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Lucky winners!

eu inventei uma pessoa que me apresenta as melhores bandas do mundo e entende quando eu entro em pânico no ônibus ou no tapete da sala simplesmente porque a vida às vezes é lotada e absurda. eu desenhei com um lápis 6b nas minhas veias artísticas alguém que entendia as metáforas que eu fazia e ria da minha falta de paciência pra reler e reescrever tudo. e eu pintei de tinta colorida sorrisos e piadas internas, coisas que só a gente entendia, uma língua só nossa. língua na língua. e peito no peito. uma história fantasiosamente histórica e hiperbólica onde o amor jorrava dos olhos no lugar das lágrimas. mesmo nos dias tristes com xícaras de café e chá frio em cima da colcha e uma vontade nula de sair e existir. mesmo quando tudo pesasse e caísse, só jorraria arte dos poros e das entrelinhas. eu teorizei alguém que viria me buscar na novo rio quando chovesse e me ensinaria a dirigir. eu tracei a nanquim um esboço de um cara mágico e divertido que saberia os meus pormenores e toda vez que ele prometesse, ele cumpriria. e todas as vezes eu tremesse ele me abraçaria. e cada rota divergente, cada cruzada, cada passo vazio nos levaria de volta. porque o amor é a forma que os átomos encontraram de voltar pro estado préuniversal, antes da explosão, quando todas as coisas eram só uma. e nós separados nunca faríamos sentido. então, irrevogavelmente, voltaríamos. e eu tenho ido e ido e ido e ido, sem lugar pra voltar, porque nas margens desse desenho fantasioso, a realidade me engoliu e sussurrou: pouco ou quase nada na vida é como você deseja. pessoas perfeitas não existem.