roteiro de viagem

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[…]

Murilo estava esparramado no sofá cama da própria sala com Vitória deitada em seu colo. Carolina e Nicolas estavam abraçados do outro lado. Eles viam um filme de terror chamado Don’t be afraid at the dark e quem via de fora podia achar que se tratavam de dois casais. 

Não era o caso.

Mas verdade seja dita: se Raphael não existisse, todos iam concordar que Vitória e Murilo combinavam. 

O mesmo tipo de humor, parceiros na hora de fazer os planos mirabolantes - desde criar um roteiro de viagem para pessoas sem dinheiro a uma apresentação de power point muito convincente - não se importavam com a opinião alheia e o mais importante: eram muito amigos. Eles se davam bem sem precisar se esforçar, se entendiam somente com um olhar sem precisar de palavras no meio para atrapalhar. 

De alguma forma Murilo compreendia melhor a amiga talvez melhor do que o próprio ex-namorado. E talvez, nenhum dos envolvidos se dava conta disso.

Mas Raphael existia.

[…]

— Oitavo Nó

- Roteiro de Viagem -

E se viajo eu me perco no vácuo
e se me perco, me esqueço do espaço
e se me esqueço, me perturbo no meu tempo
e se me perturbo, me acostumo com o tento
e se me acostumo, me encho de tédio
e se me acostumo, me encho de tédio
e se me encho, vou para cima do prédio
e se vou, me encontro nas nuvens
e se me encontro, me felicito em assistir o existir
e se me felicito, me pego em viagem



Lucas dos Anjos,
Outubro, 2013
 

Hoje comecei a testar canetas, papeis, formatos e roteiros para o Diário de Viagem, gastei o dia todo tentando descobrir qual a forma mais interessante e rápida de registrar meus dias. Acho que amanhã o trabalho continua, porque ainda não decidi. Aqui é apenas a forma que eu faço quadrinhos quase todos os dias… em 4 quadros, com caneta grossa, cores no photoshop.