quase-nada

- Eu preciso de você na minha vida. Sei que sou inútil, quase nunca gosto de nada, sou esquecido muitas vezes e finjo não me importar com isso. Você sabe que eu sou difícil de lidar, você quase correu de mim (literalmente). E não tenho nada a oferecer, a não ser eu mesmo.
- É isso que eu quero… Você.
—  Back at her, stupid.
Eu não aguento mais isso, entende? Quero poder colocar tudo pra fora o que está guardado; o que está me sufocando. Águas passadas; sentimentos guardados; medos; sonhos que não são realizados, as verdades nunca faladas, e tanta outras coisas. Mas não consigo me libertar. E a cada dia que passa, uma parte minha vai indo embora, pouco a pouco. Já não me importo mais com quase nada, já não sinto mais quase nada, já não espero mais quase nada, já não quero mais quase nada, já não sonho mais com quase nada. Já não me magoo mais com quase nada. Prestem atenção, quase, ainda resta um pouco de humanidade em mim. O quase se baseia em tudo que faço agora. Esse mundo no qual finjo que vivo, está acabando comigo aos poucos. Eu não consigo entender, não consigo conhecer. E, acho que não quero entender e nem conhecer a imensidão das coisas e das pessoas. Porque é da natureza humana magoar uns aos outros. E não quero ser alvo mais disso.
—  Chrislayne L. Pinto, Quoteografa em Palavras escolhidas.

a verdade é que meu peito se abre e quase expande quando lembro que você ainda ta aí. eu nunca te escrevi, porque nunca fomos nada além de um beijo na esquina. mas hoje eu tava olhando o sol cair e me peguei pensando em você. nós nunca daríamos certo. meu bem, você era vermelho e eu azul. nunca nessa vida nem na outra, mas, mesmo assim, nós insistimos. não foi amor, não foi carinho. foi só vontade. foi fome de pele. só. e nem doeu quando acabou, por isso, na maior parte do tempo, eu nem lembro que nós chegamos a existir. m, eu não sinto sua falta nem nada. não lembro do teu rosto, mas lembro do um pouco teu jeito. você se perdeu no meio de outros amores mais profundos (convenhamos, qualquer um teria sido mais profundo que nós dois juntos). não sei bem o motivo de eu estar te escrevendo, acho que era só pra dizer que o pouco que você deixou aqui, eu guardo com carinho. e mesmo que eu te esqueça, quero que saiba que até o nosso pouco -quase nada- foi importante.

com carinho, mas não muito,
eu.

Foi esperando quase nada que um quase tudo apareceu. Simples como um fim de tarde. No começo era medo, incerteza, insegurança surgindo como relâmpago no céu. Depois, uma sensação de pertencimento, de paz, de alegria por encontrar um sentimento desconhecido, mas que fazia bem. Não teve espumante, holofote, tapete vermelho. Foi simples como um fim de tarde. Algum frio na barriga, interrogações deslizando pelas mãos suadas, uma urgência em saber se aquilo era ou não pra ser. É que um dia alguém nos ensina que quando é pra ser a gente sente.
—  Clarissa Corrêa.
Desculpe estou um pouco atrasado, mas espero que ainda dê tempo de dizer que andei errado, e eu entendo as suas queixas tão justificáveis, e a falta que eu fiz nessa semana, coisas que pareceriam óbvias até pra uma criança. Por onde andei enquanto você me procurava? Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava? Amor eu sinto a sua falta, e a falta é a morte da esperança, como um dia que roubaram o seu carro deixou uma lembrança que a vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem. Uma irrelevância diante da eternidade do amor de quem se ama. Por onde andei enquanto você me procurava? E o que eu te dei? - Foi muito pouco ou quase nada. E o que eu deixei? - Algumas roupas penduradas. Será que eu sei, que você é mesmo tudo aquilo que me falta?
—  Nando Reis.
Depois de um tempo achando que não vai mais sentir nada, você quase desiste. Mas aí aparece alguém para quem você sorri, e ele sorri de volta, e quando você menos espera, já não pensa em outra coisa.
—  A culpa é mesmo das estrelas? 

a verdade é que aqui faz muito frio
e meus dedos doem
me encolho numa tentativa fracassada de manter o calor dentro
mas tudo sai
e escorre

no fim do dia
sobra quase nada

Eles discordavam em muitas coisas, para falar a verdade não concordavam em quase nada. Brigavam o tempo todo, se provocavam todos os dias. Mas eles tinham algo muito importante em comum: Eram loucos um pelo outro.
—  Diário de Uma Paixão.
Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento historinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranoias, mas nada de grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. Estou todo sensível, as coisas me comovem.
—  Caio Fernando Abreu.
Quase nada consegue prender a minha atenção por muito tempo, mas com você não foi assim. Você despertou em mim uma curiosidade surpreendente, um interesse contínuo em participar da sua vida. Já acordava pensando em você. Imaginando se dormiu bem e se, por um acaso qualquer, tinha sonhado comigo…
—  encrencado, amigo.