scintilla:re

Tem gente que não sabe colocar vírgulas. Que coloca pontos onde ainda há como continuar. Tem gente que não deixa espaço entre as letras, quer tudo muito juntinho, apertadinho. Já uns gostam de colocar espaço antes dos pontos de exclamação, só pra fazer um suspense. Tem gente que escreve bonito, outros que escrevem relaxado, e tem aqueles escritores cansados. Gente que se confunde com a caligrafia, despreocupado, sem estudo. Tem quem goste de trocar palavras, quem é palavra, e quem distribui palavras. E tem também quem derrame palavras. De qualquer jeito, no mesmo sentido figurado da frase. Que faz das palavras um refúgio, mesmo que solitário. Poesia, poema, poeta. É isso que todos somos ao dizer um mero olá ou bom dia. Acho bonito quem não se importa com a simplicidade das coisas. Fala com aquele jeitinho modesto, sem palavras difíceis. Gente trabalhadora, que se faz menor para nos fazer ser maior. Acho bonito quem se doa, se importa. Acho louvável quem mesmo não sendo sinônimo de beleza própria, ainda se faz perfeito pelas próprias palavras. Simples, entretanto virtuosas e imaculadas. Despretensiosas, porém com mais significado do que muitas por aí.
—  A palavra tem vida. Craquelar.
A uno non basta la contentezza di essere un valoroso, se tutti quanti gli altri non sono uguali a lui, e non si può fare amicizia. Il giorno che ogni uomo avrà il cuore valoroso e pieno d'onore, come un vero re, tutte le antipatie saranno buttate a mare. E la gente non saprà più che farsene, allora, dei re. Perché ogni uomo, sarà re di se stesso!
—  Elsa Morante, L'isola di Arturo