ringu*

No fim, dá certo. As coisas se ajeitam, se encaixam e se alinham perfeitamente como duas retas paralelas que um dia já foram perpendiculares. No fim, o preto se dissolve no branco, a cor neutra e sombria já não assusta e não existe mais o luto porque ele foi superado pela luta. A luta de aceitar que tudo acontece porque tem que acontecer, e que, mesmo que a gente negue e insista no contrário, o inesperado já foi decretado e o ringue já foi montado e o juiz já gritou: Lutem! Então a gente embarca num duelo onde somos obrigados a ser forte sem o Biotônico Fontoura porque ela, a vida, nunca nos prepara para nada e não deixa a gente se prevenir porque a nossa fraqueza é sua maior virtude, o inesperado é seu maior aliado e do nada vai ser e já era e já foi. A gente tem aguentar a chave-de-braço e ao mesmo tempo reagir para não ser nocauteado. E a gente consegue porque o bem vence o mal desde outros milênios e outras décadas e outros séculos. E assim vai ser. E vai continuar sendo. O protagonista sempre tem seu desfeche feliz, ainda que essa felicidade não agrade a todos. No fim, a nossa mão é levemente levantada pro alto, a plateia já foi ao delírio e o medalhão pesado e reluzindo a vitória já está grudado na cintura. Tudo isso porque apesar dos apesares, dos afazeres e das dificuldades, deu certo. Sem explicação. Deu certo porque simplesmente deu.
—  Pedro Pinheiro.