que lixo

Fui diagnosticado: Eu sofro de exagero. Comigo nunca teve essa de oito ou oitenta, possibilidades baixas nunca me agradaram. Existe uma parte de mim que não permite agir no diminutivo e também não consegue fazer nada em pouca intensidade. Porque não existe uma lei, um mandamento ou escrito em algum lugar que querer muito, sentir muito e fazer tudo em extremo excesso é sinônimo de tristeza. Cada um é feliz do jeito que sabe.
—  Pedro Pinheiro.
Você se apaixona, as pessoas perdem a graça, as músicas te decifram, os filmes te completam, as frases ficam mais clichês. A solidão aperta, a vontade de estar com a pessoa aumenta e quando surge uma oportunidade, o coração dispara, o estômago gela, a respiração fica ofegante. Você adia e continua sentindo tudo sem demonstrar nada.
—  Pedro Pinheiro.
Cigarro, poesia e álcool

Os três são saídas de emergência que me levam momentaneamente para fora do cotidiano que é tão massacrante. Eu escrevo para não terminar numa camisa de força e nem morrer engasgada com as toneladas de palavras e sentimentos não ditos que rasgam minha garganta todos os dias. Eu escrevo porque é a única coisa que sei fazer e assim me sinto alguém sem precisar correr atrás do sucesso que todos tanto querem mas que eu não quero e nem preciso. Escrevo para não falar com as paredes, para não ficar louca. Escrevo porque de tanto ninguém querer ouvir, eu não sei falar, não sei demonstrar e não consigo gritar. Escrevo para os amores se foram e também porque os amigos se foram, e apesar de odiar despedidas, eu só consigo dizer adeus no papel. Escrevo para tentar sobreviver na loucura que é ser quem eu sou. Escrevo porque assim não me sinto tão sozinha e nem tão vazia. Escrevo para não terminar numa cova rasa, esperando meu coração incansável parar de bater. Não bebo e nem fumo em busca da morte, mas se estar próxima dela é o que me fará sentir viva, aceito o preço.
Se o futuro é a morte, eu me eternizo na poesia.
E.

Eu gostava de Nicholas Sparks, mas certo dia a bibliotecária resolveu citar J.K Rowling.
Sou o verdadeiro retrato falado da pessoa mais careta que existe. Moro em um apartamento no Brooklyn, abarrotado de livros, que cheira à lavanda. Meus livros são na maioria romances clichês, mas bem que eu gosto. Trabalho na redação de um pequeno jornal, em que toda semana publicam alguns trechos que escolho de vários dos meus livros - ou seja, ocupo uma parte não tão considerável do jornal com aquelas frases dos livros de romance que estão mofando no meu apartamento -. Eu levanto todos os dias às 7:00, para estar na redação às 8:00. Nesse meio tempo, eu preparo o café, que por sinal é uma porcaria, e quando é dia de levar o que eu escolhi para publicar, pego o livro e releio o trecho até gravá-lo. Resumindo, minha vida é uma porcaria. Fazia um tempo que eu não alugava livros novos, e naquele 19 de agosto o dia estava bem nublado. A mulherzinha da previsão do tempo não parava de tagarelar que estávamos à espera de um ciclone, ou tornado, pra falar a verdade não sei qual dos dois, e nem a diferença entre eles. A única coisa que sabia era que depois que saísse da redação eu daria um pulinho na biblioteca, que fica longe pra cacete da minha casa - e que por sinal fica à uma quadra do meu trabalho -. Vencidas as 3 quadras cheguei à bendita biblioteca. Era um prédio alto e velho, parecia monumental, e o elevador era do pior tipo existente. A sala ficava no 5º andar e o número era 406. A porta fazia um barulho totalmente irritante ao se abrir, e a primeira coisa que se via naquela imensa biblioteca era uma mulher atarracada, baixa e carrancuda andando pra lá e pra cá com livros nos braços. Eu não ia com a cara daquela mulher, ela não era nem um pouco convidativa. A prateleira mais distante era a minha favorita, acima dela, havia um letreiro com a palavra “ROMANCE” bem grande. Os nomes dos autores ficavam em uma folha colada na mesma. O meu favorito era Nicholas Sparks, e eu já havia lido todos, sabia meus trechos favoritos de cor e salteado. E mesmo assim, eram sempre esses que eu pegava. Vi uma outra mulher atarracada entrar pela soleira, porém essa me parecia um pouco mais simpática. Ela se dirigiu à bibliotecária, e lhe entregou uma caixa grande, e pelo que me pareceu, um pouco pesada. Enquanto a outra mulherzinha ia embora, a anti-social - foi assim que eu apelidei-a - colocava a caixa em cima de uma escrivaninha. Ouvi-a resmungar algo parecido com “ J.K. Rowling, eu não sou paga para carregar esses seus livrinhos infantis”. Minha antipatia para com ela só aumentava. Foi ai que decidi me aproximar da escrivaninha e perguntar quais livros estavam na caixa. Ela me respondeu apenas com um ar superior “infantis”. Pedi que abrisse, e ela tornou a repetir “são infantis”. Fingi não ouvir, e então ela abriu a caixa. Dentro havia pelo que me parecia uns 6 livros e o título reluzia o nome “Harry Potter”. Eu sabia que era infantil, mas mesmo assim pedi para que ela abrisse, para me deparar nada mais nada menos com Harry Potter? Eu fiquei um pouco desapontada, e pior, a mulherzinha percebeu e escancarou um sorriso, que revelou seus Dentes amarelos. Tirei todos da caixa e vi que eram sete e não seis. Ela perguntou se eu iria levá-los e acrescentou “… meu expediente acabou.” Apenas acenei com a cabeça e saí com os sete livros no braço. Joguei-os em cima da mesa quando cheguei em casa, e o arrependimento já me tomava. A segunda feira se aproximava, e segundas feiras pra mim significavam prestar mais um trecho à redação. O problema era, eu não tinha nenhum trecho, e isso já estava me irritando. O que eu iria ler? Já tinha postado trechos de todos os meus livros, e para completar voltei da biblioteca com livros de Harry Potter. Eu não tinha saída, a não ser os livros que estavam jogados na mesa. Peguei o que me pareceu ser o primeiro volume e li em voz clara e aguda “ Harry Potter e a Pedra Fisolofal”, descobri porém que era filosofal e não fisolofal. Eu li o livro com em apenas 2 dias, e já ansiava para ler o 2ª. Era viciante aquela histórinha. E que mudança hein? Logo eu, a fanática por romances. Antes que eu pudesse ler o segundo tive de achar algum trecho no primeiro que eu pudesse levar para a redação. Quando encontrei, levei-o, e ao entregar ao homem que eu costumava chamar de “chefe”, ele logo me perguntou de qual dos livros de romance era, e pela primeira vez ao ouvir isso, me senti ofendida. Não sei explicar por que, mas me senti, e não era pouco. A única coisa que saiu da minha boca foi “ Harry Potter”, saiu tão baixo que me pareceu mais um sussurro, porém acredito que ele tenha escutado, a alternativa restante era sair dali. Minha raiva era enorme e eu não sabia explicá-la, dei meia volta, passei pela porta e voltei para casa. No dia seguinte chegou uma carta da redação aonde dizia que eu estava demitida. Eu apenas sorri para aquele inútil papel. Eu agora era mais uma das muitas moradoras do Brooklyn desempregada, e pior, desempregada por ler um livro infantil que tanto me agradou.
—  Eu era fanática por romances, mas fui demitida por ler “Harry Potter”.
De todas as histórias que já ouvi, a minha se torna um tanto quanto incomum. Mas quem liga? Independente dos porquês eu me sinto diferente e independente. Os sorrisos “sinceros” não me afetam, as coisas bonitas só são realmente bonitas para os demais… Sinto-me descolado, como em meio a uma multidão que implora por atenção. Eu só fico na minha e presto atenção. Sinceridade é meu dom e não sei agir de qualquer outra forma, embora muitos digam que eu sou sem sentido ou impossível de compreender… É melhor assim, as melhores coisas da vida são totalmente incompreensíveis.
—  Diego Castro.
Pedaços de mim

Perdidos pelos cantos, no fundo das gavetas, escondidos nos armários estão pedaços de mim. Pedaços de uma alma que foi dilacerada e esquecida com o tempo. Meus corpo sucumbindo pelas ruelas em becos imundos, tentando encontrar pedaços de um quebra-cabeça destruído por um ser cruel sem um pingo de bondade, esse ser que continua solto por aí, acabando com esperanças e rompendo almas, um mostro real chamado ser humano.

Pássaro Preto em Trechos rabiscados no caderno de história II 

Eu odeio ter que deixar meu orgulho de lado e assumir que sinto sua falta. — que sinto sua falta muito mais do que eu deveria ou do que gostaria… Mas a única coisa que tem sido verdadeira na minha vida desde que eu e você resolvemos colocar um ponto final na nossa história curta e atrapalhada é isso, a saudade que eu sinto. Parece que desde que eu te deixei partir, sem intenções de ir atrás, tudo perdeu um pouco do sentido. Tentei seguir em frente mas depois de todo meu esforço inútil, eu me peguei deitada nos braços de um cara qualquer, tentando associar as pintinhas dele as suas. Isso pode ser considerado doentio, não pode? É, eu sei. Também usei frases feitas pra ver se ele sorria e respondia do mesmo jeito que você costumava fazer, mas ele parecia não entender e isso me deixava frustrada. Ele não consegue me entender e você sabia tudo sobre mim, como se eu fosse transparente aos seus olhos. Às vezes passo na frente dos lugares que nos costumavamos ficar e demoro meu olhar pelos detalhes mais insignificantes, só pra reconstruir algumas memórias e ver se assim, desse jeitinho meio masoquista, consigo criar uma lembrança mais viva de você — porque infelizmente, eu não consigo mais lembrar perfeitamente da sua voz, ou do seu cheiro. Minha cama nunca pareceu tão grande e vazia, e o espaço que você costumava ocupar nas nossas tardes incansáveis ainda parece ansiar pela sua volta. É inútil, eu sei. Mas de alguma forma, até os comôdos da minha casa, pelos quais você costumava passear, parecem sentir falta da sua presença; é tudo impressão, mas não deixa de ser desconfortável passar pelo hall e lembrar do nosso primeiro beijo. Não deixa de ser dolorido ir até o quintal e lembrar daquele nosso banheiro de mangueira, ou do nosso banho de chuva. O sofá da sala parece frio e sem graça, e até mesmo o box do banheiro parece ter dobrado de tamanho… Só porque eu já não tenho mais você para ficar horas embaixo da água comigo, rindo de nada e de tudo. O irônico é saber que nosso final sempre foi mais certo que nosso começo. Ele sempre esteve ali, programado, esperando para acontecer a qualquer segundo, mas eu sempre achei que seria forte o bastante para adiar isso ao máximo e pra quem sabe, um dia, fingir que havia uma fórmula mágica para fugir do maldito fim que parecia cada vez mais perto. Hoje eu me culpo por ter quebrado minhas promessas e ter acelerado meus passos em direção a esse abismo crescente que agora nos separa. Eu me arrependo de nunca ter corrido atrás de você todas as vezes que você se virava para ir embora, só pra dizer que te amava. Só pra te fazer acreditar que do seu lado eu era feliz, eu era eu mesma. Que com você por perto, a coisa mais difícil do mundo, parecia extremamente simples. Eu acho que amar é isso, não é? Se sentir capaz de tudo, sabendo que na verdade você não é capaz de nada — mas ainda assim, achar que aquela pessoa que continua ali do seu lado, é um poço infinito de forças, que te impulsiona em direção ao seus sonhos e desejos. Do seu lado eu tinha vontade de ir além, mas agora, longe de você, minha única vontade é de retroceder. De caminhar em marcha ré em busca de mais ou dois dias do seu lado, pra reviver aquele nosso amanhecer na praia, ou aquela nossa bebedeira em pleno shopping. Eu só queria ter mais cinco minutos do seu lado, pra poder dizer que odeio tudo em você, mas que é só porque ainda te amo demais…

É que ás vezes me dá um aperto no peito,uma saudade imensa de você. E por mais que eu tente não reviver certas memórias,qualquer detalhe me lembra você. E acaba sendo difícil continuar nessa interminável luta por tentar te esquecer. Será que se eu tivesse feito diferente,teria mudado algo? Ou você sempre soube que acabaria assim? Esse silêncio,essa distância […] E essa dor que eu estou sentindo não passa nunca,a dor da tua ausência. Machuca tanto,mas você não liga. Já me esqueceu,já encontrou alguém melhor. Eu sinto sua falta,e está cada vez mais difícil continuar fingindo que não te amo mais. (su-cessivamente)

anonymous asked:

sabe quando a pessoa te decepcionou tanto, jogou todas aquelas esperanças e expectativas no lixo, que tu nao consegue mais acreditar que um dia tu possa ser feliz? que um dia alguém vai realmente te amar? pois entao, eu to assim. (desculpa incomodar, mas tu sempre tem uma palavra pra confortar as pessoas, entao achei que aqui seria bom ler algo amigavel <3)

a capacidade de alguém te amar não condiz com a capacidade de uma x pessoa não ter conseguido. e muito menos sua capacidade de ser feliz. o mundo é cheio de possibilidades e coisas lindas, não pense o contrário por conta de uma parte ruim.