sabotoe

Meu estomago quer por pra fora toda essa angústia que tenho aqui dentro. Todo esse desespero quer sair no meio da sexta a noite em uma avenida deserta, bem longe dos bares e da confusão. Minha melhor parte quer pular de mim como se eu fosse a própria morte. Eu me auto saboto, a todo momento.

estrebias.

se estiver lendo isso, tudo bem. mas finge que não é mais sobre você.

seja quando o céu da minha cidade fica rosa, coisa que raramente acontece, ou quando me levanto às 2:55 pra não perder qualquer nota que escrevi sobre você. ainda que 3h nunca seja uma boa hora.

seja quando me saboto porque qualquer menina parece melhor que eu, ou porque vejo uns textos por aí e queria ter escrito só pra saber dizer exatamente o que acontece comigo quando se trata de você.

seja lá o que acontece por aí, pra mim, quase sempre é sobre você.

20 de fevereiro, 2017.  

babe, é que toda vez que alguém insiste em se aproximar da minha atmosfera caótica, eu fujo, me saboto, me protejo de tantas formas que ninguém insiste em trilhar essa jornada que é me conhecer.

mas foi só você, babe, só você conseguiu pular o muro que eu penei para construir. só você quebrou a redoma de vidro laminado em torno do meu ser frágil. e eu não sei se te amo mais ou menos por isso. 

ainda lembro de todas as vezes que jogávamos conversa fora e você me dizia que precisava fazer uma lavagem cerebral em mim, no meu caos, para que eu me tornasse pura. 

meu bem, eu sou danificada demais para ter algum tipo de cura. apesar das tuas centenas de tentativas de me tirar dessa, eu só sei ser caos.

eu 

sei
ser
caos.

Quando eu me olho no espelho, eu me sinto um merda. É sério. Acho que poderia ser menos fechado emocionalmente, mais evoluído nessa área. Eu me auto saboto muito, talvez. Eu já perdi muitas pessoas que amo, então acho que sempre que começo a gostar de alguém, entro num processo de sabotagem, para não ir adiante ou não correr o risco de perder mais uma pessoa que gosto.
—  Danilo Gentili. 
Mas a culpa é minha, é claro que é. Veja bem, eu mesmo quem cavei essa decepção. Como pode? Eu sinceramente não sei. Eu vivo fazendo isso, cometo rotineiramente um suicídio, aperto o gatilho a cada novo dia sem pensar duas vezes. Eu me auto saboto, faço de mim um cantinho de sonhos onde só existem em minha mente fértil. E o pior é que eu sei, Deus, eu sei! Qual é o meu problema? Eu gostaria tanto de saber. Mas como de costume eu não sei, não faço ideia de nada e vou simplesmente seguindo. Vivo arquitetando sonhos mirabolantes com quem mexe com meu coração, faço isso na calada da noite e no barulho incessante da cidade quando a luz do dia ilumina meu rosto. E amo, e sofro, e amo, e sofro, e amo. Assim mesmo, nessa sequência que mais parece drama das novelas das oito. Eu sou o clichê em pessoa, tanto que enjoa, tanto que cansa e desiste. Sou a solidão e a tristeza do poeta, sou aquele poema que foi escrito através de incontáveis lágrimas de um alguém que amou e jamais assumiu. Eu sou muito, e esse muito me sufoca, prende, dói.
—  Danielle L. Rodrigues (Poesia Sentida).
Seu cheiro era intoxicante, e me esconder já não era mais opção. Me encontrava em meio a beijos e as mãos dele por todo o meu corpo. Aos poucos os vergões iam subindo, vermelhos, furiosos. A minha cabeça pendia para trás enquanto ele beijava o meu pescoço e prendia meus pulsos.
Aquelas mãos, grandes e com as veias saltando aos olhos, não havia como escapar. Eu estava presa com o peso de seu corpo.. E merda, eu não queria escapar. Era errado, a coisa mais errada e nojenta que eu já havia feito, mas o perigo, a adrenalina.. Não havia como dizer não.
Era hipnotizante o desejo queimando em seus olhos como se não visse uma mulher há anos. Como se nunca houvesse tocado num corpo.
“Puta merda, tu tá pegando fogo, e eu to gelado pra caralho, não ta incomodando?”
Eu balbucio um não, porque logo após de proferir a pergunta ele volta a seu trabalho em meu pescoço. E porra, é bom. É tão bom que eu sinto dores e choques em partes do meu corpo que eu não sabia existir. A pele formiga ao simples toque do dedo, o ápice do desejo. Mas continua errado. Ele tem outra. Fixa, moral. Algo certo e coerente, não esta loucura por puro luxo da carne. No fim do dia eu espero tu conseguir te livrar dela e vir para os meus braços. E já há um certo apego e até mesmo uma conformação.
Eu nunca disse não. Nem mesmo quando soube da situação. Eu a aceitei e a abracei como se uma força maior me mandasse aceitar aquela realidade. A vontade venceu a moral. E agora o carnal queria mais uma vez vencer o psicológico.
Eu não poderia me apaixonar porque estragaria tudo, mas eu não conseguia me afastar pois a coceira não parava… E só tu a satisfazia. Só tu fazia do jeito que eu gostava sem nem precisar pedir.
É fácil se precipitar a julgar quando não é o teu corpo, tu não sente e a mente não é afetada. É fácil dizer que se pode ir embora a qualquer hora quando não são tuas pernas que fraquejam a simples palavras.
Toda mulher gosta de um filho da puta, e sabe por quê? Porque eles são a aventura que elas ouviram falar a vida inteira.
“Porra, vais me tirar sangue das costas!”
Ele me puxa do meu devaneio e posso sentir sua carne em brasa entre meus dedos. Eu o havia arranhado além da conta sem mesmo perceber. Notou minha surpresa e ganhou o sorriso mais convencido desse mundo.
“Merda. Eu preciso te comer, e aqui não vai rolar.”
“O quê? Por que não??”
Minha voz cai alguns tons. Sei que soei triste, até mesmo magoada. Eu estive esperando por aquela chamada por quase uma semana. E eu sei que é idiota da minha parte esperar por alguém indisponível, alguém que precisa me esconder de tudo e todos. Por mais que eu aprecie ser uma mistério para alguns, com ele eu queria ser só eu. Mesmo que acabasse sendo só mais uma depois. Mesmo que eu me tornasse um número de emergência na agenda dele quando todas as outras o recusassem. Porque não ter é infinitamente pior do que ter e perder. Os constantes questionamentos sobre o que poderia ter ocorrido corroem, e criam outras dúvidas. Dúvidas sobre que tipo de pessoa tu és, e até onde tua moral se dobra. Até onde teu orgulho deixa de ser orgulho e se torna quase uma súplica por um beijo ou 15 minutos do dia da pessoa.
“Porque o que eu quero fazer contigo requere um quarto. E tempo. Muito tempo.”
“Mas a gente não tem tempo então acaba logo com isso, mas que merda!”
“Não. Eu quero ter meu tempo contigo.”
“Pra que cara? É tão mais simples acabar com isso logo!”
“Pra que? Porque eu quero ouvir tu gemer meu nome, e me pedir mais. Eu quero ver o sangue correr pras tuas bochechas porque tu tá excitada como agora, de novo. Eu quero sentir teu corpo tremendo embaixo do meu e tuas mãos desesperadas de encontro a minha nuca me puxando mais perto. Eu quero explorar cada parte do teu corpo, como se fosse meu brinquedo particular. E eu não vou aceitar menos que isso. Eu não quero 15 minutos num carro apertado. Eu quero três horas na minha cama sem tu poder escapar de mim depois.”
“Tu acha que eu vou abrir a porta do carro e sair na rua sozinha?”
“Tenho certeza que sim. Tu foge de tudo que te dá medo e eu sei que tu não saberia como reagir quando acabasse.”
“Bom, eu ia te pedir pra me levar em casa.”
“Mentira. Tu ia querer mais.”
“Tu não é tudo isso.”
“Será?”
E ele vai de encontro aos meus lábios e eu sinto meu corpo inteiro se arrepiar. Ele para e me encara por segundos que parecem séculos. Eu sei que ele seria perfeito pra mim em outras circunstâncias, mas eu nunca confiaria nele. E eu sempre iria preferir ser a outra, porque fujo de responsabilidades e grandes envolvidos como político de cadeia.
Veja bem, há uma falta de pessoas interessantes no mundo e quando as encontramos normalmente elas possuem algum tipo de loucura ou obsessão. Não é fácil ter uma pensamento adverso dos outros de como relações deveriam funcionar e isso acaba, por medo da solidão, te levando a se encaixar e fingir que está tudo bem. Mas eu nunca fui assim. Eu prefiro ser a outra e poder ter outros, do que ter um só e acabar com um coração partido. E nesse caso eu acabaria tendo os outros e o coração partido, pois aqueles olhos, escuros como a noite, gritavam perigo desde o primeiro momento que os fitei.
“Nega agora.”
“Eu não vou negar nada. Mas eu não quero esperar mais.”
“Por quê?”
“O porque não importa.”
“Admite.”
“Que?”
“Que tu me quer. Que tu também quer ter todo o tempo do mundo. Quer arrancar mais uns pedaços das minhas costas, passar as mãos entre meus cabelos e puxa-los.”
“Sim. Eu quero. Eu também quero te ouvir gemer baixo porque teu ego é grande demais pra admitir que eu faço do jeito que tu gosta.”
“Tu faz do jeito que eu gosto.”
7 palavras que fizeram meu estômago virar. Veja bem, isso é quase uma declaração amorosa ao meu ver. Não há desejo maior que o luxo da carne. Quando queremos uma pessoa é algo imediato, quase incontornável. Precisamos tê-la, seja por um fim de semana inteiro ou por 15 minutos dentro de um carro estacionado no meio do nada. Queremos sentir a respiração pesada e o cheiro de sua pele. Queremos que ela goze como nunca antes porque fizemos algo incrível, diferente e exótico que ela nunca havia experimentado. E queremos que ela peça mais, que se torne um animal insaciável e depende de seus toques até ser dependente completamente e inteiramente de você, o que vier antes. Mas também queremos o carinho pela idéia que nos vendem de amor eterno. E o sexo constantemente é associado com amor. Desde pequenas ouvimos que devemos nos guardar para alguém que nos ame, para descobrirmos anos depois que realmente não importa. É bom com qualquer um que saiba lhe satisfazer. Mas no meu caso, eu estava começando a ser total e completamente mulherzinha de filme. As suas palavras e gestos me confundiam da cabeça aos pés e eu já não mais conseguia ser a outra somente. Eu queria mais. Assim como ele queria horas para poder me usar, eu queria uma noite com ele em que não precisássemos nos esconder.
“Tu também faz do jeito que eu gosto.”
“Eu sei.”
“Convencido. Tem outros por aí que fazem o mesmo caso tu não saiba.”
“E ainda assim tu te encontra no meu carro e não no deles.”
“O que tu quer comigo?”
“Achei que tivesse sido claro que eu quero que tu goz..”
“Não, não isso. Tu tem uma pessoa fixa, que te espera em casa, lava tuas roupas e cuida de ti, por que procurar outra?”
“Porque ela não é metade da mulher que tu é. E eu fiquei entediado.”
“Então libera ela oras. Ela merece ser feliz também.”
“Tu quer isso?”
“Não.”
“Viu. Tu não mente pra si mesma. Tu assume teus desejos e até mesmo tuas fantasias. Ou vai dizer que não perderia a graça caso a gente pudesse ficar junto?”
“É.”
“Então não fala essas coisas escrotas. Eu quero saber quando tu tem um tempo livre pra gente fazer isso.”
“Ah, agora tu tem pressa!”
“Porra eu sou paciente, mas não sou de ferro. Quanto mais demorar pior pra ti, porque eu vou te torturar por horas até tu implorar que eu te deixe gozar duma vez.”
“Caralho.. Ta, amanhã.”
É mais fácil aceitar a condição imposta do que ir contra um gradiente. Veja bem, se você nasceu para se casar e ter filhos, eu nasci para destruir a sua família. Precisa-se de uma antagonia para que o mundo fique em equilíbrio. Eu não pedi para ser assim, eu nasci assim. A natureza me negou o direito de ter filhos ou ter somente um parceiro dado momento que me fez o que fez. Se você não entende, não há nada que eu possa fazer. E se você se identifica sabe que sempre se perguntará caso venha a se comprometer, o que está deixando para trás. Almas livres nasceram para somente um propósito: mostrar que o mundo é mais cinza que preto e branco e que, mesmo que você ache que deixa o tal cara, ou mulher, da sua vida feliz, nem sempre isso é suficiente. Quem quer, sempre achará um motivo ou explicação. E quanto a mim? Bom… Eu aceito minha condição porque negá-la me é tóxico e sufocante. Posso me apaixonar por qualquer um dos cafajestes que ando, mas nunca dura tempo o suficiente para ser para sempre. Eu me saboto porque minha liberdade vale mais que o medo da solidão.
—  luxo e caráter, Camila Reis