saia colorida

Você Acredita no Inacreditável?

Atenção: Imagine Engraçado (Bom, pelo menos eu tentei fazer ser engraçado)

Atenção: Jung Hoseok

//Request “imagine engraçado com o J-Hope” 

N/A: Faz algum tempo que esse imagine foi pedido, então mais uma vez peço desculpas pela demora monstruosa. Isso nunca mais vai acontecer. E sim, estou de volta! Não consigo ficar muito tempo longe :) (:

Originally posted by jaayhope

Estava passando um filme que gostava muito na televisão. A Ponte Para Terabitia. Apesar de querer muito assistir, não estava prestando muito atenção nele por conta do Seminário que estava preparando para apresentar na faculdade. 


Senti uma brisa bater de leve no meu rosto e sorri. As janelas da sala estavam abertas, fazendo as cortinas brancas balançarem. Já estava no fim da tarde, dava pra ver as diversas cores se misturando no céu da janela. 


De repente, a televisão começou a falhar. Levantei-me do sofá e bati nela algumas vezes, fazendo a imagem voltar normalmente. Assim que sentei novamente no sofá, percebi que a pequena brisa que entrava pela janela tornou-se um vento mais forte, fazendo algumas folhas do Seminário voarem.


Suspirei e fechei os vidros da janela da sala. Mas assim que me virei para sentar no sofá, a televisão ficou em estática completa. Pensei no filme “O Chamado” e se agora Samara Morgan iria sair da televisão para me arrastar para o poço junto com ela.


Mas o que realmente aconteceu foi eu ouvir uma voz vinda da televisão. Sussurros. Não conseguia identificar uma palavra, então tive que chegar mais perto. Coloquei o ouvido perto da tela e prestei atenção. Minha pele se arrepiou e eu estava começando a ficar com medo. 


A voz começou a ficar mais clara e os ventos lá fora se intensificaram, fazendo um assovio assustador nas janelas. Consegui identificar duas palavras. 


“Help Me”


Me afastei da televisão, me aguentando um pouco para não rir. De fato, Marina Joyce foi a primeira coisa que veio a minha mente, porém eu precisava parar de ser engraçadinha por um segundo e tentar entender o que diabos estava acontecendo. 


Antes que eu pudesse chegar em alguma conclusão, a estática parou do nada, fazendo o filme voltar a tela e me fazendo cair para trás de susto. Quando olhei para a tela da TV, pude ver os garotos no topo da árvore, enquanto Leslie dizia:


“Feche os olhos, mas mantenha a mente bem aberta”


Ali, sentada no chão, eu fechei os olhos. Não sabia ao certo porque havia feito aquilo, mas fiz. Tentei deixar a mente aberta e quando abri os olhos… Nada aconteceu. Levantei do chão, juntei as folhas que haviam voado da mesa e comecei a rir de mim mesma. 


Afinal, o que eu estava pensando? Minha vida não é um filme de fantasia, nada de louco ou extraordinário iria acontecer. Pelo menos não comigo. Aquilo que ouvi antes provavelmente era minha televisão pegando sinal de um canal estrangeiro onde um filme de terror passava. 


Guardei as folhas e fechei meu notebook, iria terminar por hoje. Estava exausta e com muita fome. Fui até meu quarto e fechei a janela do mesmo, acendendo a luz e encontrando minha gata deitada na minha cama, com as patinhas para cima.


Dei um pequeno ataque de fofura ao vê-la daquele jeito, sentando na cama e coçando sua barriga. Ela começou a ronronar, indicando que estava gostando daquilo. 


– Está com fome, Indie? – Perguntei, beijando seu focinho. 


Peguei-na no colo e levei até a cozinha, colocando um pouco de ração em seu potinho. Pus ela no chão e observei ela se alimentar. Então levei um susto quando ouvi batidas na porta. Quem poderia ser? Bom, talvez fosse meu vizinho perguntando se poderia cortar minha grama. 


Ou talvez fosse Dylan, o garoto que morava na casa da frente, com seu banco imobiliário, implorando pra que eu jogasse algumas partidas com ele. Mas quando abri a porta, não havia ninguém. Meu coração se acelerou e percebi que Indie começou a miar. 


Peguei uma faca na gaveta da cozinha e fui até a área da minha casa, observando. Mas não havia ninguém. Voltei rapidamente para dentro de casa, fechando a porta e a trancando em seguida, quando ouvi um “Olá”.


Deixei a faca cair no chão e me virei lentamente, deparando-me com um garoto no meio da minha sala. Ele era muito estranho. Vestia uma camisa branca com uma gravata de borboleta rosa, uma saia preta e meias coloridas que iam até seus joelhos. Ele vestia um all star vermelho, mas só em um pé. 


Percebi também que seus cabelos eram tingidos em vários tons de azul. E seus olhos —Se eu não estivesse completamente louca — eram de cores diferentes. O esquerdo era roxo, o direito era verde. 


Não consegui emitir nenhum som, pois estava morrendo de medo. Indie não parava de miar, o que fez o garoto encará-la por alguns segundos. 


– Esse animal está miando – Ele disse, apontando para Indie e olhando para mim em seguida.


– E-eu sei. 


Ele inclinou um pouco a cabeça, me encarando profundamente com seus olhos coloridos. 


– Você está com medo – Falou, parecia um lunático. 


– O-o que você quer? Não tenho muito dinheiro aqui, mas pode ficar com meu celular. Só não me mate, por favor. 


O garoto voltou a ficar com a cabeça em pé, uma expressão confusa surgindo em seu rosto.


– Por que iria querer seu dinheiro ou o seu celular? – Perguntou, seus olhos brilharam de repente.


O meu medo começou a diminuir um pouco e eu fui percebendo algo. Aquele garoto não parecia um assaltante, mas parecia estar…


– Por acaso você usou LSD? – Perguntei, pegando a faca do chão e a escondendo atrás de mim.


– LSD? Isso é um tipo exótico de rabanete? 


Olhei-o por alguns segundos, tentando ver algum tipo de ironia em sua expressão, mas ele estava falando sério. Um sorriso de repente apareceu no meu rosto. Então percebi que sua orelhas eram pontudas. Automaticamente pensei em Elfos, mas ele não parecia com um. 


– Poderia me dizer onde estou? Estava me divertindo na nave de meu avô quando acabei caindo em um buraco de minhoca. 


– O QUÊ? – Perguntei, me assustando novamente.


Ele me encarou.


– Acho que deveria me apresentar. Sou Jung Hoseok, ou J-Hope, ou Hobi, do planeta Sigma. 


Comecei a rir, definitivamente aquele garoto estava muito louco. De repente, Hoseok se aproximou, segurou meus ombros e aproximou seu rosto do meu. Seus olhos pareciam estar virando duas portas para outro mundo. Eles brilharam e dilataram, então Jung afastou o rosto. 


– Seu nome é (S/N), você mora no Planeta Terra. Tem uma gata chamada Indie, cursa Arquitetura e Urbanismo na Faculdade e trabalha em uma livraria.
Ele afastou seu rosto, seus olhos voltaram ao normal. Jung parecia ainda mais assustado que eu. 


– Q-qualquer idiota conseguiria saber isso – Falei, tremendo um pouco.


Ele voltou a olhar em meus olhos.


– Você ama sorvete de baunilha e coalas. Aos cinco anos de idade, você quebrou o braço após cair de uma árvore que você acreditava, com todo o seu coração, que te levaria até o céu. 


Meus olhos se arregalaram no mesmo instante. Não havia jeito de ele saber sobre aquilo… Como… 


– Você caiu em um buraco de minhoca? – Perguntei, deixando a faca em cima da bancada da cozinha e pegando minha gata no colo para faze-la parar de miar. 


– Não era pra aquilo ter acontecido, mas eu ainda não sei pilotar a nave direito e acabou acontecendo. Céus, eu estou muito longe de casa…


– Mas… A-a sua nave – Disse, não acreditando que aquilo realmente estava saindo de minha boca – Ela pode te levar de volta, certo? 


Hoseok abaixou a cabeça.


– Tive que abandonar ela assim que cheguei no seu sistema solar. Ela bateu em algum meteoro e prejudicou seus motores. 


Acabei sentando no sofá da sala, tentando absorver tudo o que estava acontecendo. Então me levantei, encarando-o. Hoseok parecia estar muito triste.


– Por que veio até a minha casa? 


Ele me encarou, um sorriso surgiu em seu rosto.


– Ora, porque a porta estava aberta! 


(…)


Depois de pensar bastante, decidi que deixaria Hoseok ficar aqui por essa noite. Era muito difícil acreditar que ele era realmente um extraterrestre, mas ele também não parecia um humano, de qualquer maneira. 


Disse para ele dormir no sofá e que não fizesse barulhos e nem quebrasse nada. Já eram duas horas da manhã e eu continuava olhando para o teto de meu quarto, sentindo o pelo macio de Indie sob meus dedos. Estava tudo muito quieto, uma ótima noite para dormir, até que ouvi um barulho de algo quebrando.


Respirei profundamente, já imaginando o que havia acontecido. Levantei-me e fui até a sala, encontrando Hoseok com pedaços de um vaso na mão. Mas não, aquele não era qualquer vaso. Era o vaso que minha mãe me deu quando me mudei, o vaso que ela disse para eu cuidar muito bem. 


– Hoseok, o que você fez? – Perguntei calmamente.


Ele me olhou desesperado, seus olhos brilhavam no escuro e eu achava aquilo bonito e assustador ao mesmo tempo. 


– Eu estava conversando com a lua, sabe, dizendo como estava com saudades de casa e tudo mais. Tentei mostrar pra ela o que fiz quando cai no buraco de minhoca, como lidei com os controles da nave, e…. Bom… Acabei esbarrando nesse pequeno animal.


– Hoseok, isso é um vaso, um objeto – Falei como se estivesse explicando algo para uma criança.


– Entendo que você pode ter dado vários apelidos. Mas como eu quebrei, quis chamá-lo de Rodolfo – Falou, colocando os pedaços no chão – Como vai consertá-lo?


Fiquei olhando para Jung Hoseok por dez segundos inteiros, tentando de alguma forma entender como sua mente funcionava. Bocejei e passei as mãos pelo rosto algumas vezes.


– Olha, Hoseok, são duas horas da manhã e eu preciso acordar cedo. Pode, por favor, dormir? Deixe o vaso…Quer dizer, deixe Rodolfo aí. 


Ele assentiu e voltou a deitar no sofá. Voltei para o meu quarto e assim que me deitei, não demorei nem cinco minutos para cair no sono. 


(…)


Levantei-me da cama e quase caí. Indie começou a pular em minhas pernas.


– Calma aí, meu amor, acabei de acordar – Falei, indo até o banheiro.


Fiz minha higiene de toda manhã e comecei a caminhar até a cozinha. Assim que cheguei lá, vi um garoto sentado no chão da minha sala. Comecei a gritar apavorada e o garoto se levantou, começando a gritar junto comigo. 


Alguns segundos depois me lembrei do que havia acontecido na noite passada e parei de gritar, fazendo Hoseok parar também. Ouvi batidas na porta e fui até ali para abrir. Era o Sr. Lovegood, meu vizinho, com uma pá na mão. 


– Há algum assaltante aqui, Srta. (S/N)? – Perguntou, segurando firmemente sua pá. 


– Ah, não – Falei, rindo – É que… tinha uma barata aqui, sabe, e nós temos muito medo e começamos a gritar. 


O homem, que já tinha cabelos grisalhos, olhou para Hoseok.


– E quem é esse? 


Entrei em desespero.


– Esse…E-esse é o meu primo, Jung  Hoseok. Hoseok, este é o Sr. Lino Lovegood, meu vizinho. 


Jung aproximou-se um pouco da porta, encarando Sr. Lovegood. 


– Qual o nome desse animal? – Hoseok perguntou.


– Que animal? – Sr. Lovegood perguntou de volta, confuso.


Hoseok apontou para a pá que o homem segurava. Sr. Lovegood olhou para ele um pouco assustado, depois direcionou seu olhar para mim.


– Seu primo é meio estranho, Srta. (S/N).


E então o homem saiu andando para sua casa.


– OBRIGADO POR SE PREOCUPAR, SR. LOVEGOOD! TENHA UM BOM DIA! – Gritei e fechei a porta. 


Encarei Hoseok e então olhei para seu cabelo. Parecia que um furacão havia passado ali em cima e eu tive que fazer força para não rir. 


– Eu sou seu primo? – Ele perguntou, coçando a cabeça.


Revirei os olhos e fui até a cozinha, começando a preparar o café da manhã. Jung me seguiu e ficou observando o que eu fazia. Até que ele pegou um prato dentro da prateleira — Como eu havia feito antes — e quase deixou cair o objeto.


O encarei, tentando não explodir.


– Hoseok, saia da cozinha. 


Ele inclinou a cabeça e me olhou.


– Você está com raiva. 


– NÃO, EU NÃO ESTOU COM RAIVA! QUER IR SENTAR NA DROGA DO SOFÁ E ME ESPERAR FAZER O CAFÉ DA MANHÃ?


Ele piscou algumas vezes, depois inclinou a cabeça.


– Sabe porque eu uso sapato em um pé só?


Não respondi.


– Assim eu raciocino melhor – Hoseok contou, abrindo o sorriso mais idiota do mundo.


Depois ele foi até o sofá e ligou a televisão. Respirei profundamente, não iria explodir desse jeito novamente. Continuei fazendo o café e fazendo sanduíches para nós dois. Cada programa ou filme que Hoseok via, ele tentava repetir as frases dos personagens.


J-Hope trocou de canal novamente, onde passava o filme Capitão América - Guerra Civil. A cena que passava era uma em que os dois times estavam prestes a começar uma briga. O Homem-Aranha disse “Eles não estão parando”, então o Homem de Ferro disse “Nós também não”.


O garoto voltou na mesma cena e esperou o Homem-Aranha dizer sua frase, depois virou-se para me encarar e dublou a voz do Homem de Ferro. 


“Nós também não”


Sorri involuntariamente,  a chaleira começou a apitar e eu fui tirá-la do fogo. Depois de ter tomado café, eu fui até meu quarto e troquei de roupa, pegando minha mochila e meu celular. 


Hoseok ainda estava observando seu sanduíche quando voltei para a cozinha.
– Ok, eu vou ir para a faculdade agora. A tarde vou estar na livraria e volto pra cá umas seis horas, tudo bem?


J-Hope me encarou e assentiu.


– Por favor, não quebre nada. 


Ele assentiu novamente, dando uma grande mordida em seu sanduíche, fazendo suas bochechas parecerem as bochechas de um esquilo. 


– Bom…. Então tchau.


Acenei com a mão e saí de casa, indo até a parada de ônibus. Enquanto andava pela calçada da rua, eu olhei para o céu. Por algum motivo, comecei rir. Dá pra acreditar que isso realmente estava acontecendo? Um extraterrestre, na minha casa… Pensei no que as pessoas importantes dariam para poder vê-lo. 


Assim que cheguei na parada de ônibus, não demorou muito para que o ônibus chegasse. O dia na faculdade foi até que divertido, pois eu estava de bom humor. Porém, eu estava cada dia mais nervosa por causa do Seminário.

 
Veja bem, eu nunca tive muito problema pra apresentar trabalhos ou algo do tipo, mas aquele Seminário era importante. Depois das aulas, estava saindo da faculdade, passei na frente do quadro de avisos e de repente lembrei de algo que a mensalidade da matrícula chegaria mês que vem.


Felizmente, até lá eu já teria recebido meu salário. Peguei um ônibus até a livraria e antes de entrar, fui a um restaurante que havia em frente para almoçar. 


(…)


A livraria estava bem movimentada hoje, o que me deixou feliz. Já estava voltando para casa, enquanto olhava pela janela do ônibus, o céu em vários tons de azul. Aquilo me fez lembrar de J-Hope, e se ele estaria bem. 


O ônibus parou e eu desci. Assim que cheguei em casa, consegui identificar Hoseok de costas. Ele estava ao lado da casa, perto do meu pequeno jardim que o Sr. Lovegood sempre cuidava melhor do que eu. Andei até ali e coloquei a mão em seu ombro, o assustando.


– Ah, você chegou – Ele falou, triste – Bom, eu acabei de começar de qualquer jeito.


– Começar o…


Então direcionei o olhar para onde Jung estava olhando. Ele havia feito uma pequena cova e tinha deixado os pedaços do vaso quebrado ao lado. Olhei para ele, não acreditando que realmente estava fazendo isso.


– J-Hope, o que está fazendo? – Perguntei, um pouco assustada e ao mesmo tempo querendo rir.


– Achei que deveria, sabe – Hoseok disse, abrindo um papel.


Não, ele não tinha feito um discurso…


– Oi, Rodolfo. Não nos conhecemos muito bem, mas queria te dizer que assim que te vi, te achei muito bonito. Você meio que dá vida ao lugar por conta de suas cores. Não sei se você vai me perdoar algum dia, mas…


Tirei o papel da mão de Hoseok, fazendo-o me olhar confuso.


– J-Hope, eu posso consertá-lo – Disse, rindo.


Ele limpou uma lágrima do rosto e sorriu como uma criança.


– PODE?! 


– Si…


Antes que eu pudesse terminar de falar, o garoto pulou em cima de mim, me derrubando no chão. 


– Meu Deus! Acho que essa é a melhor notícia que recebi! – Falou, me abraçando.


– H-Hoseok, você está me esmagando – Falei, praticamente sem ar.


– AH, DESCULPE! – J-Hope gritou, fazendo meus ouvidos explodirem.


Ele se levantou e me ajudou a levantar. Quando o encarei, eu sorri. Ele era o extraterrestre mais idiota que eu poderia ter conhecido, mas me fazia rir. Peguei os cacos de Rodolfo e entrei dentro de casa, porém, assim que o fiz, parei na porta, com os olhos arregalados. 


A cozinha estava com todos os armários abertos e uns dois pratos quebrados, o sofá estava virado e todas as almofadas que haviam nele estavam espalhadas pela casa. Indie estava no meio delas e miou algumas vezes ao me ver. Em cima da bancada da cozinha havia um pão queimado.


Respirei tão profundamente que senti minha barriga encolher para dentro. 


–  Eu nunca vou ter filhos – Disse, suspirando. 


(…)


Sexta-Feira era o dia em que eu ia até o mercado fazer as compras do mês. E isso era exatamente o que eu e Hoseok estávamos indo fazer agora. Sim, eu estava levando ele comigo. Se eu deixasse ele em casa sozinho mais uma vez, ele poderia colocar fogo nela. 


Estava feliz pois faltava um dia para eu receber o salário e finalmente pagar a faculdade. Já era noite quando chegamos no mercado, mas como ele era vinte e quatro horas, ainda haviam muitas pessoas. Enquanto pegava um carrinho, percebi que algumas pessoas ali olhavam atravessado para Hoseok.
Eu havia esquecido completamente que J-Hope estava usando o pior conjunto de roupas do universo. 


– Eles estão olhando pra mim… Será que? – Hoseok perguntou, nervoso.


– Não, J-Hope, ninguém percebeu que você não é desse planeta. Mas talvez eles pensem que você não é desse século – Falei, rindo e carregando ele até a seção de produtos de higiene.  


Comecei a colocar no carrinho todas as coisas que estavam faltando e que poderiam faltar no banheiro. Hoseok estava com um shampoo na mão.


– Essa mulher está olhando pra mim – Disse, apontando para a moça de cabelos sedosos no shampoo – (SN),  estou com medo. 


Tirei o shampoo de sua mão e coloquei na prateleira.


– É só um shampoo, Hoseok – Falei rindo.


Quando chegamos na seção de temperos e ingredientes, peguei apenas o essencial para fazer as receitas que aprendia pela internet — Que quase sempre davam errado — mas J-Hope queria mesmo que eu passasse vergonha. 


Ele estava segurando um frasco de canela e havia colocado metade na boca. Fui até ali ás pressas e tirei aquilo de sua mão, colocando atrás de outros potes na prateleira. Quando fui encará-lo novamente, Hoseok tossiu.


Na minha cara.


Aquela poeria de canela quase me cegou e quase o fez engasgar. Sem conseguir enxergar muita coisa, dei palmadinhas em suas costas para ajudá-lo. Gostaria mesmo de saber o que as pessoas que estavam nos vendo agora estariam pensando. 


Abri meus olhos totalmente e tive que carregar Hoseok até o banheiro para ele se limpar. Enquanto esperava do lado de fora, comecei a rir sem parar da situação. Quando ele saiu, terminamos de comprar o resto das coisas da minha pequena lista. 


Chegando no caixa, comecei a passar as compras, mas Hoseok não conseguia parar de olhar para mulher do caixa. Ela olhava para ele as vezes, assustada. J-Hope inclinou sua cabeça.


– Você está assustada – Ele disse – Não precisa ficar, eu não sou um extraterrestre. 


Dei um chute na perna dele, fazendo-o olhar para o chão assustado.


– Ele anda lendo muitas teorias da conspiração – Contei para a mulher, forçando uma risada.


Ela assentiu, ainda mais assustada. Depois que terminamos, arrastei J-Hope daquele mercado junto com as compras. 


– Você não pode sair falando desse jeito com as pessoas! – Falei, irritada.
– Desculpe – Ele falou, abaixando a cabeça. 


– Tudo bem – Suspirei, passando meu braço pelos seus ombros – Pode me ajudar a carregar essas bolsas?


Hoseok assentiu, animado. Então voltamos para casa, já era um pouco tarde quando chegamos. Após guardar tudo que havíamos comprado e tomar um belo banho — Obrigando Hoseok a fazer o mesmo — eu me deitei e dormi mais rápido do que esperava. 


No dia seguinte, acordei com uma ligação. Era meu chefe da livraria, ele disse que já havia depositado meu salário, mas que eu havia recebido um pouco a menos do que de costume. Eu sabia o motivo. No mês passado, eu acabei derrubando uma prateleira inteira da livraria na frente dos clientes. 


Eu não sou tão desastrada assim, só estava sem dormir há dois dias preparando o seminário e estava praticamente dormindo em pé. Assim que ele desligou, eu me levantei e me deitei no chão do meu quarto. Indie veio andando e se sentou em cima de mim.


– O que vou fazer agora, Indie? Não é o suficiente para pagar a faculdade – Falei, suspirando.


Levantei do chão e fui até a sala, me jogando no sofá e ligando a televisão. Hoseok havia caído do sofá enquanto dormia, provavelmente. Quando me viu ali, acordou. Mais uma vez seu cabelo estava armado e engraçado, mas não o suficiente para me fazer rir. 


J-Hope ficou de pé e ficou me encarando até inclinar a cabeça.


– Você está triste.


– Estou – Disse, sem animação alguma.


– Por quê? – Perguntou, ainda com a cabeça inclinada. 


O encarei.


– Por que eu não vou conseguir pagar a faculdade, e ela já está atrasada. 


– Hmm – Falou, levantando a cabeça – E seus pais?


– Eles não podem pagar – Falei, sentindo as lágrimas na garganta – Eu sempre me virei sozinha, mas ultimamente ficou mais difícil. 


Hoseok sentou-se ao meu lado no sofá, pegando o controle de minha mão e desligando a TV. O encarei.


– (S/N), você acredita no inacreditável?


– O quê? – Perguntei, confusa.


Ele suspirou, seus olhos brilharam um pouco por conta da luz do sol que entrou pelas janelas da sala.


– Meu avô e eu sempre viajamos juntos pela nossa galáxia e vivemos muitas aventuras. As vezes eu conto as histórias e ninguém acredita em mim, e eu sei o motivo. Meu avô diz que as pessoas não conseguem acreditar em algo inacreditável, inimaginável. É mais fácil assim. Mas deveriam, porque é como revolucionar sua própria mente. E bom, se você não acreditar, ninguém mais vai. 


Continuei olhando para ele, mais confusa do que nunca. Mas… De algum jeito, eu sabia que ele tinha razão. Aquele discurso motivacional realmente me ajudou. 


– O que sugira que eu faça, então? – Perguntei, levantando-me.


Ele também se levantou, sorrindo.


– Me diga você, (S/N), sei que vai ter uma ideia boa.


Cocei a cabeça, pensando. Então olhei para os vários vasos que eu tinha pela casa, a maioria dados pela minha mãe. Por que não?


– Acho que – Suspirei, nervosa e com medo –  Bom, é o único jeito. Vou vender algumas coisinhas. 


J-Hope bateu palmas e sorriu.


Nos dias que se seguiram, eu vendi praticamente todas os vasos e heranças de família que eu tinha pela casa. No fim, foi até bom, eu não me importava muito com eles. A mensalidade da faculdade estava cada vez mais perto, mas eu já havia conseguido o dinheiro que faltava e até um pouco mais. 


E ainda tinha o seminário, que eu teria que apresentar na semana que vem. Mas depois daquele pequeno discurso motivacional de J-Hope, algo se acendeu dentro de mim, como uma esperança. Sei que essa é a vida real e que se ferrar é algo inevitável. 


Também sei que isso não é uma história de fantasia onde as pessoas sempre se dão bem no final, mas acreditar no inacreditável era algo que eu podia fazer. Ninguém espera que as pessoas chutem o pau da barraca e façam loucuras na vida, por isso que precisamos fazer exatamente isso e surpreende-las. 


Estávamos tentando fazer uma torta de bolacha para comemorar, depois de eu ter finalmente pagado a faculdade. Sujei o garoto inteiro de Chantilly e ele fez o mesmo comigo depois. Nem Indie conseguiu fugir. Enquanto colocava a torta no forno, ouvi batidas na porta.


Hoseok sorriu para, vendo o meu estado. Me limpei um pouco com uma toalha e fui até a porta, abrindo-a. Havia um senhor ali, ele tinha cabelos pintados de vários tons de rosa e usava uma roupa tão colorida quanto Jung. 


– Vô? – Hoseok perguntou, surgindo atrás de mim.


– J-Hope, finalmente te encontrei – O homem disse, sorrindo e abrindo os braços.


Hoseok abraçou o homem bem forte e depois de alguns segundos, o soltou. O senhor de cabelos rosados sorriu para mim, seus olhos eram mais azuis que o próprio céu.


– Eu sou o Sam, de Sigma – Falou, estendendo a mão para eu apertar.


– Olá, sou (S/N), da Terra – Disse, apertando sua mão. 


Sr. Sam começou a rir como se não houvesse amanhã e eu não fazia ideia do motivo. Depois de algum tempo, Hoseok começou a rir também e pra eu não ficar de fora, forcei uma risada escandalosa. Ficamos rindo por longos minutos até pararmos para respirar. 


– Bom, então vamos, Hoseok – O homem disse, se virando. 


Meu coração de repente disparou no peito.


– O quê? 


Hoseok colocou a mão em meu ombro e eu me virei para ele. 


– Preciso ir, (S/N), meu lugar não é aqui. 


Apesar de querer protestar, sabia que aquilo era verdade. Olhei para baixo, sem conseguir esconder minha tristeza, depois fui até meu quarto e peguei Rodolfo, o vaso, agora já colado com uma cola especial. 


Entreguei Rodolfo nas mãos de J-Hope, vendo um sorriso do tamanho do mundo surgir em seu rosto. 


– Você consertou ele – Jung disse, acariciando o vaso.


– É só uma lembrança aqui da Terra. Sempre que olhar pra Rodolfo, você vai lembrar de mim? – Perguntei, sentindo uma lágrima escorrendo pelo meu rosto.


Ele assentiu, ainda sorrindo. Então se aproximou e deu um beijo demorado na minha testa. Fechei os olhos e sorri, sentindo o calor de seus lábios percorrendo todo o meu corpo. Hoseok se afastou e tirou uma de suas meias coloridas, me entregando. Sorri e abracei a meia, sentindo um cheiro de algodão doce. J-Hope me encarou.

– Eu nunca vou esquecer você, (S/N).


Meu coração estava batendo bem rápido no peito, mas decidi ignorar isso. o Sr. Sam deu um aceno pra mim, sorrindo. E J-Hope estava alcançando o avô quando olhou para trás, levantou Rodolfo como se fosse um troféu e deu um giro no ar. Comecei a rir bastante e dei um último tchau pra ele, fechando a porta. 


Indie estava na minha frente, miando. Acariciei-a um pouco. Encarei a meia colorida em minhas mãos e sorri. O quão louco seria se eu contasse pra alguém que conheci um extraterrestre? Provavelmente ninguém acreditaria, porque isso é inacreditável. Mas mesmo que ninguém acredite, isso não importa. De qualquer jeito, ele sempre vai ter um lugar especial no meu coração.

~ChimChim