar sem comer por três ou quatro dias.
Isso pode significar congelar em um banco do parque.
Isso pode significar… Prisão.
Isso pode significar receber escárnio, gozações, isolamento.
Isolamento é um presente, todo o resto é um teste da sua resistência, de quão forte é a sua vontade.
E você fará a despeito da rejeição e dos piores azares e será melhor do que qualquer coisa que possa imaginar.
Se vai tentar, vá até o fim.
Não há outra emoção como essa.
Você estará sozinho com os deuses e as noites queimarão como fogo.
Faça, faça, faça. faça, até o fim, até o fim.
Você cavalgará a vida diretamente para o riso perfeito.
Essa é a única boa luta que existe.
—  Charles Bukowski.
a n s i e d a d e g e n e r a l i z a d a

dor. sufocando. coração acelerado. choro. vai passar. respira. inspira. mais um dia. não pense sobre ansiedade. ai, não, de novo. palpitação. viver. conviver. mais um dia. pânico. sozinha. tentar. não pense sobre ansiedade. sem conseguir respirar. concentração. mais um dia. sem comer. vômito. suando frio. mais um dia. tem prova. trabalho. estuda. respira. não pense sobre ansiedade. tenta. mais um dia. menos um dia.

Reação do BTS ao você acordar de um desmaio por ficar sem comer

J-Hope: Eu estava tão assustado, S\N. Te ver assim, sem comer, desmaiando, fraca…por favor, pare. Isso dói muito.

Jimin: S\N, precisamos conversar. Você não tem que seguir o que os outros acham bonito, as pessoas têm um padrão muito comum de beleza e quem lá gosta de coisa comum?! O importante é você ser feliz da forma que quiser. Se quiser emagrecer, faça isso com saúde e não se machucando dessa forma. Você não merece sofrer assim.

Jin: Oi, minha princesa. Agora que está acordada seu oppa vai cuidar de você. Vem, eu te dou comida nem que seja na boca. *prefere cuidar de você com mimos antes de ter a conversa séria contigo*

Jungkook: Eu tive tanto medo quando me contaram que você tinha desmaiado. S\N, seu corpo é lindo. Não importam o que as pessoas falem, ele sempre vai ser lindo para mim. 

Rap Monster: Eu poderia passar o dia inteiro falando o quão errado foi isso que você fez, mas eu to horas aqui sentado esperando você acordar. S\N, por você e por mim, pare de agredir seu corpo procurando uma perfeição que não existe.

Suga:*suspira aliviado* Nunca mais faça isso, por favor, eu quase morri de preocupação.

V: Eu realmente estou aliviado por você ter acordado. Não faça mais isso, você é linda. Não precisa disso.

Acho que você tem que enfiar a cara na lama, de vez em quando, acho que você tem que saber o que é uma prisão, o que é um hospital. Acho que você tem que saber o que é ficar sem comer por quatro ou cinco dias. Acho que viver com mulheres loucas faz bem para a espinha. Acho que você pode escrever com satisfação e liberdade depois de passar pelo aperto. Só digo isso porque todos os poetas que conheci têm sido uns frouxos, uns parasitas. Não tinham nada pra escrever, exceto sua egoísta falta de persistência.
—  Charles Bukowski
Imagine - Harry Styles

Me contem o que acharam… beijos 

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Segundos depois, ouvi os passos de Harry se distanciarem e a porta do quarto ser fechada. Eu não sabia se o que eu tinha escutado era real ou estava apenas fantasiando.

Decidi levantar e ir à caça de um remédio. Ao chegar na cozinha, notei como a casa estava silenciosa e encontrei um bilhete com uma cartela de analgésicos na bancada. O bilhete, em poucas palavras, dizia que ele havia ido para uma viagem inadiável, afinal ele já havia adiado ela ontem. Por minha causa, pensei sozinha.

Troquei de roupa, e chamei um taxi indo para casa.

Passei dias e dias sem notícias de Harry e nesse tempo apenas me dediquei a escrita. Me segundo livro aclamava por atenção. Mathew apareceu poucas vezes no meu apartamento, afinal ele havia conhecido um cara que demonstrava ter um interesse e tanto nas qualidades dele.

Não que achasse ruim ficar sozinha. Na verdade, eu adorava; eu tinha tempo para planejar minha escrita, focar em futuros projetos, pensar em viagens, conversar com os leitores… eu sempre arranjava coisa para fazer.

Eu estava abarrotada de papeis e livros ao meu redor quando a campainha tocou; meu celular já marcava onze horas da noite e eu sequer havia saído do escritório para jantar. Pelo olho mágico encontrei o par de olhos verdes que fazia meu sorriso crescer sozinho. Eu não estava vestida para encontra-lo, mas também não teria tempo para me arrumar. Pijama surrado e cabelo desgrenhado não devem ser muito atraentes.

- Por que você não me avisou que vinha? – Abri a porta devagarinho, mas em seguida desisti e parei em frente a porta fazendo uma pose engraçada.

- Por que queria encontrar você exatamente assim! – Ele riu. – Trouxe pizza!

- Você, com certeza, vai para o céu. – O puxei pelo casaco que ele usava.

- Você ficou quanto tempo sem comer? – Ele perguntou enquanto equilibrava a pizza na mão.

- Mais do que qualquer ser humano deveria.

Eu e Harry nos sentamos na sala mesmo e passamos a ter uma conversa leve enquanto euzinha devorava a pizza.

- ‘Tá sujinho aqui, (S/A)! – Harry apontou para o próprio queijo. Passei a mão envergonhada, tentando me limpar. – Deixa que eu…

Harry esticou o corpo em minha direção e limpou o que parecia estar sujo de molho. Ele estava tão próximo que suspirei sentindo seu perfume, amadeirado, forte, embriagante. Sentia Harry cada vez mais próximo de mim, ao ponto de sua respiração bater no meu cabelo.

Inclinei meu rosto para cima e fitei os lábios finos que estavam na minha frente.

Nosso beijo começou tranquilo e eu aproveitei cada segundo. Foi inevitável não intensificar o beijo gradativamente.

Minha camisa saiu do meu corpo e eu corri minhas unhas na nuca de Harry. Em meio a beijos e sussurros ao pé do ouvido, fomos para meu quarto e eu fui deitada na cama sentindo o peso de Harry cair sobre meu corpo. Estava tão confortável senti-lo assim.

Suas mãos me acariciaram como nenhum homem fez. Eu tentava controlar meus gemidos das mais diferentes maneiras e quando finalmente fui tomada por Harry, fui a loucura e foi completamente difícil me controlar. Em qualquer sentido.

Ao abrir meus olhos, me deparei com Harry dormindo tranquilo. Era relaxante vê-lo dormindo e, silenciosamente, pedi para ter essa visão mais vezes na minha vida.

Senti minha bexiga pressionar e me vi obrigada a levantar para ir no banheiro. Como eu não dormiria novamente, caminhei até a cozinha e preparei a cafeteira para passar o café. Voltei até a sala e recolhi a bagunça da noite anterior, inclusive minha blusa que havia ficado por ali. Sorri, lembrando o que aconteceu.

A cafeteira fez aquele ronco familiar e eu corri para me servir. Além de feliz, eu também me sentia inspirada, e por isso, corri para o escritório escrever mais um pouquinho. Parecia que eu poderia terminar aquele livro no segundo seguinte de tão agitada que eu havia ficado.

Não sei por quanto tempo eu fiquei desligada do mundo a meu redor para nem ouvir Harry perambulando pelo meu apartamento; apenas fui notar sua presença quando um prato com uma torrada muito cheirosa foi posto em minha frente me fazendo parar de escrever.

- Por que eu sei que você não comeu nada antes de vir sentar aqui. – Sua voz me arrepiou por completo e me fez subir meu olhar até ele.

- Obrigada! – Harry sorriu, selou meus lábios e saiu pela porta indo novamente para cozinha.

“Posso ir até a sua casa, faz dias que eu não te vejo” Meu celular piscou e eu ri lendo a mensagem de Mathew.

“Pode ser mais tarde? Tem um cara de cueca andando pelo meu ape. ” O respondi.

“Como assim? Esqueceu o Styles? “ Se eu bem conhecia Mathew, ele estava andando de um lado para o outro, aguardando ansiosamente minha resposta.

“É o Styles. “ Ri sozinha e desliguei o celular rapidinho. 

Eu sei viver sem você. Sei andar, comer, falar, ver um filme. Sei sorrir e nem é de mentira. Solto gargalhadas e conto piadas e sou rodeado pelos meus amigos o tempo todo. Leio livro, malho, faço amizades. Sou por inteiro sem você. Não existe nenhuma parte faltando, mas eu faço ela faltar. É que eu não preciso de você pra nada, mas quero você pra tudo. Eis o grande problema.
8 virtudes de Maria – e como viver cada uma delas.

O caminho concreto para estar cada vez mais perto de Nossa Senhora.

1. Paciência: Nossa Senhora passou por muitos momentos estressantes de provação, de incômodo e de dor, durante toda sua vida, mas suportou tudo com paciência. Sua tolerância era admirável! Nunca se revoltou contra os acontecimentos, nem mesmo quando viu o próprio filho na Cruz! Sabia que tudo era vontade de Deus e meditava tudo isso em seu coração. Maria, nossa mãe, teve sempre paciência, sabendo aguardar em paz aquilo, que ainda não se tenha obtido, acreditando que iria conseguir, pela espera em Deus.

Imitando essa virtude: Ter paciência é não perder a calma, manter a serenidade e o controlo emocional. Além disso é saber suportar, como Maria, os desabores e contrariedades do dia a dia, saber suportar com paciências nossas próprias cruzes. Devemos saber ouvir as pessoas com calma e atenção, sem pressa, exercitando assim a virtude da caridade. Fazer um esforço para nos calarmos frente aquelas situações mais irritantes e estressantes. Quando houver um momento de impaciência pode-se rezar uma oração, como por exemplo, um Pai-nosso, buscando se acalmar para depois tentar resolver o conflito. Devemos nos propor, firmemente não nos queixarmos da saúde, do calor ou do frio, do abafamento no autocarro lotado, do tempo que levamos sem comer nada… Temos que renunciar, frases típicas, que são ditas pelos impacientes: “Você sempre faz isso!”, “De novo, mulher, já é a terceira vez que você…!”, “Outra vez!”, “Já estou cansado”, “Estou farto disso!”. Fugir da ira, se calando ou rezando nesses momentos. A paciência se opõe à ira! “Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança.”(Rom. 5,3-4) “Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, esta­rá sujeito ao inferno de fogo.”(Mat 5,22).

2. Oração contínua: Nossa Senhora era silenciosa, estava sempre num espírito perfeito de oração. Tinha a vida mergulhada em Deus, tudo fazia em Sua presença. Mulher de oração e contemplação, sempre centrada em Deus. Buscava a solidão e o retiro pois é na solidão que Deus fala aos corações. “Eu a levarei à solidão e falarei a seu coração (Os 2, 14)” Em sua vida a oração era contínua e perseverante, meditando a Palavra de Deus em seu coração, louvando a Deus no Magnificat, pedindo em Caná, oferecendo as dores tremendas que sentiu na crucificação de Jesus, etc.

Imitando essa virtude: Buscar uma vida interior na presença de Deus, um “espírito” contínuo de oração. Não se limitar somente as orações ao levar, ao se deitar e nas refeições, estender a oração para a vida, no trabalho, nos caminhos, em fim, em todas as situações, buscando a vontade de Deus em sua vidas. “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Cl 3,17). e “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a acção de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus.”(Fil 6,6-7).

3. Obediência: Maria disse seu “sim” a Deus e ao projeto da salvação, livremente, por obediência a vontade suprema de Deus. Um “sim” amoroso, numa obediência perfeita, sem negar nada, sem reservas, sem impor condições. Durante toda a vida Nossa Mãezinha foi sempre fiel ao amor de Deus e em tudo o obedeceu. Ela também respeitava e obedecia as autoridades, pois sabia que toda a autoridade vem de Deus.

Imitando essa virtude: O Catecismo da Igreja Católica indica que a obediência é a livre submissão à palavra escutada, cuja verdade está garantida por Deus, que é a Verdade em si mesma. Esforcemo-nos para obedecer a requisitos ou a proibições. A subordinação da vontade a uma autoridade, o acatamento de uma instrução, o cumprimento de um pedido ou a abstenção de algo que é proibido, nos faz crescer. Rezar pelos superiores. Obedecer sempre a Deus em primeiro lugar e depois aos superiores. Obedecer a Deus é obedecer seus Mandamentos, ser dócil a Sua vontade. Também é ouvir a palavra e a colocar em prática. “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Luc 1, 38).

4. Mãe do Supremo Amor: Nossa Mãe cheia de graça ama toda a humanidade com a totalidade do seu coração. Cheia de amor, puro e incondicional de mãe, nos ama com todo o seu coração imaculado, com toda energia de sua alma. Nada recusa, nada reclama, em tudo é a humilde serva do Pai. Viveu o amor a Deus, cumprindo perfeitamente o primeiro mandamento. Fez sempre a Vontade Divina e por amor a Deus aceitou também amar incondicionalmente os filhos que recebeu na cruz. Era cheia da virtude da caridade, amou sempre seu próximo, como quando visitou Isabel, sua prima, para a ajudar, ou nas bodas de Caná, preocupada porque não tinham mais vinho.

Imitando essa virtude: Todos os homens são chamados a crescer no amor até à perfeição e inteira doação de si mesmo, conforme o plano de Deus para sua vida. Devemos buscar o verdadeiro amor em Deus, o amor ágape, que nos une a todos como irmãos. Praticar o amor ao próximo, a bondade, benevolência e compaixão. O amor é doação, assim como Maria doou sua vida e como Jesus se doou no cruz para nos salvar, também devemos nos doar ao próximo, por essa razão o amor é a essência do cristianismo e a marca de todo católico. “Por ora subsistem a fé, a esperança e o amor – estes três. Porém, o maior deles é o amor.” (I Cor. 13,13).

5. Mortificação: Maria, mulher forte que assume a dor e o sofrimento unida a Jesus e ao seu plano de salvação. Sabe sofrer por amor, sabe amar sofrendo e oferecendo dores e sacrifícios. Sabe unir-se ao plano redentor, oferecendo a Vítima e oferecendo-se com Ela. Maria empreendeu, e abraçou uma vida cheia de enormes sofrimentos, e os suportou, não só com paciência, mas com alegria sobrenatural. Nada de revolta, nada de queixas, nada de repreensões ou mau humor. Pelo contrário, dedicou-se à meditação para buscar entender o motivo que leva um Deus perfeito a permitir aqueles acontecimentos. Pela meditação, pela submissão, pela humildade, Ela encontrou a verdade.

Imitando essa virtude: Muitas vezes Deus nos envia provações que não compreendemos, portanto devemos seguir o exemplo de Nossa Senhora e meditar os motivos que levam um Deus perfeito a permitir essas provações, aceitá-las e saber oferecer todas as nossas dores a Jesus em expiação dos nossos pecados, pelos pecados de todos e pelas almas, unindo nossos sofrimentos aos sofrimentos de Jesus na Cruz. Não devemos oferecer somente os grandes sofrimentos, devemos oferecer também o jejum, fugir do excesso de conforto e prazeres e, na medida do possível, oferecer alguns sacrifícios a Deus, seja no comer (renunciar de algum alimento que se tenha preferência ou simplesmente esperar alguns instantes para beber água quando se tem sede), nas diversões (televisão principalmente), nos desconfortos que a vida oferece (calor, trabalho, etc.), sabendo suportar os outros, tendo paciência em tudo. É indispensável sorrir quando se está cansado, terminar uma tarefa no horário previsto, ter presente na cabeça problemas ou necessidades daquelas pessoas que nos são caras e não só os próprios. Oferecer os sofrimentos, desconfortos da vida, jejuns e sacrifícios a Deus pela salvação das almas. “Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta.” (Lamentações 1,12).

6. Doçura: Nossa Senhora, é a Augusta Rainha dos Anjos, portanto senhora de uma doçura angelical inigualável. Ela é a cheia de graça, pura e imaculada. Ela pode clamar as Legiões Celestes, que estão às ordens, para perseguirem e combaterem os demônios por toda a parte, precipitando-os no abismo. A Mãe de Deus é para todos os homens a doçura. Com Ela e por Ela, não temos temor.

Imitando essa virtude: A doçura é uma coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera. A doçura é antes de tudo uma paz, a manifestação da paz que vem do Senhor. É o contrário da guerra, da crueldade, da brutalidade, da agressividade, da violência… Mesmo havendo angústia e sofrimento, pode haver doçura. “Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência.” (Col. 3,12).

7. Fé viva: Feliz porque acreditou, aderiu com seu “sim” incondicional aos planos de Deus, sem ver, sem entender, sem perceber. Nossa Senhora gerou para o mundo a salvação porque acreditou nas palavras do anjo, sua fé salvou Adão e toda a sua descendência. Por causa desta fé, proclamou-a Isabel bem-aventurada: “E bem-aventurada tu, que creste, porque se cumprirão as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1,45). A inabalável fé de Nossa Senhora sofreu imensas provas: – A prova do invisível: Viu Jesus no estábulo de Belém e acreditou que era o Filho de Deus; – A prova do incompreensível: Viu-O nascer no tempo e acreditou que Ele é eterno; – A prova das aparências contrárias: Viu-O finalmente maltratado e crucificado e creu que Ele realmente tinha todo poder. Senhora da fé, viveu intensamente sua adesão aos planos de Deus com humildade e obediência.

Imitando essa virtude: A fé é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, uma virtude, devemos pedir a Jesus como fizeram os apóstolos para aumentar a nossa fé. Porém ter fé não é o bastante, é preciso ser coerente e viver de acordo com o que se crê. “Porque assim como sem o espírito o corpo está morto, morta é a fé, sem as obras” Tg (2,26). Ter fé é acreditar que se recebe uma graça muito antes de a possuir e é, acima de tudo, ter uma confiança inabalável em Deus! “Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.” (Luc 17,6).

8. Pureza Divina: Senhora da castidade, sempre virgem, mãe puríssima, sem apego algum as coisas do mundo, Deus era o primeiro em seu coração, sempre teve o corpo, a alma, os sentidos, o coração, centrados no Senhor. O esplendor da Virgindade da Mãe de Deus, fez dela a criatura mais radiosa que se possa imaginar. O dogma de fé na Virgindade Perpétua na alma e no corpo de Maria Santíssima, envolve a concepção Virginal de Jesus por obra do Espírito Santo, assim como sua maternidade virginal. Para resgatar o mundo, Cristo tomou o corpo isento do pecado original, portanto imaculado, de Maria de Nazaré.

Imitando essa virtude: Esta preciosa virtude leva o homem até o céu, pela semelhança que ela dá com os anjos, e com o próprio Jesus Cristo. Nossa Senhora disse, na aparição de Fátima, que os pecados que mais mandam almas para o inferno, são os pecados contra a pureza. Não que estes sejam os mais graves, e sim os mais frequentes. Praticar a virtude da castidade, buscando a pureza nos pensamentos, palavras e ações! Os olhos são os espelhos da alma. Quem usa seus olhos para explorar o corpo do outro com malícia perde a pureza. Portanto, coloque seus olhos em contemplação, por exemplo na Adoração, e receba a luz que santifica. Quem luta pela castidade deve buscá-la por três meios: o jejum, a fugida das ocasiões de pecado e a oração. “Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães não fermentados de pureza e de verdade” (I Cor.5,8).

-  Veritatis

Porque nós íamos assistir La La land com você achando engraçado o nome e até bonitinho, mas só tinha uma sessão para 20h e já era 19h30 e ainda não tínhamos comido, e a gente então se conversou pelo estômago priorizando a refeição, enquanto pensávamos o que iríamos pedir no caminho, e todos os problemas do mundo se transformam em grãozinhos de arroz, porque eu sei, eu sei, amar às vezes pode ser egoísta, mas ai você pede um lanche com umas tirinhas de frango e eu peço sem porque vou comer a sua quando chegar, e a atendente fica rindo da nossa discussão por comida. Porque no final você coloca nossas batatas juntas para comermos juntos e talvez o amor não seja tão egoísta assim.

Eu sou uma adolescente mimada e sem auto controle ou amor próprio. Eu sou bulímica. Comecei a ficar dias sem comer, a vomitar, a tomar laxantes, a ficar horas fazendo exercícios físicos. Sei que minha mente está transtornada, mas eu quis comprometer minha saúde física e mental em prol da magreza. Eu poderia já estar com 40kg ou até menos, já que faço há muito tempo, mas não! Eu insisto em continuar gorda, ter compulsões, comer até a barriga doer. Eu poderia estar tão magra e linda agora... Por que continuo desperdiçando todo meu esforço por comida?
Está vendo aquela menina sentada logo ali? Há alguns meses, ela era minha melhor amiga. Ela sabe tudo sobre mim, me conhece como a palma de sua mão. Eu estive com ela nos piores momentos, enxuguei cada uma das lágrimas que ela deixou cair; eu assisti filmes, comi doces, ri de mil piadas diferentes. Chorei com ela também, briguei muito, mas a nossa amizade sempre vencia de tudo. Era eu quem estava lá quando um idiota quebrou seu coração, quando ela não passou na prova ou brigou com os pais. E era ela também. Ela que me estendeu a mão, me fez rir quando tudo que eu mais queria era chorar. E hoje estamos separadas. Ela conheceu uma menina. Uma menina que jamais faria metade das coisas que eu fiz. Uma menina que a fez tudo de pior que pode se imaginar, que quebrou-a por dentro, destruiu cada um dos pedaços de seu coração, e mesmo assim, era eu quem estava ali pra consertar. Mas, ela viu algo naquela menina. Algo que eu não tinha, algo que eu jamais poderia ter. E ela me deixou. Foi embora, usando os mesmos apelidos que antes pertenciam à mim. Foi pra longe, chamando-a de “melhor amiga”, “irmã de outra mãe”, e me deixou. Eu fiquei sem reação, sozinha no mundo, sem minha melhor amiga, sem a pessoa que guardava meus maiores segredos. Estava exatamente como ela, sozinha, sentada em qualquer lugar, pensando em qualquer coisa, com um vazio. Eu chorei, cara como eu chorei. Eu passei noites sem dormir, dias sem comer, na espera de qualquer mensagem, qualquer telefonema. Até que eu deixei passar; deixei aquela história de lado, segui minha vida sem falar com ela sequer um dia. Não a esqueci, não deixei de sentir falta, apenas a deixei. Mas então a menina a magoou de novo, dessa vez um tanto quanto pior; ela havia ficado com seu namorado. Ela me procurou, e sabe, por um instante eu tive a vontade de pegá-la e cuidá-la, como se ela ainda fosse a minha melhor amiga, mas eu não consegui. Pela primeira vez na vida eu havia recusado ajudá-la, dar lhe colo; pela primeira vez na vida, ao ver aqueles olhos cheios de lágrimas, eu não consegui enxugá-las. Ela me pediu desculpa, disse que sentia muito, implorou por meu perdão, e eu juro que perdoei, por mais que soubesse que ela não sentia. É que ela mudou tanto. Ela me escutava, confiava em mim, se preocupava, corria atrás, dizia nunca me deixar e deixou. Jogou toda a nossa amizade no lixo, como se fosse um nada, como se eu fosse um nada, e me trocou por alguém que foi falsa, que não dava a mínima, e mesmo me tendo ali, dando toda a importância, se foi. Ela não era mais a mesma, não era mais a minha melhor amiga, e pela primeira vez pude sentir o fim daquilo. Acabou como se fosse fácil seguir em frente sem lembrar de tudo o que passamos, de todas as vezes que sorrimos e choramos. E acredite, eu acho que foi melhor assim. Quero lembrá-la como se fosse algo bom, porque, por um tempo, foi. Nunca me esquecerei de todas as vezes em que ela secou minhas lágrimas, cuidou de mim quando ninguém mais cuidou, por me aturar nos dias em que eu estava na pior tpm, por cada conselho, por brigar comigo tentando impedir de fazer as maiores loucuras. Hoje, depois de tudo, sou mais forte. Mas doeu, sabe. Levei um certo tempo pra me recuperar, pra entender que não a teria mais, mas cada lágrima valeu a pena. Cada choro me mostrou que a única pessoa que pode me ajudar, sou eu mesma. Que a única pessoa em que eu posso confiar e que vai estar ali pra sempre, sou eu mesma.
—  Dedicada a um ex alguém. | relevad0r-a
Abro os olhos mas não vejo nada. Sinto um peso em minha cabeça mas é apenas meu travesseiro. O despertador toca ao longe e não consigo alcanca-lo, não vejo nada. Finalmente consigo pegá-lo. Seis da manhã. Quantas horas eu dormi? Doze? E mesmo assim o cansaço pesa em meu corpo. Me esforço para levantar. Preciso me arrumar para o serviço, mas a minha vontade é zero. Preciso me esforçar, pego uma toalha, minha roupa branca e vou para debaixo do chuveiro. Ontem mesmo ouvi “você está doente, como pode cuidar de outras pessoas?”, isso não sai da minha cabeça. É muito difícil para mim esconder tudo isso. Passo a maior parte do dia no hospital, me escondendo daquilo que eu sei que é verdade. Mas eu ignoro. Não posso abandonar tudo, não agora. Já sou um total fracasso em tudo, desistir seria humilhante demais. Dou bom dia pelos corredores com meu estômago roncando alto. Esta tudo bem. Continue fingindo. Forte/vazia/forte. Tudo isso gira em minha cabeça enquanto a água morna escorre pelo meu corpo. Ah, se ela levasse junto com ela as minhas dores. Uma garota que finge ser feliz, mas está cheia de cicatrizes por dentro e por fora. Nos seus pulsos está escrito “be strong” mas nem ela mesma acredita mais nessas palavras. Fracassada. Assim que se define. Desligo o chuveiro e me seco, me visto, sem me olhar no espelho. A imagem que reflete nele me dá nojo. Vou até a cozinha e pego uma xícara.
- Tem bolo dentro do forno.
Ouço minha mãe falar entrando na cozinha. Na esperança que eu queira me entupir de bolo (240 cal) as seis da manhã. Apenas assinto com a cabeça enquanto preparo meu chá com adoçante (0 cal). Ela ainda pensa que esta tudo bem. Nada que sorrisos falsos, maquiagem e roupas largas não disfarcem não é? Sinto uma pontada de culpa, odeio mentir. Mas logo passa, isso tudo é necessário. Tomo meu chá enquanto minha mãe está no banho.Coloco meus fones no último volume na musica “courege”. Pego um prato e espalho farelo de bolo sobre ele. Deixo a forma do bolo em cima do forno. Pego uma fatia e jogo fora. Depois deixo o prato e a xícara na pia. Pronto. Ela vai pensar que comi aquela explosão de calorias. Só falta uma coisa. Um elogio. Vou até a porta do banheiro.
- Mãe, estou indo, ah, o bolo estava ótimo.
- Ta bom, vai com deus!
Trabalho feito. Aquela pontada de culpa volta. Mas a afasto para longe. Coloco os fones novamente e sigo o caminho do hospital. Minha cabeça dói. Estou a quantos dias sem comer? Nem sequer consigo me recordar. Chego com muita dificuldade até meu setor. Sinto um peso nas minhas costas. Tentei deixar tudo de lado, tomei cerca de dois litros de água, até ficar enjoada. Dentro dessas seis horas. A manhã passa rápido. Eu não paro um minuto. Finalmente chega a hora de ir embora. Pego minhas coisas e vou. Na saída uma colega me chama. Desacelero o passo. Ah meu deus o que ela quer agora?
- Você está bem?
(Minta!) - Estou sim, porque?
- Está meio pálida, faz dias que te vejo assim.
- Eu sou branca demais, deve ser isso.
- Você está com uma aparência de doente, isso que estou querendo dizer.
- Bobagem, estou um pouco gripada, só isso.
- Tudo bem então, se precisar de algo pode me chamar, até amanhã.
- Obrigada, até!
Uau, ok, isso foi estranho. As pessoas estão começando a perceber? Poxa, eu passo muita maquiagem e fico sorrindo o tempo todo. Aparência de doente? Isso me deixou preocupada. E se minha mãe notar algo? Vou para casa o mais rápido possível. Não tem ninguém em casa. Então me troco e deito, preciso esquecer a fome, e não, não posso comer. Tenho academia mais tarde, mas tenho medo de passar mal. O que aconteceu outro dia. Quase desmaiei, tive que dizer que eu tomava remédio forte , e que minha pressão caia as vezes. Mentira. Sou rodeada por mentiras. E sinceramente isso é muito cansativo. Oh Deus, o que eu faço para essa dor de cabeça passar? E não, não vou comer. Vou até a cozinha e preparo outra xícara de chá. O cheiro me enjoa. Tomo e volto a deitar. Meu estômago reclama, ele estava na esperança de receber algo sólido. HA-HA, não foi dessa vez meu amigo! Não sei aonde vou tirar forças para ir na academia, mas terei que ir de qualquer forma. Pego no sono, e me acordo duas horas depois. Bem a tempo de me vestir e ir malhar. Eu sempre gostei de ir na academia, é como se eu colocasse toda a minha raiva nos exercícios, gosto de me sentir exausta, aquele cansaço de “eu não aguento mais” me faz sentir bem. Por um momento parece que estou fazendo alguma coisa certa. Exceto por, fazer exercícios sem comer. Enfim, eu aguento essa. Coloquei meus fones e fui correndo até a academia, que fica a duas quadras da minha casa. Lá encontro minha linda e magra professora. (Que por favor, não dê aula só de top hoje, para eu me sentir mais fracassada do que já sou!). Venderia minha alma para ter o corpo como o dela. Tento me concentrar nos exercícios, mas estou fraca demais. Qual é, agora não! Quando me abaixo para alongar sinto tudo escurecendo ao meu redor. E já sabia o que estava por vir. Não senti mais nada. Tudo apagou. Quando consigo abrir os olhos sinto meu corpo doer, vejo várias pessoas ao meu redor, alguém verifica minha pressão. Não consigo falar. Elas falam mas eu não entendo, sinto uma pontada na cabeça, será que eu bati quando cai? Quando consigo sentar a sensação já passou um pouco.
- Como você está se sentindo? - diz minha professora.
- Estou bem, o que houve?
- Bem, você desmaiou, sua pressão foi lá no chão, já havia acontecido isso antes?
- Ah, já, e hoje está muito quente, deve ser por isso.
- Quer que levem você para o hospital?
- Não precisa, passo tempo demais lá. (brinco)
- Tudo bem, mas vá se sentar um pouco antes de ir embora. Pedi para trazerem um suco para você, tudo bem?
- Tudo bem, obrigada.
A aglomeração já havia acabado, apenas uma mulher estava sentada ao meu lado, me olhando a cada segundo pensando que eu iria para o chão de novo. Que vergonha. Isso não poderia ter acontecido. Não consegui terminar os exercícios! Que droga! Sinto vontade de chorar. Mas empurro um suco de laranja garganta abaixo. Preciso ir embora. Passei vergonha demais por hoje. Quando estou saindo alguém me chama na porta.
- Psiu.
Era um garoto, muito bonito por sinal. Olhos castanhos e cabelo escuro, usava uma blusa preta e tinha uma tatuagem no braço.
- Ah, oi. - respondi meio surpresa.
Eu nunca conversava com ninguém na academia, o máximo foi trocar algumas palavras com uma colega sobre como estava quente aquela tarde. Ele passa a caminhar do meu lado, como se eu o tivesse convidado a me acompanhar até em casa.
- Foi você quem passou mal na aula lá em cima?
- Ah, foi, mas não é nada demais, porque?
- Eu estava passando lá bem na hora, só não fui lá porque sei que atrapalharia mais do que ajudaria, sou péssimo nessas coisas.
- Que vergonha, pararam a aula por minha causa. - dou um sorriso sem graça.
- Que isso! Nada demais, mas agora você está bem?
- Ah sim, estou ótima, vou para casa já.
- Como é seu nome?
- Me desculpe, esqueci, me chamo Júlia e você?
- Lucas, mas pode me chamar como quiser.
(Sorrio)
- Ok, obrigada pela preocupação, eu moro naquela casa no final da rua. Nos vemos por aí. - tenho vontade de bater minha cara na parede depois de dizer isso.
- Espera, me passa seu número?
- Pra quê?
- Talvez eu queira conversar com você depois. - ele dá um sorriso torto.
- Tudo bem, anota aí.
Digo meu número e me despeço. Com certeza aquilo foi muito esquisito. Entro me perguntando o que tinha sido aquilo. Vou direto para o chuveiro, o que eu mais precisava agora era um banho, bem gelado, para esquecer tudo o que tinha acontecido. E os pensamentos voltam. Sinceramente achei que eles só viriam a noite, mas resolveram aparecer mais cedo desta vez. Aquela vontade de sumir toma conta de mim. “Você não é importante, ninguém te ama, você deveria morrer”. Tenho vontade de gritar. Essa voz fica repetindo isso em minha cabeça várias e várias vezes. É interrompido pelo som do meu celular. Uma mensagem. “Queria esperar mais para te mandar mensagem mas não aguentei, gostei muito de te conhecer.” Era do Lucas, aquele garoto que a dez minutos atrás eu nem sabia que existia. Coloco o celular de lado, não queria responder naquele momento. Terminei meu banho e fui para o quarto. Enfim respondi a mensagem “Também gostei de te conhecer.” Foi o máximo que consegui. Qual é! Conversamos dez minutos, nem isso, o que queria que eu falasse? Mal respondo e já chega outra mensagem. “Podemos sair um dia desses, se você puder, é claro.” (Não, estou muito ocupada fingindo que estou bem, não comendo e me cortando, ah, e meus pensamentos suicidas não me deixam em paz, então seria melhor não acontecer). “Claro, eu adoraria! Estou livre no sábado”. Idiota, não consegue ser má com ninguém, nem mesmo com alguém que acabou de conhecer. “Ótimo, te pego as oito."Ok”. Eu tinha um encontro? Não acredito. Ah e se ele quiser me levar para comer um xis burguer? O que eu faço? Que roupa vou usar sem parecer uma porca gorda? Ah, isso é o de menos, hoje é quinta-feira, tenho tempo para pensar nisso. Preciso dormir, isso que preciso. Tomo duas colheres de anti-ácido para ver se meu estômago para de chorar e vou dormir. Sexta-feira passa muito rápido, e quando vejo já é sábado. Tenho cortes recentes nos braços, como vou esconder? Um casaco e maquiagem, sempre funciona. Se não fizer um calor de quarenta graus. E já estava calor de manhã, de noite poderia ser pior. Não existe a possibilidade de eu ir de casaco, terei que ir de manga longa, a mais fina que eu tiver, mas só a maquiagem não vá cobrir os cortes, tenho mais isso para me preocupar. Me visto, passo maquiagem, um batom escuro, e não me encaro muitas vezes no espelho pois sei que mudaria de ideia sobre sair de casa. Antes que comece a por defeito em cada parte de mim a campainha toda. Era ele, pontual demais por sinal. Eram oito e um. Desci e avisei minha mãe que iria sair. Ele estava mais bonito que o outro dia, estava com uma camisa cor de mel e uma calça escura, o cabelo estava bem penteado, estava super perfumado. Ele me dá um beijo no rosto.
- Vamos?
Ele abre a porta do carro para mim. Eu apenas assinto com a cabeça. Confesso, eu estava nervosa. A muito tempo eu não tinha um encontro, nem nada parecido. E não acreditava que estava me permitindo a isso outra vez. Mas a única coisa que realmente me preocupava era aonde iríamos.
- Aonde vamos?
- Bom, é surpresa.
- Ah me fala, sou curiosa.
- Você vai ver.
Isso me deixava mais nervosa ainda. Chegamos em um restaurante. Eu tremi, meu pior pesadelo, comer em público. Respira, respira, respira. Eu tinha que segurar a barra, só por uma noite. Depois poderia ficar uma semana sem comer, ou algo parecido. Poderia me punir. Mas eu não poderia me comportar como uma louca/maníaca por comida, ele não poderia saber de tudo na primeira noite.
- Está tudo bem? - ele segura minha mão e me puxa para fora dos meus pensamentos.
- Ah sim, tudo certo, é aqui?
- É sim, vamos?
Ele desce e abre a porta para mim. Cavalheiro demais pro meu gosto. Deve ser porque é a primeira vez que estamos saindo. Garanto que ele não faria isso todos os dias. Enfim, ele apoiou a mão em meu ombro e entramos. Era um lugar confortável, as luzes eram meio fracas, o que dava um ar bem romântico. Havia uma mesa no canto direito, com dois lugares, era decorada com rosa brancas. Nos levaram até ela, ele havia reservado. Me sentei e ele se sentou na minha frente. Olhei ao redor e haviam poucas pessoas. Eram educadas, conversavam baixo. Respirei fundo mais uma vez. ‘Você consegue fazer isso’. Fiquei repetindo na minha cabeça o tempo todo. Logo trouxeram nossa comida, ele mesmo que escolheu para mim. Tinha carne, arroz, salada, era um prato bem enfeitado. Umas 398 calorias calculei. Ele me perguntou o que eu queria beber, e pedi uma água sem gás. Comecei a cortar a carne em pedaços, primeiro quatro, depois oito e depois dezesseis pedaços. Coloquei um na boca e comecei a mastigar. Essa era a hora de começar a falar, quem sabe assim conseguiria comer menos. A carne desceu rasgando a minha garganta. Estava suando frio. Tomei um pouco de água.
- Então, o que você faz? Sabe, além de ir na academia… - ele sorri.
- Eu trabalho e estudo, faço faculdade de psicologia.
Ah droga, ele ia ser psicólogo? Eu estava realmente perdida. A qualquer momento eu seria descoberta, disso eu tinha certeza.
- Ah, que legal.
Minha cora de assuntos tinha acabado por ali, eu era péssima nisso. Na verdade eu era péssima em tudo o que fazia.
- E você, faz o que?
- Trabalho num hospital e estudo enfermagem.
- Eu não conseguiria, sabe, lidar com pessoas doentes.
- Mas na verdade você vai lidar, só que são pessoas psicologicamente doentes, o que eu acho bem pior, você apenas não está vendo a doença, pois ela está por dentro, mas ela está lá, muito pior que um câncer ou algo parecido.
- Nossa, me surpreendeu agora!
- Porque diz isso?
- Você entende de psicologia?
- Além de enfermeira, sou psicóloga - sorrio - Sabe, os pacientes são muito necessitados de atenção, de ter alguém pra conversar, e eu faço esse papel também. - mexo na minha salada e coloco um pedaço de alface na boca.
- Entendi, mas não deve ser muito fácil.
- Fácil não é, mas é o que eu realmente amo fazer, parece que é a única razão pela qual eu ainda continuo viva, para ajudar as outras pessoas, cuidar.. Única forma de eu me sentir útil.
- Está sendo melancólica.
- Não estou não, estou sendo sincera.
- Tudo bem.
- Sabe, eu fazia terapia. - droga, não deveria ter falado isso.
- Sério? - ele parece apavorado - você não me parece alguém que precisaria de um psicólogo.
- É, mas preciso. - ele sorri, levou como uma cantada.
- Me diga o motivo. - nesse nível da conversa ele já estava acabando de comer, e eu ainda comendo a alface.
- Você não vai querer saber, de verdade.
- Quero sim, por isso estou perguntando, pode confiar em mim, já sei lidar com gente maluca. - ele me cutuca e sorri de canto.
- Tive alguns problemas um tempo atrás, e minha mãe achou melhor me levar numa psicóloga, que acabou virando psiquiatra e eu tive que tomar uns remédios, mas foi por pouco tempo, hoje eu estou super bem. - minto.
- Que tipo de remédios? - ah, agora ele estava querendo saber demais.
- Olha, é a primeira vez que a gente sai, não quero ficar te assustando com a minha triste história.
- Mas se eu quis sair com você e te trouxe até aqui é porque quero saber mais da sua triste história, afinal, é quem você é.
- Você vai ser um bom psicólogo. - sorrio triste. - Então tudo bem, eu tive depressão, tentei suicídio e descobriram que eu tenho transtorno bipolar.
- Só isso?
- Bom, só? Acho bastante coisa para alguém de 21 anos, não acha?
- Já atendi pacientes piores. - ele parece indiferente.
- Sofri de automutilação também.
- O que mais?
- Nada. - eu não podia falar da ana e da mia, seria um crime.
- Você é uma pessoa interessante.
- Fala isso porque sou maluca e você é psicólogo? - sorrio.
- Não, falo isso porque é verdade.
- Tudo bem.
- Você é linda. - ele acaricia o meu rosto de leve. - Mas nem tocou na sua comida, está ruim?
- Ah, não, está ótima, eu que não estou com muita fome hoje.
- Tudo bem.
Ficamos um tempo em silêncio e eu me pergunto o que se passa na cabeça dele. Afinal, eu acabei de contar que sou uma maluca suicida e ele diz que sou linda? Trazem a sobremesa e eu nem comi a comida. Graças, agora só preciso enrolar mais um tempo. Digo que vou ao banheiro. Me olho no espelho, mesmo depois de ter passado maquiagem eu ainda estava pálida. Tanto faz, aquela altura eu só queria ir pra casa dormir. Não sei porque havia aceitado aquele convite, aquilo não daria em algo bom. Eu sentia isso. Volto para mesa e ele já devorou metade da sobremesa.
- Não vai comer?
- Não gosto muito de doce.
- Você vive do que, de ar? - ele ri, eu fico muda. - Foi brincadeira, desculpe.
- Não, tá tudo bem. - não, não está.
Pego meu copo de água, quando solto ele pega na minha mão, e puxa minha manga.
- Você ainda faz isso? - o olhar dele era uma mistura de preocupação com medo. Puxo meu braço rápido, foi apenas um descuido e ele viu, isso não podia acontecer.
- Bom, cada um acha uma forma de se aliviar. - foi a única coisa que eu consegui dizer.
- Você não precisa disso. - ele pega na minha mão e faz eu olhar nos olhos dele. - Você é linda, não precisa andar por aí cheia de marcas!
Não consigo responder. O que ele estava tentando fazer?
- Está tarde, você me leva em casa? - ele parece triste.
- Sim, vamos então.
No caminho até a minha casa não falamos nada. Ele liga o som e é a única coisa que se escuta dentro daquele carro além da nossa respiração. Chegamos.
- Foi muito bom, obrigada, de verdade.
Seguro na porta para abri-la.
- Espera. - ele me puxa de volta.
- O que foi?
- Vamos nos ver de novo?
- Podemos sim, mas porque a pergunta?
- Talvez eu tenha feito ou falado algo que você não gostou.
- Não, não fez nada, de verdade. - ele acaricia a minha bochecha e coloca a mão na minha nuca, a mão dele está meio fria o que me dá um arrepio.
- Você é lin-da. - ele quase sussurra enquanto aproxima o rosto do meu, posso sentir o hálito dele em mim.
- Obrigada. - é a única coisa que respondo, eu estou anestesiada, eu quero que ele me beije mas ao mesmo tempo não quero, e penso que ele já teria o feito se quisesse. Então ele encosta os lábios nos meus, bem de leve, depois com mais força, sinto seu gosto em mim, e eu quero mais, e mais. Não quero parar agora, ele coloca a outra mão em minha nuca e puxa meu cabelo de leve, sinto um arrepio. Eu quero ele todo pra mim, naquele momento, mas não posso. Começo a beijá-lo mais lentamente, até parar e olhar para ele. Ele passa a mão pelos meus cabelos e me dá um beijo na testa.
- Obrigado pela noite.
Eu me viro e saio do carro, ainda não acreditando no que havia acontecido. Eu pensava que ele não iria me beijar, e o beijo dele era maravilhoso, poderia passar horas e horas beijando ele sem parar. A eu tinha que parar de pensar nisso e entrar em casa! Vou para meu quarto e deito na cama, preciso analisar tudo o que aconteceu. Eu saí com ele e contei praticamente toda a minha vida (ou uma boa parte dela) e ele me beijou? Isso era muito estranho. Pego minha coisas e vou para o chuveiro. Quando volto para me deitar meu celular vibra. “Durma bem.” Apenas isso. “Você também.” Respondo. Viro para o lado e pego no sono. Acordo com o despertador mais uma vez. Ao longo do dia trocamos alguns sms’s. Não me pesei hoje, e não vou fazer isso até amanhã. Tenho medo de subir na balança, aqueles números me assustam. Estou cansada, e meu estômago não para de reclamar. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer.
Pego uma garrafa de água gelada e tomo ela toda até sentir que vou explodir. Pronto agora ele pode parar de reclamar, pelo menos por um tempo. Não me lembro realmente quando tudo isso começou, quando dei por mim já estava no banheiro com o dedo na garganta, é viciante. Com o Lucas as coisas vão bem, tirando a parte que escondo o que se passa por minha cabeça vinte e quatro horas por dia. Esses dias estávamos deitados e ele passou os dedos pelos cortes em minha barriga, que estavam quase cicatrizados.
- Você não vai mais precisar disso, eu te prometo.
Não respondi, apenas me deixei envolver os braços nele, era aquilo que eu precisava, alguém que cuidasse de mim, mas o que ele não sabia é que havia algo pior que os cortes. Os pensamentos sobre suicídio não me deixavam em paz. Eles vinham no momento que queriam e estavam me enlouquecendo. Me sinto totalmente fracassada por não ter conseguido daquela vez, me descobriram, se não tivessem me levado a tempo para o hospital eu não estaria aqui agora. Acordei e vi minha mãe, e um curativo em meu braço. Sete pontos e uma garota maluca de dezesseis anos que tentou tirar a própria vida. Minha mãe não dizia nada, mas as vezes eu fingia dormir e a ouvia chorar. A pior coisa do mundo é ver sua mãe chorar, e pior ainda é saber que é por sua causa. Eu estava acabada, e sabia que precisava de ajuda, mesmo assim eu me recusava ao tratamento. Apenas me forcei a comer para não descobrirem o meu segredo, e sempre que dava, eu jogava a comida fora. Eu precisava sair de lá. Foram vinte e cinco dias, vinte e cinco longos dias que pareceram cinquenta. Finalmente recebi alta, no mês seguinte minha mãe ficava em cima de mim o tempo todo, achando que a qualquer momento eu pudesse tentar alguma coisa. Ela me olhava dormir duas vezes por noite. Sei disso pois me acordava com o som da porta cada vez que ela entrava. Fui forçada a ir na terapia duas vezes por semana, falar dos meus sentimentos com uma estranha. Nada daquilo adiantava, os remédios só me faziam sentir mais dopada e com vontade de dormir o dia todo. As vezes eu mentia que havia tomado. Foram três longos anos até minha mãe achar que estava tudo bem e que eu não tentaria me matar de novo. Ela parou de me vigiar e eu voltei a me cortar. Era o momento em que me sentia viva, vendo o sangue sair eu sabia que não tinha acabado ainda. Tenho mais coisas para fazer antes de partir. Me dediquei aos estudos, e aqui estou eu, aos vinte e um anos, deprimida outra vez. Mas de uma coisa eu sabia, que se houvesse outra tentativa, na verdade não seria tentativa, eu conseguiria, mas ninguém poderia aparecer para me salvar, como acontece nos filmes sabe? Nesse filme eu realmente morreria. Eu ignoro o pensamento o máximo que posso. Desde que o Lucas apareceu, sinto que uma parte da minha vida é colorida, e o resto é preto e branco. Não sei se desistiria da ideia de acabar com tudo por causa dele. Eu escreveria uma carta, que ele guardaria, e talvez depois de um tempo jogasse fora, para se esquecer de mim. Sei que algumas poucas pessoas sofreriam com a minha partida, mas passaria, é sempre assim que acontece. As pessoas ficam de luto, choram por noites, e depois de um tempo superam, e seguem suas vidas, é inevitável. Sou uma garota de vinte e um anos que não vê mais motivos para viver. Estou no meu quarto a umas três horas, chorando, me cortando. Não tem ninguém em casa. Meu celular tocou algumas vezes, mas não o peguei. Eu não aguento mais, preciso terminar com isso logo. Bato na parede com força, minha mão sangra. Eu quero gritar, mas minhas forças acabaram. Vou até a cozinha, na prateleira de remédios. Encontro os que eu queria, sedativos, indutores do sono, calmantes, se eu tomasse todos de uma vez dormiria para sempre? Volto para o quarto, pego uma folha e uma caneta, começo a escrever uma carta. E amasso o papel. Pego outro. Nenhuma palavra é boa o suficiente, nenhuma. Nada justifica minha falta de vontade de viver. Desisto de escrever uma carta. E faço um bilhete. “Me perdoem, mas foi melhor assim”. Apenas isso, seria o suficiente. Começo a tomar os comprimidos. Um, dois, três, vinte e quatro, quarenta? Eu acabei com as cartelas, ainda não sinto nada. Mas parei de chorar. Seria o fim? Agora meu celular toda sem parar, é o Lucas. Fico tonta, já se passaram seis horas, daqui a duas horas minha mãe chegaria, algo deveria acontecer. Vou até o banheiro, vejo tudo girar. Pego meu navalhete, que ainda não havia usado. Coloco a banheira para encher. Tiro minha roupa. Está tudo girando, me deito na banheira, eu preciso de apenas um corte e sei exatamente onde fazê-lo. Deslizo a minha com força em meu antebraço, na horizontal. E o sangue começa a sair com força, logo a água da banheira está vermelha, sinto que vou apagar a qualquer momento. Sinto medo, estava dando certo. Fecho os olhos e deixo meu corpo me levar para debaixo da água. Escuto um barulho forte, mas ao mesmo tempo fraco, está tudo confuso para mim. Quando sinto que estou indo sinto algo me puxar para fora da água. Não vejo mais nada. Quando acordo vejo minha mãe chorando, de alegria? Demoro a perceber o que está acontecendo. Eu estava entubada. A pior sensação que alguém pode ter deve ser essa. Vejo uma enfermeira correr e chamar ajuda, e tiram o tubo de minha garganta. Todos comemoram, eu não entendo nada, não tenho forças para falar. Única coisa que sei por enquanto é que estou no hospital. Quando outra enfermeira se aproxima de mim consigo ver seu uniforme, agora eu sabia exatamente onde estava, UTI. Como isso pode estar acontecendo? Minha mãe segura minha mão.
- Filha, você lembra do que aconteceu?
Não tenho forças para responder, meus pulmões doem para respirar. Tento fazer que não com a cabeça, nesse momento minha mãe já havia parado de chorar.
- O Lucas te encontrou na banheira, sangrando, desacordada, te trouxe para o hospital, mas acharam que era tarde demais, você entrou em choque, eu sei que você sabe o que significa - ela sorri triste - teve uma parada cardíaca e veio parar aqui. Você ficou onze dias em coma, os médicos não sabiam se você acordaria, ou quais seriam as sequelas se você acordasse novamente, eles estavam sem esperança na verdade. Mas eu sabia que você iria acordar! - seus olhos ficam molhados novamente - Você recebeu sangue, fizeram lavagem pois você havia tomado muitos remédios, eu fiquei aqui o tempo todo, esperando você abrir os olhos. Filha, eu não posso te perder, você é tudo que eu tenho! - ela desaba a chorar novamente.
- Oh mãe… - Consigo responder, e ouvir minha voz faz ela chorar mais, ela me abraça e eu choro também - Prometo nunca mais fazer nada parecido.
- Filha eu te amo. - Ficamos um tempo abraçadas até que ela me solta.
- Mãe, onde está o Lucas?
- Aqui existe horário de visitas, você sabe disso, mas ele passou muito tempo aqui com você, se não fosse por ele, eu teria perdido você!
- Mãe, o importante é que estou bem agora, preciso muito falar com ele.
- Vou chamá-lo.
- Ele está aqui?
- Ele sempre está filha, ele só volta em casa para tomar banho e volta para cá.
Dou um sorriso triste. E ela saí. Logo o vejo entrar, vejo uma lágrima cair e ele toca o meu rosto.
- Nunca mais faça isso comigo. - Ele desaba. Depois se recompõe, eu não consigo dizer nada. - Tenho uma coisa para você, eu não queria que fosse dessa forma, mas enfim.
Então ele se ajoelha ao lado da minha maca, tira uma caixinha preta do bolso e a abre para mim com os olhos molhados.
- Amor da minha vida, você aceita, que eu te cuide todos os dias, pelo resto da minha vida, que eu te ame, que eu acorde ao seu lado e esteja mais perto de você para garantir que nada de ruim aconteça? Você aceita se casar comigo? - Eu estou em prantos, mas preciso encontrar forças para responder. Percebo que os enfermeiros e técnicos estão todos olhando para mim e sorrindo, alguns até deixam escapar uma lágrima.
- Sim Lucas, sim! É tudo o que eu mais quero! - Ele coloca a aliança no meu dedo e me beija, e o que eu sentia era uma mistura de tudo.
Depois de um dia fui levada para o quarto, ainda haviam medicações a fazer. Então depois de oito dias recebi alta. E decidi que a partir daquele momento eu seria feliz, eu me permitiria ser feliz. Hoje estou com vinte e seis anos, e confesso a vocês, está difícil terminar de escrever com a Sofia no meu colo. As cicatrizes agora fazem parte do meu passado, e hoje estou cuidando do meu futuro. Agora vou indo, o papai da Sofia acabou de chegar.
—  Recomeçar.

anonymous asked:

Como você fez pra ficar com essa barriga em uma semana, caraca meu inveja 👀

Eu já treino em casa algum tempo, só que as vezes da preguiça, mais semana passada mudei a rotina associei outros treinos, como pular corda, me alimentando direitinho, antes eu passava o dia sem comer treinava e nada mudava, dai foquei e tô começando ver resultados, bebo bastante água também.

HARRY STYLES

  • Não é um pedido, é algo que estava na minha cabeça a um tempo, já que ninguem escolheu com quem queria eu escrevi com o Harry.
  • Espero que gostem e me digam o que acharam!

  • Boa Leitura!


Era só mais um dia em que eu e meu namorado brigamos de novo, não sei quantas brigas tivemos só essa semana e nessa mesma semana descobri que estava grávida só que não sabia como contaria para ele já que nesse momento estamos brigando de novo

- Harry volta aqui - ele foi andando pra garagem e eu fui atrás

- Não quero ouvir mais nada (Seu nome) - ele entra pelo lado do motorista e eu entro pelo lado do passageiro tentando fazer ele me ouvir

- Sai do carro não quero que você vá comigo - ele disse mas não sai percebi que ele tinha bebido e saiu da garagem pisando fundo no acelerador - Você que decidiu vim comigo, depois não reclama

- Harry vai devagar, para esse carro e vamos conversar - disse com lágrimas nos olhos - Por favor - comecei a chorar e ele ia mais rápido na avenida

- Eu preciso te falar uma coisa, quem sabe assim você para esse carro e fala comigo - disse e ele ia cada vez mais rápido e eu estava começando a ficar com medo.

- Fala (Seu nome), vai falar que eu te abandonei de novo e que não passo tempo contigo?

- Não, você quer mesmo saber? EU TÔ GRÁVIDA - disse e ele olhou pra mim, mas quando ele abriu a boca pra falar algo veio uma luz forte e logo um baque terrível

- HARRY - e apagou tudo não vi mais nada

Acordei com umas sirenes ligadas olhei pro meu lado e vi Harry ensanguentado comecei a chorar e tentava acorda-lo mas nenhum sinal, logo veio um paramédico e me viu acordada

- Não se mexa, vamos tirar vocês dai - ele disse tirando o cinto de mim e me tirando dali.

- Por favor, salve ele por favor - disse e apaguei de novo.

Acordei no hospital com vários aparelhos em mim e com uma visão bem turva vejo minha mãe sentada do meu lado.

- (Seu nome) que bom que acordou - ela disse animada - vou chamar os médicos

Voltei a consciência e logo o médico veio falar comigo.

- Harry, cadê ele? - olho ao meu redor e não vejo ele - Mãe cadê ele mãe

- Se acalme (Seu nome) - vi minha mãe olhar pro doutor - Bom você quebrou a perna e teve uns arranhões porque seu lado não foi muito atingido e está tudo bem com seu bebê.

Lembrei que estava grávida mas eu só queria saber do meu namorado.

- Eu quero saber do meu namorado, ele tá bem? Eu quero vê-lo - disse

- Sinto muito (Seu nome) mas o lado dele foi o mais atingido e ele morreu na hora - foi mais um baque pra mim e comecei a chorar, não podia ser, eu perdi ele pra sempre. O que vai ser de mim agora?

- Calma filha - minha mãe segura minha mão

Alguns dias se passaram e eu não pude ir no velório de Harry já que ainda estava no hospital e o médico me proibiu o que achei errado da parte dele, mas decidi obedecer depois eu fui pra casa dos meus pais já que tudo na minha antiga casa me lembrava ele.

9 meses depois

Os primeiros meses foram tranquilos, melhorei da perna e tudo mais, mas quando chegou no quinto mês de gestação uma lembrança terrível daquele dia me fez ficar muito mal, fiquei quase uma semana sem comer e só trancada no meu quarto, eu estava numa tremenda depressão, eu não queria mais aquele filho, não queria mais nada que me lembrasse dele, então naquela mesma semana procurei um lugar que eles pegassem as crianças e dava para outra família adotar, fui escondida pois eu sabia que minha mãe proibiria isso, mas na outra semana as coisas só pioraram eu estava paranóica, Harry apareceu pra mim e disse para que eu não fizesse aquilo com nosso filho e disse que está sempre olhando pra nós. Depois daquele dia minha mãe pensou na hipótese de me interna em uma clínica depois que o bebê nascesse mas prometi que ia me esforçar para melhorar.

Hoje meu filho nasceu, mas a situação não melhorou nada. Minha depressão se transformou em depressão pós parto. Acordei naquele dia com um choro no meu ouvido. Levantei e vi um berço do meu lado com o meu bebê. Apertei o botão pra chamar a enfermeira e logo ela veio.

- Pode tirar esse bebê daqui, esse choro está me irritando - ela chegou perto do berço

- Você precisa amamenta-lo, ele precisa do leito materno

- Mas… Não eu não posso, ele precisa de outra família - disse com uma lágrima escorrendo.

- Ele não precisa de outra família ele precisa da mãe - ela diz pegando ele e entregando para mim que logo se aconchegou e parou de chorar. Chorei mais ainda quando vi que ele é a cópia fiel do Harry.

- Não… Por favor tira ele daqui, não posso fazer isso - disse devolvendo ele pro berço e logo meus país entram

- (Seu nome) - ela percebe a situação e logo pede pra ficar sozinha comigo, meu pai pega o bebê e vai pro canto da sala para acalma-lo e minha mãe vem falar comigo

- Você tem que tomar uma decisão (Seu nome) ou você aceita o seu filho e aceita melhorar ou eu te enterno hoje mesmo

- Mãe… Como você pode fazer isso com a sua própria filha?

- Não estou sendo dura com você minha filha, só quero o seu bem e pra isso você precisa melhorar por vocês

- Eu não consigo - me encolhi na cama. Logo a assistente entra com um casal

- Oi eu sou assistente social e vim ver se está tudo pronto pra adoção do bebê

- Desculpa acho que você entrou no quarto errado - minha mãe diz

- Não não, essa é a (Seu nome) não é? Ela me procurou alguns meses atrás e aqui estou eu.

- Você não vai levar meu neto, olha desculpa mas não vai ter mais adoção nenhuma, ela não está bem de saúde e ela está fora de si

- Desculpa, mas os papéis já foram assinados e autorizado pelo juízes e na lei só a mãe pode cancelar - a assistente diz e as duas começam uma discussão e aquilo vai ficando confuso na minha cabeça e logo me veio o que o Harry me disse, logo abri meus olhos fui até meu pai peguei meu bebê e olhei para que logo sorriu para mim.

- Chega vocês duas - andei até o casal pronta pra entregá-lo, mas logo a voz de Harry veio na minha cabeça de novo eu fechei meus olhos e comecei a chorar de novo e falei bem baixinho

- Me desculpa meu amor - olhei pro meu bebê pela última vez e entreguei ao casal que logo ficaram felizes puxei a futura mãe de canto e disse.

- Cuida bem dele, por favor! Eu sei que são pessoas de bem e que não vão fazer mal a essa criança linda - sorri

- Pode deixar que cuidarei sim, mas se você quiser pode escolher o nome dele - pensei e não poderia ser outro.

- Harry, esse vai ser o nome dele - sorri olhei pela última vez o meu bebê. Logo que eles saíram eu tive que voltar para a cama e fui sedada mas antes pude ver minha mãe chorando e meu pai dizendo

- A escolha foi dela, não podemos interferir.


Naquela mesma noite, eu sabia que minha hora tinha chegado e estava pronta para me encontrar com meu amor, tive duas paradas cardíacas e faleci, mas fui em paz e ao encontro do meu amor e tendo a certeza de que nosso filho estaria sendo bem cuidado e que os verdadeiros pais deles estão sempre olhando e guardando onde ele estivesse.


LEMBRE-SE: PLÁGIO É CRIME!

Acho que você tem que enfiar a cara na lama, de vez em quando, acho que você tem que saber o que é uma prisão, o que é um hospital. Acho que você tem que saber o que é ficar sem comer por quatro ou cinco dias. Acho que viver com mulheres loucas faz bem para a espinha. Acho que você pode escrever com satisfação e liberdade depois de passar pelo aperto. Só digo isso porque todos os poetas que conheci têm sido uns frouxos, uns parasitas. Não tinham nada pra escrever, exceto sua egoísta falta de persistência.
—  BUKOWSKI, Charles. O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio