roupa de couro

Conheça Dobri Dobrev, 98 anos de idade, um homem que perdeu sua audição na II Guerra Mundial. Todos os dias ele anda 10 quilômetros de sua aldeia vestido com suas roupas caseiras e sapatos de couro para a cidade de Sofia, onde ele passa o dia pedindo dinheiro. Recentemente foi descoberto que ele doou cada centavo que ele ‘arrecadou’ de esmolas — mais de 40.000 euros — para ser usado na restauração de velho mosteiros búlgaros e para apoiar orfanatos públicos, enquanto ele vive com sua pensão mensal de 80 euros. Como dizia Bento XVI: “Existem santos que só Deus sabe o nome

Leiam Huxley, Coetzee, Couto e Sabino. Visitem casas de massagem e façam sexo. Leiam gibis e revistas pornográficas. Pensem em corpos atracados, em beijos lascivos em falsos castos, em palavrões. Deixe o ID, esqueça Ego e Superego: você é viciado em drogas. Ligue o som, jogue os dados. Os ratos da piscina. Mergulhe. As pontas de cigarro estão no chão da cidade inteira e você não tem para onde ir. Fume, trague. Pegue o seu pensamento que saiu pelos ouvidos ou escorreu pelo nariz. Você tem gosto de sal. Lamba o cotovelo. Tente lamber. Sinta o cheiro do seu suor. Sue. Antes saiba suar. Leia Dostoiévski, Platão e Thomas Mann. Pega a trilha, faça a viagem. Ande por aí sem malas. Esqueça que você tem lugar no mundo. Você não tem. Use as pernas, tire os sapato e, como Royce, ande a pé. Corra pela poesia e seja o poeta, se tiver como ser. Calce luvas e aproveite o calor usando roupa de couro. Sorria. Largue as palavras bonitas, a língua enrolada, o jeito civilizado e seja bicho, animal, asno. Limpe as aspas: que você seja citado, não cite. E que um poema seja gravado na tua pele: você é a tatuagem, não o tatuado. Um dia haverá uma poesia para cada um. Leia Tólstoi, Kant e Eça. Leia Augusto. Você será verme, será frio, será, azulejo. Mais que você é: será? Perca-se. Percam-se no mundo. O vento desarruma seu cabelo, desalinha a camisa de linho. Você se importa? É que as coisas estão pelo chão. Recolha, sente, deite, durma. Sonhe com distopias: Assimov, Orwell. Dominaram sua mente e você não tem mais corpo. Há o teto, além do teto, o mundo. Sobe. Sobe. Sobe. Você é o balão. Livrar-se do ar? Esvazie os pulmões: respire fundo: viva. Viva, veja como é bom. Diga viva.
—  Theu Souza