Eu sei que no final, nós estaremos juntos.
—  Apenas alguns quilômetros de distância.
Hoje eu sonhei com você, acordei sentindo tua falta te procurei em todo canto na intenção de me declarar. E a cada esquina que eu dobrava na rua mais distante você estava. Ruas desertas, silêncio total, nada se escutava, nada além de meus passos que se arrastam pelo asfalto. Esquinas e becos desertos, nada além de um frio gelado que batia no meu peito. E por mais que eu negue à mim tudo isso, mesmo sabendo que não ia te encontrar, pode dizer que “sinto tua falta” era tudo que eu queria falar.
—  Essa noite eu chorei de saudade.
Término.

Terminou. Segui em frente. Tentei me refazer. Refiz. Me perdi. Enlouqueci. Mas tava tão difícil continuar com aquele namoro que acreditei que o mais justo com nós era colocar um ponto final. Me enganei. Não me vi sozinha, pelo contrário, companhia não faltou. O tempo foi passando e eu preferi acreditar que aquela saudade ia passar e eu dizia: vivo bem sem ele. Menti. Não vivia e não vivo. Tudo me lembrava, tudo me levava para o mesmo caminho, a mesma pessoa. Doeu. Caí, mas levantei. Dizem que quando a gente conta várias vezes a mesma mentira, ela vira verdade porque acabamos acreditando nela. Confiei, agora vai. Segui em frente, e dizia: não sinto mais nada por ele. Chegava a noite, tudo piorava. Dizem que saudade é como resfriado, sempre piora a noite. Então, comecei a aceitar a hipótese de eu ainda ser completamente apaixonada por ele, estremeci. Caí, levantei e me recompus. Pensei: não pode ser, não é justo. Mas segui, tava pagando pra ver. Paguei caro. Não me vi sozinha mas quis ficar e fiquei. Fugi de qualquer coisa que pudesse me levar a ele. Achei nossa aliança. Enlouqueci. Peguei o celular. Liguei. Outra atendeu. Desliguei. Desabei. Sentei no chão. Chorei. Pensei: não é justo com ele, ele seguiu em frente, não posso fazer isso, fui eu quem não quis mais, não é justo com ele. Mas naquele momento o meu coração ficou tão apertado e baixinho disse: liga. Liguei. “Alô?” admito: que saudade daquela voz, a vontade era dizer: volta? Volta pra mim, eu não existo longe de ti, me devolve. Me controlei. Não disse. Combinamos de sair pra conversar no dia seguinte. Desligamos. “Tchau”. Mas a vontade de dizer e ouvir “ó, ainda te amo.” ficou. Nada foi dito. Agora eu te pergunto: volta? Aquilo que parecia ponto final, é só uma vírgula. Ou se foi ponto final, vamos recomeçar nesse parágrafo. Talvez, precisávamos desse tempo longe. Amadurecemos, assim espero. Espero, ansiosamente, pelo momento que vou te ver na minha frente, pertinho. Poder te tocar, olhar, sentir, beijar. Beijo que nunca existiu melhor, que desde o primeiro, se encaixou. Tudo encaixou: beijo, abraço, carinho, corpo… Teu corpo no meu. Que saudade de te sentir em mim, fazer amor contigo. Agora digo: meu amor, nenhum outro corpo tem graça como o teu, meu corpo é o encaixe do teu, meus pés foram feitos para caminharem paralelos aos teus, minhas mãos para andarem de mãos dadas com a tua, minha risada para fazer sinfonia junto da tua, o meu amor pra ser todo teu e a minha vida para ser todinha tua. Eu te amo tanto, volta?