revistas femininas

Eu vou ignorar as palavras ruins. Não sei se isso é certo ou não. Nessas revistas femininas que já perdi muito tempo lendo em salas de espera de consultórios médicos dizem que é errado, que, se a gente tem mágoa, tem que resolver, se tem problema, tem que falar, e assim por diante. Mas não chega a ser mágoa, entende? Não vai tão longe assim, essa é uma palavra forte demais. É só… Tristeza. Ou melhor: desapontamento. Tristeza ocasionada por desapontamento, é isso que estaria escrito no prontuário. E o remédio, para variar, está no problema. Queria que você quisesse um pouco mais, ou, pelo menos, que falasse vez ou outra o quanto quer. Subentendido é bonito só na música, sabia? Eu preciso saber, ter escancarado na minha frente para ver se acredito. Complicado, eu sei, até frustrante para alguém como você, que nem é muito dessas coisas. Mas o que posso fazer? Mudar? É, o meu jeito de mudar foi ignorando. Ignoro as palavras que você deixa de falar, os dias que você não vem, as coisas que você não vê. Eu repito mentalmente como um mantra: “não é falta de amor, é só falta de jeito”. Meu coração quer calma, quer a tua voz no meu ouvido me acalmando do drama que se instala e se esconde. Caio mais uma vez nas revistas clichês e femininas: e amor lá tem jeito? Não é mágoa, que fique bem claro. É só vontade de te amar.
—  Camila Costa. - trechos de nós.