salto-alto

Célio era novo em Ribeirão Preto.  Recém-chegado do Rio de Janeiro, tudo na cidade era novidade, até mesmo a maneira como as pessoas ser portavam. Em seu segundo dia, ele decide conhecer um bar, não era lá grande coisa, parecia mais um boteco qualquer, frequentado por bêbados sem limite e garotas em busca de um dinheiro extra.
- Uma cerveja, por favor. – pede Célio, meio perdido.
Apesar de frequentar muitos bares no Rio, aquele tipo de bar e pessoas era novo para ele, o que estranhamente o fez querer beber ainda mais. Na quinta cerveja entra uma mulher, aos olhos de Célio escultural. Já meio alegre e descontraído, ele pergunta ao garçom:
- Nossa, amigo! Que mulher é essa? Vem sempre aqui?
- Olha, campeão, vem sim. Mas posso dar um conselho? O pessoal daqui não arrisca sair com ela, devido um “problema” da cintura para baixo.
               Célio fica intrigado com isso, ele imaginava o que era, mas não teve a cara de perguntar, recém-chegado no bar, não queria parecer inocente. Isso ficou na cabeça do rapaz o restante da noite.  Cerveja vai, cerveja vem, a troca de olhares entre Célio e a bela moça é constante, ele decide ir embora, afinal não estava afim de descobrir a tal surpresa que imaginava. Não ainda.
               No outro dia ele só pensava na bela moça e se o tal “problema” é o que ele realmente imaginava. Enfim, se fosse, o que que tem? “Estou em uma cidade nova, conhecendo sensações  e pessoas. Que mal há em experimentar?” Era o pensamento constante em sua cabeça. O que, às vezes, parecia errado para si mesmo.
               Outro dia no bar, Célio chega e pede ao garçom uma dose de vodka, o garçom serve e essa cena se repete pelo menos 10 vezes. A essa altura ele já está completamente bêbado e falando abobrinhas. É nesse exato momento que a moça chega e ele paralisa, acredite, a mão ficou até tremula, o efeito dessa mulher é inacreditável.
               Cerca de 40 minutos se passaram, a troca de olhares é tão intensa que não há mais escapatória, ele se levanta e vai até a moça:
- Boa noite! – fala em tom galanteador.
- Boa noite! – responde a moça, dando abertura.
- Qual seu nome?
- Bruna, é o seu?
- Prazer, Célio. Mas, deixa te perguntar: o que traz uma mulher tão incrível a um boteco como esse?
               Ela ri. Ponto positivo.
- Não sei, talvez seja o ambiente ou os rapazes, mas gosto daqui.
- E eu gostei de você. – responde Célio, quase atropelando a frase da moça.
               Ela ri novamente. Mais um ponto.
               Os assuntos variam entre viagens, bebidas, filmes e séries, nada muito particular, Célio não tinha coragem de fazer perguntas tão íntimas, apesar de ter certeza que Bruna estava afim. Ela levanta, despedindo-se.
- Amei conhecer você, mas preciso ir. Amanhã acordo cedo.
- Tudo bem! Pode me passar seu número? – pergunta ele, já ansioso pela resposta.
- Acho melhor nos encontrarmos aqui. Gosto desses encontros à moda antiga.
- Ok. Tudo bem. – responde, desanimado.
               Ela se levanta e vai embora. Todos a volta de Célio o encaram, não acreditam no que acabaram de ver. Ele fica constrangido, paga o que bebeu e vai para casa. Sua cabeça parece girar, tanto pelo álcool como por essa mulher. “O que é isso? Nunca estive tão interessado por uma mulher, ou quase mulher, não sei mais. Mal sei o que eu gosto” pensa, confuso.
               O dia segue comum e Célio está ansioso pela noite. Será que Bruna estaria no bar?  Seu maior desejo era que sim. Ok. 20 horas de uma quinta-feira, hora de ir e esperar por ela. Chegando no bar ele não tem coragem de perguntar ao garçom, ou para qualquer pessoa, por ela, então decide apenas sentar e esperar. 22 horas e nada. É quando o garçom, irônico, pergunta a Célio:
- Percebeu que ela, a Bruna, só vem de calça né?
               Célio ri sem graça.
- E percebeu também que ela nunca usa salto alto?
- Cara, onde você quer chegar? Que perguntas mais bestas.
- Nada cara. Esquece. Só repare na maneira como ela anda.
               Célio dá de ombros, suas suspeitas estão confirmadas e isso o deixa ainda mais excitado e empolgado com a situação. O que, até mesmo para Célio, é uma novidade e confessa para si mesmo não estar sabendo lidar com isso, apesar de estar gostando. “Talvez ela não venha, melhor ir para casa.” pensa aflito.
               Quando, de repente, ela entra no bar e vai direto à sua mesa, como se estivesse predestinada a isso.
- Boa noite! – Fala Bruna, com a voz meio mole.
- Boa noite, tudo bem? – responde Célio, assustado.
- Não, nada bem na verdade. Vamos para casa? Preciso conversar com alguém.
               Foi exatamente nesse momento que Célio sentiu seu coração saindo pela boca, as pernas bambas e a língua travada. Em um movimento súbito só conseguiu responder:
- Claro, vamos. No meu carro?
- Sim, no seu. Vim de táxi.
“Veio de táxi? Então já sabia que me encontraria aqui e veio com um propósito.” pensa Célio. Saindo do bar ele percebe os olhares cruzados de todos. Não havia um no bar que não o olhavam, a situação era desconfortável e excitante ao mesmo tempo.
               No carro, Célio percebe algo estranho em Bruna. Ela está falando umas frases sem sentidos, mal respondendo suas perguntas. “Só pode estar bêbada, ou bêbado? Ahhhh, não sei. Mas é a minha chance.” pensa Célio.
- Pronto, chegamos. Minha casa é aquela ali, a azul bebê, número 112.
               Célio estaciona o carro, a tensão sexual pode ser sentida a metros dali. Ao entrar na casa Bruna em um movimento tão rápido que Célio mal pode acompanhar, o agarra e joga na parede. Ele não responde, só continua o que a moça começou.
- Vem, vamos para a minha cama. Melhor lá. – fala Bruna, claramente excitada.
               Ambos vão para cama, chegou a hora tão esperada para Célio. Bruna, da maneira mais sexy que qualquer homem possa imaginar, começa a tirar a camisa e o sutiã. “Nossa, parecem reais. Que maravilha.” pensa Célio ao ver os peitos de Bruna.
               Bruna começa a tirar sua calça meio sem graça. Célio, com o olhar safado, fala:
- Não precisa ter vergonha, meu doce. Eu já sabia.
               Bruna aliviada tira a calça, Célio quase cai de costas. O susto foi maior do que ele poderia imaginar. Bruna desencaixa sua perna mecânica.
- HOOOOOLY SHIT. – solta Célio.
—  Pedro Peixoto.
50 fatos sobre mim

1- Sou vegetariana.

2- Minha série favorita é Doctor Who.

3- Eu amo desenhar.

4- Na escola, sempre fui muito bem em redação, e sempre gostei de escrever até fora da escola, como um hobbie. 

5- Quando tinha 4 anos, aprendi a ler e escrever sozinha, só com os livros que tinha em casa e com um cd-room infantil que explicava sobre palavras. 

6- Já acabei o colégio, porém estou 1 ano adiantada. 

7- Eu amo comprar livros. 

8- Eu não uso salto alto, em hipótese alguma.

9- Eu não amo pizza nem nutella 

10- Eu não sei cozinhar, porém faço cookies muito bem.

11- Adoro coisas de papelaria.

12- Sou de libra, porém não acredito em signos.

13- Sou apaixonada por coisas vintage, inclusive filmes e atrizes/atores antigos.

14- Já tive uma péssima autoestima, porém hoje em dia eu sou uma pessoa muito melhor quanto a isso.

15- Tenho facilidade para aprender línguas.

16- Odeio e sempre odiei “coisas de adolescente”, acho extremamente fútil e tenho outras prioridade em minha vida.

17- Passei em jornalismo numa faculdade super concorrida e perdi minha vaga.

18- Nunca bebi nem fumei e não tenho a menor vontade.

19- Meu filme preferido é O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

20- Adoro batom vermelho.

21- Já tive meu cabelo de todas as cores do arco-íris (e cores “normais” também), e hoje estou tendo muito trabalho para deixar ele voltar a cor natural. 

22- Eu amo frio.

23- Todo mês eu junto peças de roupa para doação.

24- Não gosto de praia, porém adoro o mar.

25- Gosto de mitologia grega.

26- Já pensei em ser médica, porém esqueci do “pequeno” detalhe, de que eu não suporto ver sangue e passo mal só de fazer um exame.

27- Quando eu era criança, eu me recusava totalmente a tomar refrigerante, não porque eu não gostasse, mas porque eu sabia que fazia mal (até hoje eu não tomo).

28- Adoro ler/assistir coisas de terror, porém sou extremamente medrosa.

29- Eu adoro estudar.

30- Adoro cachorros.

31- Eu tenho 1,55 de altura e gostaria de ser ainda mais baixa.

32- Quando menor, eu odiava ser olhos claros e faria de tudo para ter olhos castanhos. 

33- Eu amo flores, principalmente margaridas.

34- Gosto de dormir de meias, mesmo no verão.

35- Nunca gostei de roupas extremamente curtas e apertadas, nunca me senti bem.

36- Um dos meus sonhos é fazer intercâmbio para Londres.

37- Tinha um caderninho onde eu escrevia poesia na 5° série.

38- Gosto de maquiagem, porém me sinto estranha se eu uso de mais.

39- Marilyn Monroe é minha atriz preferida.

40- Eu amo quadros, ou qualquer coisa relacionado à arte (à arte de verdade, não pseudo artistas) 

41- História e literatura sempre foram as minhas matérias preferidas.

42- Eu amo pulseiras.

43- Eu uso aliança.

44- Muita gente me pergunta isso, o motivo da maioria das minhas redes sociais ser “hymnalwinters”, é porque é a minha música preferida e ela tem muito a ver comigo.

45- Tenho um sonho de ter um jardim, porque como eu disse, eu amo flores.

46- Tenho vários livros preferidos, porém O Pequeno Príncipe ganha de todos.

47- Choro se eu ver um cachorro abandonado.

48- Às vezes eu me preocupo de mais com o que as pessoas pensam de mim.

49- Não suporto perdas.

50- Eu tenho medo de altura (tipo hard). 

O reflexo do meu espelho não está me refletindo verdadeiramente. Ele não me acompanha. Estou frágil, sensível, me segurando em um galho torto e apodrecido nessa vida. Na coreografia da vida eu sou aquele passo errado, aquele deslize que de salto alto faz estrago. Não estão vendo que o brilho nos meus olhos não é de alegria, é reflexo das lâmpadas incandescente nas lágrimas que estou impedindo de cair. Todos dizem: Seja você. Mas não está dando! Minha alma grita para que eu me permita. Permita-me ser feliz, passar aquele batom novo, que comprei na promoção da farmácia, quando fui comprar aspirina, e comprei, porque achei a cor bonita. Meu reflexo vai se distanciando de mim mesma, quero fugir daqui, sem deixar vestígios. Mas porquê fugir? É pra chamar a atenção e alguém vir atrás? Sinceramente, não sei se quero que alguém venha atrás, minha vida se estacionou de tal forma que não ligo se tiver alguém aqui comigo ou não. O vazio se tornou presente em meus dias, que eu me contento com o que me tornei. Já não sou mais a garota que se arrumar pra sair, até porque não tenho o menor interesse em estar noutro lugar que não seja minha cama. Aqui é seguro, posso ser eu mesma sem que ninguém menospreze a minha dor. Eu vou sofrer aqui, chorar tudo que tenho para chorar, vou chegar ao fundo do poço sem esperar que alguém venha me tirar. Eu aceito as conseqüências de ter me deixado chegar a esse grande nada que está minha vida. Só eu sei das minhas dores. E já nem sei os motivos que me deixaram assim, eu procuro tais razões e não as encontro, sou um ponto branco que ninguém enxerga, e também não quero ser vista, pouco me importa a felicidade que me cerca, eu não quero ver, estou esgotada de sorrisos falsos e de razões mesquinhas, eu quero é ir para algum lugar, onde ninguém me conheça, e que talvez alguém me encontre porque enxerga algo de bonito em mim, pois eu já não vejo há muito tempo.
Aqueles olhos que brilhavam através do espelho a cada amanhecer eu já não procuro ver. Eles estão desgastados, quando os olho sinto medo, só queria me encontrar novamente, ver meu sorriso engrandecer aos poucos ao meu reflexo e poder ter um motivo para sorrir de volta para a vida, pelo menos para agradecer por fazer parte dela. Talvez o tempo me mostre o que eu busco, o que não encontrarei. Mas talvez ele me traga alguém melhor do que sou hoje, talvez ele me traga a vontade de viver, a vontade de sorrir e o desejo de amar
—  Escrito por Paula, Anelli, Dieska e Giovana em Julietário.