quero ver o arthur

Destinados a amar

Capítulo 96  :

 LUA

 - Me perdoa, por favor! - supliquei acariciando seu rosto. - Você precisa acordar, precisa ficar bom e sair desse hospital. Quero ver o Arthur de antes.

Encarei seu rosto me perguntando quando ele ia acordar, implorando a Deus que o mandasse de volta pra mim e todas as pessoas que o amavam. Me inclinei sobre a cama e morrendo de vontade, o beijei.

Seus lábios ainda eram quentes e macios como me lembrava, mas dessa vez faltou aquela emoção de estar sendo correspondida, de estar sendo beijada por ele. Me afastei, deitei a cabeça em seu peito e fechei meus olhos. Ouvir seu coração bater me acalmava.

- Eu amo você! - sussurrei mesmo sabendo que ele não podia me ouvir.

Senti uma mão mexer nos meus cabelos e quando levantei o rosto, encontrei os olhos esverdeados de Arthur me encarando. Me afastei e arregalei os olhos.

- Thur… Você acordou! - sorri, ao mesmo tempo que comecei a chorar.

- Lua! - ele sussurrou, estreitando as sobrancelhas.

Enxuguei o rosto às pressas e sai correndo do quarto.

- O paciente Arthur Aguiar acordou! - falei batendo as mãos no balcão.

- O que está dizendo mocinha? - a enfermeira me encarou como se eu tivesse enlouquecido.

- O que você ouviu, Arthur Aguiar, um dos pacientes em coma acordou, manda um médico depressa pra ver ele e avisa a família dele.

- Os pais dele estavam aqui a poucos minutos, vou avisar o médico.

Fiquei esperando na recepção até o médico aparecer. Ele ficou cerca de dez minutos no quarto de Arthur e depois saiu.

- Como ele está doutor? - entrei no caminho do médico pra conseguir falar com ele.

- Ele está bem!

- Não há riscos dele entrar em coma de novo não né?

- Não se preocupe ele vai ficar bem. - o médico sorriu pra mim ao responder.

Sorri aliviada pelas palavras dele, a porta do elevador se abriu e me escondi quando vi Ricardo e Kátia. Eles entraram preocupados no quarto do filho e senti que não tinha mais o que fazer ali. Arthur estava acordado, bem e provavelmente não ia querer me ver. O médico dissera que ele estava bem e só por isso consegui voltar em paz pra casa.

ARTHUR

Sorri quando vi meus pais entrando no meu quarto, minha mãe quando me viu começou a chorar.

- Filho!

A abracei me lembrando das palavras do médico, segundo ele eu havia escapado da morte naquela queda por um milagre.

Saber que tinha quebrado a tíbia direita, sofrido um traumatismo que me levou a cirurgia e um coma logo depois me impressionou. Dava pra entender a reação da minha mãe ao me ver.

- Não acredito que você acordou, filho. - ela sorriu.

- Relaxa mãe, vocês acharam que iam se livrar assim de mim tão fácil? - sorri.

- Primeiro fiquei com medo de você não sobreviver e depois de nunca mais acordar desse coma. Você tem muita sorte filho, é um verdadeiro milagre que esteja vivo. - ela acariciou meu rosto.

- Eu sei mãe! - sorri pra ela e encarei meu pai.

- Que bom que você acordou filho! - meu pai sorriu pra mim.

Sorri de volta gostando daquele clima mesmo sabendo que ele não iria durar muito tempo.

- Eu vou ficar aqui no hospital com você te fazendo companhia pelo tempo que for necessário.

- Não precisa mãe, eu estou bem. - sorri.

- Não seja teimoso filho, eu quero ficar com você. - ela sorriu.

~~~~~——~~~~~~

Na semana seguinte que permaneci internado minha mãe ficou o tempo todo comigo, dormia no hospital comigo todos os dias.

O mais difícil nesses dias foram: me acostumar à comida no hospital e ao gesso que ia do meu pé até a altura do meu joelho.

Era horrível ter que ficar colocando plástico em volta dele cada vez que eu ia tomar banho e tinha horas que o filho da mãe coçava que era uma desgraça.

No dia em que finalmente ia receber alta, o médico veio passar algumas instruções pra mim.

- Quando eu vou tirar isso aqui? - perguntei me referindo ao gesso.

- Como foi uma fratura fechada de tíbia sem fragmentos ósseos, talvez você precise ficar com o gesso por mais um mês.

Dependendo da sua recuperação talvez use uma botinha e assim que tirarmos o gesso o correto é que seja encaminhado para a fisioterapia.

- Prometo que vamos iniciar a fisioterapia assim que ele tirar o gesso.

- Um mês, achei que você ia falar uma semana. - suspirei.

- Os ossos grandes do nosso corpo como tíbia e fêmur levam tempo pra consolidar outra vez. Você tem sorte que sua fratura não foi exposta e nem teve fragmentos ósseos, do contrário poderia ficar muito mais tempo com o gesso. E também tem o fator idade a seu favor.

- Tudo bem, tem uma semana que eu acordei com essa coisa em mim, aguento mais um mês. - suspirei.