saltam

Isso não é um texto de superação... ainda.

Eu sou feia, e eu não consigo falar abertamente sobre isso, esse é o primeiro texto que tento expor meus sentimentos. Eu li algo que dizia assim “todos nós nascemos tão bonitos, a grande tragédia é que nos convencem que não somos”. Eu nem sei aonde começou a minha visão de ser feia, mas parece que tudo me convence que é assim, desde sempre eu sou assim. Minhas barbies eram lindas, simetricamente planejadas. As atrizes lindas. As cantoras lindas. As que não tinham um certo padrão, eram criticadas e aos poucos sumiam da mídia. Eu saio com as minhas amigas e eu “sobro”, quem não sente não faz ideia o que é ver o olhar de desprezo de um cara que você está afim, só porque sua beleza física não o agradou [eu não to falando de uma situação isolada] isso sempre acontece. Eu sei que sou uma pessoa legal [eu tenho que ser], me convenceram que minha simpatia, meu humor, minhas palavras deveriam compensar o que falta. 

Falta sabe, falta alguém que olhe de verdade e fale “você é tão linda desse jeitinho”. eu sei que tem frases a beça que falam dessa beleza, eu até as escrevo as vezes, mas falta aquele olhar singular. aquele olhar dentro dos olhos que já falam por si mesmo. 

Não adianta a minha amiga me chamar de linda, mas falar mal da professora, porque o sutiã dela marca as gorduras que “saltam”.  Ou aquele meu amigo que diz que eu sou bonita, mas que fala mal do cabelo da nossa colega porque está mal cuidado. Ou aquela minha professora que sempre comenta minhas fotos, mas julga qualquer pessoa que não tenha roupas elegantes iguais as dela. 

E eu fico pensando, que hipocrisia é essa? Minhas gordurinhas sempre aparecem nas minhas roupas, meu cabelo também é cheio de pontas duplas, e eu não tenho roupas caras e elegantes iguais a da minha professora. Esses defeitos que eles comentam comigo sobre as outras pessoas, me afetam em cheio, porque eu sei que eu também os tenho. 

Eles julgam as pessoas por isso, porque comigo seria diferente?

Desculpem o textão, isso é mais um desabafo. 

“todos nós nascemos tão bonitos, a grande tragédia é que nos convencem que não somos

GRITO. não. não. não acredito. deu errado. sou errada. tá tudo uma merda. e eu to quebrada. r e s p i r a. lentamente. conta até 10. soquei a parede do meu quarto. lesionei a mão. ESTOU CHORANDO. alto. lágrimas saltam dos meus olhos. não pela dor, mas pela raiva. minha voz abafada pelo travesseiro. choro silenciosamente agora. encolhida entre a parede e a cama. me escondendo. de mim. de todos. da dor. preciso conversar com alguém sobre isso. digito. apago. digito de novo (isso tá uma porra dramática). apaga rapidamente. cliquei em enviar sem querer. porra. desliga a internet. não quero falar sobre isso. quero na verdade. não sei o que quero. minha mãe me liga e diz que vai ficar tudo bem. M E N T I R A (meu subconsciente grita). eu choro. me culpo. ela tenta me acalmar falando coisas sobre religião. eu penso que não acredito que exista um deus que possa ser tão ruim. eu digo que estou bem e que preciso desligar. tudo mentira. falo com minha amiga. ela me anima falando do joe. to respirando agora. o choro parou (por hora). fiquei calma. vou ouvir musica e dançar. dançar danças sem sentido. melhorei. pronta pra próxima crise. 

Eu venho tentando não escrever sobre você… Mas dia-a-dia seus olhos miúdos saltam aos meus, tímidos e repletos de indagações. Olho meus dedos queimados de cigarros que ainda sentem o seu toque macio deslizando e chamando-me para dançar entre os nós de suas mãos - não nego, sigo a melodia; você vai pra cá e eu pra lá. Meus sentidos lembram-me sorrateiramente… Você vem se tornando meu déficit de atenção com cheirinho de castanha e cerveja gelada recém aberta disputada entre o suor de muitas mãos - mas você sequer bebe! Porém eu te bebo e embriago-me da sua presença, a ressaca chega nos dias que não há você. Choro. Meus olhos viram rios que sonham em desaguar no oceano seu. E aí você volta e viro represa; pergunta-me do dia e de mim, recuo. Meus demônios correm ao meio dia. E se você fugir também? Isso não é justo. Nem comigo, nem contigo. Lembro-me a razão: agora você é dele, mas todos os meus poemas ainda são seus.
Chrystal Serafim.

Ontem por várias vezes ouvi isto. eu não conheço o meu coração. eu não conheço. não sei de tudo o que se passa aqui dentro, do que fica e do que vai, não sei o que resta. o que fica pra trás. o que se esconde. e tem coisas que descubro só quando doem. outras quando me tocam. não, não conheço todo o meu coração. porque tem pedaços que omito, escondo até de mim. tenho receio, medo, vergonha. tem pedaços que trazem consigo lamento. tem memórias que insisto em apagar mas que se escondem. eu não conheço todo o meu coração. tem valores que me tocam e eu só descubro quando choro. tem partidas enterradas cá dentro. tem mágoas que ainda precisam ser apagadas, perdoadas. 

“enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?“ pergunta-me. somente Tu, somente Tu, Pai, o conhecerá. porque eu não posso conhecer todo o meu coração e todas as confusões e dores, danos e dúvidas que saltam do meu peito. por isso recorro a Ti. porque ninguém me conhece tão bem assim senão o Amor que me formou. porque sabe das minhas complicações quando nem eu mesmo sei, e desembaraças os caminhos dentro de mim quando ainda nem os avistei. e me faz limpa de todo nó da alma que floresce no coração, e me responde as duvidas quando nem sei como perguntar. e me abraça quando ainda nem sei que tudo o que preciso é de colo. me cuida quando perdida estou e quando nem sei que estou. eu não conheço o meu coração, bom Deus, e tanto já tropecei por isto. continuo sem poder conhecê-lo por completo mas não importa. eu não conheço o meu coração mas eu tenho a Ti, e se tenho a Ti então tudo fica bem. porque mesmo não tendo todas as respostas e nem sabendo lidar comigo mesma, recorro aquele que tudo pode, que me conhece como a palma da mão. e aí tudo bem, bom Deus, porque conheces o meu coração e sonda-me. e tudo enfim está bem aqui dentro. porque sinto que És de mim a paz que tanto almejo e que tudo coloca no lugar. tudo bem, meu bom Deus,  ainda jamais conhecendo o meu próprio coração, descanso, se pois, Tu és a bússola, o norte que me permite continuar. o cais que me orienta aonde chegar.


( De verso e alma, para Ele. ) 

meia-noite e nós
nós dois e os lençóis
nós nos cabelos
nas pernas
no coração
e nós nos dedos
entrelaçados

seu corpo, até agora, nunca observado
seus seios rosados, curvas bem desenhadas e suas pintinhas
ah! eu amo suas pintinhas!
são lindas constelações criadas para o perfeito universo que é teu corpo

encontro-me em êxtase e me pergunto:
teria Neil Armstrong sentido o mesmo ao pisar na Lua?
ao ser o primeiro a ter contato com aquele lugar que jamais havia sido tocado por outro homem?
não… ele não teve a mesma sorte que eu
a Lua é um belo satélite, mas não se compara a você

Zeus provavelmente apaixonaria-se por ti e
Afrodite morreria de inveja da sua beleza
tua pele clara, tuas sardas que saltam a pele e teu cabelo de tom avermelhado chamam a atenção de qualquer um

muitos caras gostariam de ter o que eu consegui
e eu sinto orgulho de mim
se eu pudesse modificar o que se encontra na definição da palavra perfeição no dicionário, eu modificaria e o novo significado seria você
e eu sei que não sou o cara mais incrível do mundo, mas porra, você me instiga a querer ser

você não foi inspiração pra Cazuza, Nando Reis ou pra Maria Gadú
(eu nunca entendi o que você viu nessa mulher)
mas você foi inspiração pra mim
sempre vai ser

te apresentei The Beatles e você me apresentou o amor
tudo bem que não foi tão justo, mas ao me apresentar o amor, eu percebi que amava você
e naquela quinta em que eu pintei meu cabelo de verde e você me disse que fiquei bonito, eu percebi que me amava também

são três da manhã
só vejo nós
nós na minha mente
nós naquela quinta
nós nesses lençóis

pego meu cigarro
vou para a janela
está tão tarde, mas tem tantos carros andando por baixo dela
o que deve se passar na cabeça desses motoristas?
seria um deles um amante incontrolável que, mesmo chegando em breve em casa, espera encontrar a mulher o esperando afim de dar-lhe um beijo de boa noite?

amantes
amantes e
amantes

nenhum deles será tão bom quanto somos, querida
pode dormir despreocupada quanto a isso
a chama que eles tem pode ser bela, mas não tão bela a ponto de apagar a nossa

apago o cigarro
chupo uma bala de menta
volto para a cama e para os nossos lençóis
lençóis cujo cheiro que exala não é só o teu, mas o nosso

olho para o teto, mas vez ou outra me viro pra você
tuas costas clamam por um toque meu, mas tenho medo de acordar você
medo de um dia te perder
então aproveito ao máximo cada segundo perto de ti
caras melhores existem por aí
mas garotas como você, não

lembra daquele dia em que conheceu meus pais?
assim que saiu, minha mãe me disse “case-se com essa garota”
eu sorri e respondi “eu seria um tolo se não fizesse isso”
e cá estamos nós
não casados, ainda
-mas estamos quase lá

quero sentir teu toque leve toda manhã
ver seu rosto bagunçado e seu cabelo emaranhado descendo por ele
seus lábios pequenos e macios dizendo “não me olha! eu tô feia”
e responder baixinho “pra mim, sempre está linda”

nós
nós e
nós

nós no agora
nós no passado
nós no futuro
nós nesses lençóis

A gente olha tudo rápido demais, a gente deixa de perceber tanta coisa com esse olhar apressado. Tem tanta poesia escondida nessa vida esperando ser percebida, poesias não saltam na nossa frente com uma melancia no pescoço.
Não posso mais negar o efeito que a sua presença produz em mim. Basta te ver, que tenho as melhores reações, meu coração salta uma batida, as borboletas no meu estômago saltam à vida. Enquanto você fala, eu me pego te olhando e admirando os detalhes, não posso deixar de sorrir, porque é nesses momentos que noto, o jeito de falar, o sorriso de canto, seus belos olhos levemente se fechado ao sorrir, sua boca rosada vai tentadoramente formando cada palavra e meus olhos se prendem à ela como dois ímãs, eu amo, amo cada um desses pequenos detalhes. E se não tivesse como amar, eu inventaria. E se você não tivesse aparecido, teria ido te buscar. Porque de todas as coisas que eu tenho direito a escolher, eu escolho escolher você. E tudo que tem você no meio me basta, me completa, me encanta. Queria que soubesse que gosto da sua proteção e de todas as vezes que seus braços envolvem meu corpo, que quando você chega a felicidade chega junto, mas quando resolve ir embora, algo aqui dentro se sente no direito de ir junto com você.
—  Manuscrite trocou palavras com Eternismo.
Se caminha fosse saudável, carteiro era imortal. A baleia nada o dia inteiro, só come peixe, só toma água e... é gorda. Os coelhos correm, saltam, são vegetarianos e só vivem até 10 anos. As tartarugas não correm, não saltam, são sempre as ultimas a chegar nas corridas, não se preocupam com nada e vivem 450 anos. Resumindo, nada faz sentido nessa vida.

aprendiztr0ll

A gala seria encontrada em postura de galãs
Verdade essa, advindo da crise idílica
Onde toda a visceralidade deturpada na garrafa
Existirá tão somente para agradar o moinho


Aplausos, aplausos
Para as dezenas que personas que carregas
Um dente de leite e um ciso entre os caninos
Pedira juízo ao filho médio, vigília sob teus irmãos
Romaria ao primogênito que fora convocado ao delírio de farol


Os ossos saltam pelo rosto
Dando aparência cadavérica
Soís-te a busca por um ceifador
Mas nada ceifo se não teus gritos ao deserto


O vestido branco coberto de barro
Fomentava o casamento vitrine
A exibição contra luz, os beijos em praça pública
Os olhares trocados, a intimidação de dilatar de pupilas


Dolores valsa com a pá
Um dólar por alguma paz
O trevo cristalizado
Rogando a si uma sorte permissiva


Os vitrais eram espelhos
Refletindo-te a santidade sal
Estatizando eras de todos dias
Exceções encontrariam-se em segundas-feiras


A cobra perdera seu paladar
A cor ficara adepta ao brilho de vitrais
A engenhoca compunha outra verticalização
Cerne da carne e um metro e oitenta de altura


O piris era um conto contra a xícara
Por anos de dolorida servidão
Contudo, informara como denúncia anônima
Seu nome um anagrama para revés de Brutos…

—  Advinho, Pierrot Ruivo 

Sobre o Nosso Café Inacabado….

Nossas tardes cinzentas cheiram a café, pois há doçura na amargura do momento.
Nos embebemos em um café de sensações delirantes.
E as palavras vão desaparecendo letra a letra como se estivessem em processo de dissolução no silêncio do calor de desejos.
Ficam repreendidas na garganta.
E depois tão soltas saltam no vapor quente e suave do contato dos nossos labios urgentes….
Pois, o tempo é fluído e seca o amor. Seca o nosso café quente.
E as palavras nele adoçadas.
Deixa a garganta ressecada.
E na língua a cafeína amarga.
Só o que resta é o pó dessa recordação passada…saudade áspera.
Mas aguardarei que o tempo a tudo seque.
E esperarei por um outro tempo depois desse instante mais doce.

[Para o meu amor não tão breve]

—  🍁Carollinne Leal

Acordei com náuseas!
Não foi nada que eu comi.
É algo que andam me enfiando,
goela abaixo.

Não se digere a repressão.
A voz que nos é cortada.
Os gritos públicos
(e mais ainda os privados!)

Não se digere a negação
da nossa própria vontade
da nossa identidade
do gosto, da roupa, do batom.

Não se digere a opressão
de ser chamada delícia
de gostosa, de vadia
e ter que aguentar calada.

Não se digere a violação
do corpo na hora do sexo
das mãos que arbitrariamente nos invadem
nas casas, escolas,
nos trens e ruas.

Não se digere a agressão
de ser jogada contra a parede
de ter a roupa rasgada
ter os braços e olhos roxos
ter a fala censurada.

Não se digere a morte
que nos vem a cada dia
que carregamos com peso
que é Verônica, Carolina, Severina.

A morte sorrateira
A morte que nos encurrala
As tantas mortes matadas
e as mortes daquelas, que com dor
saltam da ponte da vida.

A morte que agride,
que viola,
que oprime,
que reprova,
que censura,
que nega,
que cala.

Acordei com náuseas!
Não foi nada que eu comi.
É algo que andam me enfiando,
goela abaixo.

A náusea me tirou a esperança,
os sonhos
o sono
a vida.

Renata Morello

É engraçado como não paro de pensar em você como se tivesse me apaixonado ontem. Como se eu tivesse visto pela primeira vez esse seu sorriso lindo, esse jeito tímido e com todos os trejeitos. É engraçado como consigo me apaixonar por você sempre, como consigo mergulhar no eterno clichê de falar que é clichê o que sinto. Acho que é o jeito que olha para mim. Seu olhar tem algo de diferente, sempre achei isso. O castanho claro dos seus olhos saltam-se um pouco mais quando sorri e quando olho por muito tempo e nossos olhares se cruzam, eles desviam. Sua alma foge de mim e de todo meu amor. É esse jeitinho tímido que diz que me ama sem precisar repetir todo dia. Eu só preciso dessa sua calma e manha de menino, você me dá forças para enfrentar os meus piores dias e mesmo sem saber consegue me motivar para qualquer coisa. Sinto que contigo sou capaz de qualquer coisa, desde que esteja segurando a minha mão. Sei que algum dia isso pode acabar, mas estou apostando todas as fichas que tenho de que o fim será tão demorado para chegar pois farei o impossível para te manter comigo. E se possível esse fim não chegará nunca. É como aquela citação mais clichê do mundo: “que seja eterno enquanto dure, e que dure para sempre”, e é exatamente para isso que eu torço, que sejamos para sempre. Sejamos eternos, da nossa forma, com teus braços me confortado todos os dias, sejam eles nublados ou os mais ensolarados, e com o meu coração batendo somente por e para você.
—  Escrito por Lorranyne, Renata, Kelly e Ana Laura em Julieta-s