reprovar

Parem de julgar.

Eu acho horrível ficar dando opinião sobre a vida dos outros. Acho sujo apontar e dizer os defeitos, os erros e fazer cara de nojo. Acredito que cada um tem direito de escolher o que quiser e quando quiser, assim como tem o direito de resolver parar, se arrepender e voltar atrás. Mas, como eu já sou uma piada pronta emocionalmente, eu estou considerando isso como uma leve vingança.

Você paga a vida inteira de baladeira, mesmo que todos saibam que a rigidez da casa seja incompatível com as histórias contadas. Você arranja uma bff e não se quer sai com ela. Você arranja um amor pra vida toda que só serve pra dar/receber presentes e jantar, às vezes.

E o que você faz? Você aponta pras (ex-)amigas e diz que elas perderam a noção a responsabilidade por saírem todos os finais de semana. Você julga o caráter por uma foto publicada em uma rede social. Você esquece de viver sua própria vidinha. Você fala de moral enquanto está flertando com o ex. Você espera que eu concorde com tudo. Logo eu.

Eu que passei alguns anos da minha vida convivendo com pessoas completamente diferentes. Gente tímida demais, gente desinibida demais. Gente certinha demais, gente completamente maluca. Gente com muita noção de vida, gente que vivia em uma bolha.

Eu não julgo. Eu não aponto. Eu não reprovo.

Eu assisto. Eu observo. Eu apoio.

Eu, antes de qualquer coisa, acredito cegamente. Acredito naqueles que prendem, que marcam, que valem a pena. Aqueles que, casualmente, eu digo que admiro e/ou amo.

Não estou dizendo que você precisa aplaudir os defeitos de todo mundo. Jamais. Você precisa conviver com esses defeitos e somente quando eles passarem pra categoria ‘erros’, opinar.

Isto não irá te fazer a pessoa mais justa do mundo. Isto irá te fazer mais humana.

Same Old Love.

Capítulo 2.


Me joguei no sofá ao lado de Harry, ele tinha um pote de pipoca no colo e o controle remoto na mão.
— O que vamos assistir? — Perguntei pegando uma pipoca e levando a boca.
— Todo mundo em pânico. — Respondeu de boca cheia.
— De novo? — Fiz uma careta.
— É o cinco. — Suspirei e me ajeitei no sofá, Harry apertou um botão no controle e o filme começou.

Bocejei e encostei minha cabeça no ombro de Harry.
— Está achando esse filme um saco, não é?
— Completamente. — Suspirei ainda deitada em seu ombro.
— E o que quer fazer? — Me sentei.
— Não faço ideia. — O encarei.
— Me fala como foi o encontro com o gnomo. — O olhei em reprovação. — Nate. — Corrigiu rolando os olhos.
— Foi legal. — Dei de ombros. — Eu fiquei junto das namoradas do competidores, pude ver tudo de perto.
— Comeram alguma coisa depois?
— Não.
— Ele é um idiota. — Harry disse arrumando sua posição, ficando de frente para mim. — Leva uma garota para sair e a deixa com fome, que tipo de encontro é esse?
— Harry, não foi um encontro, eu fui assistir a competição dele, só isso. — Peguei uma pipoca no balde e coloquei na boca.
— Se fosse comigo, você teria o melhor encontro da sua vida.
— E como seria? — Perguntei rindo.
— Eu te levaria a um jogo. — Sorriu, me fazendo rolar os olhos. — Faria um touchdown para você, depois iríamos a uma lanchonete, comeríamos hambúrguer, então eu levaria você até a porta da sua casa. — Harry se aproximou, deixando o balde de pipocas no chão.
— E depois? — Sussurrei, olhando para a sua boca.
— Eu te daria um beijo de boa noite. — Os olhos de Harry encontraram a minha boca, sua mão foi para o meu queixo, ele acariciou o local com o polegar, fechei meus olhos e senti meu coração bater forte, então os lábios de Harry tocaram os meus, foi um beijo doce, lento.
— Que nojo! — Me afastei ao ouvir a voz de Christian, senti minhas bochechas queimarem ao olhar para Harry, ele também estava envergonhado. — Por que vocês estavam se beijando? — Meu irmão perguntou se aproximando. A porta abriu, revelando minha mãe e Anne.
— Quem estava se beijando? — Anne perguntou entrando e tirando seu casaco.
— Anna e Harry. — Chris colocou se sentou ao meu lado e pegou o balde de pipocas do chão.
— É mesmo? — Minha mãe perguntou com um sorriso maroto nos lábios. — Vocês formam um casal bonitinho.
— Mãe.— A repreendi baixinho, Harry passou a língua entre os lábios e coçava a nuca.
— Estávamos… fazendo uma experiência. — Harry disse pigarreando.
— Isso. — Concordei, dando-lhes um sorriso nervoso.
— Que tipo de experiência? — Anne perguntou, ela estava se divertindo com tudo aquilo.

— Sobre… beijos técnicos. — Forcei um sorriso. — Eu vou entrar para o grupo de teatro da escola, e preciso saber essas coisas. — Harry sorriu e assentiu, nossas mães se olharam e sorriram cúmplices uma para a outra.
— Tudo bem, vocês venceram. — Minha mãe ergueu as mãos.
— Eu e Andrea vamos fingir que acreditamos nessa desculpa e vamos fazer o jantar. — Anne sorriu.
— Vamos jantar aqui hoje? — Harry perguntou.
— Harry, é quinta, sempre jantamos aqui às quintas. — Anne sorriu para o filho e seguiu com minha mãe para a cozinha.
— Eu… — Harry disse coçando a nuca novamente.
— Eu vou para o meu quarto, tenho que terminar um livro. — Sorri.
— Vou jogar com o Chris. — Nos levantamos.
— Okay. — Disse tentando passar, mas Harry foi para o mesmo lado, tentei ir para o outro e novamente aconteceu, Harry agarrou meus ombros e me virou, passando pelo meu lado.

Subi as escadas correndo, um sorrisinho se formou em meu rosto, toquei meus lábios com a ponta dos dedos, suspirei e entrei em meu quarto, me jogando em minha cama, relembrando cada segundo daquele beijo.
— Senti sua falta no jantar ontem à noite. — Harry disse andando ao meu lado.
— Eu acabei dormindo. — Sorri de lado. Não dissemos mais nada, apenas seguimos nossos caminhos.
— Bom dia, Milady. — Nate disse assim que me viu no portão de entrada, ri ao vê-lo fazer uma reverência.
— Bom dia, as vezes você parece um bobão, sabia? — Sorri. Nate riu e me acompanhou até meu armário, como tem feito todos os dias.

Entrei na sala e me sentei na grande classe de dupla, teríamos aula de biologia e meu parceiro ainda não entrara.
— Bom dia, alunos. — Senhor Rupert disse ao entrar na sala de aula. — Hoje iremos dissecar sapos. — Alguns garotos comemoraram e as líderes de torcida fizeram barulho de nojo.
— Professor. — Nate ergueu a mão em sua classe, o velho o olhou. — Meu parceiro não veio e o da Anna também não, posso sentar com ela?
— Evidentemente. — O velho homem disse assentindo, Nate sorriu e sentou ao meu lado, colocando sua mochila no chão ao seu lado.
— Olá turma. — A voz do diretor soou, fazendo o burburinho parar. — Professor, me dá alguns minutos com a turma? — O professor assentiu e se sentou em sua cadeira. — Bem, o semestre está chegando ao fim, teremos uma reunião de pais e mestres na sexta feira que vem, vocês tem uma semana, não se esqueçam. — O homem sorriu e se virou.
— O pai da Anna não vem. — A voz de Harry soou baixa, mas todos escutaram. O diretor parou e se voltou. — O senhor não sabia? — Ele perguntou com sarcasmo, meu coração apertou, ele não faria aquilo comigo. — O pai da Anna abandonou ela e a família por uma secretária com um belo par de seios. — Meus olhos encheram de água, todos na sala riram, menos Nate, que me olhava com pena.
— Senhor Styles! — O diretor disse alto, fazendo todos se calarem.
— Eu só disse a verdade. — Harry riu.
— Você não tem direito de falar assim. — Nate disse se levantando.

— Não, tudo bem Nate. — Disse baixo, peguei minha mochila e saí da sala, minha visão estava embaçada por causa das lágrimas e eu podia ouvir as risadas na sala.
Caminhei tudo o que pude e me encostei na árvore que havia no pátio, sentei no chão e abracei meus joelhos.
— Anna. — A voz de Nate se aproximou, ele sentou ao meu lado e eu o abracei. — Ele é um idiota.-Sussurrou acariciando meus cabelos.
— Ele não tinha direito de falar isso! — Minha voz estava embargada.
— Eu sei, se você quiser eu posso voltar lá e dar uma surra nele. — Funguei e sorri para ele.
— Não, tudo bem.-Suspirei. — Eu tenho que voltar. — Sequei meu rosto com as mãos.
— Você não precisa. — Nate disse colocando as mãos em meus ombros.
— Aquele sapo não vai se dissecar sozinho. — O olhei, Nate sorriu.
— Você é muito forte Anna, eu invejo você. — Sorri para Nate e peguei minha mochila, passei no banheiro feminino no caminho e lavei meu rosto, passei um pouco de base e pó.
A sala se calou quando entrei, o professor parou de explicar e me olhou com um pouco de receio, Nate estava com o braço sobre meus ombros.
— Você está bem, senhorita?
— Estou sim, obrigado. — Sorri fraco e me dirigi até minha classe.
— O peixinho conseguiu consolar a nerdzinha? — Duny, a capitã das líderes de torcida perguntou com deboche ao meu lado.
— Cala a boca, garota. — Disse pegando meu caderno e o estojo na mochila.
— Olha só, ela aprendeu a responder. — Disse com sarcasmo, colocando a ponta do lápis na boca.
— Duny, você não cansa? — Perguntei, todos agora nos olhavam.
— Cansar de que? De ser bonita, capitã das líderes de torcida, uma pessoa maravilhosa? — Perguntou sorrindo para as amigas.
— Não, de ser fútil, de não ter nada na cabeça e se contentar com pessoas que só dão a mínima para o que você faz por que é popular. — Algumas pessoas riram baixo, ela abriu a boca para responder, mas eu a interrompi. — Você acha que vai reinar em alguma faculdade? Aliás, acha que vai ser aceita em alguma? O seu reino de futilidade vai acabar no fim desse ano, se você não reprovar, então se acostume, porque beleza não é para sempre. — Sorri com sarcasmo, fitei as pessoas atrás de mim, Harry estava com a boca aberta, então um sorriso se formou em sua boca.
— Sua vagabunda! — Duny disse alto.
— Agora chega. — O professor bateu na mesa.-Senhorita Peterson, para fora.
— Mas professor… — Duny tentou argumentar.
— Agora. — Apontou para a porta.
— Mas foi ela quem começou! — Disse se levantando.
— Você e o seu grupinho provocaram a senhorita Celli, agora saia da minha sala ou vou chamar o diretor. — Duny bufou e pegou suas coisas, saindo e batendo a porta com força. — Como eu ia dizendo…
Aumentei o volume dos meus fones quando vi Harry virar a esquina, aumentei o passo, mas mesmo assim senti sua mão me segurar.
— Me solta! — Gritei, Harry tirou meus fones.
— Me desculpa. — Suspirou.
— Não. — Me soltei das suas mãos.
— Anna, me desculpa, eu fui um idiota. — Ele me seguiu.
— Foi. — Me virei para ele. — Você expôs para toda a sala que o meu pai abandonou a mim e a minha família por uma qualquer, você jurou nunca contar isso a alguém! — As lágrimas já rolavam em meu rosto.
— Eu sei, me desculpa, por favor. — Se aproximou.
— Não Harry, dessa vez você foi longe demais. Eu sempre defendi você, vi o seu melhor lado. — Suspirei. — Eu sou mesmo uma idiota. — Neguei com a cabeça e sai correndo.
Entrei em casa e agradeci por minha mãe estar na cozinha, subi as escadas e me tranquei em meu quarto, me deitei e abracei o ursinho rosa que Harry me dera no meu aniversário de treze anos, sentindo meu coração apertar, chorei baixinho, até cair no sono.


Eitaaa
E agora? 

Me digam uma coisa, tá tudo indo rápido demais? Os tamanhos dos capítulos está bom? 

Espero que tenham gostado :3

Aula especial

Eu era péssima em matemática. Desde os primórdios do meu ensino, era minha pior nota. Aprendi a conviver com isso e principalmente aprendi que quase sempre iria precisar de uma professora particular para me ajudar nos piores anos. Na faculdade não seria diferente. Me chamem de louca, mas mesmo não sendo muito boa em matemática, resolvi fazer engenharia. 

Já no primeiro período consegui o telefone de uma professora que diziam ser genial. Ela dava aula no departamento, mas para os períodos mais avançados, por isso nos dois primeiros eu ainda poderia usufruir de seu conhecimento. Inclusive, ela mantinha uma pequena sala alugada perto da faculdade só para dar aulas particulares. Diziam que ela era tão carrasca quanto boa.

Marquei para começar na terça. Duas vezes por semana, duas horas de aula por dia e quem sabe nunca mais reprovar em matérias de matemática. Dez minutos antes eu já estava tocando a campainha da sala. Eu nunca tinha encontrado com ela e minha boca quase abriu quando a vi. Morena, de cabelo preso, usava uma calça social justa marcando suas coxas grossas e uma blusa branca transparente que mostrava o sutiã, também branco, rendado. Precisei lembrar de respirar para sentir o ar nos pulmões novamente.

- Adiantada. Já gostei de você - Martina Loureiro fazia a qualquer um se arrepiar com aquele tom de voz altivo
- Desculpe - respondi mesmo sem saber o motivo pelo qual estava me descupando
- Não se preocupe, prefiro adiantados aos atrasados - a segui até a mesa que ficava no meio da sala

Ela me passou exercícios, me ensinou pensamentos lógicos e me fez sorrir dizendo que eu não era tão ruim quanto ela imaginava. As duas horas voavam e eu só queria continuar ali. Respirando o mesmo ar que ela, sentindo seu braço encostar no meu eventualmente. Sentir o cheiro que vinha dela enquanto seus olhos se movimentavam junto com sua boca. Aquela boca de lábios finos, mas batom muito bem desenhado. Uau. Que mulher.

Finalmente quinta novamente. Cheguei cinco minutos adiantada e ela abriu a porta sorrindo.

- Adiantada de novo. Parabéns, dona Clarisse, está subindo no meu conceito 

Sorri sem graça e ao mesmo tempo orgulhosa do comentário. A segui de perto até a mesa. Consegui sentir seu cheiro novamente e senti meu coração disparar no peito. E entre as pernas. Seria difícil controlar aquela sensação que Martina me fazia sentir. Ela era sensacional demais para o que eu estava acostumada.

- Seus exercícios estão perfeitos. Parabéns - sorri orgulhosa mais uma vez
- Você fica linda sorrindo assim - Corei e abaixei a cabeça quase morrendo de vergonha. Não esperava tal elogio.

Senti seu dedo liso no meu queixo, puxando minha cabeça para cima. Encontrei os olhos dela bem próximos a mim.

- Nunca abaixe a cabeça para um elogio - ela ainda fez um carinho no meu queixo antes de se afastar

Tive vontade de puxar seu braço de volta e manter o contato entre nossas peles. Ela sorriu mais uma vez, pegou um copo de água e sentou a minha frente para começar a aula. Hoje ela estava de saia social até o joelho e com uma meia fina cor da pele. O sapato, preto, completava o look junto com a famosa blusa branca e o sutiã rendado. 

Entre fórmulas e cálculos, cruzei minha perna ao mesmo instante que ela se mexeu e nossas peles voltaram a se tocar. Eu estava com uma bermuda minha canela raspou na meia fina que ela vestia. Não pude deixar de me arrepiar inteira. Para minha surpresa, ela sorriu com o toque e bebeu um longo gole de água. Para minha surpresa maior ainda, me mexi novamente, agora com o propósito claro de nos encostarmos novamente e consegui que meu pé, que já estava fora da sapatilha, acariciasse sua perna. Ela bebeu o resto do copo de água. Sorri orgulhosa como quando ela elogiou meus exercícios. 

- Dona Clarisse, levante por favor - sua voz era altiva, como sempre e eu achei que ela me expulsaria para sempre

Levantei e parei na frente de sua cadeira, que ela havia girado e ficado de lado para a mesa. Como já tinha tirado meus pés da sapatilha, permaneci descalça. Ela me olhava da cabeça aos pés e eu não aguentei a pressão do olhar dela. Abaixei a cabeça.

Vi seus pés se movendo e percebi que ela levantara da cadeira. Vi que ela tirou o sapato e meu coração começou a bater acelerado no peito. E entre as pernas. Ela caminhou até onde eu estava e não consegui levantar a cabeça para olha-la. Senti seu dedo no meu queixo novamente e a pressão que ela fez para que eu levantasse o roso. Antes que eu pudesse encontrar seus olhos como na primeira vez, senti seus lábios nos meus. 

Ela me beijou com força e me segurou pela cintura com uma mão e pela nuca com a outra. Senti meu cabelo sendo puxado na parte detrás da cabeça e gemi quando nossos lábios descolaram rapidamente. Ela então, me empurrou até a parede que estava a alguns passos atrás de mim. Eu sentia sua língua passear pela minha boca e sentia minha vagina encharcar enquanto ela pressionava suas pernas entre as minhas.

A mão que estava na minha cintura, subiu por baixo da blusa nas costas e em um movimento habilidoso, senti a pressão do sutiã sumir e em seguida, suas mãos apertando meus peitos com força. A dor pareceu aumentar o tesão que vinha crescendo em mim. Gemi um pouco mais alto. Ela parou de me beijar, afastou a cabeça e me olhou com fome.

- Eu vou te comer agora e você vai adorar! 

Não havia mais o que fazer. Com um único movimento abri sua blusa social estourando os botões. Pude, finalmente, ver o sutiã rendado que marcava a blusa branca. Puxei o bojo para baixo deixando o peito eriçado dela a mostra. O coloquei todo na boca e com a língua brincava com o bico vermelho enquanto com as mãos apertava com força o outro seio. Senti ela jogando a cabeça para trás e ouvi um gemido sair de sua boca.

Ela então me virou de costas para ela e de frente para a parede. Senti o gelado do cimento na lateral do rosto, mas o calor que me percorria parecia muito maior. Ela puxou minha blusa pelos meus braços, jogou meu sutiã, que já estava aberto, no chão e abriu minha bermuda enquanto beijava minha nuca e mordia minhas costas. Enquanto uma mãe desfazia o zíper a outra vinha por entre as minhas pernas e apertava a costura do jeans contra uma calcinha molhada que eu vestia. Joguei a cabeça para trás e encontrei o ombro dela. Os corpos estavam muito grudados. Ao deixar meu pescoço a mostra, ela aproveitou e chupou bem perto da minha orelha enquanto a mão que estava no zíper entrava dentro da minha calcinha. 

Senti seu dedo se molhar em mim e ouvi um sorriso triunfante nela enquanto percebia que eu estava daquele jeito. Quando pensei que ela me comeria, ela me virou de frente, segurou minhas mãos para cima me beijou do pescoço até meu peito, agora descoberto. Ela já estava sem sutiã, apenas de saia. 

- Tira a bermuda

Ela falou enquanto tirava a própria saia. Não tirei meus olhos de seus movimentos e abaixei a bermuda junto com a calcinha. Ela sorriu ao me ver completamente nua ainda encostada na parede. Eu não sabia o que fazer, apenas respirava ofegante e sentia ficar cada vez mais molhada. Ela então tirou a calcinha e a meia fina que vestia. Completamente nua, ela jogou os livros e cadernos que estavam na mesa para o chão, sentou na beirada e abriu as pernas as apoiando nos braços da cadeira que usava. 

- Vem aqui. 

Andei até onde ela estava. Ela tirou uma das pernas do braço e me mandou sentar na cadeira. Nua, sentei e senti molhar o estofado preto. Ela recolocou o pé no braço da cadeira me prendendo ali.

- Agora, você vai me chupar bem devagar

Eu nunca tinha chupado uma mulher, mas também nunca tinha encontrado uma mulher como Martina. Apoiei as mãos em sua coxa e me inclinei até meus lábios se encharcarem nela. O gosto era diferente, novo. Amargo, mas doce. Ela então segurou meus cabelos e me pressionou contra sua buceta molhada. Precisei mexer minha cabeça para respirar, mas em pouco tempo já estava bebendo daquele líquido enquanto ouvia os gemidos sussurrados de Martina. Os pelos que sentia em minha boca pareciam fazer parte daquele cenário. Enfiei a ponta da minha língua nela e senti meus cabelos serem puxados de leve. Minha língua já subia e descia em um movimento ritmado quando ela passou a me controlar pelo cabelo. Acelerando e reduzindo a velocidade, me fez lamber e chupar ela até que suas pernas tremerem e seu líquido viesse em maior quantidade. Bebi tudo que consegui, mas ela me puxou pelo cabelo e não deixou que eu continuasse.

- Você é especial. Nunca ninguém me chupou tão bem no primeiro encontro 

Eu não resisti e sorri orgulhosa novamente. Ela parecia gostar daquele sorriso que eu dava. 

- Deita na mesa que agora eu vou te comer

Eles querem que a nossa geração salve o mundo

e a nossa maior vontade é essa, fazer a diferença. Nós tentamos. Eu tento. 

Somos obrigados a estudar 10 horas por dia para passar em um vestibular, depois disso, a obrigação não para. São 8 horas diárias na universidade, noites fazendo trabalhos, finais de semana com dedicação para mais trabalhos, provas, eventos, congressos. Não tem tempo para pensar. 

Eu nunca quis ser escrava do sistema, mas olha onde estou. Sentada na cadeira da universidade. COM MEDO DO MEU PROFESSOR. Medo. Não deveria ser assim. Temos que mudar o mundo e não se sentir amedrontados por reprovar por um décimo. Porque, sabe? Você não fez por merecer esse décimo. 

Como não fiz? Eu dedico a minha vida a isso. Porque no futuro eu terei que salvar o mundo. SALVAR O MUNDO. No futuro? Não. Deveria ser agora, mas eu to ocupada tentando salvar o semestre. 

Não é uma crítica. ou é. Eu só gostaria de não precisar dormir todos os dias com medo do professor carrasco ou da disciplina com índices de 70% de reprovação ou do trabalho que demanda noites sem dormir ou da aprovação do artigo no congresso ou do décimo que preciso recuperar ou, ou, ou. 

é, é essa geração que precisa salvar o mundo. 

STATUS: Julgar é muito fácil

O que eles pensam reflete com certeza o que eles são, não quem tu é.

Julgar é muito fácil, entender o outro é um pouco mais difícil.

Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter, calça os meus sapatos e percorre o caminho que eu percorri.

Com muita frequência nós tentamos que os outros nos apoiem nas nossas decisões, que nos entendam, ou que ao menos nos compreendam.

Quando criticamos alguém sem antes termos sequer tentado nos colocar no seu lugar e sem, ao menos, tentar compreender o ponto de vista do outro, na realidade expomos a nossa forma de ser.

Quando alguém diz ao mundo que tu é uma má pessoa, esta atitude revela que essa pessoa tem um pensamento duro e cheio de estereótipos.

O mais certo é que por trás de uma crítica destrutiva quase sempre se esconde o desconhecimento ou a negação de si mesmo.

Na verdade, muitas pessoas nos criticam porque não compreendem as nossas decisões, não caminham com os nossos sapatos, não conhecem a nossa história e não entendem a verdadeira razão de termos escolhido o caminho que escolhemos.

Muitas pessoas ainda vão te criticar pelo desconhecimento mais profundo sobre o teu jeito de ser e, sobretudo, por serem arrogantes e pensarem que são os donos absolutos da verdade.

Em outros casos, as pessoas criticam-nos porque veem refletidas em nós certas características ou talentos que nós temos mas que elas não querem reconhecer.

As críticas muitas vezes consistem em reprovar nos outros as qualidades que quem critica gostaria de ter ou crê ter.

Algumas pessoas julgam os outros mais pelos olhos do que pela inteligência, pois todos podem ver, mas poucos compreendem o que veem. 

A cada dez lágrimas, uma gargalhada. Apesar dos dias nublados, apesar de reprovar em matemática, apesar de ter perdido o contato com alguém, apesar de não ser correspondido, apesar de se sentir pressionado, apesar de termos que lidar com a partida, apesar das mentiras e frustrações, apesar de tudo que já nos machucou e nos machucará. No fim nenhum de nós quer ir embora, nenhum de nós quer morrer por pior que seja a realidade de vez em quando. Não importa quanta dor o ser humano enfrente.. Viver é divino, enobrece, ensina e ninguém que ter hora marcada pra perder as próximas euforias e fracassos que estão por vir.
—  Luana Dias de Lima.
STATUS: Julgar é muito fácil

O que eles pensam reflete com certeza o que eles são, não quem tu é.

Julgar é muito fácil, entender o outro é um pouco mais difícil.

Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter, calça os meus sapatos e percorre o caminho que eu percorri.

Com muita frequência nós tentamos que os outros nos apoiem nas nossas decisões, que nos entendam, ou que ao menos nos compreendam.

Quando criticamos alguém sem antes termos sequer tentado nos colocar no seu lugar e sem, ao menos, tentar compreender o ponto de vista do outro, na realidade expomos a nossa forma de ser.

Quando alguém diz ao mundo que tu é uma má pessoa, esta atitude revela que essa pessoa tem um pensamento duro e cheio de estereótipos.

O mais certo é que por trás de uma crítica destrutiva quase sempre se esconde o desconhecimento ou a negação de si mesmo.

Na verdade, muitas pessoas nos criticam porque não compreendem as nossas decisões, não caminham com os nossos sapatos, não conhecem a nossa história e não entendem a verdadeira razão de termos escolhido o caminho que escolhemos.

Muitas pessoas ainda vão te criticar pelo desconhecimento mais profundo sobre o teu jeito de ser e, sobretudo, por serem arrogantes e pensarem que são os donos absolutos da verdade.

Em outros casos, as pessoas criticam-nos porque veem refletidas em nós certas características ou talentos que nós temos mas que elas não querem reconhecer.

As críticas muitas vezes consistem em reprovar nos outros as qualidades que quem critica gostaria de ter ou crê ter.

Algumas pessoas julgam os outros mais pelos olhos do que pela inteligência, pois todos podem ver, mas poucos compreendem o que veem.

minha escola ia fazer um simulado não obrigatório e eu não ia fazer, mas a professora chata disse que ia reprovar quem não fizesse, então eu não fiz e reprovei

anonymous asked:

Oi, é grandiosa a forma como você fala e se expressa sobre Deus. Como você consegue? Pode contar o seu testemunho?

Tentarei. Passando pela minha infância, tenho poucas lembranças dela, lembro-me da dificuldade que meus pais tinham para alimentar eu e meus outros três irmãos. Há um mercado na frente de casa e, por um tempo, meus pais pegavam os legumes e verduras que iam jogadas fora, e estes eram a nossa ‘mistura’, eles tinham que cortar a parte podre. Não bastando a adversidade financeira, eu sofri dois abusos sexuais, um por uma empregada e outro por um parente próximo, explica-se aqui o porquê eu esqueci muita coisa da minha infância. Apesar de não ser diagnosticado, tudo indica que vivi até os dezessete anos com depressão. Comecei a conseguir fazer amizades no colégio após a oitava série, antes disso, eu ficava isolado o intervalo todo (todos os intervalos), esperando que o mesmo acabasse logo. Lembro que uma vez uma professora me viu sentado sozinho, e veio falar para eu ir brincar com meus colegas, e eu menti que estava cansado, na verdade, eu não tinha colega algum, e ainda o dinheiro que eu levava pro lanche, roubavam de mim. Sofri também bastante bullying por ser obeso durante os anos letivos, e isso desde pequeno. Me recordo agora, quando uma professora pediu para uma menina fazer dupla comigo, e ela fez cara de nojo no mesmo momento que olhou pra mim. Outra vez também, em que a professora de educação física queria me reprovar por não fazer os exercícios em volta da quadra, mas, além de eu pensar uns 80kg na sexta série, minhas roupas eram de péssima qualidade, compradas em brechó, e uma vez minha bermuda rasgou no intervalo, passei vergonha e isso me deixou com mais medo ainda de tentar fazer qualquer aula prática, além da vergonha intrínseca por ser obeso que permanentemente era zombado. Aos quinze anos, a bebida álcoolica foi a fuga para timidez que eu havia adquirido, o medo de tentar me relacionar com as pessoas e ser censurado. Nessa época, já com alguns colegas, eu bebia a tarde antes de entrar no colégio, dias seguidos, tudo pra conseguir falar o que eu queria, de forma livre e espontânea. Entretanto, como tudo tem impacto negativo quando em excesso, essa bebedeira me rendeu o vexame de ser chamado na diretoria por terem achado uma garrafa de vodka minha no lixo, e a diretora, amorosa que era, achava que eu sofria de amores por alguém, no mesmo dia em que estava uma narguilé na minha mochila, que também tinha começado a fumar. Uma vez eu me convidaram para um retiro, e passando três dias lá, no último dia, havia uma fogueira, e nessa era para jogar escrito num papel o nome das pessoas que você precisava liberar perdão, aí então escrevi das duas que me fizeram mal quando criança. Chorei muito aquele dia, e me libertei dessa dor. Bom, esqueci de contar, com uns quatorze anos escrevi minha primeira poesia, li e a sala de aula gostou, os meninos, claro, zombaram, porque falava de amor. Depois tentei agradar uma menina que eu gostava, fazendo duas poesias e ela nem sequer deu atenção as palavras que nela continham. Iniciei um blog, chamado “me inspirei em você” e nele tenho até hoje cerca de setecentas e sessenta poesias, mas, não gosto muito delas, a maioria é sobre um amor sofredor. O dom de escrever foi me dado no meio das dores que vivi, quando pela madrugada, minha fuga era escrever poesias. Fui realmente me converter, quando após pegar Herpes- Simples I e ficar sem comer alguns dias, emagreci seis quilos, ficando de cama, orei a Deus, médico nenhum sabia que era essa doença, então encontrei na internet qual era, levei pro médico e ele me receitou o remédio, fui curado em dois dias. E nesse mesmo tempo, me convidaram para ir em um aniversário de um colega, nesta festa, me ofereceram cerveja cinco vezes, inicialmente eu neguei a oferta, mas, depois comecei a beber, e foi indo, até eu tomar caipirinha e outras bebidas e acabar largado no quintal de casa, quase inconsciente em plena chuva, encontrado pela minha vó. Minha mãe me deu banho, chamou meu pai e me levaram ao pronto socorro, onde fiquei em coma alcoolico, quando acordei e me vi com outras eoupas e lembrei que minha mãe tinha me dado banho, senti tanta vergonha, pois que já tinha entre dezessete e dezoito anos, que fiquei com nojo de bebida. Foi então que meus pais me forçaram a acompanhar eles nas idas pra igreja, e isso favoreceu muito minha conversão, não me forçaram a aceitar Jesus, mas sim, a estar no local onde era pregado sobre Jesus. E conforme as palavras se encaixavam em todos os meus vazios, eu fui me rendendo. Contudo, não o suficiente, nesse tempo, eu havia começado a fazer academia, usar anabolizantes, cheguei a aplicar mais de sessenta ceringas no meu corpo sozinho, até meu ombro esquerdo inflamar um dia, e encher de pus, e eu andar dez dias com ele levantado, pois havia rompido a fibra do musculo, algo assim, que o médico disse, então foi a última vez que usei anabolizantes, eu tinha cento e quatro quilos, cheguei a sessenta e oito em alguns meses, quando fazia o uso, estava completamente viciado. Concluindo, Deus me deu corda para ir fazendo o que eu queria, mas a cada puxão que Ele dava, eu percebia o quão vergonhoso eram minhas atitudes. E isso me levou a me entregar mais a Deus, peguei toda a dor da humilhação que sofri e Deus transformou em motivação pra ser útil pra Ele. Comecei a pregar na mesma semana que me batizei, e um ano e oito meses depois, eu estava sendo consagrado missionário, prego até hoje, e pastoreio com meu pai. Abri mão de um relacionamento de dois anos no início da conversão, e de outro, que a menina pediu pra eu decidir; entre a igreja, meus pais, ou ir com ela pra outra cidade. Escolhi meus pais e a igreja. Renunciei também minha faculdade no segundo ano de letras português. E Deus tem me ensinado a escrever pra Ele, e também sobre amor de uma forma diferente, hoje eu gosto dos meus textos. É isso. E o versículo que hoje norteia a minha vida é; Melhor coisa é dar do que receber. E também: A tristeza no rosto torna melhor o coração.

2 Temporada - Cap 2

O silêncio que se instaurou na sala foi um tanto incomodativo, nenhuma de nós falava uma palavra sequer, eram apenas trocas de olhares. Clara parecia que estava na frente de um fantasma e como se não fosse possível, ficou mais branca.

- Que surpresa! - Lucy ofereceu um meio sorriso e ajeitou algumas pastas em cima de sua mesa. - Não sabia que estava dando aulas na Columbia.

- É.. eu comecei esse período. - Clara parecia altamente incomodada e eu já estava bastante irritada com aquela situação. Soltei um pigarro e as duas me olharam. - Lucy, deixa eu te apresentar a Vanessa, minha namorada.

- Nossa. - ela fez uma cara surpresa, mas sem tirar o sorriso do rosto. - Você namorando, isso é algo inédito. Mas pelo menos escolheu uma menina bonita, apesar dela ser muito nova.

- Idade não significa muita coisa, você mais do que ninguém, sabe disso. - Clara soltou em tom de deboche e Lucy passou a mão pelos cabelos, rindo em seguida.

- Acontece.. mas conta, parou de dar aulas naquele colégio de Miami?

- Ainda bem, não aguentava mais dar aulas para aqueles pirralhos insuportáveis. - dei um forte tapa em seu braço e ela passou a mão pelo local. – Desculpa, amor, não foi isso que eu quis dizer.

- Foda-se, mas disse. Clara, tenho que ir antes que eu me atrase. Tchau. - virei de costas para as duas e ela me segurou pelo braço.

- Ei, o que está acontecendo?! Por que está assim?!

- Por que se importa?! Eu sou uma pirralha insuportável, lembra?

- Sabe que eu não estava falando de você..

- Ah, não?! De quem era então?! Porque até onde eu sei, você me deu aula no ano passado, ou seja, estou incluída.

- Não acredito que você está levando isso tão a sério. - deu uma risada debochada e eu me desvencilhei de sua mão.

- Aprenda a medir suas palavras, Clara. Pra você pode ser uma grande piada, mas pra mim, não é. Com licença, eu vou para a minha outra aula. Nos vemos por ai.

Ela ainda me olhava com uma cara surpresa, fiz apenas um sinal com a cabeça para Lucy e deixei a sala. Enquanto andava pelos corredores, tentei relaxar e esquecer. Se Clara me achava uma pirralha insuportável, por que estava comigo?! A maneira que ela falou com Lucy me pareceu tão íntima, como se conhecessem a anos. Será que era ela? Eu tinha que parar de pensar nisso ou perderia o foco das aulas no resto do dia.

Olhei para a tabela de horários e vi que teria aula de química, como eu odiava aquilo. A sala ficava no sexto andar e era muito bonita. Suas paredes eram pintadas de branco e as enormes janelas davam uma bela vista para a Broadway, as bancadas estavam abarrotadas de materiais, tubos de ensaio e soluções. Cada aluno que entrava, era obrigado a colocar um jaleco branco, muito parecido com o dos professores. Lembrei do dia em que Pepa apareceu no laboratório de Clara para falar sobre Lucy, um pouco depois de eu pedir para que ela colocasse o jaleco de novo. Tenho que admitir, tem algo de sexual nisso, um fetiche incontrolável.

- Posso me sentar aqui? - desviei meus pensamentos para uma menina que sorria pra mim. Ela era muito bonita, mas o que me chamou mais atenção, foi seu cabelo azul.

- Claro.- tirei a bolsa de cima do outro banco e ela sentou. - Vanessa Mesquita. - estendi a mão e ela apertou, ainda sorrindo e me encarando com um olhar intrigado.

- Julia Mendel, mas meus amigos me chamam de Juli.

- Bom, muito prazer. Seu curso é medicina mesmo?

- Sim, quero me especializar em pediatria. Crianças são minha paixão. - emendamos um papo animado enquanto a professora ou professor não chegava, a cada frase eu me encantava pelo jeito despojado de Juli e sua maneira de falar sobre crianças. Cerca de vinte minutos depois, o professor chegou, bufando e um pouco suado.

- Mil perdões, me atrasei até demais. Estou velho e essas escadas não ajudam.

- Por que não veio de elevador? - Juli perguntou e ele olhou em sua direção como se aquela pergunta tivesse sido estúpida. Colocou sua pasta em cima da mesa e vestiu o jaleco.

- Se eu esperasse o elevador, não chegaria aqui a tempo, mas obrigado pela observação sem sentido.

- Bom, não acho que seja sem sentido. É óbvio que pegar o elevador, independente do tempo que demorasse, lhe faria melhor. - eu tentava segurar o riso e Juli prosseguiu, ajeitando sua postura na cadeira. - Afinal, como o senhor mesmo disse, está velho. Se continuar subindo de escada apenas para aparecer, vai infartar. - deu um sorrisinho cínico pra ele, que revirou os olhos e sentou na ponta da mesa.

- Agradeço sua ajuda. - cruzou os braços na altura do peito e respirou fundo. - Meu nome é Simon Cowell, seu professor de química.

- Dããr.. - Julii zombou e toda a turma desviou a atenção para ela.

- Falei algo estúpido?

- Estúpido não, só óbvio. Claro que é nosso professor de química, não teria quase um ataque do coração subindo as escadas se não fosse. Certo? - ele deu uma risada irônica e fitou os pés por alguns segundos, voltando seu olhar pra ela.

- Nem começamos as aulas e já tenho uma aluna que não vai com a minha cara, tempo recorde.

- Gosto de quebrar recordes, posso fazer isso o período todo.

- Juli, chega. - eu estava quase fazendo xixi nas calças e ela me olhou curiosa. - Eu vou explodir já já. Deixa ele dar a aula de uma vez.

- Desculpa, tio Simon, pode continuar.

- Tio?! Estamos na escola? - ele perguntou e algumas pessoas na sala riram com ele, mas Juli não se abalou nem um pouco.

- Sim, tio. Quando o cara é muito mais velho que a gente, chamamos de tio. E convenhamos, essa é a sua situação. - dessa vez não aguentei e gargalhei, seguida por toda a turma. O sorrisinho no rosto do sr. Cowell se desfez e ele descruzou os braços, caminhando energeticamente na direção da nossa bancada.

- Sai da minha sala agora e só volte quando aprender a respeitar os mais velhos.

- Tá vendo?! Você mesmo se chama de velho e eu que pago o pato. - Juli fingiu uma irritação e pegou sua mochila, jogando-a para um lado do ombro. – Tchau, tio. Vanessa.. - olhei pra ela, evitando rir na frente dele. - A gente se vê por ai. - ela deu uma piscadinha pra mim e passou pelo sr. Cowell, jogando um beijinho no ar pra ele, saindo da sala logo em seguida.

- Saiba que ela será sua parceira de laboratório o resto do período e que não serei nada bonzinho na correção de qualquer prova ou relatório de ambas. - ele me encarava sério e eu apenas dei de ombros.

- Já passei por esse tipo de perseguição na escola, sobrevivi e passei de ano. Se quiser me provocar, terá que fazer melhor que isso.

- Eu posso tentar.

- Boa sorte então. - dei um risinho divertido e voltei a escrever qualquer coisa no caderno, tudo para não encará-lo.

Simon Cowell era um professor animado, mas muito sarcástico. Usava uma calça jeans clara, sapatos brancos e uma camisa social branca com quatro botões abertos, mostrando um pouco de seu peitoral peludo. Nojento. O jaleco jogado por cima não cobria e eu fazia o máximo de esforço para não olhar aquele amontoado de pelos. Seu cabelo era preto, mas parecia desbotado, resultado da velhice. Seus dentes eram absurdamente brancos e eu podia jurar que ele jogava pro outro time, mas depois de vê-lo dar em cima de uma menina na cara de pau, descartei a ideia.

A aula de química passou arrastada e eu estava sem parceira para fazer os experimentos e relatórios, o que me deixou bastante irritada. Conversaria com Julia pra que ela segurasse sua língua afiada, não queria reprovar por causa das suas gracinhas. Olhei para o relógio e faltavam cinco minutos para o final da aula, precisava correr para o banheiro, estava muito apertada e as lembranças das ironias de Juli com o sr. Cowell não ajudavam.

- Tudo bem, turma, estão liberados. Até semana que vem. Quero os relatórios na minha mesa, por favor. - levantei rapidamente e corri pra entregar o papel. Ele me encarou e franziu o cenho. - Vou corrigir agora, dê graças a Deus por sua amiguinha não estar aqui.

- Se tem um problema com ela, não desconte em mim. - ele ia corrigindo o relatório e só me ouvia. Assim que terminou e entregou a folha com todas as questões certas, voltou a me encarar.

- Você estava rindo.

- Todo mundo riu. Se for pra começar a perseguir, faça isso com a turma toda, não só comigo. - peguei a folha e guardei na bolsa. - Bom dia, sr. Cowell.

Deixei a sala e peguei o celular, tinham quatro chamadas perdidas e cinco mensagens. O prédio tinha uma espécie de cafeteria em cada andar, com uma varandinha para os alunos e professores descansarem. Faltavam quinze minutos para a próxima aula, então aproveitei para comer algo e tomar um café.

Sentei em uma das mesas da área externa e dei um gole no cappuccino, peguei o celular e destravei a tela para ver as mensagens.

“Você é muito exagerada, estou decepcionada com a sua atitude.”

“Eu não falei de você naquela conversa e a senhorita sabe bem disso.”

“Vai para o apartamento hoje pra conversarmos?”

“Sabe que eu odeio ser ignorada e continua a não me responder.”

“Que droga, Vanessa, eu tenho que falar com você!”

Clara conseguia ser extremamente chata quando queria, eu não considerei minha atitude exagerada. Tudo bem, só um pouco.. mas eu não daria o braço a torcer. Clara não ia me fazer correr até ela para pedir desculpas. Levantei da mesa e me dirigi ao banheiro, nunca fiquei tão satisfeita em conseguir urinar. Antes de deixar a cabine, ouvi passos e uma risada familiar. Lucy.

- Não, amor, o primeiro dia foi tranquilo. Os alunos são ótimos, você ia adorar. - ela estava ao telefone, mas por que eu ainda não deixei esse maldito cubículo?! Simples, meu corpo estava implorando por informações. - Você não sabe quem veio trabalhar aqui também.. não, amor, a Clara!.. Sim, Aguilar.. ela está aqui e a namorada também.. Vanessa o nome, é muito nova, mas bonita.. Eu acho que ela não foi muito com a minha cara. - meu coração estava acelerado, eu não queria aceitar o que minha mente estava gritando. - Me aproximar dela?! Por que?!.. É, talvez tenha razão.. Ela não parece ser má pessoa.. Amor, tenho que desligar, chego em casa logo. - ela ia tentar se aproximar de mim, mas sem motivo nenhum. Algo me dizia que eu ia me arrepender por estar ali, ouvindo a conversa dela. - Tudo bem, amor, eu levo sim.. E, Pepa.. eu te amo. - pronto, era só o que eu precisei ouvir. Meu estômago revirou e minha respiração parou. Meu coração, que antes estava levemente agitado, agora parecia lutar para sair do meu peito. Mal percebi quando minha visão escureceu e eu cai, dando uma forte batida na porta, desmaiando.

Quando abri os olhos, vi paredes brancas e luzes muito claras. O cheiro de hospital preencheu minhas narinas e eu reconheci onde estava. Não tinha ninguém ali, o que agradeci por alguns instantes.

Lucy era a esposa de Pepa.

Eu tive o azar de passar por isso, eu tive o maldito azar de cair em uma faculdade que ela era a minha professora.

Lucy era a esposa de Pepa.

Meu subconsciente voltou a repetir e não contive algumas lágrimas que corriam. Não era justo que eu passasse por isso de novo, que o destino permitiria que aquela mulher voltasse à minha vida depois de tudo que me fez.

Lucy era a esposa de Pepa.

Aquela frase correria meus pensamentos por quanto tempo?! Por que ainda não tem ninguém aqui comigo?! Estava com uma agulha ligada à veia e eu recebia soro, provavelmente para me manter estável. Queria muito gritar, queria respostas, queria Clara.

Lucy era a esposa de Pepa.

Apertei minhas têmporas e comecei a balançar meu corpo para frente e para trás, ia enlouquecer se ficasse mais um segundo sozinha. Mas como em um ato de misericórdia, Clara abriu a porta e me ofereceu um sorriso sem graça e preocupado. Caminhou até a cama e sentou-se na ponta, me abraçando. Encaixei o rosto na curva de seu pescoço e me permiti chorar, ela não disse nada, apenas afagava meus cabelos. Me afastei levemente dela e encarei seus olhos.

- Lucy é a esposa da Pepa. - Clara respirou fundo e fez um leve carinho em meu rosto. Segurei sua mão e limpei um pouco das minhas lágrimas. - Fala pra mim.. fala que você não sabia.

- Eu soube assim que ela chamou meu nome naquela sala, por isso fiquei tão surpresa.

- Mas que merda, Clara. - tampei o rosto com as mãos e ela se aproximou.

- Eu ia te contar, mas você ficou cega com aquela bobagem que eu falei, que nem me deu tempo de explicar. - levantou meu rosto com o dedo indicador e limpou uma lágrima teimosa com o dedão. - Sabe o que dói? De verdade mesmo?! - fiz um movimento de negação com a cabeça e ela suspirou. - É ver que depois de tanto tempo, você ficou nesse estado só de saber que a Lucy é a mulher da Ferreira. Isso faz eu me perguntar se ainda sente algo por ela.

- Está louca?! De onde tirou essa ideia?!

- Eu não sei, Vanessa, por qual outro motivo você ficaria tão abalada?!

- Assim como eu não te deixei explicar mais cedo e tirei minhas próprias conclusões, você está fazendo igual. - ela abaixou a cabeça e começou a enrolar o dedo no lençol. Parecia uma criança encabulada.

- É que eu.. eu tenho medo de perder você pra ela.

- Clara.. - segurei seu rosto para que ela me olhasse e seus olhos estavam marejados. - Eu não trocaria você por ninguém, quantas vezes vou ter que falar isso?! Eu só estou nesse estado porque ouvi a conversa da Lucy com a Pepa no banheiro. Pelo visto, a Ferreira quer que a Lucy se aproxime de mim, talvez esteja com medo de eu dar com a língua nos dentes e contar tudo que aconteceu.

- Você não vai se aproximar da Lucy. Te proíbo! - fez um bico apertado e franziu o cenho, mostrando uma carinha irritada.

- Já te falei o quão sexy você fica quando tenta mandar em mim com essa cara?! Eu perco as estruturas. - mordi o lábio inferior e ela riu baixo, passando a mão pelos cabelos.

- Você não leva nada a sério.

- Nem um pouco, com você me olhando assim, vestida com esse jaleco então.. - respirei fundo e comecei a dar leves beijos em seu pescoço. - Clara.. eu quero transar com você aqui e agora.

- Ficou louca, Van?! Qualquer pessoa pode entrar. - sua voz já estava fraca e eu sabia o que isso significava. Ela começou a distribuir beijos em meus seios, pescoço e eu joguei a cabeça para trás, lhe dando mais passagem.

- Clarinha, já fizemos isso em lugares piores e mais movimentados.

- Que se dane. - ela jogou meu corpo para trás e posicionou-se em cima de mim, iniciando um beijo longo e cheio de tesão. Minhas unhas passeavam por suas costas e ela soltava leves gemidos. Quando Clara ameaçou fazer qualquer coisa, ouvimos um pigarro vindo da porta e ela, por puro reflexo, jogou-se no chão, afim de se esconder.

- Eu ainda posso te ver, Clara. - a risada de Lucy preencheu o quarto e ela fechou a porta atrás de si. Clara levantou do chão completamente desconcertada e eu ainda recuperava o fôlego. - Tiveram sorte de que fui eu quem abriu essa porta, se fosse um dos médicos, as duas estavam perdidas.

- Porra, Lucy, que susto. - Clara sentou na ponta da cama enquanto ajeitava o cabelo. - O que veio fazer aqui?

- Vim ver como a sua namorada está, afinal, eu que tirei ela do banheiro e a trouxe pra cá.

- Você que me trouxe? - ela assentiu e eu me ajeitei um pouco na cama. - Obrigada.

- Tudo bem. - sorriu fraco e colocou as mãos na cintura. - Olha, não sei porque, mas eu acho que você não gosta de mim.. se for por ciúmes da Clara, não se preocupe em relação a isso, eu sou casada e..

- Eu sei. - ela me olhou intrigada e Clara virou o rosto na minha direção. - É casada com Fernanda Ferreira.

- Como você sabe?

- Eu namoro uma das melhores amigas dela, ué. Sem contar que a srta. Ferreira foi minha professora na escola e sempre falava para nós que estava noiva e muito feliz. - um enorme sorriso surgiu no rosto de Lucy e eu me senti horrível por enganá-la daquela maneira,  mas parece que até Clara ficou aliviada com minha pequena mentira.

- Nossa, eu não esperava isso dela. Achei que Pepa fosse me trair logo de cara, afinal, foram três anos de noivado.

- Relaxa, Lu, a Pepa se comportou muito bem. - Clara levantou e deu um abraço na morena. - Fiquei de olho nela.

- Obrigada, Clara, sabia que podia contar com você. - saiu dos braços dela e voltou a me olhar. - Vejo que você está bem, então, já vou indo. Tenho aula pra dar. Comportem-se. - ela piscou para nós e deixou o quarto. Joguei o pescoço para trás e senti vontade de gritar.

- Ela me pareceu ser tão legal, não queria mentir desse jeito.

- Van, fica despreocupada. Pelo menos ela não desconfiou de nada, Lucy é uma mulher incrível. - Clara fazia carinho na minha mão e brincava com meus dedos. - Não acho que Ferreira a mereça, mas Lucy é apaixonada por ela desde a época da escola. Pepa nunca foi de se prender a alguém, por isso me impressionei quando ela foi “fiel” a você. - fez aspas com as mãos e revirou os olhos.

- Esquece isso, não quero mais ouvir o nome dela. Chega. - puxei Clara para um abraço e ficamos dessa maneira até uma enfermeira entrar no quarto para me liberar.

- Vai pro seu apartamento ou pro nosso? - ela me ajudava a descer da cama e eu sorri. - Por que está rindo?

- Eu acho linda a maneira que você chama seu apartamento de nosso.

- Comprei pensando na gente, então é nosso. Nem adianta discutir sobre isso, mocinha. - depositou um beijo na minha testa e saímos do quarto. O hospital era ao lado da faculdade, o que facilitava tudo. - Então, vai pra casa?

-  Hoje eu prefiro ir pro meu apartamento, arrumar umas coisas por lá e fazer alguns trabalhos da faculdade. Eu te ligo mais tarde pra te dar boa noite.

- Poxa vida, vou dormir sozinha hoje. - fez um biquinho lindo e eu rapidamente depositei um selinho, fazendo-a sorrir. - Tudo bem, eu perdoo dessa vez. Nos vemos amanhã pequena.

Clara me deixou na porta do prédio e me deu um beijo totalmente apaixonado, tenho que admitir que aquilo tinha me deixado com vontade de ir pro nosso apartamento e terminar o que começamos no quarto de hospital, mas eu realmente precisava de um tempinho. Terminei o beijo dando vários selinhos e a abracei, como se fosse a última vez que iria vê-la. Desde que descobri sobre Lucy e Pepa, qualquer momento com Clara era precioso.

- Eu te amo. - encostou sua testa na minha e eu encarei aquele par de olhos verdes. Não me cansava de olhá-los.

- Eu também amo você. Vai pra casa direitinho.

- Pode deixar.. e você, por favor.. não deixa que o que descobriu hoje, mexa com sua cabeça a ponto de te por louca como no ano passado. Não tem mais com o que se preocupar.

- Eu sei, prometo ocupar minha cabeça com coisas mais importantes.

- Tipo?!

- Tipo faculdade, minha família, meu carro..

- Entendi. - fitou o chão e eu gargalhei enquanto a puxava para perto.

- Pensarei em você toda hora, exatamente como eu faço todos os dias desde aquele beijo forçado no elevador.

- Eu tinha esquecido disso. - ela gargalhou e me deu um selinho de leve. - Vai lá, amor, nos vemos amanhã.

Dei mais um abraço nela e entrei no prédio. Cumprimentei o porteiro e a cara que ele fazia beirava o maníaco sexual. Com certeza tinha visto eu e Clara pela câmera de segurança, pelo menos à noite ele teria algo pra animar sua imaginação, se é que me entendem.

O elevador era lento e o 14º andar nunca me pareceu tão distante. Quando parou no 8º, senti vontade de xingar quem quer que fosse a pessoa que chamou, mas para a minha surpresa, ao abrir as portas, uma Juli sorridente entrou.

- Nos encontramos de novo. - ela verificou o painel de números, mas não apertou em nenhum.

- Verdade. Ei, você vai pro térreo?

- Não, eu moro no 14º.

- Eu também, acho que somos colegas de andar.

- Coincidência, né?! Colegas de bancada na aula de química e vizinhas. - sorriu de canto e eu corei na mesma hora. - Você e sua colega de quarto deveriam vir ao meu apartamento hoje, faremos uma sessão de filmes, nada pesado.

- Tudo bem, eu vou falar com a Luana. Se ela topar, eu vou. - o elevador finalmente chegou ao nosso andar e saímos ao mesmo tempo, indo cada uma para um lado. Antes que eu pudesse entrar no meu apartamento, ouvi a voz de Juli novamente.

- Pensando bem.. se a Luana não quiser vir, venha sozinha. Não vou me importar. 20:00hrs aqui, não esquece. - entrou em seu apartamento e ouvi o barulho da chave virando e trancando a porta. Fiquei mais alguns segundos parada no corredor, até ter consciência do que estava fazendo e entrei. O relógio marcava 12:40hr, Luana chegaria em uma hora. Baseado no que ela comeu ontem, acho que posso pedir comida mexicana. Fiz a ligação e pedi tudo que podia, estava morrendo de fome e tinha certeza que a baixinha também estaria.

Fui até meu quarto e olhei em volta. Ainda tinham muitas caixas empilhadas que precisavam ser arrumadas, mas minha preguiça exigiu um banho antes de qualquer coisa. Escolhi uma roupa bem simples, short jeans desfiado, uma blusa do Arctic Monkeys preta e chinelos. Entrei no banho e quinze minutos depois, ouvi a campainha. Gritei para que a pessoa esperasse e tratei logo de colocar a roupa, enrolando meu cabelo na toalha.

- Desculpa a demora, eu estava no banho e.. o que está fazendo aqui?

- Você esqueceu seu livro de anatomia no quarto do hospital. - Lucy me estendeu aquele pesado livro e eu sorri, ela era realmente boa pessoa. - Sobre saber seu endereço, pedi na secretaria, disse que era urgente.

- Tudo bem, isso foi realmente urgente. Não teria como fazer seu trabalho sem isso. - ela deu uma risada calorosa e ajeitou a bolsa no ombro.

- Bom, Vanessa, já vou. Até amanhã.

- Até amanhã, professora.

- Me chame de Lucy, esse termo professora fora da faculdade é um porre, me sinto mais velha do que realmente sou.

- Tudo bem então, Lucy. Até amanhã. - me escorei na porta e ela sorriu satisfeita.

- Agora sim. Beijinho. - deu as costas e caminhou até o elevador, que para a sua sorte, estava no andar.

Fechei a porta atrás de mim e coloquei o livro em cima da mesa da sala, fui até o banheiro e me livrei da toalha, penteando meus cabelos logo em seguida. Me olhei no espelho e por um momento, senti raiva de mim mesma por ter mentido para Lucy em relação a Pepa. O que eu mais queria era acabar com a imagem de boa moça daquela desgraçada, mas não poderia fazer isso sem me queimar junto, por isso, era melhor ficar quieta.

A campainha tocou novamente e dessa vez fiz apenas um rabo de cavalo, peguei a carteira dentro da bolsa e fui atender. Finalmente era a comida e meu estômago tratou de se apresentar assim que o cheiro se espalhou pelo apartamento. Luana chegou cinco minutos depois e quase gritou por ver comida mexicana pronta em cima da mesa. Comemos entre conversas sobre o primeiro dia de aula e coisas aleatórias.

- Conheci nossa vizinha da frente. - comentei enquanto comia um pedaço do taco. - Ela nos chamou para uma sessão de filmes na casa dela hoje às 20:00hrs, o que acha?

- Por mim, tudo bem. Mas aonde conheceu ela?

- Ela é minha parceira na aula de química. Arrumou uma confusãozinha com o professor Cowell antes da aula começar e ele a colocou pra fora.

- Bem comportada, não?

- Tenho certeza que estava em um péssimo dia. O problema é que agora o Cowell vai pegar no nosso pé, e passar por isso de novo, é um saco.

- De novo?! Já teve aula com ele?

- Não, não. Passei por essa situação de perseguição com minha professora de laboratório no ano passado, mas aguentei numa boa.

- Você tem sorte, em. - ela ria e eu só conseguia pensar é, tenho mesmo.

Terminamos a comida e decidimos combinar as tarefas que cada uma faria no apartamento, foi até muito fácil, dividiríamos e trocaríamos toda semana pra que não ficasse injusto. Luana era uma pessoa ótima para conversar e conseguia ser bem engraçada quando tentava. Acho que com o tempo, teria coragem pra contar a ela sobre Clara, mas por enquanto, é melhor deixá-la pensar que ela era só uma amiga de Miami.

- Luana Melo, vamos logo! - eu gritava pela quarta vez em frente à porta de seu banheiro. - Já são 20:30hrs.

- Calma, estou terminando!

- Se você não tivesse ido correr em volta do quarteirão e depois tirado um cochilo, já estaríamos lá!

- Meu Deus, quanta impaciência. - ela abriu a porta e já estava vestida, isso explica a demora.

Deixamos nosso apartamento e atravessamos o corredor. Toquei a campainha e alguns segundos depois, uma menina morena e muito bonita abriu a porta. Seu rosto era redondo e suas bochechas grandinhas, tinha lábios carnudos, olhos castanhos e um corpo..

- Oi, vocês devem ser Vanessa e Luana, né? - assentimos e ela abriu um largo sorriso, menina extremamente fofa. - Eu sou a Mariana, prazer.

- O prazer é todo nosso. A Juli nos convidou, não sei se você sabia.

- Ela falou comigo sim. Pedimos pizza, mas como vocês demoraram, pensamos que tinham desistido.

- A culpa é dessa baixinha. - balancei a cabeça de Luana e ela me fuzilou com os olhos.

- Van, eu sou quase do seu tamanho. - cruzou os braços e fez uma cara de indignada.

- Continua sendo mais baixa.

- Vão ficar ai na porta ou vão entrar?! - Juli surgiu logo atrás de Mariana. Estava usando um óculos de grau, camisa regata e short jeans. Mariana estava parecida, a diferença é que já estava com short e blusa de pijama.

Entramos no apartamento e Juli nos guiou até a sala, mas não antes de mostrar cômodo por cômodo. Era exatamente como o nosso, só que a pintura era diferente. Decidimos pedir mais uma pizza e sentamos no sofá da sala para assistirmos o filme, mas antes de começar, senti meu celular vibrando. Olhei o visor e a foto de Clara estava aparecendo, dei um tapa na testa por ter esquecido de ligar pra ela.

- Licença, meninas, tenho que atender, podem começar a ver sem mim. - elas assentiram e voltaram a prestar atenção na televisão, enquanto eu fui para a varanda. Atendi receosa do que escutaria, mas meu coração amoleceu ao ouvir aquela voz rouca sonolenta.

- Você prometeu que ia me ligar de noite, fiquei a tarde toda esperando e nada.

- Desculpa, amor, eu acabei cochilando.

- Sei.. o que está fazendo?

- Estou na casa da minha vizinha com a Luana, vamos assistir um filme.

- Vizinha?! Que vizinha?

- Vizinha de porta, Mariana e Julia. Nos conhecemos hoje, quer dizer, a Juli eu conheci na faculdade. Ela faz aula de química comigo, minha parceira de laboratório.

Hmm.. entendi. - eu conhecia aquele tom de voz, ela estava com ciúmes.

- Clara, não está com ciúmes, né?

E se eu estiver?! - eu suspirei, nada do que eu conversei com ela parecia ter entrado em sua cabeça.

- Eu acho desnecessário e você sabe bem o porque. Já conversamos.

- E daí?! Eu estou sozinha e você em um apartamento com outras três garotas, é crime sentir ciúme de uma situação dessas?!

- Você está com ciúmes de mim ou do fato de eu não estar sozinha?!

- Tem diferença?!

- Claro que tem!

- Então me explica.

- Você pode estar com ciúmes de mim, achando que eu vou te trair ou.. ciúmes de mim porque está sem companhia e eu estou com as meninas. Entendeu?!

- Tanto faz, eu vou dormir. Boa noite e divirta-se.

- Mas, Clara, são 20:30hrs ainda e.. - escutei o barulho de ligação encerrada e meu sangue ferveu. Ela tinha desligado na minha cara e sabia o quanto eu odiava aquilo. Voltei para a parte de dentro do apartamento com cara de poucos amigos e Luana foi a primeira a comentar.

- Nossa, Van, o que houve?!

- Sou só eu ou vocês também odeiam quando desligam o telefone na sua cara?!

- Eu detesto! Acho uma falta de respeito. - Mariana se pronunciou e as meninas concordaram com ela.

- O pior é que a pessoa está errada e não te deixa falar, já vai tirando conclusões precipitadas. Nossa, fiquei completamente sem clima. Desculpa, meninas, vou pra casa dormir. Outro dia fazemos a sessão de filmes e não trago o celular. Luana, vai ficar?

- Vou sim, estava louca pra ver esse filme. Vai lá, Van, depois conversamos. - me despedi de todas e marchei para o meu apartamento. Eu estava possessa com o quanto Clara pode parecer uma adolescente quando quer. Batuquei na tela do celular algumas vezes e decidi mandar uma mensagem para ela, queria chamar sua atenção.

“Tem vezes que eu penso que esse nosso relacionamento só te atrapalha. Eu tenho 18 anos e você 30, já podia estar casada e com uma família. O que mais me incomoda, é que ultimamente você tem desconfiado de tudo que eu faço, entenda que eu não vou trair você, Clara. Não posso e nem vou jogar meu namoro no lixo a troco de nada, queria que você acreditasse nisso. Já estou em casa, quando esfriar a cabeça, me liga. Eu te amo muito, Aguilar. Boa noite.”

Pronto, enviada. Eu sei que Clara tem muitas incertezas e desconfianças, mas já estava na hora de mudar isso. Preparei um chá fraco de camomila e sentei na varanda do apartamento, observando o movimento da Broadway. Em plena segunda-feira os bares e restaurantes bombavam a todo vapor, me perguntei se Clara iria em um desses locais se fosse solteira e, infelizmente, pensei em uma possibilidade nada amigável.

E se Clara tivesse saído afim de se divertir, já que eu também estava me divertindo?!

Tentei ligar algumas vezes e ela não atendeu, o que me fez ter um ataque de ansiedade. Caminhava de um lado para o outro na sala, até que meu olhar parou nas chaves do meu carro que estavam em cima da bancada. É isso, eu iria à casa dela e comprovar ou não minha teoria.

Enquanto o elevador descia andar por andar, eu só ficava mais nervosa. E se Clara saiu?! E se ela estivesse em um bar pegando uma vagabunda?! E se ela bebeu todas e foi para algum lugar desconhecido por mim?! A cada andar eram novas e agonizantes teorias. Quando finalmente chegou ao térreo, passei correndo pelo porteiro e mandei ele avisar à Luana, caso ela interfonasse perguntando por mim, que eu tinha ido ver uma pessoa e que talvez dormiria fora de casa. Alcancei meu carro e com muita dificuldade, abri a porta, me ajeitei no banco e respirei fundo. Para me acalmar, liguei o rádio e ‘Lies - Mariana And The Diamonds’ estava começando a tocar. Ri com a ironia e comecei a dirigir por Manhattan até o apartamento de Clara.

A noite estava bem quente e o trânsito como sempre um caos. Tentei ligar pra ela mais quatro vezes e não me atendeu em nenhuma. Meu nervosismo só aumentava, estava difícil me concentrar no trânsito e eu só queria chegar logo àquele maldito prédio. Depois de quarenta torturantes minutos, estacionei o carro em frente ao luxuoso edifício e corri até a portaria, exigindo minha chave. O porteiro pareceu assustado ao me ver e gaguejou quando perguntei por Clara, o que fez eu me irritar mais.

Entrei no elevador e apertei o botão para a cobertura. Se ela estivesse em casa com uma mulher, eu jogaria ambas do terraço. Se não estivesse em casa, esperaria ela voltar e a jogaria do terraço. Sim, o fim seria o mesmo. Assim que as grossas portas de aço se abriram, caminhei silenciosamente até a porta e encaixei a chave na fechadura, girando com calma para não fazer muito barulho.

O apartamento estava com todas as luzes apagadas. Me preparei para esperar por ela e jogar o primeiro vaso que encontrasse assim que Clara abrisse a porta. Decidi continuar a explorar cômodo por cômodo, estava tudo apagado. Liguei mais uma vez. Dessa vez, escutei o toque de seu celular e segui o som até seu quarto. O aparelho estava lá, mas ela não. Mais um motivo para jogar um tijolo na cara dela quando aparecesse.

Estava quase desistindo quando me lembrei do terraço. Fiquei tão ocupada em planejar como a jogaria de lá, que não pensei em ir até o segundo andar. Subi lentamente as escadas e me impressionei com o que vi.

Clara estava deitada na espreguiçadeira, o cabelo preso em um rabo de cavalo, com uma garrafa de vodka ao lado e seu olhar estava perdido na paisagem noturna de Manhattan. Me aproximei lentamente e tampei seus olhos por trás, minha mão ficou molhada e eu comprovei que ela estava chorando. Cheguei perto do seu ouvido e sussurrei, fazendo com que os pelos de sua nuca se arrepiassem.

- Se você não me responde, eu venho até você. Corri pelas ruas de Manhattan e tomei umas dez multas, só pra chegar aqui e te provar que é você que eu quero e que não preciso de mais ninguém.

Ela virou para mim e me encarou, não consegui segurar o choro ao vê-la naquele estado. Clara não dizia nada, os olhos estavam inchados e molhados, seu nariz vermelho e bochechas rosadas. Segurei seu rosto e selei nossos lábios. Era um beijo que pedia perdão, que implorava por confiança, que mostrava que eu era dela. Nossas línguas brigavam por domínio e eu me deixei levar, Clara me puxou e caí sentada em seu colo. Ela separou-se de mim, colou nossas testas e senti seu olhar perfurar minha alma.

- Você ainda vai me amar mesmo que eu fique velha e acabada?

- Vou te amar até o seu último suspiro, idiota.

Não foram necessárias mais palavras depois disso. Passamos o resto da noite colocando o apartamento abaixo. Eu precisava dela e ela de mim, e quanto a isso, não existiam mais dúvidas.