que-porra

Há tempos que te espero. Há tempos que continuo indo no mesmo lugar onde foi o nosso primeiro beijo. Há tempos que tenho recordado tudo o que passamos. Está difícil te esperar sabia? Mas como sou um cumpridor de promessas, aqui estou eu, no mesmo lugar, com o coração na mão e te esperando. Não demora pequena Julie, não demora porque as coisas já estão saindo fora do meu controle. O mundo nos oferece tantas coisas, a faculdade então? Além de novas amizades, novos amores também. Vejo tantos casais lá. Vou te contar algo, eu estava na aula sobre ‘Educação e Família’ e logo a minha frente havia um casal todo meloso, até me deu enjoo, só que lembrei que éramos pior, muito pior. A gente ficava 25 horas por dia juntos mas, e agora? O que aconteceu minha menina? Volta logo, eu te ajudo a reconstruir seu coração, a juntar caco por caco, a limpar, a cuidar até que fique bom e lindo novamente. Há tanto tempo que quero te dizer o que sinto. Há tanto tempo já imaginando várias cenas, na qual você chega dizendo que sentiu minha falta, que foi uma menina tola por ter me deixado. Que era eu quem poderia fazer você feliz e que era comigo que ia ficar. A linda Julie, não demora, há tanto tempo que te espero, há tanto tempo que tudo está tão frio sem você. Há tanto tanta coisa. Como posso dizer? Está frio e eu não digo do tempo, se é que você me entende.
—  Carta de Noah para Julie.

Ela: Eu gosto tanto de você, sabia?
Ele: Claro, somos amigos.
Ela: É, mas eu preciso de você. Entende? Sou apaixonada por você desde o dia em que nos tornamos amigos.
Ele: Oi? — Dizia ele, assustado, com os olhos esbugalhados.
Ela: To brincando com você, idiota. Queria apenas ver sua reação. — Entre gargalhadas eu dizia.
Ele: Bobinha.
Ela: Bobinho.


E mais uma vez, eu disse as maiores verdades da minha vida entre risos.

—  was-wrong

Pensamento dela: Ele é um completo idiota, mas só ele me faz sorrir. As vezes eu quero mata-lo, mas a cada segundo eu desejo que ele esteja sempre ao meu lado. Ele me irrita muito, mas é o único que sempre me acalma. As vezes tenho vontade de mandar ele ir embora, mas eu não sou nada sem ele. Eu realmente não sei viver sem ele. Eu apenas o amo.

Pensamento dele: Ela é totalmente carinhosa e ciumenta, e ah, como isso me faz sorrir. As vezes eu quero abraça-la e nunca mais solta-la, porque a cada segundo que se passa o que eu mais quero é te-la. Ela as vezes me irrita, mas eu gosto disso, porque só eu consigo acalma-la. Eu tenho medo de perde-la, tenho medo dela ir embora, pois eu sou nada sem ela. Eu realmente não sei viver sem te-la comigo. Eu apenas a amo. Audri B (alwayslivewithoutfear)

2

Mas, meu bem, não encontro-te. Quebramos. Eu fiquei incompleta. Este é o começo da minha queda. Tu sabes que eu não consigo, não sabes? Tu sabes que o que me dava forças era tê-lo aqui, não sabes? Deixei meu orgulho caído em um canto qualquer antes de vir. Eu fiquei ali, jogada num beco sem saída. Fiquei ali, procurando-te. Procurando-me. Sem sucesso, não encontrei. Eu não aguento tua indiferença. O silêncio está matando-me pois sei qual o significado e dói. Dói saber que tudo está sendo jogado aos sete ventos. Todos os planos, todos os sonhos. Exatamente tudo. Fora deixando-me de lado, e agora partimos. Tu partistes. Eu fiquei partida, despedaçada. Estou incompleta e meu complemento, és tu. És tu que és tão diferente de mim. Éramos uma mistura de almas. Ou até mesmo, complemento. Encontrávamos completando um ao outro sem sequer imaginar. Éramos opostos, com apenas uma semelhança: o orgulho. Lembro-me bem, era sempre eu que jogava o orgulho no chão, que passava por cima dele e chegava até tu. Nunca fora o contrário. Dentre tapas, discussões e xingamentos haviam dois corações completa e inteiramente apaixonados. Então,  conte-me o motivo do nosso fim, meu amor. Tu prometestes que cuidaria bem de meu coração. Então, por que ele está despedaçado? Promessas, promessas e mais promessas. Para que, diga-me? No final tu acaba por me acabar. Por me deixar estraçalhada pelas ruas desta cidade sórdida. Mas agora estou aqui, novamente, te pedindo que volte para casa comigo. Como eu já disse, deixei meu orgulho caído em qualquer canto, como sempre fiz. Passei por cima do que não deveria. Ignorei conselhos. Deixei para trás tantas coisas. Até aquela caixinha, amor. A caixinha de lembranças que ficava guardada comigo, escondida e trancada à sete chaves. Eu pedi às estrelas para que cuidassem dela, por mim, por ti, por nós. Eu pedi para que nada acontecesse com a caixinha. Eu tenho medo, amor. Temo que tu não volte, e que, quando eu chegue em casa, a caixinha não esteja mais lá. Está tudo lá, amor. Tudo. Até mesmo a minha dor eu coloquei lá. Aliás, a dor foi a única coisa que me restou de que o que tivemos foi real. Nós éramos tudo, amor. Tudo que eu nunca tive. E esse tudo, se tornou nada em instantes. Foi tudo jogado fora. Não encontro mais palavras, e se encontro, não sei moldá-las para descrever-me, para descrever-nos. É tão exaustivo, meu amor. Não consigo aceitar que acabou. Eu sinto sua falta. O seu cheiro ainda continua impregnado em minhas vestes. Eu viro-me para os lados e te encontro em todos os pontinhos em que olho. Cada canto do meu quarto leva algo que lembra-me tu. E dói, anjo. Saber que eu não significo mais nada. Saber que tudo fora em vão. Dói saber que eu sou a única capaz de tudo por nós dois.

(Alessandra Delgobo)