sabedorias8

E de repente a gente ri. Ri muito, sorri muito, se sente a pessoa mais feliz do mundo. E de repente aquilo faz a gente bem, faz a gente melhor. Mas sem querer a gente não percebe. E sem querer a gente não dá valor. Sem querer a gente acaba deixando ir. Me diz, o que é que as coisas têm que só nos fazem perceber o quanto elas nos fazem bem depois que partem?
Nunca sei se as despedidas são uma bênção ou uma maldição. Às vezes me sinto amaldiçoado com a saudade e a dor da perda, mas depois de um tempo começo a pensar no quanto tudo seria diferente se algumas coisas tivessem simplesmente permanecido. Quantas chegadas teriam deixado de acontecer se não fosse aquela partida?
—  João Pedro Bueno, Sabedorias.
Hoje quando tudo começou a ficar vazio, procurei ver um filme pra distrair. Ontem aconteceu a mesma coisa, então aproveitei que era tarde e fui dormir pra ver se tudo acordava melhor no dia seguinte. Às vezes quando não me restam escolhas, eu simplesmente coloco uma música no ouvido e fico lá esperando o tempo passar. Mas às vezes eu fico me perguntando até quando vai ser assim. E se um dia eu enjoar de todos os filmes, não tiver sono suficiente pra dormir e cansar de todas as músicas?
Eu não gosto das lembranças, porque com elas as lágrimas vêm facilmente, e hoje mais uma vez eu quebrei a minha promessa comigo mesmo. É uma batalha constante, uma guerra entre lembrar e esquecer.
—  Autor Desconhecido
Enjoo fácil. Das músicas, dos perfumes, das coisas em si. Enjoo fácil dos sabores e das sensações. Mas lembro-me de cada perfume que usei, de cada música que ouvi, de cada sabor que senti. E das sensações, é claro. Mas uma hora a gente cansa. A gente se lembra, mas quer mais é deixar de lado, pra quem sabe um dia voltar a provar de novo. Mas sabe o que isso significa? Que enquanto eu enjoava das coisas, as pessoas enjoavam de mim.
Mergulhe nos sentimentos. Aprenda com eles. Molde seus pensamentos de forma com que seus sentimentos não sejam massacrados por eles e vice-versa. Descubra emoções. Mas jamais ache que todas as sensações da vida são sobre o amor. Nos filmes românticos, nos livros clichês, nos poemas que lemos por aí, o amor supera tudo. Mas na vida você se destrói. Na vida, você passa mais tempo stalkeando nas redes sociais do que pesquisando destinos do mundo para conhecer e eventos pra ir. Na vida, você cogitaria desistir de uma universidade pública ou de uma oportunidade de emprego longe pra não se afastar do seu amor. Na vida, você passa mais tempo se dedicando a tentar ser correspondido adequadamente do que se dedicando à própria felicidade. Ache tudo aquilo que tira seu fôlego. Encontre o frio na barriga em diversas situações. Mas lembre-se sempre de não entregar isso tudo nas mãos de uma única pessoa. Pule do alto de uma cachoeira, atravesse seu país de trem ou ônibus, valorize todos os seus amigos, convide seus pais para jantar, vá em todos os festivais de música que puder, deixe a loucura te invadir por dentro, evolua em busca de uma carreira que te proporcione conforto e estabilidade para viajar o mundo todo. Mas nunca deixe sua vida parar por uma pessoa, principalmente se ela não colabora com os teus sonhos. Principalmente se ela te cegou de que um dia você teve sonhos. “O amor é lindo e o amor é tudo.” - disseram-te a vida toda, e você acreditou. Acreditou e afastou teus amigos, esqueceu teus desejos, investiu menos na tua carreira… e de tanto amar, não se amou.
—  João Pedro Bueno, Sabedorias.
— Por que você sorri tanto?
— Sorrio?
— Sim.
— Estranho, tenho chorado todos os dias…
— Impossível.
— Por que?
— Porque passamos a semana juntos, sem nos desgrudar um segundo, e eu sequer vi uma lágrima rolando pelo seu rosto.
— Mas não é desse tipo de choro que estou falando.
— É de qual?
— É daquele que a gente chora por dentro.
Que não sejamos tão apegados naquilo que já deixou de fazer bem. Que não tenhamos medo de mudar nossos caminhos quando o mesmo tiver parado de nos levar a destinos agradáveis. Que tenhamos coragem para demolir nossas construções que já estão velhas demais pra se sustentarem sozinhas. Que sempre encontremos força pra nos reconstruir, afinal dois grandes edifícios não podem ocupar o mesmo lugar em um só terreno.
—  João Pedro Bueno
Aquela festinha que ninguém podia perder? Eu não fui. Aquela viagem que até hoje todo mundo faz questão de lembrar perto de você? Eu perdi. Aquele dia em que todo mundo diz ter rido tanto? Eu faltei. Me dei conta de que nessa vida eu perdi mais coisas do que eu merecia. Perdi mais lembranças boas do que alguém com Alzheimer. Perdi mais sorrisos do que um palhaço atuando em um circo vazio.
—  João Pedro Bueno, Sabedorias.