sandice

I
à noite sonhei
sobre olhos e
ouvi a conversas
das botas batidas
como se fosse
uma delas
 
II
a igreja
não sei se para nos
casar ou
velar
dava motivos para o sino
chorar
 
III
me fará escrever
100 poemas
nenhum tocará
a distância
 
IV
“somos os amaldiçoados”
ela me sussurrou
desacreditando
na força
das palavras que
acabara de proferir
 
V
sim
improvável
serem teus olhos
os da cigana oblíqua &
dissimulada
apesar de ainda se ver
gesto-tentativas
do último resquício
em face
de sandice
(essa, veja só,
morreu há poucos
dias)
nada;
opacos
 
VI
e então
imaginei três ciganas
dançantes
caçoantes
amores que tive
que não tive
que apenas desejei
 
imaginei que
não estando lá
teu rosto
nunca estaria lá
tu
 
Vll
vi três rosas
flores qualquer
uma singularidade sanguínea
você derramada
em copos
embriagando-os
me
embriagando
amazônica vertigem
 
Vlll
senti
o seu
o meu
o nosso
céu
diabólico
em sua negritude
nos dar
últimos anjos e
beijos
“enterro”
pensei
 
lX
me fará escrever
poemas
ao invés de fazer
alguma coisa e
continuarei
a não rasgar
esse véu
essa distância
 
pior!
me fará
mais e mais e
mais distância
 
me fará dar
boas palavras
a estranhos e
com estranhos deitar
 
X
esta é a nossa
última-primeira vez e
sentimos a capacidade –
galáxia infinita
de fazermos tudo:
 
nossos olhos
desmanchando e
indo parar nos pés
 
nossos pés não
sendo nossos
pés
 
mais coragem
sendo mais corajosos
somos mais
corajosos
 
o suco dos
olhos saciando-nos a
sede e
nossos lábios falando
coisas que
nossos outros lábios
geralmente não falariam
(coragem! mais coragem!)
 
Xl
última-primeira vez
última-primeira vez
última-primeira vez
 
nos abraçamos
para sempre
e para o sempre
sumimos em borrões.


Antônio F.

(Foto: A Noite Estrelada, Van Gogh, junho de 1889.)

Existe no meio evangélico tanta insensatez, falta de sabedoria, superstição, coisas ridículas, que acabamos dando aos inimigos de Cristo um pau para nos baterem. Somos ridicularizados, desprezados, nos tornamos motivo de escárnio, não por que pregamos a Cristo, e este crucificado, mas pelas sandices, tolices, bobagens, todas feitas em nome de Jesus Cristo.
—  Augustus Nicodemus.
O mar mostrou-me quão doce o sentimento pode ser. Enquanto eu passava pela estrada elevada admirando o horizonte azul infinito, que voltava em formatos desequilibrados, o meu coração se enchia de gozo e trazia-me uma sensação de paz infinda. Foi quando eu quis fazer parte daquele infinito. Na beleza do sentimento, eu fechei os meus olhos e mergulhei sem dó, nem piedade, nem arrependimento algum. Enquanto eu imergia naquela imensidão azul e tornava-me parte daquele infinito, meu corpo jazia em êxtase para o seu destino natural, e nessa sandice não tão insana assim senti-me mais leve e incrivelmente disposto a amar.
—  Ofegar

Te vejo com olhos que já não tem mais a coragem de admitir todas as coisas belas. O toque anda oco, os dedos que descem sua omoplata são frios e trêmulos como se temerosos pelo que há. Eu queria te dizer me olha, me olha daquele jeito que faz esquecer todas as intempéries da vida. Retira do meu ser toda e qualquer maledicência sobre o amor, porque uma vez já fui dele completamente só pelo prazer de me pertencer, mas já não.  

Cravo as unhas como quem busca por respostas escondidas sob a pele, encosto o rosto na linha da sua coluna por toda a exaustão que me enfraquece os pés. Soluçaria uma porção de palavras desconexas e esperaria que compreendesse. Eu sempre esperei por uma utopia sua que viesse das minhas, mas jamais fui suficientemente estável para dizer qualquer coisa. Espalmo as mãos nas suas costas e digo sobre as ilusões de metade que me causou. Você não me completa, como uma metade que anda sem dar-se conta que um pedaço falta. Somos independentes demais para esse tipo de afirmação. Somos imensos, quase ingenuamente destrutíveis. Mundos que residem próximos pacificamente. 

Todo tipo de sandice passa pela minha cabeça enquanto passeio pela sua pele, ainda que me sinta fria e irreversivelmente cética. Você me transborda com todas as tolices românticas sem formar sequer uma palavra. Seus olhos não dizem nada, absolutamente. Não que sejam mudos, mas nada capaz de explicar o quente do meu peito que devagar toma meus pulmões e furta minhas lágrimas. Penso em você constantemente com aquela do Chico. Sorrio contra suas costas, é bastante bela. Você já ouviu, bem lembro. Gosto de pensar que tudo o que faz parte da minha mente perpassa a sua. “Futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber com o amor que eu um dia deixei pra você”, canto baixinho que é só pro silêncio escutar. Aqui, esse momento, contém todo amor do mundo sem sequer um “eu te amo” sussurrado no pé d’ouvido. Aqui, nesse ato, na minha falta de ar, sobre toda a descrença mundana, eu te amei e senti em cada célula.

G.

És um nevoeiro de sandices.

Quando calada me incentiva com olhares a encher tua boca de palavras. Cativa-me com o jeito que expõe teus ideais, de cara nua, querendo mostrar que não andas por ai como o moço da viela que não sabe se vira nessa esquina ou atravessa em direção a outra. Teu corpo se contorce em direção ao meu ansiando pelos meus toques, trajeto que meus dedos ávidos percorrem por teus seios, cintura, a curva que lateja sem parar no teu pescoço, quando atinjo o teu ponto máximo com meus lábios te banhas em contorções e sussurros. É toda ternura na forma como me tomas como se estivesse ávida de alguma fome ou sede que só eu tenho o poder de te alimentar. Prende-me em teu peito e me transforma em teu abismo. Quando me deixa saciado com teus gorjeios, sai por ai como se quisesse me mostrar que és minha, mas que o mundo também tem necessidade de teus alentos. Ensina em tuas passadas que em teu ser tem a alforria da liberdade e demonstra que assim completa consegue transbordar a mim e a todos que navegarem por seus olhos e naufragarem em seu peito.

“Que digam os bobos da corte que sorriem como ofício, que meu sorriso é válido perante teu argumento. Que não foge a minha mente sádica tuas curvas assim, despidas. O ruborizar vem com palavras mudas de nascença. Os teus lábios iniciam um novo tipo de droga, e o pré-vício já declara presença. Assim dos teus lábios enquanto amasso e da tua vergonha exalar barbaridades. Exalar arrepios, sequestrar suspiros sinfônicos para entrar em modo sandice”.

-GREGO

Eu estava olhando o céu, estava azul; sua cor favorita. Eu imaginei você alí, do meu lado enquanto passava a mão em seus cabelos, você sabe que por parte, esse seu cabelo de anjo me conquistou. Mas eu voltei pra minha realidade, alí sozinha, tão confusa. Eu te disse adeus, mas você continuava nos meu pensamentos e pior, mais forte do que nunca no meu coração. Continuava alí nos meus sonhos, na minha realidade. Eu corri pra longe disso, eu tentei fugir, mas acho que você conseguia até prever os meus passos. Eu te escondi dentro de mim, achei que seria uma boa ideia. O tempo passou e eu fingi ter esquecido nossa história, talvez tenha sido a história que só eu idealizei, talvez eu vivido isso sozinha, mas quando vem falar comigo, me contar coisas sem sentido, me pergunto o que você quer, talvez você queira me torturar, no fundo nem que seja um por cento eu fico na esperança que você goste de mim, sei lá, talvez eu só espere que você sinta tanta falta quanto eu de nós. Que você sinta também que existe um nós, que você só observe essa ligação única que temos. Afinal as horas que passávamos rindo, conversando sandices não significaram nada? Aquelas conversas de madrugada, os pedidos pra ficar mais um pouco não significaram nada? As suas demonstrações de ciúme exagerado eram farsa? As suas palavras de carinho era tudo da boca pra fora? Por favor, seja claro, me fala o que senti. E dependendo do que me disser, vai logo embora de uma vez, leva contigo tudo que eu sinto. Leva a melhor parte de mim, não faz mal… Ao menos estará sendo sincero. Você tem permissão pra destruir minhas utopias aonde o ator principal era você. Vire a esquina, dê adeus, mas dessa vez sem retorno. Sem virgula, sem volta. Sem arrependimento, sem cansaço. Chega de me procurar só por carência. Eu não vou ser seu conforto de momento, sua almofada desgastada.
—  Agridociei e Endorfinou a espera de um adeus.
Se apresentava mais real na minha imaginação do que ali, exposta ao toque físico. Me parecia mais visível em sua natureza etérea do que disposta à receptação pelos cinco sentidos. Como me era mais real em sua constituição imaginária a converti para sempre em delírio. Se saísse de mim não a veria como a queria ver. Só poderia amá-la se a conservasse como uma extensão do meu eu. Só conseguiria se a mantivesse envolta pela minha irrealidade necessária, pelo meu desvario, pela atípica composição da minha personalidade que só me faz sucumbir à sandice, ao avesso das coisas. Não sinto falta dela porque ela nunca me foi ela. Ela é uma projeção do meu imaginário vitoriano, sensibilizado demais pela luz ofuscante dos romances que li. Ela sou eu.
—  Edson Junior.
Teus delírios me acalmam

Queria estar na sua pele, e sentir-me voando dentro de tua cabeça. Queria contornar todo o desamor existente em teu coração e vasculhar todas as memórias que guardastes nesse teu cérebro tão majestoso e cheio, que porém na ápice do teu estado de êxtase se esvai qualquer noção de sanidade e sandice que antes estava impregnado por todo o teu corpo e nas entranhas de tua alma fétida. Teus delírios acalmam os desatinos do meu destino. 

Júlia Ogaia

Pus meu prazer à mercê das tuas mãos
O meu coração ao teu ardor
E o meu ser ao teu ser
Sejamos, então, puro erros
Visto que a pureza, já não nos pertence mais

Sejamos, então, dor
Visto que o amor já não se sustenta mais
Sejamos, então, errados
Visto que o certo, não nos traz prazer
Sejamos, então, por maior sandice que seja, nós
Amemo-nos!

J.

Cap 64


Clara – oi gente, só passei aqui na mesa pra dar um ‘oi’ pra vocês, estou em outra mesa com uns empresários…
Thaís – Oi Clara
Junior – como vai a loira mais linda desse país?
Thaís – hahaha Junior, não precisa me excluir assim neh?(todos riram descontraídos)
Vanessa – oi (com um sorriso tímido nos lábios)

Edu falou com todos na mesa, deu um abraço apertado em Vanessa, como ela já estava em pe aproveitei e fui dar um beijo nela, foi um momento muito tenso pra mim, eu estava suando, ela não pareceu estar nervosa, voltei pra minha mesa logo depois.

POV Vanessa

Sabe quando você acha que esta muito bem, que seu coração esta tranqüilo e que você superou tudo? Eu achava isso ate uns segundos atrás, quando ela surgiu na minha frente, o meu coração acelerou de uma forma, tentei me controlar ao Maximo, não parecer que estava nervosa, não sei se consegui, mas vê-la na minha frente tao rápido foi demais pra mim, fiquei tensa o resto do jantar, nem ao banheiro eu consegui ir, quando estávamos indo embora nem olhei pros lados, saímos e fomos pro estacionamento, Edu estava de carro também, Junior e Thaís vieram comigo, resolvemos esticar a noite num Pub novo que tinha na cidade, era bem alternativo, Edu ligou pro Fabian e o mesmo ia encontrar a gente lá. Demos de cara com Clara no mesmo lugar entrando em seu carro…

Junior – olha só…uma loira linda desse jeito dando sopa aqui sozinha…
Clara – Junior, suas cantadas estão cada dia piores…
Thais – vai pra casa Clara?
Clara – vou sim

Eu não conseguia dizer uma palavra, fiquei parada olhando eles falando com ela…

Junior – porque você não vem beber com a gente?

Ela olhou pra mim no mesmo instante, acho que tentava encontrar a resposta em mim, se podia ou não ir neh?

Clara – acho melhor não…
Vanessa – vamos… não vai fazer mal nenhum a gente tomar uma cerveja hoje!

Fui andando pro carro e eles trataram de avisar a ela onde nós íamos, eu estava tremendo da cabeça aos pés, já tinha me arrependido de ter concordado com isso, eu não ia conseguir relaxar com ela ao meu lado, sentar com ela, ia ser muito tenso.

Chegamos no Pub e Fabian já estava esperando por nós, bem ate ai tudo bem, so que ninguém me disse que Junior e Thaís estavam saindo, ou seja quase um programa em casal, eu tratei de avisar ao Junior pra eles não me deixarem ficar ‘sozinha’ ali. Pegamos uma mesa perto da janela, eu e Clara nos sentamos bem longe uma da outra, sempre que uma de nós falava a outra tratavam de se abster de qualquer comentário…

Eu estava contando a todos minha aventuras em NY e deixei bem claro que não estava sozinha por lá, eu falava sempre com muito cuidado sobre Jordana, apenas dizia que era uma pessoa legal e que era Dj é claro, Junior se animou… fiquei só na cerveja mesmo, Edu estava fazendo um mix de bebidas, cada hora ele pedia uma diferente, Fabian se continha pois sabia que o volante era dele na volta, Thaís sempre muito comportada na bebida, Junior estava comportado so por ela, bebia cerveja junto comigo, Clara era o exagero, bebia tekila como se fosse água, não era tantas assim, mas eu a vi bebendo umas 4 doses e depois pedindo cerva…. o papo tava bom demais, tirando os momentos que os casais resolvem se beijar e eu e Clara ficamos de vela olhando por lado, tudo bem.
Me levantei pra ir no banheiro, já passavam das 3 da manha, entrei na cabine, nem demorei, quando eu sai dei cara com ela, nem fiquei surpresa, aquela cena não me é estranha, eu ia dizer alguma coisa, mas ela me jogou pra dentro da cabine segurando minhas mãos pra cima, olhando em meus olhos em seguida pra minha boca, minha respiração estava falhando, eu não conseguia nem falar, quanto mais reagir, mas eu nem queria reagir mesmo… elas desceu suas mãos pelos meus braços e eu fui descendo eles também, segurou meu cabelo com força e me deu um puta de um beijo, que saudade que eu estava dessa boca, com a outra mão ela segurava minha cintura apertando com força e me puxando pra ela…minhas mãos percorriam suas costas, arranhavam na verdade, mesmo eu não tendo unha, eu segurava ela pela bunda forçando uma aproximação maior, ela não hesitou e abriu minha calça jeans, abaixou um pouco e colocou seus dedos de uma vez na minha intimidade, apenas colocou minha calcinha pro lado, começou um intenso vai e vem, eu segurava sua mão pra que ela colocasse mais força nas investidas, ela beijava meu pescoço, lambia, mordia, fazia o que queria de mim, beijava minha boca mais um vez e eu rebolava mais pra ela, finalmente consegui gozar….soltei um gemido abafado por seu beijo, ela retirou seus dedos e parou de me beijar, me olhou nos olhos e chupou seu dedo que estava em minha intimidade, aquilo me deu um tesão…alguem bate na porta reclamando da demora, ela me olha e ri e a gente sai com a cara mais lavada do mundo….ouvi as pessoas reclamando no banheiro, obvio, mas nem demoramos tanto assim…só que era um banheiro publico neh? enfim, voltamos pra mesa de mãos dadas e todo mundo olhou a gente com aquela cara de espanto….

Fabian – olha só… já tão de mãos dadas, que bonitinhooooooooo (sempre mala; ps: comentário pessoal)
Clara – nem mais uma palavra…
Fabian – sim senhora.
Edu – amor, quero ir pra casa
Vanessa – já? (me sentei no mesmo lugar e ela também, separadas)
Fabian – que foi amor, ta cansado?
Edu – cansado não, eu quero me cansar ainda hoje! *-*
Junior – hahaha por favor sem detalhes tórridos…
Thaís – eu estou cansada também…mas se você quiser ficar mais eu não ligo de ficar Junior.
Junior – vamos ficar um pouco mais…
Vanessa – ai que bom, porque eu to sem sono e sem vontade de ir pra casa….


POV Clara

Nossa quando eu a vi levantando da cadeira, não pensei duas vezes sai dali sabendo exatamente o que eu queria, ela. Sai decidida a agarrar se fosse preciso, já no banheiro foi mais fácil do que eu pensei, ela nem resistiu, nem me xingou, nem nada, se entregou lindamente e tivemos uma transa gostosa, mas eu queria mais, eu queria sentir ela dentro de mim, so não o fiz porque não deu tempo, tinha uma mala empata foda que resolveu atrapalhar, voltamos pra mesa sem dizer uma palavra, eu já estava planejando qual seria o próximo passo, eu queria ela a noite toda, mas ela queria ficar no pub bebendo, eu nem queria mais beber, Fabian e Edu ralaram logo depois que voltamos do banheiro, Junior queria levar Thaís pra cama com certeza, ele falava algumas coisas no ouvido dela, coitada, hoje ela rodava pra ele haaha, eu e Vanessa não tínhamos muito papo, na verdade isso nos temos demais, mas não tinha clima pra isso, depois de tudo, sei lá, eu não estava afim de DR e ela com certeza também não, a gente falava sobre o movimento do lugar e os lugares que ela tinha conhecido em NY, eu era uma fã de NY, sempre que podia estava por lá, antes de conhecer ela, já tinha um bom tempo que não ia pra la nem a trabalho.

Finalmente Junior quis ir embora, o problema: Vanessa de carro e eu também, eles eram carona dela, mas eu saquei que o Junior queria pegar um motel…

Clara – já sei, vai como meu carro e a Vanessa me da uma carona, amanha você deixa la na minha casa, o que acha?
Junior – eu acho ótimo, Vaaan? (a carinha dele de cachorro pidão)
Vanessa - ……… (me olhando seria, ela já tinha sacado minhas intenções)
Clara – Vanessa?
Vanessa – por mim tudo bem, eu te deixo em casa…

Dei a chave e os documentos pro Junior, me despedi deles, Vanessa já estava no carro, eu entrei e ela ligou o som…

Clara – vamos…
Vanessa – (ela deu aquela tossidinha cínica) você é cheia de segundas intenções hein dona Clara?
Clara – vai dizer que você não gosta?
Vanessa – hahaha não vou nem te responder
Clara – é melhor mesmo haha
Vanessa – pra minha casa ou pra sua?
Clara – tanto faz.


Ela sorriu e deu partida no carro, ela colocou o som alto, eu olhava pela janela e me dava vontade de rir, acho que era felicidade, muito louco isso. Me virei pra ela e coloquei minha mãos em sua perna, ela me olhou de relance e dei aquele sorrisinho no canto da boca, linda demais…eu estava viajando olhando pra ela, chegamos no seu apartamento, entramos no elevador e eu agarrei ela, ficamos nos beijando ate chegar no seu andar, ela tentava sair do beijo…

Vanessa – Clara, calma, espera a gente entrar no apartamento pelo menos?


Fui abraçada a ela por trás e ela ria da minha sandice, eu estava louca por ela, a saudade do seu corpo me deixava louca…entramos no ap e fomos nos beijando ate o quarto, eu já tinha arrancado sua blusa no meio do caminho, aberto suas calças, joguei ela na cama, tirei sua calça e sua calcinha, nossa fiquei louca de desejo vendo sua intimidade na minha frente, me ajoelhei no chão e abocanhei o seu sexo, introduzi minha língua de uma vez e iniciei movimentos circulares, mordia lambia, chupava, ela gemia alto, adorava quando ela gemia assim, eu a via segurando no lençol com forca, sua cabeça jogada pra trás, ela oferecia seu sexo pra mim, rebolava sensualmente na minha boca, eu sugava o seu sabor como nunca, seu liquido me embriagou de mais tesão…ela deixou o corpo cair na cama…eu retirei a roupa que ainda se fazia presente em meu corpo, ela logo olhou pra frente e me viu completamente nua, pude ver seus olhos brilharem, ela tirou o sutian, olhei seus seios com um desejo enorme e fui pra cima dela, sentei com as pernas abertas em cima dela e comecei a rebolar em cima do seu sexo, ela passava a língua no bico dos meus seios, puxava os com delicadeza, segurava os dois de uma vez com suas mãos e beijava eles como uma loucura…eu segurava em seus cabelos e puxava ainda mais seu rosto pros meus seios, ela brincava com sua língua neles, eu já estava gemendo de prazer so com sua língua naquela região, seus beijos foram descendo, ela me colocou na cama e ficou em cima de mim, seus beijos foram descendo pela minha barriga, eu já me contorcia de baixo dela, chegou no meu umbigo e sua língua começou a fazer movimentos nessa região que me deixavam louca, foi baixando os beijos e chegou na minha coxa, beijou, lambeu, mordeu, eu adorava quando ela me mordia, gostava de ver as marcas que ela deixava no meu corpo, eu estava delirando com sua boca me possuindo, puxei sua cabeça em direção minha intimidade, eu não aguentava mais, quando senti sua língua quente introduzi no meu sexo quase gozei no mesmo instante, fiz um esforço sobre humano pra isso não acontecer, ela me devorou…sua língua nunca tinha sido tão astuciosa dentro de mim, eu tive o melhor orgasmo da minha vida, ate agora, gozei loucamente em sua boca, ela chupou tudinho e depois continuou a beijar minha barriga, eu não tinha força pra nada naquele instante, minhas pernas estavam tremulas, meu coração parecia bater na barriga, eu estava com umas sensações muito diferentes…meu sexo latejava…eu sentia o meu corpo queimar….meus olhos permaneciam fechados, senti apenas sua língua invadindo minha boca mais um vez, a abracei e ela ficou por cima de mim me dando beijos longos…parou os beijos, mas continuou em cima de mim, apenas desceu um pouco seu corpo e colocou sua cabeça apoiada no meu peito, ela podia ouvir como meu coração batia acelerado, me senti ate um pouco envergonhada por aquilo, outra coisa que nunca tinha acontecido comigo na vida…ficamos curtindo o silencio do quarto, eu afagava seus cabelos…puxei seu corpo novamente pra cima, ela me olhou, eu queria ficar abraçada, nos abraçamos…nossos rostos estavam colados, nossos corpos de frente um pro outro, ela estava tão quente… minhas mão passeava por sua silhueta, ia por suas costas, descia ate sua bunda, subia novamente por suas costas, arranhava ela de leve,eu podia ver seu corpo arrepiado…de olhos fechados ela ficava ainda mais bonita, lhe dei um beijo sem língua, demorado, ela instantaneamente me abraçou mais forte…fizemos aquele sexo gostoso o resto da madrugada, já amanhecia quando adormecemos abraçadas…

Meu amor,

não escolhi ser solidão. A vida é que me impôs isso me tirando tudo desde tão nova. Nunca quis muito também, nunca esperei demais, talvez me acomodar em ser tão só, fosse uma forma de encontrar aconchego nos únicos braços que conheço. Me arrependo de ter sido louca em momentos inapropriados. Mas afinal, como saber quando é a hora certa? Pois eu não deveria ter lhe deixado partir. Deveria ter me agarrado aos teus pés, berrado teu nome, implorado que ficasse. Mas calei, só te vi ir embora com meia lágrima chorada e um silêncio cheio de gritos contidos no peito emaranhado. Vi nos teus olhos que queria ir, que precisava… deveria ter te convencido que seu lugar era na nossa casa. Mas… mas eu também não tenho lugar e agora estou aqui, sozinha como sou, cheia de coisas por lhe dizer sem nem saber como, dizendo a um você que não ouve, não lê, não recebe ou não se importa. Pois me fiz louca na hora errada, ri com o peito em prantos, chorei quando deveria ser forte, te amei em silêncio e deixei passar e gritei quando tu não queria mais ouvir. Por que, meu bem? Tens tu uma explicação para mim? Por que a gente nunca acerta hora? Qual o senso dessa ausência toda, se ambos sofremos de saudade? Vou lhe contar um devaneio. Eu estava sentada na sacada, com os olhos fechados pensando na vida, quando você entrou pela porta sem fazer som. Largou as malas em um canto e sem dizer palavra tirou o cigarro aceso de minha boca e me tomou num beijo. Dançamos sem música num abraço infinito com os pés descalços no chão de madeira. O sol ia embora e o crepúsculo rosado coroava nosso encontro de estrelas tímidas e uma lua cheia que se anunciava. Então eu despertei. Tento não esperar, mas espero. Não sei se devo. Não sei se penso. Só estou.

Desculpe as sandices, Cecília.