sandice

Da maneira que estava explícito o meu amor não acabara por fazer alardes como eu sempre pretendi. Mostrá-lo aos quatro ventos em forma de sons, gestos e lágrimas não resultou para eles, nem para mim. Estar apaixonado e querer morrer de amor não é nada, já que se morre tentando. Morrer de amor é morrer de amor, e não tentar morrer devido a ele. Saltar de um parapeito por pura sandice revelou o meu descontrole sobre minha pessoa. Eu jamais tive controle de mim. Pensar que eu fiz do amor uma espécie de castigo para quando eu falhasse é desastroso para uma alma contida que uma dia nunca pensou em amar. Amar cria loucuras, provoca delírios, requer entrega e devoção. Eu fui além: eu entreguei-me por completo não à uma pessoa, mas sim ao sentimento; à ideia de estar amando. Jamais tive a lúcida reação sobre um amor normal, tranquilo, do qual eu pudesse sair inteiro, feliz. Por mais que eu tentasse correr contra tudo aquilo que me sufoca, o amor vinha e atava as minhas pernas. Amar e acreditar que se ama é o pior dos amores. Eu não estava feliz, eu estava iludido; e ilusão é o pior cupido que existe.  

— Túlio Santos.