saxofones

sintonia

no silêncio da madrugada,
posso ouvir nitidamente a baixa melodia que ecoa na minha mente
cada tecla do piano.
cada risada sincera.
cada corda do baixo.
cada suspiro que você dava ao me abraçar.
cada batida leve da bateria.
cada palavra que da tua boca sai.
cada ar gasto em um saxofone.
te transformando num jazz sem fim.
uma sintonia que é tua.
minha. nossa.
ou, ao menos, era.

e.

no meio do trânsito, sento no capô, aumento o jazz e acendo um cigarro

preso no engarrafamento da cidade cheia, espero a aspirina fazer efeito. as mãos ainda trêmulas ao segurar o cigarro. diante de tudo em mim, um transbordar de um coração mais apaixonado em que minha devoção por ela beira a idolatria. o mais suportável para mim diante desse caos automotivo e sons aleatórios, é um tamborilar com meus dedos no vidro seguindo o belíssimo soprar do saxofone e um implorar da Natureza dos ecos.

– Thomas Teodoro

E também eu quis ser. Aliás, só quis isso; eis a chave de minha vida: no fundo de todas essas tentativas que parecem desvinculadas, encontro o mesmo desejo: expulsar a existência para fora de mim, esvaziar os instantes de sua gordura, torcê-los, secá-los, me purificar, endurecer, para produzir finalmente o som claro e preciso de uma nota de saxofone. Isso poderia até constituir um apólogo: era uma vez um pobre sujeito que se enganou de mundo. Existia, com as outras pessoas, no mundo dos jardins públicos, dos bistrôs, das cidades comerciais, e queria se persuadir de que vivia alhures, atrás da tela dos quadros, com os doges de Tintoretto, com os dignos florentinos de Gozzoli, atrás das páginas dos livros, com Fabrice Del Dongo e Julien Sorel, atrás dos discos de gramofone, com os lamentos longos e secos do jazz. E depois, após ter se comportado muito tempo como imbecil, compreendeu, abriu os olhos e viu que havia um mal-entendido: ele estava num bistrô, exatamente, diante de um copo de cerveja morna. Ficou prostrado no banco; pensou: sou um imbecil. E nesse exato momento, do outro lado da existência, nesse outro mundo que se pode ver de longe, mas sem nunca se aproximar dele, uma pequena melodia começou a dançar, a cantar: “É preciso ser como eu; é preciso sofrer em compasso.
—  Jean-Paul Sartre, “A Náusea”.(pág.254)

Aquela pessoa não gosta de você. Será que é tão difícil entender? ELA NÃO GOSTA! Pelo menos não do jeito que você gostaria. Sabe, todo mundo tem dezenas de motivos para te amar ou para não ir com a sua cara; apaixonar-se ou querer você só como amigo(a); olhar pra você e já o enxergar no altar ou olhar e não pensar absolutamente nada. Acontece que aquela pessoa ali, aquela que você tanto diz querer, ela não o enxerga como você gostaria. Triste, né? Acontece. E não vai adiantar comprar roupa nova, virar a cara, tentar provocar ciúme, emburrar, pegar alguém na frente dela, apelar para a chantagem emocional, aprender a tocar saxofone, matricular na mesma academia, planejar encontros supostamente casuais… Nada disso vai fazer diferença e você ainda corre o sério risco de piorar a situação. Deu pra entender? Será que estou sendo claro? NÃO VAI ROLAR! Coloque isso na sua cabeça de uma vez. N-Ã-O V-A-I !!!! E não é o caso de você fingir que não está nem aí, com esperança de que no futuro ela se arrependerá e venha rastejando… AAAAHHHHH! Para! ACORDA! Você já fez sua parte, já tentou, já se declarou, já mostrou que tava a fim, tentou ser fofo, tentou ser indiferente, tentou apelar pra Deus, já fez até papel de idiota e nada mudou. Que tal, então, agora você desencanar e tocar a vida? E se eu lhe disser que talvez você queira só porque não pode ter? É como aquela criança que pode brincar em todas as piscinas do clube, mas chora e faz birra porque queria a que está interditada. E olha que a piscina interditada nem é a mais legal e lá no fundo você também sabe disso. É tanta gente olhando pra você neste exato momento e você aí, tentando se convencer de que só vai ser feliz se for aquela pessoa. Para, né? E corta essa de ficar com raivinha também. Você sabe muito bem que não se pode controlar esse tipo de coisa. Acontece com todo mundo. Em algum momento da vida, você irá amar alguém com todas as suas forças sem ser correspondido e, ao mesmo tempo, desprezará outro alguém que te ama com a mesma intensidade. Sorte daqueles cujos interesses se encontrarem.
— Aquela pessoa não gosta de você

Aquela pessoa não gosta de você. Será que é tão difícil entender? ELA NÃO GOSTA! Pelo menos não do jeito que você gostaria. Sabe, todo mundo tem dezenas de motivos para te amar ou para não ir com a sua cara; apaixonar-se ou querer você só como amigo(a); olhar pra você e já o enxergar no altar ou olhar e não pensar absolutamente nada. Acontece que aquela pessoa ali, aquela que você tanto diz querer, ela não o enxerga como você gostaria. Triste, né? Acontece. E não vai adiantar comprar roupa nova, virar a cara, tentar provocar ciúme, emburrar, pegar alguém na frente dela, apelar para a chantagem emocional, aprender a tocar saxofone, matricular na mesma academia, planejar encontros supostamente casuais… Nada disso vai fazer diferença e você ainda corre o sério risco de piorar a situação. Deu pra entender? Será que estou sendo claro? NÃO VAI ROLAR! Coloque isso na sua cabeça de uma vez. N-Ã-O V-A-I !!!! E não é o caso de você fingir que não está nem aí, com esperança de que no futuro ela se arrependerá e venha rastejando… AAAAHHHHH! Para! ACORDA! Você já fez sua parte, já tentou, já se declarou, já mostrou que tava a fim, tentou ser fofo, tentou ser indiferente, tentou apelar pra Deus, já fez até papel de idiota e nada mudou. Que tal, então, agora você desencanar e tocar a vida? E se eu lhe disser que talvez você queira só porque não pode ter? É como aquela criança que pode brincar em todas as piscinas do clube, mas chora e faz birra porque queria a que está interditada. E olha que a piscina interditada nem é a mais legal e lá no fundo você também sabe disso. É tanta gente olhando pra você neste exato momento e você aí, tentando se convencer de que só vai ser feliz se for aquela pessoa. Para, né? E corta essa de ficar com raivinha também. Você sabe muito bem que não se pode controlar esse tipo de coisa. Acontece com todo mundo. Em algum momento da vida, você irá amar alguém com todas as suas forças sem ser correspondido e, ao mesmo tempo, desprezará outro alguém que te ama com a mesma intensidade. Sorte daqueles cujos interesses se encontrarem.
—  Aquela pessoa não gosta de você
(in)Quietude

   Uma cascata violácea de sofrimento, onde o sentimento profundo é só um sopro, é o que tem sido essa fase, dividindo as águas do passado e do futuro. Mas não posso ser unilateral. Gosto do vermelho quase laranja de minhas pálpebras fechadas quando sou despertada pelo sol em meu rosto. Gosto dessas tardes distantes onde o tempo se liquefaz, derrete, some, evanesce, apenas existe, sem números para contá-lo, metamorfoseando o céu iridescente, como um som de fundo, plangente, gotejando. Gosto do sol dourando a cozinha com cores de silêncio. Gosto quando o silêncio é suavemente entrecortado pelo violino e saxofone do apartamento ao lado, enquanto devaneio nessas tardes lânguidas, nesse momento que é só meu, onde sou só mistério, onde ninguém sabe de mim e eu me esqueço do mundo. Gosto de quando as palavras dançam ao redor de mim. Gosto dessa solidão que me pertence enquanto estou plenamente rodeada pelo gosto áspero e sedutor da juventude. Gosto dessa possibilidade latente que existe quieta, sussurrante, de fazer o que eu quiser, de trazer quem eu quiser para os meus domínios ou simplesmente me trancar neles. Gosto dessa premissa de liberdade que borda as minhas tardes. Gosto de mergulhar na escuridão e assistir as nuvens noturnas. Gosto da madrugada bruxuleante e marmórea, às vezes preenchida de música, conversas e beijos, para depois ser beijada por Vênus que brilha através de minha janela. Gosto da ideia de a noite não ter fim, poder descer do ônibus, no princípio da madrugada cantante e desviar até o outro apartamento, onde desaguam desabafos, enquanto a chuva lá fora corre, para depois, ao sair, ainda encontrar um outro alguém e adentrar a chuva gelada, acompanhada pelo piar das corujas. Sim… Isso se aproxima do que venho buscando, isso me parece bom, dá-me vontade de construir, enquanto que, dentro de mim, essa tormenta inesgotável nunca cessa.

Talvez
porque imagino o som 
de um saxofone melancólico 
e embriagado 
como pano de fundo de minhas confissões 
mais sinceras. Estou lotada de tristezas e de compreensões.
Estou aceitando a vida 
e sonhando ao mesmo tempo de olhos 
abertos. Estou afundada até os joelhos. 
Estou bem. 
Satisfeita. 
Minha visão está pura.
Não posso reclamar do que quer que tenha feito 
Até aqui 
Minha fé subiu uma escada.

Ana Costa

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Trolleada: Cuando la realidad supera a la ficción !! 

segunda Parte