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Era cerca de 02:28, e eu e ele estávamos dançando. A musica era bem alta, que impactava o ouvido. Eu gostava da musica, apesar de não saber o nome dela. Quando começou uma luz extremamente forte do teto, era uma luz… amarela. Quando eu vi, era fogo. Por um momento achei que era parte do show. Mas não era. Eu olhei pra ele, e ele disse “Corre”, e assim eu fiz, corri e me certifiquei se ele estaria atrás de mim, e ele estava, correndo também. Era difícil, pois outras pessoas corriam também “Fogo, fogo, fogo.” elas gritavam, e uma nuvem de fumaça tomou conta da boate. Comecei a tossir muito, e mal conseguia enxergar, passava apertadamente entre as pessoas, a cada passo que eu dava era mais apertado, e mais agoniante. Pisaram em mim, me empurravam. Olhei pra trás de novo pra ver se o via, ele ainda estava lá, passando o mesmo aperto do que eu. Quando senti alguém me empurrar com muita força, agora eu estava mais perto da porta. Eu o puxei e ele veio também. Estavam tentando sair, empurrando a porta, estava um pouco aberta, quase impossível de sair. Eu só conseguia ouvir “Tá pegando fogo, nos deixe sair” varias vozes, algumas se calavam, outras falavam em meio a tosses, e outras falhavam de pouquinho em pouquinho. Eu olhei pra trás e disse “É uma brexa minúscula, não vai dar pra sair.” Ele observou, e me olhou e disse “Você consegue, vai logo. Vai” ele empurrou minha costa. Eu revidei e segurei nos braços dele e disse que não iria se ele não fosse. Eu vi uma lagrima percorrer o rosto – agora com cinzas – dele. Mas ele me empurrou com muita força, e ficou empurrando, ate que eu estivesse fora. Ele gritou “Chama ajuda.” Antes de sumir no meio da multidão. Os seguranças estavam empurrando a porta negativamente, mas já tinha mais duas pessoas lá fora que conseguiram sair, tossindo e chorando. Eu liguei pros bombeiros e disse o que estava acontecendo, em choque, chorando, desesperada. Eu tremia, e só sabia chorar. Eu estava preocupada com as pessoas, e com ele. Passou cerca de dez minutos, agoniantes e torturantes. Quando eu recebi uma mensagem. “Anjo, eu sei que não vou conseguir sair. Agora o que eu respiro é fumaça, e eu to muito tonto. Eu to morrendo. Mas calma, por favor, calma. Lembre-se, sempre, eu te amo.” Quando eu acabei de ler eu entedia agora, finalmente, o que significava alguém ficar sem chão. Mantenha a calma, é só o amor da minha vida morrendo.
—  Depoimento de uma das primeiras pessoas que conseguiram sair da boate Kiss.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.
—  William Shakespeare