quase-nada

há um tempo atrás você diria que gostaria de me ver como eu estou hoje. me dói que não possa ver assim como me dá uma paz gigantesca saber que você se orgulharia de mim

eu sei que daí quase nada pesa, mas mesmo assim, quero que saiba que eu estou leve e tudo aquilo que me ardia tanto, hoje já nem faz cosquinha

deve ser o poder do tempo, anna. ele quebra as muralhas e apesar de não quebrar as montanhas, parece que nem é tão difícil escalar depois. as montanhas estão fazendo parte do meu caminho, não são mais obstáculos, como costumavam ser

eu nado em rios de águas turvas e nem me preocupo com isso, eu atravesso florestas e só o som dos pássaros me chamam atenção

não é que tudo tenha se tornado simples, anna, as coisas só não são mais um fardo que eu tenho que carregar, sabe?

eu tô tão feliz

Acordei hoje com uma vontade de te abraçar e não soltar mais, de poder dizer as palavras que ficaram presas dentro de mim. Poder te dizer o quão você é importante pra mim, poder dizer o quanto eu te quero. Mas o medo me dominava, me prendia, e eu ficava com tudo isso preso aqui dentro, porque tudo que eu mais quero é dizer pra você todas essas coisas e muitas outras sabe? Eu quero abrir meu coração, quero dizer que minha vida não é quase nada sem você. E eu quero que saiba que eu quero te ter ao meu lado, porque é você que está em todos os meus planos, sonhos e no meu futuro. Mas o medo ainda me prende, o medo de não saber se esse sentimento, esse amor que sinto por ti é recíproco. E eu acho que essa é a nossa única barreira, então vem e me diz, quebra esse muro de medo e insegurança que existe entre a gente, eu só te peço, vem.
—  Alef Santos e Bianca Autran.
Insisto em dizer que estou bem, mesmo sem quase nunca estar. Digo pra evitar perguntas à respeito de coisas que nem eu mesma sei explicar. Nem sempre existe um motivo aparente, uma razão coerente, quase sempre é um nada. Acontece que existem dias em que a tristeza chega, e se acomoda; falar sobre não adianta absolutamente de nada, e acaba na verdade piorando completamente tudo. E pra evitar alguém cavando no profundo do meu eu, respondo automaticamente “estou bem”, e finjo que realmente tudo está certo e que nada está fora do lugar. Ninguém entenderia a completa bagunça que existe em mim. E pra ser sincera, nem eu mesma entendo.
—  Suelen Bastos.

tira de mim essa angústia. esse medo, esse tédio. eu tenho receio, ansiedade. um combo maldito de sentimentos que puxam meus pés de madrugada para assombrar meus pensamentos mais singelos. eu tenho medo de acabar sozinho. essa tendência de ser deixado me tira do eixo, fode minha sanidade. você me entende? eu me odeio por ser tão dependente de todo mundo, de viver para todo mundo, de me entregar. eu me odeio por ter me entregado para alguém que me tirou o ar e me jogou no lixo. esse acúmulo de decepções e mágoas me perturba a mente todo santo dia e eu não sei se estou pirando ou se é só mais uma crise de insegurança maldita me roubando lágrimas e gritos silenciados porque não me cabe transparecer tanta fraqueza. tem dias que parece que eu não vou aguentar mais. tira de mim essa angústia, cara. eu não to sabendo lidar com quase nada. a minha cabeça parece a faixa de gaza e eu não sei mais. eu não sei. 

Não abuse.

É Deus, mais uma vez é só eu e Você. Desculpa se só falei, falei e pouco fiz, ou quase nada fiz. Me perdoa se minhas atitudes são falhas, se eu erro mais do que acerto na busca eterna de tentar acertar. Tu sabes o que meu coração anseia, Tu sabes o quanto meu corpo é fraco, o quanto meu interior precisa ser fortalecido. As pessoas estão cansadas de só ouvir sobre Você e não ver o que Tu és capaz de fazer. Estamos vivendo com a sede de falar sobre Ti, mas não mostrar o que Tu fazes. Elas precisam ver a Tua glória, elas precisam sentir o Teu toque sobrenatural sobre elas, assim como eu. Me ajuda, Pai, ajuda o Teu povo a Te viver, mais do que ler, ouvir ou falar. Precisamos viver Jesus.
—  Karolaynne Claudino
Ela é virginiana, mas bate o pé para dizer que é de leão. E se você não souber que final de agosto, quase setembro, não tem nada a ver com o signo mais importante do zodíaco, até acredita nessa mentirinha que ela conta para si mesma enquanto  tenta desesperadamente encontrar um lugar para se encaixar. Acredita quando ela diz que não é muito de amar mesmo quando está constantemente procurando ser amada, acredita na firmeza de seus passos e nas infinidades de números que ela encontra entre um e zero mesmo odiando essas exatas que mexem com seu metabolismo instável. Acredita que quando ela te envolve nessa esfera de papo inteligente, boca pintada e olhos marcantes, está quase pronta pra te deixar entrar, mas ela nunca deixa. Ela tem boca firme que sabe dizer sim e principalmente não, mesmo sem saber se é o que realmente tá querendo dizer.  Ela tem passos pesados e certos que não fazem a menor ideia da onde está indo. Tem medo de perder o controle que nunca teve e tem mais medo ainda de si mesma. Do que acha que é, do que não é, e das coisas que pensa. Ela tem medo das variáveis que percorrem suas veias e que a cada dia te dão um novo caminho que ela não quer percorrer. Ela tem medo das chances que perdeu, do que ainda não encontrou e do que não quer encontrar. Ela tem medo das historias que deixou de ler, dos contos que não quis ilustrar e de tudo que ainda não viveu. Ela tem mil e um sonhos, mas não tem nenhum. Ela tem as contradições, as afirmações e as certezas na ponta da língua que estão sempre lhe escapando pela palma da mão. Ela é o silêncio, todas as palavras malditas e não ditas que, às vezes, acho que nunca lhe escaparam pela boca. Ela é uma incógnita mal feita  que nunca descobriu a função da sua existência. E no final, ela é só a peça de um quebra cabeça que nasceu com o ângulo errado e foi parar na caixa mais errada ainda.
—  Danielle Quartezani