quero um pai desse

Eu quero um amor caótico. Problemático. Tempestivo. Daqueles que você sabe que vai dar dor de cabeça assim que mergulha nele. E mesmo assim, continua batendo os braços desesperado, cada vez mais fundo. Eu quero um amor corrosivo. Perigoso. Quase suicida, daqueles que te mata umas dez vezes e ainda consegue te deixar ofegante no final da noite. Eu quero ser desertado porque nenhum pai gostaria de ver um filho desgastado desse jeito absurdo. Desse jeito abstrato. Amando. Eu quero um amor que tope trepar no banheiro do restaurante chinês que fica no final da avenida, só porque aquela luz vermelha meio baixa me excita e todos aqueles verbetes colados na parece (que o significado eu não entendo até hoje) me divertem. Eu quero morrer de rir depois do sexo, e antes, e durante. Quero que todo o meu corpo sorria só com a possibilidade de liberdade que me invade toda vez que eu tiro a roupa. Eu quero um amor errado. Desalinhado. Temperamental. Impulsivo. Diferente de todas as doses homeopáticas que eu já experimentei. Quero transbordar. Sujar toda a casa. Bagunçar todos os horários. Eu quero um amor barulhento, inquieto, faminto, daqueles que incomodam os vizinhos. 

Por enquanto, contento-me com amores mornos. Mas, espero. Um dia essa água que me cozinha desiste de sair dos meus olhos e resolve, finalmente, ferver dentro de mim.

—  Rafael Amorim

Bem, gente este imagine na verdade foi baseado (com algumas alterações necessárias) em um momento da minha infância que eu lembrei recentemente ao ler um artigo em uma revista que eu ganhei do meu antigo professor de filosofia. E eu tenho certeza que algumas de vocês podem ter passado ou podem estar passando por um momento desses com os seus pais, por isso quero que saibam que há esperanças para tudo. Espero realmente que vocês gostem do imagine Xx

IMAGINE COM NIAAL HORAN

S/n não estava em casa hoje, ela tinha uma reunião importante marcada para hoje, e por isso havia saído mais cedo para trabalhar. Era ela que todos os dias arrumava Lucy para ir à escola, mas hoje era eu que tinha ficado responsável para realizar essa tarefa. Eu não era S/n, eu com certeza não tinha todos aqueles cuidados de mãe que ela tem, mas eu também era o pai e com certeza poderia dar conta de tudo por aqui.

— Lucy, você vai se atrasar — Avisei mais uma vez entrando em seu quarto, já impaciente pela sua demora, e a encontrei em pé de frente ao espelho do guarda-roupa, encarando o próprio reflexo com uma carinha triste. — O que foi princesa?

— A mamãe sempre arruma o meu cabelo antes de ir para a escola — Resmungou com o rostinho para baixo e eu sorri com o seu bico.

— Você quer que eu arrume o seu cabelo? — Perguntei e ela concordou com a cabeça ainda fazendo bico. — Tudo bem, então senta aqui — Peguei uma escova e algumas presilhas na cômoda, e me sentei no chão atrás de Lucy, começando a pentear com cuidado e calma o seu longo cabelo quase num tom de loiro e totalmente liso. — O que você quer que eu faça?

— Hmm… Um coque! — Gritou animada.

Um coque.

— Vamos lá então — Com uma das mãos segurando uma escoava, eu penteava todo o seu cabelo para trás, enquanto a outra mão ia juntando as mechas penteadas em um rabo de cavalo no topo da sua cabeça. — Agora é só…

Vamos Niall, você consegue fazer isso! É só um coque. Simples. Você já viu S/n fazer isso no cabelo dela várias vezes. Como era que ela fazia mesmo?

— Pegar o cabelo, pentear, juntar tudo, torcer, enrolar em volta e… — Conforme eu  me lembrava dos passos, eu ia murmurando e fazendo todas as etapas com o cabelo de Lucy, que aos poucos ia formando o penteado. — Voilá! O que achou filha? — Perguntei prendendo com um elástico e ao mesmo tempo esperançoso para saber qual seria a sua reação ao ver o resultado.

No que Lucy foi levantar o seu rosto para se olhar no espelho na sua frente, e acabar com a minha curiosidade se eu tinha feito um bom trabalho ou não, o elástico se afrouxou e coque escorregou para baixo se desfazendo todo no seu cabelo.

Certo, fazer um coque não era tão simples assim.

— Papai, eu quero o meu coque — Lucy reclamou cruzando os braços.

— Mas o papai não saber fazer coque filha — Eu disse e então ela ficou quieta, enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. Ah, droga! Lucy só tinha quatro anos e sabia exatamente como conseguir me chantagear. O que eu não faria para ela? - Tudo bem, vamos tentar fazer outro penteado - Eu disse e ela esfregou os olhos, assentindo com a cabeça enquanto as lágrimas caíam.

Comecei a pentear o seu cabelo de novo, e de vez em quando, Lucy soltava alguns gritinhos quando a escova se enroscava em alguns fios e eu tentava puxar para desembaraçar. Tentei pensar em algum penteado que Lucy iria gostar, e que fosse fácil eu conseguisse fazer,fiz uma trança e de novo um coque mas acabou não dando certo. Decidi tentar mais uma vez, e dividi então o seu cabelo ao meio em duas partes e torci antes de prendê-las juntas com um elástico, formando um rabo de cavalo diferente. Não parecia que o elástico ia afrouxar, estava bem preso, não estava tão alto então também não corria o risco de escorregar. Depois de reforçar com alguns grampos e colocar algumas presilhas para enfeitar, conferi mais uma vez para ver se tudo estava no lugar.

— Pronto Lucy, pode ver — Eu disse e então ela se virou de costas para o espelho e viu todas aquelas presilhas de borboleta espalhas pelo seu cabelo. — O que você achou?

— Eu adorei papai! — Disse sorrindo e pulou no meu colo me abraçando com força. Sorri quando os seus braços envolveram o meu pescoço, e eu abracei ela pela cintura, sentindo orgulho de mim mesmo pela felicidade de Lucy.

E é nesses momentos únicos entre pais e filhos, e que lhe dão mais orgulho de ser pai ou mãe, em que é possível ver a importância do contato entre ambas as partes, para se conhecerem melhor, darem apoio um ao outro ao enfrentar uma situação difícil, ajudando-a a ver as coisas com mais clareza. Alguns pais podem não dar toda a atenção que seus filhos merecem, mas quando eles crescem, com o tempo podem admitir o orgulho e amor que sentem pelos filhos.