rascunhosdela

Eu admiro quem sofre calado. Admiro quem chora baixinho, quem não grita por ajuda, quem espera devagarinho os tempos melhores. Admiro aqueles que passam por momentos dolorosos sem fazer doer o outro, que guarda pra si o sofrimento, esses que passam longe do sofrimento anunciado, do desamor gritado e da tristeza compartilhada. Esses corações que se partem sem fazer barulho.
—  Você sabe como é sussurrar quando o que você mais quer fazer é dar um grito? 
Mas meu bem, eu só tranquei meu coração, deixei ele guardado numa caixinha porque ele carrega cicatrizes e traumas demais, não posso mais levar ele comigo não. Eu ainda sou a mesma, só que não há mais tempo para amar, não levo jeito para isso e só o que posso fazer agora é seguir em frente.
—  E você deveria saber que não precisa bater, é só entrar, você já esteve aqui antes, mas, quando esteve aqui estava tudo bagunçado.
A menina - que na verdade fala sempre de si como se não se reconhecesse, hoje acordou sem máscara nenhuma. Dissimulada, dramática e com uma mente bagunçada demais ela decidiu esquecer todo o caos e apenas continuar em frente. Assumiu a culpa, pegou toda a bagagem e continuo sobrevivendo, dessa vez, sem aquele sentimento de apego.
Ela sabia que o caminho poderia não ter mais aqueles momentos de êxtase que tinha; seria isso lucidez demais, loucura ou só covardia? Ela não estava abrindo mão da felicidade, estava apenas adiando o amor. Um coração pequeno e fraco como o dela ainda não estava pronto para amar, talvez, dividir histórias, dividir a cama, dividir o peso do mundo e até confessar a alguém segredos íntimos de uma mente insana, mas, o coração ela não iria entregar para mais ninguém.
—  Desceu da lua, e ao chegar, odiou a Terra. Sentiu na pele seus próprios espinhos. Não aguentando mais tirou suas amarras e se libertou dos nós que um dia foram laços. Agora seguia adiante com os olhos abertos e o coração fechado.
Eu não lhe desejo mal. Oh, não! Nenhum Deus por mais bondoso perdoaria minha alma por isso, não seria me poupado nenhum sofrimento eterno caso eu amaldiçoasse seu nome. Para você, que transformou dias comuns em dias em que me encontrava morta habitando um corpo vivo, eu desejo apenas a solidão, não há nada mais cruel e delicioso que isso. Solidão pra te fazer dançar, se arrepender, pensar, ser alguém melhor e ao mesmo tempo ter um pouco de tudo que você plantou.
—  Nada contra você, não desejo sua morte, não te quero com problemas mas, cá entre nós, você merece mesmo esse mar de vazios que está vindo. Você merece o seu céu pintado de cinza chovendo o sangue vermelho,
Ocupo minha mente como que há de mais fútil, reviro os olhos e mudo para o lado de lá: só pra não aceitar. Dizem que quando se é jovem todo tormento é o fim do mundo e que, quando se cresce é que o mundo desaba de verdade. Dizem também que isso passa, que nada é sem motivo e que todo sofrimento será de alguma forma recompensado.
A noite está fria e você está sozinha, cansou de chorar e sofrer, mas daqui a pouco vai estar chorando de novo “pelo motivo de sempre” seu amigos já decoraram e não tem mais paciência, até eu repertório de músicas é o mesmo, e você sabe, vai demorar pra passar. Sua maior fraqueza agora te domina, você jura que amanhã já vai ter passado e tenta sobreviver, tenta não enlouquecer enquanto se esforça pra dormir.
—  Cada um sabe o tamanho da sua dor, e enquanto chora, você deseja não ser tão sozinha, mas em vão, você desiste - ninguém quer sabe e você já não sabe mais explicar.