rescend

Do pó que sobrou, a poeira que se levanta é tóxica, senão, inócua. Não é ao menos pó de estrela, nem brilha fugaz, nem rescende poesia. É tão inválida essa tentativa de ser mais, não dá para construir castelos com esse pó, com essas cinzas, senhorita. Invalidez plena, qualquer tentativa de construção ou reconstrução é nula, só faz o pó ser mais pó quando tudo ruir novamente. Calma, ria, calmaria então se disserem que rir de tudo é desespero. Da missa, eles mal sabem um terço, mas não diga nada, cada palavra tua que se levante como poeira, só causará mais alergia aos olhos, aos ouvidos e aos corpos que te cercam. “Ei, me espera”, te ouvi gemer, grunhir, sussurrar. Mas pra quem tem vida, tem correria, cor e ria. Ao contrário de você, que se rasteja nessa covardia, ou cor tardia, ou cor que ardia. Se cale, então senhorita e apenas deixe claro que ou te jogam na água de uma vez e acabam com teu pó, ou te coloque num cinzeiro, em cima da mesma, para que possa ser, pelo menos ou pelo mais, espectadora da vida. Mas não tente, não faça alvoroço, já te falei que teu pó não brilha.
—  H.Conrado, invalidez.