sà meus

Você disse “volta” mais uma vez. Se o coração comandasse os músculos do meu corpo, meus braços estariam em volta do seu pescoço, nesse momento. Mas uma pequena partezinha sã do meu cérebro, viaja entre recordações boas misturadas com recordações ruins. Enquanto as boas me fazem querer voltar pra você, as ruins estão lá pra lembrar onde me levaria pegar o mesmo caminho. Em eu chorando pelo mesmo motivo, outra vez.
—  Luana Emi.
Eu, Cecília

Não sei muito sobre discorrer banalidades de maneira encantadora, há muito além de recordações entranhadas em canções e enigmas nos livros de história. Tenho sentido como se tudo ao redor fosse superficial, nada chega até o ponto em que realmente toca. Sou incapaz de formar prosas vagas com momentos que só existiram no imaginário, mas tenho sim vontade de falar sobre o que se passa do lado de dentro. 
Escrevo como se houvesse destinatário preciso - talvez realmente haja, ainda que inconscientemente -, um amigo de décadas que jamais precisará responder qualquer carta ou bilhete pois sabe cada passo dado. A verdade é que me calei há tempos, não basta para mim o ato de viver enraizada num papel amarelado. Habito incontáveis roteiros e apenas neles, num universo doído, tenho forma.
Quis dizer para ninguém que silêncio não se assemelha com escassez de sentir, o tenho feito em excesso. Enfrento meia dúzia de fantasmas antes de adormecer e sigo. Os olhos ocos, o peito em chamas, continuo. Porque remendos alheios me doem como se fossem meus e o desassossego rodeia as beiradas da minha cama.
Dia desses não soube responder meus próprios devaneios sobre os motivos que nos fazem prosseguir e não desaparecer em meio ao calendário. Mas o que mais haveria eu - ou qualquer outro- de fazer, senão andar por aí como se cada pequeno suspiro do mundo não doesse?
Os pensamentos caminham em incontáveis direções, não há respostas suficientemente sãs. No meu peito mora a culpa por sentir em demasia cada resquício de vida que um dia passou e tocou, ainda que não o bastante para criar raiz. 
Pensei um tanto sobre idas e vindas. Sinto-me exausta. Já não sinto. Não sei responder devidamente os afagos e guardo o amor para não esquecer que vezenquando o peito se aquece com memórias bonitas.
Há cansaço no excesso e desalento em quem já não se permite esperar sequer um indício de afeto antes das seis.

G.

Printre sicriile vechi ale nemuririi.
Eu îmi plângeam de-a pururi pe al lor lemn uscat,
Consecințele dureroase ale iubirii.

Oh,sicriu vechi și îndurerat,
De ce iubirea tu mi-ai luat?
De ce ai înãlțat-o în întunecata noapte
Pe meleaguri pustii unde nu se mai aud nici șoapte?
Strãzile sunt tãcute și ele.
Fiind crispate de-a mea crudã durere.

Oh,sicriu nemilos și crud.
De ce vrei sã-mi vezi în fiecare zi
Cum lacrimile usturãtoare
Pe fațã îmi curg?

Oh,sicriu negru și bolnãvicios.
De ce îmi fiori din corp
Ficare os?

Oh,sicriu nemuritor și rece.
De ce vrei sã lași amarul în marea durerii
Sã mã înece?

Oh,sicriu uscat și fãrã milã
De ce mi-ai luat a lui iubire?

Oh,sicriu fad
De ce lași stelele de zbuciumul meu sã se stingã
Și focul în sufletul meu sã se aprindã?


Sicriu etern al nemuririi
De ce mi-ai luat tu
Simțurile fericirii?

Sicriu înfrigurat și rece.
Aș vrea ca o datã
Și pe tine durerea sã te înece.

Și sã te sufoce cu dor și jale.
Eu privindu-te și cântând…
Pe corzile unei antice vioare.

Sã simți durerea și agonia
Sã aflii pentru prima datã
Cât de dureroasã e nemurirea.

Nume Lucrare:Gânduri.

Am scris versuri cu lacrimi reci curgându-mi pe buze,
Obosind sã vãd cum toți pe nedrept știu sã mã acuze.
Și mã întreb oare cu ce am greșit?
Ca fiecare vis al meu sã rãmânã unul neîmplinit.
Poate cã așa a fost sã fie.
Alinarea cruntã sã mi-o gãsesc doar prin poezie.
Deși sunt sigurã cã sunt atât de singurã.
Oamenii ce-i am aproape cu rãutate mai mereu mã scuturã.
Nu scriu ca sã impresionez,sau cã asta simt sã fac.
Dar am gânduri dureroase și simt nevoia de ele sã mã dezbrac.
Pe cele mai multe le-am scris în miez de noapte.
Când lãsam pustiul sã mã cuprindã și nimeni sã-mi fie aproape.
E trist sã vezi cum mereu te zbați și vrei doar mult prea bune fapte.
Când cei dragi ție, de cele mai multe ori te lovesc pe la spate.
E o lume atât de tristã,
Și cred cã fericirea e o operã scumpã care nu prea existã.
Și inima-mi zbuciumã în pieptul ostenit.
Cuprins de atâtea sentimente,de ele e mult prea ponosit.
Foaia mã privește tristã și pierdutã.
Rãmânând de durerea mea,mutã.
Poate cã viața e doar o amãgire în alb și negru.
Sau poate cã sufletul meu bãtrân nu e atât de integru.
Sunt atâtea gânduri și-mi vine sã le scriu.
Despre ce vreau,ce nu am fost sau despre ce vreau sã fiu.
Atât de multe,atât de crunte.
Și mã rog La Dumnezeu sã-mi dea putere ,sã mã ajute.
Am cãzut de atâtea ori și mi-am zis cã lupta cu mine, e un risc și trebuie sã mi-l asum,
Dar am atât de multe bucãți rupte din suflet și mi-e teamã cã nu mai pot sã le adun.
Mi-am zis cã suntem prea tineri ca sã fim așa triști.
Dar în aste vremuri cum sã putem fi optimiști?
Atât de multe neajunsuri,atât de multe dezamãgiri,
Atât de multe rãni,atât de multe lacrimi.
Și-ți dai seama și tu,
Cã fericirea nu-ti va aparține ca la restu’
Realizând cã în cele din urmã nu suntem decât suflete rãtãcite.
Care deși au vrut,nu au fost iubite.

Em seus olhos - Cap 3

Depois de no máximo 15 minutos, Vanessa estava saindo do banheiro, ela me olhou sorrindo, Deus, eu estava me acabando por dentro com aqueles sorrisos.

-Tudo certo? -Eu perguntei, e ela fez que sim com a cabeça, se sentando de frente para mim.

Estávamos uma de frente pra outra, seus lábios ainda estavam roxos,  eu empurrei a xícara para ela, que pegou levando-a seus lábios, pude ver que ainda estava quente pela fumaça que saiu quando ela devolveu a xícara ao pires.

Então ela empurrou a minha xícaa na minha direção - Sua vez! - Eu dei um meio sorriso, e ainda olhando para ela levantei minha mão para o garçom que imediatamente veio, pedi duas doses de conhaque. 

-Vamos evitar um resfriado, certo?

O garçom trouxe as doses, coloquei-as em nossas bebidas e fiz com que ela bebesse novamente. Ela obedeceu e logo que bebeu deu uma leve engasgadinha, eu não pude me segurar e sorri, talvez ela não estivesse o costume de beber.

Eu bebi o meu, ainda olhando para ela que agora tinha se virado um pouco para se aproximar da lareira, Deus como ela era bonita, seus lábios tinham vida novamente e seus cabelos estavam selvagens, molhados e soltos, essa visão fez com que eu sentisse um impulso de ir para mais perto dela, bebi mais um pouco e me segurei.

-Você não devia ter ido falar comigo! -Ela disse - Não era o que eu queria ouvir.

-Por quê? - Perguntei erguendo uma sobrancelha,

-Porque você está toda molhada agora! - Respondeu apontando para mim enquanto bebia mais um pouco do chocolate com conhaque.

-Eu precisava saber se você estava bem! - Coloquei minha xícara no pires e olhei-a, ela estava mordendo o lábio inferior, droga! O impulso surgiu de novo.

-Eu estar na chuva sorrindo te levou a crer que eu precisava de ajuda? - Eu me senti uma intrusa, o desanimo veio de novo.

-Bom, eu não sabia que você estava tão feliz por uma simples chuva, peço perdão pela intromissão. - Desviei meu olhar por um instante.

-Oh! Não, eu não quis ser rude. eu agradeço sua preocupação, provavelmente eu teria feito o mesmo, não é comum as pessoas gostarem tanto de chuva como eu gosto.

Então ela também gostava de chuva, como eu afinal e isso me fez sorrir. Ela sorriu também.

-Qual foi a graça? - O garçom veio á mesa me interrompendo.

-A senhorita deseja mais alguma coisa, senhorita Aguilar?

-Vanessa, você quer alguma bebida em especial ou comer algo?

-Não, obrigada! - Votei minha atenção para ela, assim que o garçom nos deixou. - Como ia dizendo, eu também gosto de chuva, me acalma muito.

-Interessante… - Ela olhou para sua xícara com um sorriso nos lábios.

-Posso saber o porquê do riso? - Ela olhou pra mim fixamente.

-Bom, você não parece do tipo que aprecia as coisas da natureza. - Então ela se aproximou um pouco mais e disse num tom mais baixo. - Apesar de seus olhos refletirem tudo que há de mais belo nesse mundo. - Ela sorriu de novo, e eu explodi em sorrisos, ela ficou me olhando provavelmente achando que não tinha dito nada tão importante assim.

-Quando vi você hoje na mureta do rio eu pensei a mesma coisa, seus olhos são brilhantes, como se existisse muitas coisas para desvendar por trás dessa garota que gosta de correr na chuva. - Disse rindo.

Após entender ela abriu aquele sorriso novamente. Porém não falamos nada por alguns minutos, resolvi quebrar aquele silêncio.

-Então você está aqui a passeio? - Ela passou a mão nos longos e úmidos cabelos, fazendo com que eu tivesse vontade de encostar em seus cabelos também, me recompus enquanto ela respondia.

-Sim, eu sempre quis conhecer outros países e um dos lugares que eu sempre quis conhecer foi a Flórida.

-Algum motivo em especial?

-Mmm - Ela fez bico antes de responder. - Acho que é um misto de coisas, aprecio um pouco de tudo.

-E você vai me dizer o que estava fazendo na chuva?

-Bom, eu amo a chuva, eu sempre gostei e lembro quando era pequena de ficar muito feliz quando chovia, devido a alguns acontecimentos recentes, eu quis comemorar, andando pela chuva.

-Então você estava feliz, e foi comemorar na chuva? Você pode compartilhar comigo o que aconteceu? - Tentei parecer sutil, mas acho que a curiosidade estava fervendo nos meus olhos, ela passou os dedos para desembaraçar seu cabelo.

-Bom, estou em Miami, lugar que há muito tempo eu queria conhecer, tenho como me virar sozinha, não dependo de ninguém… Os motivos óbvios e básicos, eu sou dona de mim mesma, livre leve e solta, tenho saúde, posso conhecer pessoas ao redor do mundo… Mmm… Não sei, acho que é uma mistura disso tudo e um pouco mais, acho que não são necessários tantos motivos para estar feliz, as pessoas é que não enxergam isso.

-Talvez você esteja certa, como eu disse, gosto da chuva, gosto de ouvir a chuva cair, sempre me trouxe tranquilidade. Geralmente quando quero comemorar algo abro uma garrafa de vinho, sento em frente a uma janela e como estou sempre aqui, minha visão geralmente é um dia nublado ou chuvoso, mas confesso que não tenho comemorado tanto ultimamente.

-Nada de bom acontecendo?

-Não, na verdade não tenho do que reclamar. Tenho tudo o que preciso comigo, só não vejo motivos para comemorar.

-Então você tem todos os motivos para comemorar todos os dias, e está deixando passar.

-De passar o quê? - Ela olhou diretamente em meus olhos, senti-me despida, ela respirou fundo.

-A vida me ensinou muitas coisas, eu já passei por muitas situações, e descobri que nós devemos ser gratos e celebrar quando tudo está bem, ou mesmo que nem tudo esteja bem. Na vida nada é perfeito, mas podemos nos dar ao luxo de celebrar as poucas vitórias ou a paz momentânea que nos é dada. - Suas palavras me tocaram no mesmo instante, eu não era o tipo de pessoa que ela falava, eu não ligava pra isso, mas de certa forma agora achei que tinha que ligar, não sei se por mim ou por ela.

Ela começou a se levantar.

-Obrigada pela bebida, acho melhor eu ir indo. - Senti desespero ao vê-la levantando, meu cérebro começou a pensar no que falar para que ela ficasse mais um pouco.

-Eu acho que é melhor você esperar a chuva passar.

-Mas eu não sei se vai parar de chover, e já está ficando tarde. - Ela olhou para o relógio do bar, provavelmente teria algum compromisso.

-Você tem algum compromisso? - Peguei-me perguntando um pouco sem graça, o que estava acontecendo comigo?

-Oh! Não, mas você é uma mulher de negócios, e que eu saiba mulheres de negócios estão sempre ocupadas ou atrasadas para alguma coisa. - Ela me olhou como se fosse óbvio aquilo.

Eu sorri com alivio. 

-Não, eu não estou ocupada e está chovendo muito e você ainda está molhada, e de forma alguma vou deixar você sair daqui. - E isso era verdade, eu iria fazer todo possível para mantê-la aqui, eu só não sabia ainda porquê.

Ela arqueou uma sobrancelha, eu tentei ignorar seu olhar.

-Venha! - Segurei novamente sua mão, o choque aconteceu novamente, e tudo em meu estomago parecia flutuar,

-Agora para onde? -Ela perguntou.

-Vamos para o meu quarto. - Ela parou de repente, eu não soltei sua mão.

-Eu não vou subir com você para o seu quarto! E se você for uma assassina, estupradora ou degoladora? Eu não te conheço.

Eu estava vidrada em seus lábios, perdendo-me um pouco neles, mas então me concentrei novamente.

-E se você for tudo isso? Prefiro acreditar que você não é. - Eu falei olhando para aqueles olhos grandes e castanhos, mas ela parecia relutante ainda.

-Eu não sou nada disso. - Ela disse rindo. - Mas acho que é melhor você não arriscar.

-Eu assumo o risco. - Eu disse.

Então olhei a volta e fomos ao lobby, continuei puxando-a para a recepção os funcionários ao me verem ficaram de prontidão.

-Senhora Aguilar? - A recepcionista sorridente me atendeu.

-Sim… - Olhei seu nome no crachá -… Lisa, por favor, diga a essa senhorita que não sou nenhuma assassina, estupradora ou… O que foi mais que você havia dito? - Perguntei a ela.

-Degoladora.

-Isso, degoladora. -Ela continuou sorrindo.

A recepcionista arregalou os olhos e olhando para mim, sem olhar para Vanessa ela disse -Não, a dona Aguilar não é nada do que a senhorita disse.

-Anote o nome dela, por favor, e coloque que ela está subindo comigo, e que se ela não voltar sã e salva do meu quarto a responsável sou eu.

A recepcionista olhou para ela com certo desdém - Qual o nome?

-Vanessa Mesquita - Vanessa estava achando a situação engraçada.

-Agora você está se sentindo mais segura em subir comigo?

-Talvez. - As portas se abriram no andar, continuei segurando sua mão até chegarmos a porta do meu quarto.

A suíte não tinha nada de extraordinário, só era confortável, que pra mim no momento era o necessário. Uma sala com sofá, poltronas e televisão, uma pequena e compacta cozinha, com um balcão e uma mesa. A vista era o que mais me chamava atenção. Fui ao banheiro todo bege claro com um grande espelho de frente para a banheira e abri o registro, voltei á sala e peguei sua mão novamente, passamos pelo quarto, e encaminhei-a para o banheiro.

-Pronto, tome um banho quente, vou ver se consigo roupas minhas, de preferência secas para você. -Falei sorrindo.

-Não! É sério não precisa se incomodar, e outra eu adoro ficar molhada. -Ficamos em silêncio, eu sabia o que ela queria dizer, mas ela mesmo deu risada avaliando que poderia ter escolhido outras palavras.

-Eu não quero que você adoeça, tome um banho que eu já volto.

Sai antes que ela argumentasse, e fiquei em frente a minha mala, hm.. tamanho? Ela é menor que eu, e tem algumas mm, como dizer… bom, cuidas… Gostosa. Acho que essas aqui dão, pensei comigo pegando as roupas na mão. Fui para frente do vidro no quarto, o céu estava sem nuvens, mas ainda muito cinza, repassei o dia de hoje em minha mente, porque eu estava agindo daquela forma?

E a vontade absurda de tocá-la? Porque ela sorria para tudo? E porque eu sorria toda vez que a via sorrir? Ouvi o clique da porta e ela apareceu vestida no roupão que eu deixara para ela.

-Oi senhorita autoritária, aliás, você sabe que é autoritária certo? Alguém já deve ter dito isso a você. - E lá estava de novo o sorriso.

Por acaso sim. - Eu disse olhando em seus olhos - Eu sei que sou autoritária, mas nunca me disseram isso. - Provavelmente porque as pessoas não tinham coragem o suficiente para me falarem isso.

-Eu vou tomar um banho, aqui está o que eu consegui para você - Disse entregando as peças de roupas á ela. - Não sei se vão servir, mas, dá pro gasto.

-Tudo bem, não precisava mas tudo bem, obrigada. - Peguei outro roupão e fui para o banho.

Resolvi tomar uma ducha bem quente, e enquanto me ensaboava pensei que há minutos atrás ela estava na banheira, seu corpo devia ser bonito nu, assim que tive esse pensamento tratei de tira-lo da cabeça. Terminei o banho e me sequei o suficiente, assim pude colocar o roupão.

Fui para frente do espelho, escovei meus dentes e penteei meus cabelos. Quando sai ela já estava trocada, seus cabelos estavam menos molhados, ainda um pouco bagunçados, mas ela estava tão bonita quanto antes.

-As roupas ficaram boas, eu adorei! - Ela sorriu.

-As roupas ficaram ótimas em você - Ela olhou para seus pés, talvez um pouco envergonhada - Bom eu vou me trocar, se você puder aguardar na outra sala enquanto me arrumo, assim podemos ir a algum lugar, a chuva parou. - Apontei para a janela.

Observei ela ir para a outra sala. Me troquei rápido o suficiente, ela estava com as mãos nos bolsos traseiros, com a testa apoiada ao vidro da janela, olhando a paisagem.

-Tudo bem com você? - Eu não devo ter feito barulho quando vim para a sala, pois ela se assustou um pouco.

-Sim, tudo otimo, olha essa vista que você tem aqui.

-É por causa dessa vista que eu gosto de ficar nesse hotel. - Ela concordou.

-Vamos dar umas voltas, tem um bar aqui perto que podemos ir. - Ela não me acompanhou, virei-me para ver o porquê.

-Está me convidando para sair? - Ela estava com um sorriso bobo nos lábios.

-Se eu disser que sim você sairá correndo? - Eu disse meio receosa, mas logo essa sensação sumiu quando ela sorriu.

-Eu só gostaria muito de passar no hotel que estou hospedada para pegar minha bolsa e meu cartão, eu não trouxe muito dinheiro.

Eu revirei meus olhos e peguei sua mão. - Vamos! - E comecei a puxa-la.

- Hey! Clarinha é sério! – Ela em chamou de Clarinha, isso soou tão pessoal e eu gostei da sensação, mas ignorei o chamado dela.

Paramos em frente ao meu carro, ela não falou nada, eu abri a porta, mas ela não entrou.

- Bom as pessoas sabiam que eu estava com você no seu quarto, mas elas não sabem que eu estou saindo com você. – eu devo ter feito uma cara de brava muito convincente, porque antes que eu começasse a reclamar ela se pronunciou.

- Há! Peguei você! Eu só estava brincando, vamos para esse tal lugar.

Durante o caminho ela ficou olhando para a paisagem, o percurso era rápido uma reta praticamente, paramos, depois de uns quinze minutos de carro.

Na porta ela estava com suas mãos no bolso traseiro, devia ser alguma mania.

- Mesa para dois… – eu olhei para ela - … Ou no balcão?

- Você quer que eu de minha opinião senhora autoritária? – Mesa para dois eu disse ao funcionário.

Então entramos, por sorte haviam mesas livres ainda, olhei o relógio, ainda eram sete da noite. Assim que nos sentamos um garçom surgiu com o cardápio, fiz sinal dizendo que não era necessário.

- Duas cervejas e uma porção de peixe com batatas fritas, por favor – pedi o clássico torcendo que ela gostasse de tudo.

- Autoritária! – ela sorriu – Eu mal te conheço e você pede por mim? Sorte que eu goste de tudo que você pediu.

- O que você estava pensando no carro?

- Mmm! Ela torceu a boca – Estava pensando como a vida é boa pra uns e ruim para outros, pensando se somos nós que fazemos nossas vidas acontecerem ou se ela acontece por nós, e se eu como um pedaço de torta ou não! – ela ficou pensativa de novo

- Você está falando serio? – Eu ergui minha sobrancelha pra ela.

- Claro porque eu não estaria? – e ela sorriu, nossas cervejas chegaram, ela agradeceu ao garçom.

- Saúde! – eu levantei a caneca, ela faz o mesmo.

- Então sua duvida sobre a torta foi resolvida ou não? – ela dá uma risada boa de ouvir.

- Ainda não, mas dependendo do meu humor talvez

Nossa porção chegou, o garçom estava se virando quando ela o chamou.

- Você pode trazer pimenta, por favor?

- Você tem estomago para pimenta?

- Você não tem?

- Eu tenho, eu gosto de pimenta.

O garçom retornou, ela olhou pra ele meio decepcionada – Essa é a mais forte que você tem?

Receio que sim.

- Mmm! Tudo bem vai essa mesmo – Tabasco era fraca pra ela? Eu sorri por dentro – Saudade da sua cidade? – perguntei olhando-a nos olhos, ela estava comendo uma batata e parou para responder.

- Acho que não e olha que eu amo aquela cidade, mas passei tempo demais lá, preciso ver o mundo agora.

- O Mundo?

- É só o que eu mais anseio. – ela sorriu e bebeu um gole de cerveja, de repente eu me senti sozinha no mundo, como se o fato dela querer viajar e conhecer o mundo mudasse tudo ao meu redor, me senti como se ela estivesse me abandonando.

Ela começou a se mexer na cadeira, demorei um pouco para perceber que ela está se envolvendo com a música. Eu abri minha boca para começar a falar, mas ela fez sinal com a mão para que eu parasse, li seus lábios sem que ela pronuncie as palavras, “eu amo essa música”, então ela começou a cantar.

 - Tonigth, you arrested my mind when you came to my defense with a knife in the shape of your mouth in the formo f your body, with the wrath of a God Oh, you stood by me.

Ela fazia caretas enquanto cantava, as pessoas a nossa volta acharam engraçado e começaram a cantar com ela, mais uma parte surgiu e agora com outras vozes a nossa volta.

 Ela fingia que o garfo era um microfone. Eu fique imóvel olhando a situação, com ela conseguia ser tão linda, mesmo fazendo essas coisas?

- I’m gonna yell it from the rooftops I’ll wear a signo n my chest That’s the least I can do, It’s the least I can do Tonight, you arrrested my Wind when you came to my defense With a knife, in the shape of your mouth in the formo f your body, with the wrath o a God Oh, you stood by me.

Eu não me lembro de ter ouvido essa música antes, a letra era melosa, mas bonita. Então a música acabou ela estava rindo muito e as pessoas a nossa volta, homens em sua maioria levantavam suas canecas para ela em um brinde, levantei a minha também. Seu cabelo estava seco agora ele era castanho, caia liso com poucas ondulações por seu pescoço, passando por seus seios e chegando a sua cintura, ela voltou a falar depois de tanto rir.

- Me desculpe, eu não queria ter mandado você calar a boca, é que eu amo música, e quando ouço minhas prediletas, me empolgo como você pode comprovar. Não que eu cante bem, mas a empolgação fala mais alto.

- Não! Eu gostei disso, você parecia incrivelmente feliz, alias quem estava cantando?

- Gavin DeGraw, eu não conheço muita coisa dele, mas as que eu conheço eu gosto muito, essa era Belief! Saimos do bar, e vi que alguns homens acompanharam nossa saída com olhares, eu queria ter pegado sua mão, mas não sei qual seria a reação dela.

- Posso levar você para o hotel que você está hospedada?

- Não é necessário, eu pego um taxi.

- Mas eu insisto de verdade. – ela parou para pensar um pouco, mas no fim sorriu e concordou.

Nós entramos no carro, ela me falou qual era o hotel, e fiz o trajeto, mesmo não querendo levá-la mas eu tinha um plano para voltar a vê-la, eu sorri por dentro. Eu parei o carro, uma parada antes de deixá-la no hotel.

- Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou baixando o som do carro, isso parecia tão casal, me deixou com uma sensação boa.

- Só um minuto, eu já volto.

Voltei e entreguei a ela uma caixa.

- Veja quando estiver no seu quarto sim?

- Uma bomba por acaso? – ela perguntou sorrindo.

- Sim, eles fazem por encomenda e tem delivery, na próxima peço para entregarem a você! – ela aumentou o som de novo, com um sorriso nos lábios.

Eu balancei a minha cabeça sorrindo.

- Agora sim, entregue, sã e salva, sem arranhões e também seca – descemos do carro.

Estava encostada no meu Ancura na esperança que ela não quisesse ir embora.

- E com uma bomba na mão, o que será de mim? – ela fez uma careta engraçada, eu dei risada enquanto entrava no meu carro.

 - Amanha eu vou saber o que houve com você – ela me olhou erguendo a sobrancelha, e eu entrei no carro e sai, sentindo as famosas borboletas no estomago.

N/A: Voltei gente, espero que curtam o capítulo que é totalmente dedicado a Débora, que me ajudou a escrever e sem ela eu não poderia continuar a fic. Me digam o que estão achando xx