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Exercício de Foco Narrativo

Esse foi um pequeno exercício das minhas aulas de Texto Narrativo e decidi compartilhá-lo aqui. A ideia era mostrar como mudar o foco narrativo poderia transformar um texto, deixá-lo mais pessoal ou mais afastado, mais emocional ou mais seco. Estendo um pouco o objetivo do exercício para ajudar também o escritor a pensar sobre seu narrador, que deve te ajudar a contar sua história e não atrapalhar. Se um dia, se achar empacado, tente reescrever uma parte mudando a forma narrada, talvez a resposta esteja aí.

  • Primeiro, (por favor, completem em suas mentes), temos Terceira com Segunda pessoas; do passado para o presente:

E a frase continuava a se fazer ouvir. Primeiro, ela interferira com o navegador, se escrevera em cada canto da tela; depois, fora a vez de travar o emulador. Ainda se sentindo ignorada, derrubou a internet e então, o sistema operacional. Ignorada mais uma vez, a mesma frase reverberou nas paredes da sua casa, ecoou nos cômodos, vibrou o vidro das janelas. A tv parecia muda, o rádio não ligava e seus fones não eram o bastante, pois a frase continuava a roubar a atenção. Somente sozinha, trancada em seu quarto, você consegue dizer a si mesma que está com sono demais ou com ideias de menos. Ali, com seu potinho de iogurte entre os dedos entrelaçados, você encara os moveis brancos como uma página de papel, ignorando a sombra que passa por debaixo da porta.
E sua meta do NaNo, cadê?

  • Segundo, Terceira pessoa com Primeira pessoas; do passado para o presente:

E a frase continuava a se fazer ouvir. Primeiro, ela interferira com o navegador, se escrevera em cada canto da tela; depois fora a vez de travar o emulador. Ainda se sentindo ignorada, derrubou a internet e, então, o sistema operacional. Ignorada mais uma vez, a mesma frase reverberou nas paredes da minha casa, ecoou nos cômodos, vibrou o vidro das janelas. A tv parecia muda, o rádio não ligava e meus fones não eram o bastante, pois a frase continuava a roubar a atenção. Somente sozinha, trancada em meu quarto, consigo dizer a mim mesma que estou com sono demais ou com ideias de menos. Ali, com meu potinho de iogurte entre os dedos entrelaçados, eu encaro os móveis brancos como uma página de papel, ignorando a sombra que passa por debaixo da minha porta.
E minha meta do NaNo, cadê?

  • Agora, Primeira pessoa com Terceira pessoas; todo no passado:

E eu continuei a me fazer ouvir. Primeiro, eu interferi com o navegador, me escrevendo em cada canto da tela; depois foi a vez de travar o emulador. Ela ainda me ignorava, então derrubei a internet, mas como não foi o bastante, fiz o mesmo com o sistema operacional. Mais uma vez ignorada, eu reverberei nas paredes daquela casa, ecoei nos cômodos, vibrei o vidro das janelas. Fiz a tv parecer muda, o rádio não ligar e tornei inúteis os fones, tudo para chamar sua atenção. Entretanto, ela se trancou no quarto, na vã tentativa me manter longe, se iludindo com pensamentos de muito sono ou poucas ideias. Lá, segurando um potinho de iogurte, ela encarava os móveis brancos como as páginas de papel, fingindo ignorar minha sombra que se esgueirava por debaixo da porta.
E sua meta do NaNo, cadê?

  • E finalmente, Primeira pessoa com Segunda pessoas; todo no presente:

E eu continuo a me fazer ouvir. Primeiro, eu interfiro com o seu navegador, me escrevendo em cada canto da sua tela; depois foi a vez de travar o emulador. Você ainda me ignora, então derrubo sua internet, mas como não é o bastante, faço o mesmo como sistema operacional. Mais uma vez, você me ignora e eu reverbero nas paredes da sua casa, ecoo nos cômodos, vibro o vidro das janelas. Faço a tv parecer muda, o rádio não ligar e torno inúteis seus fones, tudo para chamar sua atenção. Entretanto, você se tranca em seu quarto, na vã tentativa de me manter longe, se iludindo com pensamentos de muito sono ou poucas ideias. Lá, segurando um potinho de iogurte, você encara os móveis brancos como as páginas de papel, fingindo ignorar minha sombra que se esgueira por debaixo da sua porta.
E sua meta do NaNo, cadê?

Conseguem sentir a diferença entre eles? O que você sentiu em cada um, ou que impressões teve? Em qual dos quatro você sente uma perseguição maior? Note que em todos, o assunto é o mesmo, em todos há uma garota que está sendo perseguida por uma frase. O que muda é o modo de narrar.

Abaixo, peguei um parágrafo do primeiro capítulo da web Spring Flowers e o passei da primeira pessoa para a terceira. Veja o resultado.

Antes:

Desci os últimos degraus do trem e observei a pequena ferroviária, era uma construção simples, com detalhes em madeira escura. A obra era retangular, com uma cobertura de telhados estendidos diagonalmente em direção aos trilhos para o conforto dos passageiros. O local era arejado e consistia em apenas um caixa para bilhetes e informações mais à frente. Havia muitas flores espalhadas pelo lugar, o recinto era puro estilo vintage. Não pude evitar a sensação de conforto que me tomou, era como se eu estivesse fazendo a coisa certa ao menos uma vez na vida.

Depois:

Zaïre desceu os últimos degraus do trem e observou a pequena ferroviária, uma construção simples, com detalhes em madeira escura. A obra era retangular, com uma cobertura de telhados estendidos diagonalmente em direção aos trilhos para o conforto de passageiros, como ela. Sentia o local arejado e este consistia em apenas um caixa para bilhetes e informações mais à frente. Ela viu muitas flores espalhadas pelo lugar, o recinto lembrava-lhe o puro estilo vintage. Uma sensação de conforto a invadiu como consequência do pensamento estampado diante àquela estação. Estava fazendo a coisa certa pelo menos uma vez na vida.

É claro que existem 28736486 maneiras de reescrever esse mesmo parágrafo, e nenhuma delas seria o certo absoluto. Vamos tentar de novo, desta vez com meu novo queridinho: segunda pessoa no presente.

Você desce os últimos degraus do trem e observa a pequena estação ferroviária, uma construção simples com detalhes em madeira escura. A obra é retangular, com uma cobertura de telhados estendidos diagonalmente em direção aos trilhos para o seu conforto como passageira. O local é arejado e consiste em apenas um caixa para bilhetes e informações mais à frente. Você vê muitas flores espalhadas pelo local, tudo te lembra o estilo vintage. De repente, uma sensação de conforto te invade e te dá uma certeza: você está fazendo a coisa certa, pelo menos uma vez na vida.

Talvez eu seja a única, mas narrar no presente me passa um imediatismo carregado de certeza. Essa última frase soa até clichê de tão forte e impactante que foi para mim. 

Cada modo exemplificado aqui passa um sensação e não existe uma certa ou errada, só existe aquela que fica melhor no seu texto. Tente uma primeira pessoa no presente e depois no passado; tente um narrador onisciente que se apropria do vocabulário e da visão de um determinado personagem; tente um narrador observador com pensamentos e julgamentos próprios; tente uma segunda pessoa e converse com seu leitor, coloque-o na ação narrada; misture tudo isso e dê vida à Torre de Babel.

Espero que gostem e qualquer dúvida, apareçam na ask!

By: Luísa

Revisado por: Myrla

Letters from the Depths of Solitude. Ninety-Fourth. On Difference Between Pleasure and Bliss

You shine so beautifully through text sometimes. Gleaming. A fascinating shell of text, intricately built, conceals and protects some entity behind it. Perhaps this entity is amorphous, takes the form of the container, but I don’t want to stick to the metaphor for too long. Metaphor is omnivorous and is capable of devouring everything. Sometimes the best that one can do is to abandon its misleading guide, admit a failure. Another failing metaphor; the fewer failing metaphors I could summon speaking about you, the worse–speech wants nothing but continuation.

To read and write constantly is a neurotic itch, a compulsive obsession, a promise of pleasure; a promise of pleasure always ends in mild and humorous or long, reverberating disappointment.

Barthes writes about that gleam of a dressed body which is singularly erotic–flaring between stripes of fabric: between a belt and a sweater, glove and sleeve. It is an interruption and the possibility of more, which is alluring beyond all nakedness. He also shares an infinitely precise and funny observations on the nature of erotic novels (with the exception of de Sade and some others, he remarks), where description of pleasure is always anticipation of pleasure, precisely for the reason that the actualized pleasure is such a deflation. Descriptions of anticipation, which are most evocative, not for nothing stop way ahead of the bliss: pleasure, Barthes points out, is cultural, bliss is not; pleasure is describable, bliss, not; pleasure is the anticipation of bliss, bliss, an enactment of itself, and, as such, pleasure is within the reach of words, bliss, out.

(There is the egoistic despotism of joy in self-serving self-gratification of speech. Speech starts nowhere and proceeds indefinitely. All it needs for satisfaction is to be.)

(Written in an empty Sunday building.)

Light Echoes Used to Study Protoplanetary Disks : This illustration shows a star surrounded by a protoplanetary disk. A new study uses data from NASAs Spitzer Space Telescope and four ground-based telescopes to determine the distance from a star to the inner rim of its surrounding protoplanetary disk. Researchers used a method called photo-reverberation, also known as light echoes.

js
wytai

n. a feature of modern society that suddenly strikes you as absurd and grotesque—from zoos and milk-drinking to organ transplants, life insurance, and fiction—part of the faint background noise of absurdity that reverberates from the moment our ancestors first crawled out of the slime but could not for the life of them remember what they got up to do.

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After hundreds of years of detailed observation and study, our closest companion in the vast universe, Earth’s moon, remains an enigma.

Six ‘supposed’ moon landings and hundreds of experiments have resulted in more questions being asked than answered. In 1962, NASA scientist Dr. Gordon MacDonald stated: “If the astronomical data collected is correct, it is found that the interior of the moon is more likely to be hollow than a solid sphere.”

On November 20, 1969, the Apollo 12 crew jettisoned the lunar module ascent stage causing it to crash onto the moon surface. The LM’s impact created an artificial moonquake with startling characteristics - the moon reverberated like a bell for more than an hour, leading to the conclusion that the moon has no - core, bring rise to the well founded ‘hollow moon theory’

More strange moon facts in the video here