salto agulha

Perguntaram pra mim: “Por que eu não tenho namorado? Algo em mim repele os homens? Sou uma mulher embargada? Há uma placa de ‘proibido estacionar’ em minhas costas? Me diga!”. Olha, eu não sei por que não tem namorado. Honestamente. Poxa, come batata frita, torta de limão, churrasco e trufa de leite condensado. Ok, a alcunha de magricela, cabo de vassoura ou Olívia Palito nunca lhe serviram, talvez. Urros sobre sua suposta suculência não têm advindo de prédios em construção, quiçá. Quem sabe não fica bem de “tomara-que-caia”, tropica no salto agulha, não combina numa minissaia. Mas desbanca a miss Venezuela num vestido primaveril, pisando numa rasteirinha prateada, com o cabelo preso naquele lápis cor-de-rosa, soprando a franja pra cima no calor. Não vai me acreditar, mas tu é bonita. Tu passa longe de uma Fernanda Young, uma Lya Luft, uma Sandra Werneck. Mas tu é inteligente à sua maneira. Assiste novela, mas não comenta a vida dos personagens. Gosta da Clarice, da Cecília, da Martha. Curte o Tom, a Adriana, o Nando, a Zizi, o Cazuza. Trabalha, suspira, trabalha, checa as unhas, trabalha, sonha, trabalha, belisca uma água-e-sal, trabalha e um colega te olha. E te acha bonita idem. E também se intriga com tua solteirice. Tem princípios iguais os da mãe. Mas se acha careta, às vezes. Não cede, mesmo só. Adora sexo, embora não faça com a mesma frequência do desejo. Se faz não vibra na mesma frequência que o parceiro. Sente raiva por ser secretamente boba, romântica e demodê. Se derrete mais rápido que o sorvete napolitano na xícara de sopão quando a mocinha diz “você me fez acordar com um sorrisão no meu rosto”. Chora na frente de ninguém, ai de ti se mais alguém souber. E você não vê a hora de um príncipe encantado por ti libertar esse riso largo atrofiado, mas sabidamente bonito. Tem suas esquisitices. Dorme de edredon e ventilador. Coleciona esmaltes. Cerra as pernas quando sentada e fica coçando o joelho com uma das mãos enquanto a outra segura a cabeça pelo queixo. Ensaia dança do ventre pro espelho do banheiro. Faz duas vezes antes de pensar e tem uns “nhe-nhe-nhê” de mulherzinha. Mas qual não tem? É até bem charmoso. Nada tão relevante quanto sua forma meiga e carinhosa de perguntar “tu tá bem?”. Nada mais importante que teu ímpeto de cuidar dos outros. Nada que mude minha convicção de que tu é bonita. O que te falta? Falta tu mesma se convencer do que te falo com certeza. Tu merece alguém que abra os olhos diariamente e pense: “cara, eu tô com ela, eu sou o namorado dela!”. Que goste da tua boca, do teu ombro, do teu cabelo bagunçado, do teu calcanhar, da tua cintura, das tuas mãos, do cheiro da tua pele, das sardas do teu rosto. E isso vai acontecer naturalmente ao você se dar conta de que tu é bonita, no âmago e na lata. Eu acho, teu ginecologista também, o colega de trabalho assina embaixo. Um dia serás o amor da vida de alguém, do jeitinho que tu é. Falta tu. Acorde hoje e repita: “eu sou bonita”.
—  Gabito Nunes.
A gente perde, leva porrada, é passado para trás, cai. Dói, eu sei como dói. Mas passa. Está vendo a felicidade ali na frente? Não, você não está vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la para trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.
—  Caio Fernando de Abreu.
A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Está vendo a felicidade ali na frente? Não, você não está vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.
—  Caio Fernando Abreu.
Ô moça que chora, que está angustiada, decepcionada, com o coração partido e ferido. Ô moça que de dia aguenta um salto agulha, que mantém a postura de mulher durona, de mulher que não chora. Ô moça que é guerreira, que aguenta os socos e pontapés no estômago, que suporta os homens te cantando na rua, com os “elogios” mais baixos. Ô mulher, que não está se aguentando dentro do ônibus, querendo chorar. Ou dentro do carro, você pensa em fraquejar. Você que é resiliente, aguenta chuva, aguenta sol, aguenta socos, aguenta mudanças, supera obstáculos, resiste a pressão. Você que enfrenta as adversidades mesmo com o coração dolorido, um pouco de comprimido, e seu estado volta a ficar bonito, apenas por fora, porque por dentro está tudo destruído. Eu estou falando pra você mesmo, que está lendo agora, e que se identificou com algo do que eu falei. Você que é guerreira, é mãe, filha, amiga, namorada, esposa, companheira, amante, adolescente, jovem. Você que quer engravidar e não consegue. Você que não queria ter engravidado, mas aconteceu. Você que quer alguém que te ame, mas não tem. Você com a auto estima no fundo do poço. Eu tô falando pra você e para os seus problemas, é um grande vendaval, e vai passar. Aguenta forte, você só precisa aguentar mais um pouco. É só questão de segundos pra Deus fazer o melhor dEle por você, por mim, por nós. Corações abatidos, que choram nas madrugadas, baixinho pra ninguém ouvir. Você é guerreira, e eu acredito em você, acredito em Deus, eu sei que soa clichê, mas vai passar. Você é linda, consegue aguentar.
—  Anelise Cristine.
E então ele se apaixonou… pela minha melhor amiga, você tem noção do estrago que há dentro de mim? Eu não consigo acreditar em como fui tão estúpida de não perceber isso antes, é meio óbvio que isso iria acontecer, ela é do tipo que diz coisas doces e se equilibra num salto agulha por uma festa inteira, enquanto eu não sei nem equilibrar minha alma. Nunca a vi tão contente, parece que ele a faz sorrir á cada segundo, e a culpa de eu estar despedaçada nunca foi dela, eu nunca tive coragem de gritar meu coração á ninguém, e talvez eu tivesse feito a coisa certa, só talvez. Vejamos, eles formam um casal bonito sabe? Daqueles do slogan de resort de férias, percebi que ele adora o jeito como o cabelo dela balança, mas há uma coisa que ela não consegue fazer: ler a alma dele. Eu sei decifrar o que ele quer o que ele sente o que ele procura, tudo isso pelo jeito como os olhos brilhantes se movem, eu sei quem foram seus primeiros ídolos, o nome do seu cachorro de infância, os sonhos que ele ainda guarda ou a coleção de botões do bisavô, sem contar a lista das imbecis que pisaram no seu coração, aquelas que jogaram fora a única chance que eu queria, eu sei disso, e todos os outros segredos que ele esconde, porque eu vi cada momento de camarote. Eu fui à garotinha que estourou os balões da festa de sete anos, que assoprou as velas antes dele e que jogava bolinhas de papel durante o recreio, eu fui a primeira garota que ele beijou quando ambos sentimos vontade de saber o que era isso, o que não se repetiu, é claro, coisa insignificante, pelo menos pra ele. Também me contou com quem perdeu a virgindade e como foi o primeiro dia de emprego, era eu a mulher que ouvia cada segundo do seu dia sem a menor pressa, aquela que o acolhia quando o mundo todo atirava pedras, aquela que o arrancava rizadas ás três da manhã quando a insônia batia na porta dele, eu era a melhor amiga, a mulher que ele não apresentava pros amigos, ele tinha ciúmes de mim, como um irmão tem de uma irmã. É engraçado o esforço gritante que eu sempre fiz pra ele me notar, de outra forma sabe, engraçado como ás vezes vestimos máscaras, fazemos malabares, tudo isso pra pessoa gostar da gente, enquanto outras o máximo de esforço que fazem é respirar, e acreditem, essas são as vencedoras, porque o sentimento só acontece quando tem que acontecer. E é assim que tem que ser, quem é eu mesmo? Por que vou exigir que duas pessoas que eu amo – e que provavelmente se amam – fiquem afastadas? Prefiro aprender outra vez á conviver com essa solidão desgraçada, não vou estragar aquilo que de longe parece coisa do destino, todo mundo os venera, todo mundo se inspira, o tipo de casal que eu olho toda boba sonhando com o dia em que alguma coisa vai realmente dar certo pra mim. E pela milésima vez o amor me destruiu. Viva o amor.
—  Cartas para um coração volúvel.
Rapaz, ela é cheia de surpresas. Quem olhasse ela naquele salto agulha, dançando na pista de dança cheia de luzes, com o teor alcoólico já nas nuvens, nem imaginaria que ela é fã de Van Gogh, ela pinta, canta, sabe tocar violão. Aquele olho borrado de tinta preta não mostrava nada dela. Nada da verdadeira ela. Ela come de pernas cruzadas e não se arrisca à sair para um lugar sem saber, tin-tin por tin-tin, o caminho e todos os pontos próximos. Apesar dela ser uma caixinha de surpresas, ela detesta até mesmo que façam a brincadeira de fechar os olhos dela por trás, ela quer ter o controle de tudo. Ah, rapaz, o que ela quer é alguém para ser o curto circuito nesse controle todo dela. Ela é incrível, sabe? Ela sabe como resolver as coisas, ela sabe como fazer tudo parecer fácil, ela é… ELA! E talvez você esteja com medo, sem coragem, eu entendo, não é fácil se aproximar de uma garota assim, destemida, corajosa, eu sei o quanto é difícil terminar uma frase sem desviar o olhar, porque o olhar dela é de amedrontar qualquer um, não é? Mas o problema é que ela vale a pena, ela faz valer o frio na barriga que dá quando se aproxima. Esse olhar penetrante que se perde nas baladas, mas que não perde um detalhe nas ruas, é o olhar que ninguém quer deixar pra trás, esquecer, largar mão. Se é pra se arriscar na paixão, rapaz, pode arriscar nela. Vai sem medo de errar, arriscar e cair no chão ou aos pés dela se acaso você se apaixone, aí, meu amigo, não tem pra onde ir, se ela corresponder corre pros braços dela, porque é neles que você vai querer morar.
—  Escrito por Paula, Letícia B., Isadora M. e Amanda T.  em Julietário.
 Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não, porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que tô falando a verdade. Eu não minto. Vai passar. 
—  Caio Fernando Abreu


“Sou puta
Quando uso a boca vermelha
Meu salto agulha
E meu vestido preto.
Sou puta
Mordo no final do beijo
Não fico reprimindo desejo
E nem me escondo na aparência de menina.
Sou uma puta de primeira
Acordo às 6:30
Pego ônibus debaixo de chuva
Não dependo de salário de macho
E compro a pílula no final do mês.
Sou uma puta com P maiúsculo
Dispenso o compromisso
Opto pela independência
Não morro de amor
Acordo sozinha
Cresço sozinha
Vivo na minha
Bebo em um bar de esquina
Vomito no chão da cozinha.
Sou uma putinha
Passo a noite em seus braços
Mas não me prendo no laço
Que você quer me prender.
Sou puta
Você tem o meu corpo
Porque eu quis te dar
E quando essa noite acabar
Eu não vou te pertencer
E se de mim você falar
Eu não vou me importar
Porque um homem que não me faz gozar
Nunca terá meu endereço.
E não é gozo de buceta
É gozo de alma
É gozo de vida
É me fazer sentir amada
Valorizada
E merecida
E se de puta você me chamar
Eu vou agradecer.
Porque a puta aqui foi criada
Por uma puta brasileira
Que ralava pra sustentar os filhos
E sofria de racismo na feira
Foi espancada e desmerecida
E mesmo sofrida
Sorria o dia inteiro
Uma puta mulher ela foi
E puta também eu quero ser.
Porque ser mulher independente
Resolvida
Segura
Divertida
Colorida
E verdadeira
Assusta os homens
E os machos
Faz acontecer um alvoroço.
Onde já se viu mulher com voz?
Tem que ser prendada e educada
E se por acaso for "amada”
Tem direito de ser morta pelo parceiro
Cachorra adestrada pelo povo brasileiro
Sai pelada na revista
Excita
Dança
Bate uma
Cai de boca
Mama ele e os amigos
E depois vai ser encontrada num bueiro
Num beco
Estuprada
Porque tava de batom vermelho
Tava pedindo
Foi merecido
E se foi crime “passional”
Pobre do rapaz
Apaixonado estragou a própria vida.
Por isso que eu sou puta
Porque sou forte
Sou guerreira
Não sou reprimida
Nem calada
Sou feminista
Sou revoltada
Indignada
E sou rotulada assim
Como PUTA!
Então que eu seja puta
E não menos do que isso.“

-Helena Ferreira

A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Está vendo a felicidade ali na frente? Não, você não está vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.

“Sou puta quando uso a boca vermelha, meu salto agulha e meu vestido preto. Sou puta; mordo no final do beijo, não fico reprimindo desejo e nem me escondo na aparência de menina. Sou uma puta de primeira; acordo às 5:30, pego ônibus debaixo de chuva, não dependo de salário de macho e compro a pílula no final do mês. Sou uma puta com P maiúsculo, dispenso o compromisso, opto pela independência, não morro de amor. Acordo sozinha, cresço sozinha, vivo na minha. Sou uma putinha quando passo a noite em seus braços, mas não me prendo no laço que você quer me prender. Sou puta; você tem o meu corpo porque eu quis te dar e quando essa noite acabar, eu não vou te pertencer, e se de mim você falar, eu não vou me importar, porque um homem que não me faz gozar, nunca terá meu endereço. E não é gozo de buceta, é gozo de alma, é gozo de vida, é me fazer sentir amada, valorizada e merecida. E se de puta você me chamar, eu vou agradecer, porque a puta aqui foi criada por uma puta brasileira, que ralava pra sustentar os filhos e mesmo sofrida sorria o dia inteiro. Uma puta mulher ela foi e puta também eu quero ser. Porque ser mulher independente, resolvida, segura, divertida e verdadeira assusta os homens. Onde já se viu mulher com voz? Tem que ser prendada e educada, cachorra adestrada pelo povo brasileiro. Por isso que eu sou puta, porque sou forte…sou rotulada assim: Como PUTA!”


  — AUTOR DESCONHECIDO ( VIA eficient3 )

“Sou puta
Quando uso a boca vermelha
Meu salto agulha
E meu vestido preto.
Sou puta
Mordo no final do beijo
Não fico reprimindo desejo
E nem me escondo na aparência de menina.
Sou uma puta de primeira
Acordo às 6:30
Pego ônibus debaixo de chuva
Não dependo de salário de macho
E compro a pílula no final do mês.
Sou uma puta com P maiúsculo
Dispenso o compromisso
Opto pela independência
Não morro de amor
Acordo sozinha
Cresço sozinha
Vivo na minha
Bebo em um bar de esquina
Vomito no chão da cozinha.
Sou uma putinha
Passo a noite em seus braços
Mas não me prendo no laço
Que você quer me prender.
Sou puta
Você tem o meu corpo
Porque eu quis te dar
E quando essa noite acabar
Eu não vou te pertencer
E se de mim você falar
Eu não vou me importar
Porque um homem que não me faz gozar
Nunca terá meu endereço.
E não é gozo de buceta
É gozo de alma
É gozo de vida
É me fazer sentir amada
Valorizada
E merecida
E se de puta você me chamar
Eu vou agradecer.
Porque a puta aqui foi criada
Por uma puta brasileira
Que ralava pra sustentar os filhos
E sofria de racismo na feira
Foi espancada e desmerecida
E mesmo sofrida
Sorria o dia inteiro
Uma puta mulher ela foi
E puta também eu quero ser.
Porque ser mulher independente
Resolvida
Segura
Divertida
Colorida
E verdadeira
Assusta os homens
E os machos
Faz acontecer um alvoroço.
Onde já se viu mulher com voz?
Tem que ser prendada e educada
E se por acaso for "amada”
Tem direito de ser morta pelo parceiro
Cachorra adestrada pelo povo brasileiro
Sai pelada na revista
Excita
Dança
Bate uma
Cai de boca
Mama ele e os amigos
E depois vai ser encontrada num bueiro
Num beco
Estuprada
Porque tava de batom vermelho
Tava pedindo
Foi merecido
E se foi crime “passional”
Pobre do rapaz
Apaixonado estragou a própria vida.
Por isso que eu sou puta
Porque sou forte
Sou guerreira
Não sou reprimida
Nem calada
Sou feminista
Sou revoltada
Indignada
E sou rotulada assim
Como PUTA!
Então que eu seja puta
E não menos do que isso.“

-Helena Ferreira

Olhe, não fique assim, não. Vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo, porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta: as dores da vida. Pense assim: agora está insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não, porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e, quando vai ver, o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo – é difícil de acreditar, eu sei – vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente tem que ser feliz sempre? Isso é bobagem. É melhor viver do que ser feliz. Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque, depois do topo, a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto alto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.
—  Antônio Prada
Sou PUTA
Quando uso a boca vermelha
Meu salto agulha
E meu vestido preto
Sou puta
Mordo no final do beijo
Não fico reprimindo desejo
E nem me escondo na aparência de menina.
Sou uma puta de primeira
Acordo às 6:30
Pego ônibus debaixo de chuva
Não dependo de salário de macho
E compro a pílula no final do mês
Sou uma puta com P maiúsculo
Dispenso o compromisso
Opto pela independência
Não morro de amor
Acordo sozinha
Cresço sozinha
Vivo na minha
Bebo em um bar de esquina
Vomito no chão da cozinha.
Sou uma putinha
Passo a noite em seus braços
Mas não me prendo no laço
Que você quer me prender
Sou puta
Você tem o meu corpo
Porque eu quis te dar
E quando essa noite acabar
Eu não vou te pertencer
E se de mim você falar
Eu não vou me importar
Porque um homem que não me faz gozar
Nunca terá meu endereço
E não é gozo de buceta
É gozo de alma
É gozo de vida
É me fazer sentir amada
Valorizada
E merecida
E se de puta você me chamar
Eu vou agradecer
Porque a puta aqui foi criada
Por uma puta brasileira
Que ralava pra sustentar os filhos
E sofria de racismo na feira
Foi espancada e desmerecida
E mesmo sofrida
Sorria o dia inteiro
Uma puta mulher ela foi
E puta também eu quero ser
Porque ser mulher independente
Resolvida
Segura
Divertida
Colorida
E verdadeira
Assusta os homens
E os machos
Faz acontecer um alvoroço
Onde já se viu mulher com voz?
Tem que ser prendada e educada
E se por acaso for “amada”
Tem direito de ser morta pelo parceiro
Cachorra adestrada pelo povo brasileiro
Sai pelada na revista
Excita
Dança
Bate uma
Cai de boca
Mama ele e os amigos
E depois vai ser encontrada num bueiro
Num beco
Estuprada
Porque tava de batom vermelho
Tava pedindo
Foi merecido
E se foi crime “passional”
Pobre do rapaz
Apaixonado estragou a própria vida.
Por isso que eu sou puta
Porque sou forte
Sou guerreira
Sou fêmea
Não sou reprimida
Nem calada
Sou revoltada
Indignada
E sou rotulada assim
Como PUTA!
Então que eu seja puta
E não menos do que isso
—  Helena Ferreira
Talvez um dia apareça alguém...

Provavelmente esse alguém será o oposto do que sou e mesmo assim, me completará. Pode acontecer que ele deteste Zeca Baleiro e goste de comer lasanha fria no jantar. Quem sabe esse sujeito calce 42 e seja sexualmente agressivo. Se porventura o cara for muito alto, usarei salto agulha que é menos ofensivo. Choveu dentro de mim por muito tempo, quiçá ele traga sol e eu vire um girassol. Decerto que terá olhos brilhantes, será um ótimo dançarino e seremos eternos amantes. Sim, talvez um dia apareça alguém.

Eu superei você. Foi preciso muitas noites em claro, a saudade as vezes aparecia e dançava de salto agulha no meu peito, eu passei a beber mais, muito mais. Eu tive que me perder, pra me encontrar moreno. Eu já não visitava mais as tuas redes sociais, nem sentia necessidade de falar sobre você o tempo inteiro. Eu passei a dormir até mais cedo, as noites de insónia e o pensamento sempre em você foram sumindo. Tua presença as vezes incomodava, mas não me afetava mais. Eu já não encontrava mais você nas músicas e frases de amor que lia, eu não te procurava em todo lugar que ia, eu já não via mais a gente. Eu abri meu coração pra outros amores, pra outras histórias diferente da nossa. Eu vi a foto que você postou com ela, vi teu status de relacionamento mudar e o teu sorriso que eu sempre achei tão lindo junto do dela e eu me flagrei sorrindo, se fosse a um tempo atrás o meu mundo teria desabado, teria procurado todos os defeitos possíveis nela, mas acredita que eu até achei vocês bonitinhos juntos? Pois é moreno, quem diria, eu desejei em silêncio pra que você fosse feliz. Esses dias eu comecei a assistir aquela serie que você tanto gostava, até voltei a escutar as musicas que deixei de ouvir só porque me lembravam você. Hoje eu senti saudades de escrever e foi aí que eu percebi que você foi deixando de ser o tema dos meus textos. Eu achei que ia ser pra sempre e foi por isso que estou aqui no banco da praça onde nós conhecemos, pra dizer que a cicatriz que você deixou aberta dentro de mim quando foi embora, cicatrizou moreno.
—  Thaís Lopes
É que dessa vez eu juro que é diferente, dessa vez eu não ligo e não nego; Estou apaixonado. Pode chegar e arrombar a porta, quebrar as janelas e me arrancar o sossego. Sinta-se a vontade para bagunçar a minha vida inteira, seja tempestade e me arranque de minhas raízes. Dance com seus sapatinhos de salto agulha em meu coração, suje a minha cara cuspindo palavrões e ofensas. Me foda, na cama, na mente e na alma. Me sentirei honrado em ter o coração partido por você porque você vale a pena, sempre valeu.
—  Frializei
Sou puta
Quando uso a boca vermelha
Meu salto agulha
E meu vestido preto.
Sou puta
Mordo no final do beijo
Não fico reprimindo desejo
E nem me escondo na aparência de menina.
Sou uma puta de primeira
Acordo às 6:30
Pego ônibus debaixo de chuva
Não dependo de salário de macho
E compro a pílula no final do mês.
Sou uma puta com P maiúsculo
Dispenso o compromisso
Opto pela independência
Não morro de amor
Acordo sozinha
Cresço sozinha
Vivo na minha
Bebo em um bar de esquina
Vomito no chão da cozinha.
Sou uma putinha
Passo a noite em seus braços
Mas não me prendo no laço
Que você quer me prender.
Sou puta
Você tem o meu corpo
Porque eu quis te dar
E quando essa noite acabar
Eu não vou te pertencer
E se de mim você falar
Eu não vou me importar
Porque um homem que não me faz gozar
Nunca terá meu endereço.
E não é gozo de buceta
É gozo de alma
É gozo de vida
É me fazer sentir amada
Valorizada
E merecida
E se de puta você me chamar
Eu vou agradecer.
Porque a puta aqui foi criada
Por uma puta brasileira
Que ralava pra sustentar os filhos
E sofria de racismo na feira
Foi espancada e desmerecida
E mesmo sofrida
Sorria o dia inteiro
Uma puta mulher ela foi
E puta também eu quero ser.
Porque ser mulher independente
Resolvida
Segura
Divertida
Colorida
E verdadeira
Assusta os homens
E os machos
Faz acontecer um alvoroço.
Onde já se viu mulher com voz?
Tem que ser prendada e educada
E se por acaso for “amada”
Tem direito de ser morta pelo parceiro
Cachorra adestrada pelo povo brasileiro
Sai pelada na revista
Excita
Dança
Bate uma
Cai de boca
Mama ele e os amigos
E depois vai ser encontrada num bueiro
Num beco
Estuprada
Porque tava de batom vermelho
Tava pedindo
Foi merecido
E se foi crime “passional”
Pobre do rapaz
Apaixonado estragou a própria vida.
Por isso que eu sou puta
Porque sou forte
Sou guerreira
Não sou reprimida
Nem calada
Sou feminista
Sou revoltada
Indignada
E sou rotulada assim
Como PUTA!
Então que eu seja puta
E não menos do que isso
—  Helena Ferreira
Surpresas do destino

Capítulo 5 :

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‘Malibu: A Way of Life’ – Dizia a placa na entrada do condomínio de luxo onde seria festa, Lua estava numa limosine a caminho da festa, e sem a menor vontade.

A festa acontecia todos os anos, e era chamada de ‘White Party’ Festa branca, onde celebridades de Hollywood , do mundo da musica e moda estavam presentes, todos se vestiam de branco e davam pinta para sair em fotos de revista, sites de badalação, e nas colunas socialites de jornais. Tudo um mundo faz de contas!

Lua vestia um vestido longo, aberto nas laterais em tecido esvoaçante quase transparente na saia, tinha a cintura marcada com um cinto de couro com fivela dourada Prada, e o top do vestido era frente única com um decote que ia até o umbigo, sandálias de salto agulha delicada em tom de nude, e bolsa igualmente Prada, os cabelos presos numa trança frouxa de lado com uma fivela de ouro e perolas na lateral do cabelo, que era uma verdadeira joia dispensando colar e brincos, mas não anéis e pulseiras, que era uma feita também e ouro e perolas bem delicada no pulso e o anel apenas um solitário com um enorme diamante no dedo do meio. Perfeito! Aos olhos dos paparazzi.

A festa já estava rolando desde o meio dia, onde foi servido camarões e lagostas, e coquetéis de frutas, mas já era por volta das três da tarde quando Lua chegou, e como ela esperava foi a sensação quando sua limousine branca parou bem em frente a mansão onde acontecia a festa.

Cliques eram disparados de todos os lados, e dois seguranças da festa a acompanharam lado a lado até o interior da mansão, havia um hall que dava acesso aos jardins, onde estava o centro da festa.

A festa estava recheada de celebridades como em todos os anos, mas neste os artistas do mundo da musica eram em grande numero, logo em seguida por inúmeras modelos, e em terceiro, os artistas de Hollywood.

Lua se manteve na festa por exatas duas horas, era o que sempre fazia, era conhecida por chegar tarde e sair logo, não ficava num lugar por mais de duas horas, uma jogada que funcionava desde a época de modelo, seu agente sempre dizia, que exposição demais desgastava o interesse da mídia por ela.

Tirou fotos com alguns dos presentes, por puro marketing, sorriu muito, pura encenação, fingiu beber alguns drinks, pura pose, e pegou a sacola de brindes da grife no final da festa, pura cerimonia.

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Ao chegar no hotel, foi direto para o chuveiro, tirar toda aquela maquiagem do rosto e do corpo, porque como havia usado um vestido muito ousado sua maquiadora insistiu fazer uma maquiagem na pele, para que parecesse bronzeada, era uma nova iorquina, e como tal não ia a praias, e nem passava horas em bronzeamentos artificias, sua pele era branca e delicada como um lírios brancos! Em toda sua beleza e suavidade.

Para jantar pediu uma massa quatro queijo, não aguentava mais ver frutos do mar, afinal na festa, tudo que era servido tinha frutos do mar no meio.

Mas a pedida da massa quatro queijos não foi uma boa ideia. Ao sentir o cheiro, sua memoria foi levada para o cheiro que rodeava a barraca daquele fazendeiro, mas como ela havia dito, o cheiro que ele tinha não era nada desagradável, era másculo e perfumado, mas isso ela não admitiria nem pra sí mesma!

A noite estava quente em Los Angeles, e após o banho e jantar, Lua vestia um pijama de short e camiseta de seda azul claro, e resolveu beber uma taça de vinho branco para relaxar, e com a taça caminhou até a sacada do restaurante, e ficou ali. Com os cabelos levemente molhados, os seios pontudos e arrepiados pelo vento fresco da noite na fina camiseta de seda, e o short curto deixava a mostra suas pernas delineadas por longas caminhadas na esteira todas as manhãs.

Mas um flash chamou sua atenção, e Lua olhou para baixo, e viu. Um paparazzi saiu de algum lugar e disparou milhares de flashs em sua direção, e a única coisa que ela pode fazer foi correr para o interior da suíte.

Dez minutos depois Lua ainda estava ao telefone, e gritava, enquanto caminhava de lado ao outro do quarto. – Eu já disse Laura, um idiota paparazzi me fotografou em pouquíssimas roupas, ou você descobre quem tirou estas fotos antes que ela vá parar amanhã nos primeiros jornais e sites de fofocas nas primeiras horas do dia, ou você está despedida! – E assim ela desligou o telefone, mas ela sabia que a única pessoa que não despediria naquela revista seria Laura, ela não conseguia dar um passo naquela revista sem ela, e sabia que Laura tinha uma história de vida bem parecida da dela.