salvaguarda

As nuvens choram

A chuva encosta-se no vidro da minha janela amarela, do meu quarto vazio de memórias. Fico expectante a ouvir cada beijo de gota, silenciosamente esperando que não acabe. Sonho de olhos abertos a imensidão deste meu teto branco sujo de humidade, pensando numa forma de sufocar este sentimento angustiante que emerge devido à música melancólica que passa na rádio. Sigo de rompante a mosca pequena que me capta a atenção, que me rouba o olhar do teto e me direciona para a janela. Desvio o olhar com medo de te ver, deitada na tua cama roxa, pela persiana que, convenientemente, deixas sempre entreaberta, parecendo me convidar para um futuro partilhado, uma noite de especulações e emoções molhadas de lágrimas. Desculpa-me esta apatia fria, é somente cobardia sentimental disfarçada de preguiça matinal.. Continuemos separados, desconhecidos, vizinhos de um “olá” estranho e simpático, na salvaguarda de não sentir demais, não te quero prometer mais do que este repetitivo dialogo de uma sílaba. Não quero que vejas a merda que sou, prefiro um simples e feliz “olá”. Adormeço assim, em pensamentos irrelevantes e monólogos tantos.. Esperando sonhar contigo!

vomito-flores