sangrey

Uma das minhas muitas declarações foi escrever para você e sobre você. Eu me deixei entre versos só pra que pudesse me encontrar. Te eternizei em cada texto. Te perpetuei em cada linha e em mim. Sim. Em mim. Em cada verso, estrofe e rima.
Eu sangrei em palavras pra aguar teu jardim. Em meus fragmentos você se tornou imortal. Toda vez que se sentir em pedaços, lembre: ficou um pouquinho aqui, em cada texto meu.

Confesso que demorei a aprender que quando colocamos os sentimentos e as vontades dos outros como prioridade, nos auto abandonamos. Hoje acordei disposto a me fazer feliz, a cuidar mais de mim, do meu corpo, do meu espírito, da minha alma. Chorei, sofri, caí, machuquei e sangrei. Tive coágulos horrendos de angústia dentro do peito. Fui do céu ao inferno em fração de segundos. Fiquei com cicatrizes que jamais imaginaria que iriam desaparecer. Mas com o tempo, sumiram. Com o passar dos dias, levantei-me do chão, dei alguns passos e reaprendi a caminhar. E nessas idas e vindas de tombos, percebi que só iria realmente alcançar essa almejada felicidade, quando alcançasse primeiramente, meu coração. E felizmente o alcancei. Deparei comigo mesmo e me apaixonei.
—  Gean Carlos. 

Tô com aquela blusa do Pink Floyd, você sabe que eu só a uso quando estou a beira do fim, olhando o penhasco. É a mesma blusa que eu usava quando você reparou em mim na universidade. Estou assistindo um filme e lembrando que eles junto aos livros foram quem sempre me salvaram pra enfrentar a dor. Naquela época que eu acreditava que seria possível ver todos os filmes do mundo, não existiam computadores acessíveis e internet. Não havia ouvido falar em celular. Eu estou destruída. E você me bloqueou de tudo após me xingar tanto. Como eu disse e você não leu: Eu que preciso ter consciência das coisas que disse pra mim. Enxergo a tua dor, mas isso não te dá o direito de pisar em mim. Tô sangrando como nunca sangrei. Eu não sou ninguém. De novo, um filme me embala pra driblar a dor. Não é atoa que te disse que era cinéfila. Meu corpo é todo marcado dos machucados da vida.

eal
Extremos

No escuro do meu quarto
Encostada na cabeceira da cama
Me sinto intocável
Como se eu fizesse parte da parede
Vendo tudo
Escutando tudo
Cada movimento
Cena ou respiração
Mas ninguém me vê
Ninguém sabe que estou ali
Então sem sentimentos
Com a alma vazia
Eu observo as coisas desmoronando
E não sinto nada
Sou vários tijolos empilhados
Grudados com cimento
Alguns minutos atrás eu fui humana
Eu gritei
Eu sangrei
Eu chovi
Soquei a parede que agora pertenço
Senti a dor nos dedos
Mas passou rápido
Alguém entrou nesse cômodo
A porta escancarada trouxe luz
Eu a vi
Mas ela não me viu
A porta se fechou
E tudo acabou

-Samara Gunutzmann

Sus ojos

Y entonces

vi a mi patria

a los ojos

en sus calles

tan llenas de sangre

y miedo desbordando

de cada banqueta

su calles

tan abarrotadas de gente

pero tan vacías

de esperanza

y dije

para mí mismo

así quedito

que algún día

quisiera sentirla

tibia

hasta en los huesos.

Caminar descalzo

por todas sus esquinas

y saber que pertenezco

no solo de tierra

sino de raíces

también.

Pero observo su llanto

y escucho su voz

poco a poco

apagándose.

Y no logro más

que sentir

lo mucho que le duele

lo mucho que le pesa

mantenerse de pie

con tan poca lucha.

Vi a mi patria

una última vez

a los ojos

sentí el coraje

quemándome el pecho

empuñé ambas manos

llené mis pulmones

y le dije gritando

que no

que no me voy a quedar callado

que yo voy a ser su voz

y el pedazo de cielo

donde pueda

entonar

su canto.

-J. Weitnauer

Sentar no banco da praça e admirar o brilho das estrelas uma a uma, nunca mais fora tão mágico desde que ela partiu. E eu sabia que isso aconteceria. Uma navalha espetou o meu coração e eu sangrei ininterruptamente desde que ela me deixou por alguns trocados e um amor incerto. A gola da minha camisa favorita ainda estava suja com o batom importado dela que eu amava e os traços do seu rosto não me saíam da cabeça. Os meus dias nunca mais foram os mesmos desde que ela partiu na carona daquela moto e nem ao menos me disse adeus. É humilhante sofrer por alguém que não teve a consideração de se despedir da pessoa que ela dizia ser a sua metade. Tenho passado dias sufocado por essa sua maldita fragrância que insistiu em impregnar em tudo que era meu. É desesperador contemplar todas as nossas fotos juntos e ver o quanto éramos felizes e tínhamos tudo para escrever uma belíssima história juntos. O mais aterrorizador é saber que nenhuma dessas lembranças irá te trazer de volta. Você partiu e só me resta reparar pacientemente toda a destruição que tu causou.
—  Thomaz Torres e Taquigrafia.
Cap. 2017 pág. 35 de 365

Estás tú que eres volcán,
que eres playa de aguas frías.
Tú que tienes en la yema de los dedos el color del sur
y el reloj del infinito vive en las líneas de tus manos.
Estás desde siempre ahí esperándome,
buscando mis pasos en todas las calles
y dedicándome paisajes en silencio.
Tú que guardas en tu espalda las constelaciones
que me faltan por contar.
Estás tú que tienes cordilleras en tu sangre
y tu voz extranjera me vuelve poesía.
Estás tú, que me devuelves,
que me haces y deshaces los vientos.
Estás por entre mis dedos y en el latir de mi pecho.
Tú que conviertes las latitudes en excusas  para abrazarnos más.
Estás tú fusionando mis caderas con tus ritmos,
haciendo del amor un país para vivirnos.
___

M. Sierra Villanueva

Consejos para la mujer fuerte.

Si eres una mujer fuerte
protégete de las alimañas que querrán
almorzarte el corazón.

Ellas usan todos los disfraces de los carnavales de la tierra,
se visten como culpas, como oportunidades,
como precios que hay que pagar.

Te hurgan el alma;
meten el barreno de sus miradas o sus llantos,
hasta lo más profundo del magma de tu esencia
no para alumbrarse con tu fuego
sino para apagar la pasión
la erudición de tus fantasías.
Si eres una mujer fuerte
tienes que saber que el aire que te nutre
acarrea también parásitos, moscardones,
menudos insectos que buscarán alojarse en tu sangre
y nutrirse de cuanto es sólido y grande en ti.
No pierdas la compasión, pero témele a cuanto conduzca
a negarte la palabra, a esconder quien eres,
lo que te obligue a ablandarte
y te prometa un reino terrestre a cambio
de la sonrisa complaciente.
Si eres una mujer fuerte
prepárate para la batalla:
aprende a estar sola
a dormir en la más absoluta oscuridad sin miedo,
a que nadie te tire sogas cuando ruja la tormenta,
a nadar contra corriente.
Entrénate en los oficios de la reflexión y el intelecto.
Lee, hazte el amor a ti misma, construye tu castillo,
rodealo de fosos profundos,
sin olvidar anchas puertas y ventanas.
Es menester que cultives enormes amistades
que quienes te rodeen y quieran, sepan lo que eres;
que te hagas un círculo de hogueras
y enciendas en el centro de tu habitación
una estufa siempre ardiente
donde se mantenga el hervor de tus sueños.
Si eres una mujer fuerte
protégete con historias y árboles,
con recetas antiguas de cantos y encantamientos.
Has de saber que eres un campo magnético
hacia el que viajarán aullando clavos herrumbrados
y el óxido mortal de todos los naufragios.
Ampara.
Pero amparate primero.
Guarda las distancias.
Constrúyete. Cuidate.
Atesora tu poder.
Defiéndelo.
Hazlo por ti.
Te lo pido en nombre de todas nosotras.

Gioconda Belli.

Todos esses anos me perguntei o que fiz e onde errei pra que você partisse assim, sem ao menos olhar pra trás. Sofri como nunca havia sofrido antes e sangrei uma dor que nem imaginava existir. E agora que consigo me reerguer e me sentir viva mais uma vez, você volta com esse sorriso malicioso e agindo como se nada tivesse acontecido, como se nunca tivesse me causado tantos danos, joga conversa fora, diz que me ama e me pergunta o que fazer com todas aquelas promessas e lembranças. Quer saber? Joga tudo fora, assim como fez com nosso amor.
—  Pra quê rimar amor e dor? Ana Luiza Assunção.

eu quis voar para longe mas as minhas asas nunca suportaram o peso da minha alma profunda.
eu hábito em tudo que me faz humana/árdua/insana/oceano e mesmo assim não me reconheço como pessoa.
como respirar carregando um universo de incertezas?
tive o silêncio corroendo minhas artérias e sangrei a solidão que emana entre os meus escombros.

Larguei meu orgulho por você, fiz coisas que jamais imaginei fazer por alguém, me esforcei, me sacrifiquei, sangrei e você não percebeu. Fiz tudo isso e só pedi uma coisa em troca, me sentir amada, mas você não entende que falar é diferente de demonstrar, meu coração não vive de migalhas, sinto saudades de quem você era, bom pra mim, e agora… Sinto que a cada dia um pedacinho do amor estivesse evaporando e não consigo ver importância da sua parte, como se tudo que a gente viveu tivesse sido fantasia, um mero sonho que acabou. A escolha é sua, se vai me salvar ou me deixar cair no abismo, fazendo tudo evaporar de vez.
—  Decifraste.
Zé, aconteceu. Outra vez. Eu me apaixonei, e sabe lá como, virou amor. Me doei de corpo, alma e coração, lutei, batalhei e sangrei até morrer. Bukowski tinha razão, o amor é um cão dos diabos. É lindo, mesmo com todas as suas dores, mesmo com todos os seus desencontros. Mas sabe moço, deveria ter algum cursinho preparatório. Você pode se apaixonar uma, duas, três, mil vezes, mas não vai estar preparado para isso, não vai estar preparado para o amor. Ninguém está.
—  E se houver alguém que saiba lidar, favor entrar em contato. Letícia.
Do singular

Sabe quando você sente um nó na garganta? Aquele nó que não desata nem por mil palavras vomitadas? Um nó cego que emudece, que sufoca, que não te mata de uma vez por todas só pra ter o prazer de machucar?

Sabe aquele nó na garganta que não desce nem sai? Um amontoado de hipocrisia, falta de coragem, solidão, mentira e apego que te empurram goela abaixo sem ao menos ter alguém pra perguntar “ei, já quer ser otário agora?”

Quando você não sabe dizer “não” e se importa demais com os outros, vive no seu limite, sorrindo, rindo e indo…indo mais fundo. Daí, sem saber por onde começar, deita, levanta, toma um café; fala pra Deus que não é assim, que não quer assim, que vai mudar. Vai? Sem forças, sem amor, sem cor. Que coisa mais clichê esse negócio de amar, de amor, de esperar. Quando resolve pensar em si, é injusto. Infiel, mau-caráter…. Vai a julgamento em praça pública e quando falo pública, falo sério. O problema já não é seu. É nosso. É deles! O nó não desata, você não é feliz nem verdadeiro. Tão oco, sem gosto…. Ei, espera um pouco. Mas esse não é você. Sou eu.

Tentei desatar o nó. Cortei a garganta, sangrei por meses lutando pra esquecer, fingir que aquela dor não me escravizava. Inútil. Pensei então que seria mais fácil engoli-lo. Errei de novo. O nó entrou pelo lado errado, se alojou no coração. Que nó filho da puta! Um nó no coração?! É. No coração dói um pouco mais, incomoda um pouco mais e o pior: sangra até o fim. Viver com um nó no peito é bem mais complicado. Agora tudo bate bem devagar: a vontade de viver, bate devagar. A felicidade quase nunca bate e no meu coração, você ainda bate.

He regresado para sentarme
como una vieja se sienta a la orilla de las lamentaciones
y hunde sus dientes contra una piedra
para no hablar
para no hablar ya más
y dejar que el mar susurre su voz de nieve ardiente
He vuelto a este rincón enfermo
donde me obligan a tragar una hostia mancillada
por las bocas que dijeron todas las mentiras

Entonces veo desfilar en el caleidoscopio del agua
las grandes y pequeñas traiciones
bajo el delirante sol de febrero

Allí están los que osaron aspirar eternidad
sin pedir permiso
comieron carne ajena e invadieron casas
donde alguien oraba en secreto
Luego se sentaron en la sala
pidiendo café y cigarillos

Y allí estamos nosotros

Insomnes mudos los rostros
sin orillas flotando sin destino
tratando de ver a Dios en la tierra de nadie

Porque todo lo que se pierde va a dar al mar
me tiendo en el borde
para oír a mis hermanos muertos
Puedo ver en la ciudad desierta
a mujeres que amontonan cachureos en los patios
pequeños objetos que se pudren

La trivialidad del poder atraviesa
civilizaciones de sangre
para luego ofrecer té y cuidar de los heridos

Puedo verte
danzando sin cabeza
desnudo sobre las olas llameantes
moviendo apenas los labios
los dedos apuntando hacia arriba
donde los pelícanos baten sus alas mudas

La ciudad       una botella soplada por un viento
                      pútrido
                      se hincha
Y a través      sólo veo muertes solapadas
por todas las mentiras dichas para robarnos a Dios
para hacer de nosotros buenos chicos chicas listas

Quieren ponernos las cosas difíciles te dije
considerando que las palabras ya no designan
objetos ni situaciones
sino relaciones lingüísticas
dejándonos sin frutos sin sombra
en este infame terruño de las representaciones
Bajo el aire salobre del puerto
el viento agitaba sus certidumbres contra mi rostro
Eramos jóvenes      lo sé
tenía el cabello despeinado
y el mar de pronto fue una bóveda
encerrando todos los secretos todas las visiones
Entonces vi la puerta que daba al Jardín
donde mamá y yo mirábamos caer la nieve
sobre los duraznos desnudos mirábamos
caer la nieve sobre los duraznos desnudos

Porque no soy yo la que habla
me he tendido en la colina para que hable el mar

Desde aquí veo la extensión del agua
perderse en el horizonte
una gran lámina plateada y brillante
bajo el sol ardiente del verano

La palidez del agua es un muro invisible
entre los mundos donde habremos de perdernos
allí entregaremos la palabra de fuego
que nos arrojaron desde el traspatio de los crímenes
para ser otra vez tomados de las manos
y acariciados por el viento

Aquí he regresado
al pie de nosotros mismos a dejar mi ramo
Voy soplando copos de ceniza
que se esparcen en el Jardín quemado
el único paisaje de Klee
al final del caleidoscopio

Reconozco un zumbido de abejas
las patas de las arañas rozando suavemente la hierba
y sé que nos han abandonado a las puertas del sueño
para decirnos que no hay tregua

Aquí donde los damascos crecen maduros
para alimentar a las hormigas
año tras año la pulpa exige su tributo de sangre
y se relame en su sed inextinguible

Porque es fracaso la saciedad
esa traición de pequeños animales
sacando sus lenguas de fuego
para arañar la nieve las olas llameantes
que se levantan desde este mar estanco
donde todo lo que abandonamos ha ido a perderse
como se pierde en la tarde
un eco de campanas

Sin embargo
sé que otra vez
estaremos frente a ese Jardín
callados y felices
escuchando cómo cae la nieve sobre las ramas
de los hermosos árboles invernales

Junto al mar se extiende la ciudad
La noche se desprende como un susurro
Veo a los feriantes marchando a casa
después de pedir vino en la cantina
donde una gorda pintarrajeada
canta tangos de Gardel

Los niños desarman la Rueda de la Fortuna
donde subían las novias del barrio bajo
sonrojadas y sucias comiendo palomitas

Cae la noche sobre el puerto y las calles
son el único rastro que dejan los asesinos
Mañana será otro día    y habrán de volver
a abrocharse los zapatos
subir peinados al micro maloliente
para llegar al fin de la jornada
a dormir a un hotel equivocado
un sueño equivocado

Este es el lugar de los crímenes
La muerte es el único museo abierto

Aquí están los que iban a comer carne de Dios
y fueron sitiados
los que sobrevivieron al banquete de restos
cuescos de damascos carcomidos sobre las bandejas
una cita que la Historia anunció
demasiado tarde.

No soy yo la que habla

El mar dibuja los paisajes que nosotros olvidamos
para no decir malas palabras ni delatarnos entre vecinos
y recibir la recompensa de un nombre
la única investidura para ser reconocidos
cuando la Historia reparta su premio de canicas

Desde aquí veo a los que estuvieron antes

Juana la pecosa se durmió al sol
esa tarde que la encontraron sobre la arena

Veo al loco Pepe
no dejó su sombrero de fieltro regalo de su padre
cuando lo arrojaron al Pacífico

Ese océano que todo lo guarda
porque todo lo que se pierde va a dar al mar

Amanece y la ropa tendida en las azoteas
ondea bajo la brisa
He subido por el camino y desde el monte
contemplo el sol sobre la tierra mojada
Pero los grillos ya no cantan himnos imperiales
y las mujeres ya no lucen sus preciosos tocados de ayer

A orillas del mar la Historia ha ido a perderse
sin justificaciones    sin héroes    sin santos

Son las palabras las que matan   te dije
Y fue cierto

Abajo la bahía enciende luces de ceniza
Hay quejidos de peces suspendidos en el aire
un eco venido de otras aguas
donde las algas son diademas de muchachas
y no éstas cabelleras muertas

Son otros los puertos donde habremos de perdernos
para reencontrarnos con las manos manchadas
y los zapatos viejos
como en la plaza florida de septiembre
cuando nos citábamos bajo los ciruelos
para no decirnos nada
para susurrar esa canción que tanto nos gusta
y que ya no podemos recordar

Porque ése era el Jardín nevado
el pedazo de tierra para dormir bajo las fragantes nubes
sin buscar nada sin desear nada
con el oscuro presentimiento
de que el mar es un espejo
para ser mirado por los ojos de Dios

Era el día preciso para arribar al puerto
La hora que nos recuerda y nos salva
Encumbrados por el hechizo de fuegos artificiales
bandas de muchachos     nalgas apretadas
brazos tostados que cantaban
viejas canciones sobre marinos y sirenas
que se besan
bajo la luz de petróleo de una lámpara
en la cubierta de una nave
hemos atravesado todas las edades

Pero lo veo
el agua arrastra el peso de un muerto
y los dulces amigos danzan en la arena
un ritmo triste

Un perro ladra en lo oscuro
invitándonos a una embriaguez leve
seducción escondida en la humedad
hasta que despertamos y perdidos en la orilla
permanecemos callados     alegres
viendo cómo oscurece sobre la gran ciudad
como si fuéramos los últimos guardianes
de un país innombrado bajo el aire salobre
Cerrados los cinematógrafos escuchamos a Pathy Smith

Alguien dice que el festín no ha terminado

Fue entonces cuando vi a la diosa tenderse
cansada y sucia
a la orilla del mar.

Fragmento de Las playas de fuego - Bárbara Délano

CONSEJOS PARA LA MUJER FUERTE by (Gioconda Belli)

Seguimos festejando a Gioconda Belli por su cumpleaños 67


Si eres una mujer fuerte
protégete de las alimañas que querrán
almorzar tu corazón.
Ellas usan todos los disfraces de los carnavales de la tierra:
se visten como culpas, como oportunidades, como precios que hay que pagar.
Te hurgan el alma; meten el barreno de sus miradas o sus llantos
hasta lo más profundo del magma de tu esencia
no para alumbrarse con tu fuego
sino para apagar la pasión
la erudición de tus fantasías.

Si eres una mujer fuerte
tienes que saber que el aire que te nutre
acarrea también parásitos, moscardones,
menudos insectos que buscarán alojarse en tu sangre
y nutrirse de cuanto es sólido y grande en ti.

No pierdas la compasión, pero témele a cuanto conduzca
a negarte la palabra, a esconder quién eres,
lo que te obligue a ablandarte
y te prometa un reino terrestre a cambio
de la sonrisa complaciente.

Si eres una mujer fuerte
prepárate para la batalla:
aprende a estar sola
a dormir en la más absoluta oscuridad sin miedo
a que nadie te tire sogas cuando ruja la tormenta
a nadar contra corriente.

Entrénate en los oficios de la reflexión y el intelecto
Lee, hazte el amor a ti misma, construye tu castillo
rodealo de fosos profundos
pero hazle anchas puertas y ventanas

Es menester que cultives enormes amistades
que quienes te rodean y quieran sepan lo que eres
que te hagas un círculo de hogueras y enciendas en el centro de tu habitación
una estufa siempre ardiente donde se mantenga el hervor de tus sueños.

Si eres una mujer fuerte
protégete con palabras y árboles
e invoca la memoria de mujeres antiguas.

Haz de saber que eres un campo magnético
hacia el que viajarán aullando los clavos herrumbados
y el oxido mortal de todos los naufragios.
Ampara, pero ampárate primero
Guarda las distancias
Constrúyete. Cuidate
Atesora tu poder
Defiéndelo
Hazlo por ti
Te lo pido en nombre de todas nosotras.

“De nuevo quieren manchar
mi tierra con sangre obrera
los que hablan de libertad
y tienen las manos negras.

Los que quieren dividir
a la madre de sus hijos
y quieren reconstruir
la cruz que arrastrara Cristo.

Quieren ocultar la infamia
que legaron desde siglos,
pero el color de asesinos
no borrarán de su cara.

Ya fueron miles y miles
los que entregaron su sangre
y en caudales generosos
multiplicaron los panes.

Ahora quiero vivir
junto a mi hijo y mi hermano
la primavera que todos
vamos construyendo a diario.

No me asusta la amenaza,
patrones de la miseria,
la estrella de la esperanza
continuará siendo nuestra.

Vientos del pueblo me llaman,
vientos del pueblo me llevan,
me esparcen el corazón
y me aventan la garganta.

Así cantará el poeta
mientras el alma me suene
por los caminos del pueblo
desde ahora y para siempre. “

- Víctor Jara.  

eu te vi meu fim, m. eu sangrei e me vi querendo te mostrar todas as contusões. te contar desses meus dias bostas que eu mal consigo levantar inteira da cama. que de manhã o frio não me chama pra dançar. e as cobertas cobrem ilusoriamente minhas hemorragias. mesmo sabendo que nada vai me livrar dos monstros. e que na verdade, eles me comem de dentro pra fora. eu vi meu fim. te vi. de novo de novo e de novo, quando você tentava me puxar pra perto feito uma concha e eu me encolhia não querendo ser uma mocinha indefesa que precisa de cuidados. porque eu não precisava. eu não precisava de alguém tentando me salvar da minha própria carnificina quando nem mesmo eu fazia isso. mas eu te quis ali. me vendo sem disfarces. sem humor ácido barato estúpido ou risadas não tão transparentes.