rubenalves

Visto em 2013

Nota: 10!

Realizado por Ruben Alves, a Gaiola Dourada prometia desde o início. As críticas, os números de bilheteira, o elenco de estrelas portuguesas e francesas, e o trailer deixavam adivinhar aquilo que ontem ficou comprovado. É o cinema português no seu melhor, mas sobretudo é a essência portuguesa captada em filme e empacotada numa brilhante obra que nos comove e que me fez oscilar entre chorar de rir e chorar de tristeza e saudade. Esta é a história dos Ribeiro, mas poderia ser a história de tantos portugueses que emigraram não só para França mas também para outras partes do globo. A história centra-se nesta família emigrada em França, uma porteira e um pedreiro cujos filhos já são mais franceses que portugueses, que têm a oportunidade de regressar a Portugal e ter a vida que nunca tiveram. E aí começa a confusão. Maria e José têm de decidir se querem continuar a fazer um trabalho bem feito e a estarem sempre presentes, como até aqui estiveram, para servir não só os patrões mas também a família e amigos, ou se regressam à pátria para desfrutar da herança que lhes foi deixada. Há quem diga que o filme é uma caricatura do português emigrante, que leva ao extremo certas características que nos são associadas. Eu, pelo contrário, acho que não poderíamos ter sido mais bem retratados, e por muito que alguns possam sentir-se envergonhados, a verdade é que somos assim sem tirar nem pôr. Comoveu-me o amor que Maria e José põe em tudo aquilo que fazem, a dor que Maria sente quando se vê obrigada a fazer o seu trabalho mal feito, a mãe que percebe que a empregada compreende mais o filho que ela própria, o conflito dos filhos que escondem a sua realidade e a profissão dos pais com vergonha, a comoção e orgulho com que ouvimos o fado ou cantarolamos uma música portuguesa, o facto de estarmos a milhares de quilómetros de distância, passados anos desde que deixámos a casa, a família e os amigos, mas continuamos tão portugueses na essência, na forma de estar. Porque é isso que somos e é isso que seremos sempre. Brilhantes interpretações deste elenco recheado de estrelas, onde cada personagem representa um aspecto diferente de todos nós. Foi um filme que me tocou muito e que clichés à parte não nos representa a todos, mas diz muito acerca de nós. Podemos não ser só isso, mas também somos isso. Vale mesmo a pena ir ver.