prumos

Clichê ou não, você fez minha cabeça girar, fez as borboletas do meu estomago voarem. Te ver ali parada, me olhando com aqueles olhos grandes, fez o meu mundo sair do prumo, fez com que meu pés não tocassem mais o chão, eu só queria correr e te beijar. Beijar até ficar sem folego, te sentir perto de mim. Menina, você não sabe o que causa em mim, me deixa louco, com os pêlos do braço eriçados, me deixa nas nuvens. Estar perto de você é como se eu tivesse que navegar em um mar agitado num barquinho de papel. Me causa uma sensação estranha, mas um estranho bom. Estar com você é sempre uma aventura, e eu gosto disso. Gosto de como você faz as coisas parecerem fáceis. Você tem o dom de deixar colorido, o que na minha vida era preto e branco. Você chegou e me fez sentir sensações que ninguém jamais fez, e não quero te comparar aos meus amores meio boca antigos, porque quando lhe encontrei, eu entendi o porquê de todas as outras vezes terem dado errado. Você me olha fixamente, e com um sorriso diz que o nome disso é destino, e eu fico risonho querendo ouvir isso para sempre. Pois se for destino, quero que ele nos mantenha juntos, será que isso é pedir demais? Só hoje já supliquei por você baixinho umas mil vezes, só hoje eu enumerei vários planos ao teu lado. Garota, eu já nem sei se sou capaz de viver sem um sorriso teu. Talvez, o timbre da tua voz tenha se tornado o preferido do meu coração, porque sempre que ouço qualquer palavra da tua boca o coração dispara. Assim como minhas mãos suam ao te ver chegar, ao sentir teu cheiro em minhas narinas. Só te peço duas coisas: diz que pretende ficar hoje, amanhã, depois, e dá aquele sorriso gostoso que eu adoro.
—  Escrito por Bianca, Lucas, Beatriz e Amanda N. em Julietário.
Prumo

Hoje eu sou mansa
Como uma fera abatida
Ainda tenho em mim essa natureza
que me arrasta até que eu me aprume
Entretanto quando algo se quebra por dentro
É difícil de consertar
É difícil começar de novo

– caus-ada
Guardei comigo um conjunto dos seus melhores sorrisos. Guardei esse seu olhar apaixonado toda vez que eu tocava seu rosto com a ponta dos dedos, depois entrelaçava suas mãos nas minhas e te enchia de beijinhos enquanto continuava com os olhos fechados. Guardei com tanto carinho os seus benditos carinhos, bem sucedidos, encantadores e apaixonantes! Guardei tua gargalhada mais alta, onde atingiu o ápice da alegria, da babaquice, da falta de ar. Guardei tudo. Te guardei comigo desde o fio de cabelo até o mindinho do pé. E por falar em mindinho “só de pensar na dor que tua ausência traz, estremeço até o mindinho”. Estremeço. Inteirinha. Cada dia longe de você é um dia morto. Um vazio imenso. Mas eu te digo, cada detalhe teu, tá guardadinho nos bolsos do meu corpo, alma, coração. Tá guardadinho pra quando a tristeza invadir, eu saber lidar. Tá bem guardado pra quando eu chorar, eu tirar a sua gargalhada mais alta e ouvir mentalmente. Imaginar você rindo e eu te olhando cara a cara, teu rosto ficar todo vermelhinho e por fim, você ficar séria e eu poder beijar sua boca. Que a propósito, fica linda depois que você sorrir e durante o seu sorriso. Eu te amo tanto que sinto uma pontada assustadora no fundo do meu coração quando penso que um dia você pode ir embora. Mas imediatamente tomo prumo! Lembro dos seus olhos, dos cílios, do modo como eles ficam em harmonia, da curva da sobrancelha e do cheiro da sua boca. E te amo. Cada vez mais. Cada dia mais. Toda hora. Todo minuto. Todo segundo.
—  Viabilizou-se.

Separo-me de ti nos solstícios de verão, diante da mesa do juiz supremo
dos amantes. Para que os juízes me possam julgar, conhecerão primeiro o
amor desonesto infinito feito de marés ambulantes de espinhos nas pálpebras
onde as ruas são os pontos únicos do furor erótico e onde todos os pontos
únicos do amor são ruas estreitíssimas velocíssimas
que se percorrem como um fio de prumo sem oscilação.

Ontem antes de ontem antes de amanhã antes de hoje antes deste
número-tempo deste número-espaço uma boca feita de lábios alheios beijou.
Precipício aberto: ele nada revela que tu já não saibas.
Porque este contágio de precipícios foste tu que mo comunicaste
maléfico como um pássaro sem bico.

Num silêncio breve vestiu-se a cidade. Muito bom-dia querido
moribundo. Sozinho declaraste a terceira grande paz mundial quando abrindo
os olhos me deste de comer cronometricamente às mil e tantas horas da
manhã de hoje.

Deito-me cedo contigo o meu sono é leve para a liberdade acordas-
-me só de pensares nela. As casas e os bichos apoiam-se em ti. Não fujas não
te mexas: vou fixar-te para sempre nessa posição.

Que há? Abrem-se fendas no ar que respiro vejo-lhe o fundo. Tens os
olhos vasados. Qual de nós os dois quero-Te gritou?

Bebe-me espaçadamente encostada aos muros. Se és poeta que fazes tu?
Comes crianças jogas ases sentado és uma estátua de pé a cauda de um cometa.

Mães entretanto vão parindo. Os filhos morrerão ainda? Entregas-te a
cálculos. Amas-me demais.
Confesso: não sei se sou amada por ti.

Virás
quando houver uma fala indestrutível devolvida à boca dos mais vivos. Então
virás
vivo também. Sempre esperei ver-te ressuscitado. Desiludiste-me.

E iremos com o plural de nós nos leitos menores onde o riso, onde o
leito do rio é um filho entre os dois. Que farei de teus braços de meus cabelos
benignos que faremos?

Nasci-te da minha pele com algumas fêmeas te deitei por vezes.
Conheces-me. Não me tens amor.

Grave esta corda cortada agudo seixo me ataste aos olhos para me
afundar.

Só por grande angústia me condenas à morte se de mim te veio a cidade
e os minúsculos objectos que já amaste ou que irás amar um dia espero.
Ah a cratera o abismo eléctrico!

Por isso o teu novo amor será comigo mais perigoso que este imaculado
com mais visco de amor cópula mortal.

Calo-me.
Reparei de repente que não estavas aqui. Pus-me a falar a falar. Coisas
de mulher desabitada. Sei que um dia desviarei sem ti os passeios rectos
esvaziarei os gordos manequins falantes. A razão é uma chapa de ferro
ao rubro: se acredito na tua morte começo o suicídio.

Enquanto penetrantemente te espero a luz coalhou. Os pássaros
coalharam enquanto te espero. O leite enquanto te espero coalhou. Haverá
outro verbo?
Submersa, muito distante de qualquer inferno de um paraíso qualquer existo
eu. Existirão tais palavras?

É a altura de escrever sobre a espera. A espera tem unhas de fome, bico
calado, pernas para que as quer. Senta-se de frente e de lado em qualquer
assento. Descai com o sono a cabeça de animal exótico enquanto os olhos se
fixam sobre a ponta do meu pé e principiam um movimento de rotação em
volta de mim em volta de mim de ti.

Nunca te conheci - assim explico o teu desaparecimento. Ou antes:
separei-me de ti no solstício de um verão ultrapassado. As mulheres viajavam
pela cidade completamente nuas de corpo e espírito. Os homens mordiam-
-se com cio. Imperturbável pertenceste-me. Assim nos separámos.

Não calhasse morrer um de nós primeiro que o outro porque ambos ao
mesmo tempo será impossível enquanto não houver relógios que meçam
este tempo e as horas fielmente se adiantarem e atrasarem.

Alguma vez pretendi dizer-te o que quer que fosse? Falava por paixão
por tibieza por desgosto por claridade por frio por cansaço

nunca por pretender dizer o que quer que fosse.

Não me desculpo. Se já me cai o cabelo se já não sinto os ombros é
porque o amor é difícil ou a minha cabeça uma pedra escura que carrego
sobre o corpo a horas e desoras ostentando-a como objecto público sagrado
purulento. O odor que as pedras têm quando corpos. O apocalipse de tudo
quando amamos. O nosso sangue em pó tornado entornado.

O teu amor espreita o meu corpo de longe. De longe por gestos
lhe respondo. Tenho raízes nos vulcões ternuras íntimas medos reclu-
-sos beijos nos dentes.

A pobreza surge dentro de nós embora cautelosos deitados de manhã e
de tarde ou simplesmente de noite despertos. Ambos meu amigo estamos
sentados neste momento perfeitamente incautos já. Contemplamos um país
e sentamo-nos e vestimo-nos e comemos e admiramos os monumentos e
morremos.

Inventei a nossa morte em toda a impossível extensão das palavras.
Aterrorizei-me segundos a fio enquanto em corpo nu ouvindo-me ador-
-mecias devagar.

Com a precaução de quem tem flores fechadas no peito passeei de noite
pela casa. Um fantasma forçou uma porta atrás de mim. Gemendo como um
animal estrangulado acordei-te.

Enterro o meu terror como um alfange na terra. Porque é preciso ter
medo bastante para correr bastante toda a casa celebrar bastantes missas negras
atravessar bastante todas as ruas com demónios privados nas esquinas.

Só o amor tem uma voz e um gesto mesmo no rosto da ideia que me
impus da morte.
És tu tão único como a noite é um astro.

Sobre a poeira que te cobre o peito deixo o meu cartão de visita o meu
nome profissão morada telefone.

Disse-te: Eis-me.
E decepei-te a cabeça de um só golpe.

Não queria matar-te. Choro. Eis-me! Eis-me!

Luiza Neto Jorge

Eu me misturei com a chuva no vidro. Eu desaguei amor. Cansei de te superar, agora eu te acostumo. Sem prumo, sem rumo, aí fumo a saudade que eu sinto e evaporo as lembranças. Esquecer dá trabalho, esquecer você abre uma cicatriz, fico feliz, só não caio por um triz e então peço bis, nessa coisa que é gostar de você e só eu que não sei fazer, ou sei, mas esqueci. Esqueço as palavras, os versos, mas amor mesmo só rima com teu nome. Então você some, a saudade me consome e o coração morre de fome. Ninguém vive de lembrança, dançar com a saudade cansa, dá vontade de chorar igual criança, é sempre a mesma dança. Só o que fica é a esperança. A esperança é um urubu pintado de verde, eu espero que viver sem mim seja fácil pra você. Eu desaguei amor e escorri no vidro embaçado, lembrando de como era estar ao seu lado, querendo morrer atropelado, pelo seu sorriso marcado. Eu não vivo mais de amor, dos próximos dias eu só espero fé. A felicidade é aqui perto? Porque eu tô indo a pé.
—  Ciceero M.

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Sabedoria de Preto Velho

Procurei Mãe Yemanjá, nas areias quentes de praias ensolaradas, nas sete ondas de segredos encantados, nas belas jóias de pérolas incrustadas, nos espelhos e enfeites delicados. Nas frutas doces e perfumadas, nas sedas, cetins, fitas e tecidos azuis, no clarão das noites enluaradas, e nos muitos lugares que fui. Mas não a encontrei… Encontrei-a nas crianças e adultos das calçadas, noite adentro a vagar, sem lar e sem rumo… Vi a Mãe Divina abraçando-os e chorando por eles; Eles que não têm mãe, nem casa, nem prumo, e buscam um pouco de amor e algum carinho nas pessoas que, no mesmo caminho, passam sem os enxergar. Então compreendi que a Mãe Divina está onde é mais necessário o seu carinho. Um pedacinho do Coração de Yemanjá está em cada filho que, em sofrimento, busca um alento e precisa de acalanto. Ela é a Mãe que abraça os aflitos e chora com eles; a Mãe que consola quem pede a esmola de um consolo, com os olhos pisados de dor; a Mãe que ama quem mais precisa de amor… E compreendi que Yemanjá é a Mãe que também nos ama ainda quando, descuidados, não vemos o abandono das suas crianças e dos seus muitos filhos necessitados, nossos irmãos sem esperanças, machucados e perdidos, ao nosso lado a passar… (por Marinheiro João das Sete Ondas) Odoyá Mãe Iemanjá!

Fonte: Sabedoria De Preto Velho

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Quantas vezes você já ficou na pior, mas depois tudo começou a melhorar e voltar aos prumos? Então, só estou querendo dizer que agora é só mais uma vez, acontecerá novamente. Sempre fica tudo bem. Acredite!

mas meu bem,

cê tem um dom
que ninguém mais tem

me faz perder o rumo
o passo
o prumo

e que Deus me perdoe, 
perco até mesmo a fé,

cê me desconserta por inteiro, moça,

me faz errar o verso
que nem era pra ser rima

mas culpado seja
o seu riso,

agora é.

—  Stanley Menezes
Ret

Ja comecei a subir e não vou mais descer O que me destruiu, farei desaparecer Melhor me deixar quieto Pra coisa não feder Eu conheci o inferno, não queira conhecer E uma vez lá, sempre um pouco lá Agora poucas coisas podem me fazer chorar Perdi o prumo, eu vivo em fuga Agora eu bebo e fumo pra ignorar Me desfazendo em versos Em meu cinismo Em meu deboche, em meu pessimismo Chame de suicídio, rótulos são em vão É na Luz da Perdição Que eu me encontro e vivo Ontem matei uma garrafa de whisky Já não sei se ando feliz ou triste Perdido eu sempre tô Meu amor, não desisto Sou mais uma vítima Desse mundo promíscuo

A verdade é que são dias difíceis e confesso que me perco fácil na multidão. O mundo parece girar ao contrário. Eu tenho medo da maldade, eu custo a me aceitar na rotina do dia a dia, meu coração é impressionável demais, eu me encanto com facilidade e de uma forma intensa pelo interior das pessoas, minha loucura é inventativa ao extremo e no final sempre quebro a cara, me fodo toda com minhas fantasias alucinantes. A culpa é minha de ter um coração que quer sempre voar, um corpo indócil que detesta viver e uma mente lisérgica e ofegante. E quando a coisa fica negra, meu pai sorri e diz que vai passar, artista é sempre assim, como se houvesse alguma dignidade em tudo isso. As vezes, chego a me convencer que, finalmente, tudo vai ficar bem. Mas, em algum momento nessa minha caminhada, eu tropeço em mim mesma e mergulho no meu abismo incurável. Eu sou uma pessoa fora de prumo, minha diagonal aponta pra queda, meu tempo na terra está por um triz.
—  Elisa Bartlett
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yo hey hi sup whats up

  • mbf me (f-aceless)
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  • 5 rad blogs promoted to nearly 10k

so yeah i’m doing this because i’m nearly at 10k and want to reach it by the end of this week so help me out yo and enter this

anjos curumins que trafegam entre os astros
escorrendo à prumo os olhos escondidos do desejo
cataclismo de pétalas de um jardim imenso
florido ao som sinistro do estarrecer de Miles Davis
e nem me venha com tropeços e adivinhações incalculáveis
o meu amor por ti é inconduto, é inexplicável

Elisa Bartlett

A página branca continua branca. Eu ainda não tenho coragem de preenche-la. Nossa história ainda está presente em mim. Eu digo todos os dias que não, que você é passado, que já te superei, que já virei a página e estou seguindo meu caminho. Mas não é bem assim na pratica. Esse meu jeito durão e só uma casca. Eu ainda volto a página de vez em quando. Sua história ainda me causa uma dor no peito. A dor não é mais aguda. Houve um tempo que foi. Houve um tempo que eu achei que sua perda me mataria. Eu perdia o ar. Abandonava o prumo. Desequilibrava mesmo, literalmente. Deixava as lágrimas caírem. Eu chorei muito por você e você não faz nem ideia disso. Agora a dor é mais branda. Dói. E vai doer para sempre. Perder alguém que ama é sempre um trauma. Somos marcados por todas as pessoas que chegam. Somos feridos por todas as pessoas que se vão. E essas marcas são para sempre, essas marcas doem também. A dor vem quando preciso de colo. Quando preciso de carinho. Quando tenho algo para contar. Sempre tem algo que me lembra você. Aconteceram tantas coisas boa na minha vida e você não tem nem ideia disso. Um dia você disse que eu podia contar com você para sempre. Que estaria aqui para sempre. Que secaria minhas lágrimas e colocaria aqueles sorrisos que só você conseguia no meu rosto para sempre. Você não ficou. E não foi culpa sua e não estou te culpando. Também não é culpa minha e parei de me culpar. É só a vida, nos ensinando a virar a página. O para sempre, sempre acaba. Nós acabamos. Você foi apenas uma estação em minha vida. Uma estação inesquecível, umas férias de verão que nos marca para sempre, um livro que você nunca esquece-se da história. Você é uma das minhas histórias favoritas. Mas estações não são eternas e precisam mudar. As férias não duram muito. E lugar de livro é na estante. Você está na minha estante agora. Vou folheá-lo de vez em quando. Reviver essa história. Olhar as fotos das férias que se foram. Não é masoquismo, é só um saudosismo idiota e sem cura. Vou arrancar alguns sorrisos. Talvez você ainda me arranque algumas lágrimas secas. Vai doer porque agora tenho consciência de que acabou. Um câncer incurável nos atacou pelo caminho. Não te odeio pelas dores que me causou. Ainda te amo pela felicidade que me trouxe um dia. Tudo na vida acaba e eu sempre soube. Virei a página há muito tempo. Mas virar a página é o mais fácil. Preciso agora apontar um caminho. Trilha-lo. Pôr um peso na sua página e parar de lê-la. Pegar uma caneta e começar a escrever na página branca que tanto encaro. Sem dor, sem nostalgia, sem culpas. Fazer uma nova história. Com novos pontos, novos personagens, novos enredos. Preciso abandonar seu livro e achar outros para ler. Preciso entender que amor é ate deixar de ser. Então cá estou, vendo você assim de longe, vou começar a escrever na página branca a minha frente. Que dessa vez a história seja maior que apenas uma estação. E que eu não precise virar outra página mais para frente. Porque talvez nem tudo precise acabar, nem todos os livros precisam ser colocados em estantes e nem todo fim precisa nos ferir. Vou começar a escrever na página branca com outra caneta. Tomara que eu consiga. Estou rezando para que consiga. E parar de reviver uma história que não tem mais solução, porque os pontos já foram dados e não podem mais ser mudados. Lá na frente te conto se consegui. Ou não.
—  Waltedeski e Milaahb
Tente não prometer nada à ninguém. Digo isso porque só se promete algo para uma pessoa importante e ninguém gosta de ser decepcionado. Coloque um foda-se no fim de tudo que te deixa mal mesmo que seja difícil. Se você soubesse com é difícil se encontrar e ter que viver na sombra de quem você nunca foi, de não se conhecer direito, de não saber como fazer para acertar teu próprio prumo. E na maioria das vezes, a única coisa que temos que fazer é aceitar e seguir em frente, não ficar batendo na mesma tecla, acredite que isso só piora as coisas. Olha, eu sei que é difícil aceitar algumas coisas, mas, às vezes a única opção é essa. Eu sinto saudades de quase tudo, de quando eu era pequena e não precisava me preocupar com coisas de adultos, quando eu trocava as roupinhas das minhas bonecas ou de quando brincava de se esconder o dia todo, quando eu estava na escola e só pensava em estudar. É duro ver as coisas se acabando, ver o que eu vivi estar sendo destruído pelas pessoas. Ao passar do tempo as pessoas vão mostrando quem elas são de verdade e vão indo embora. Não que eles façam falta, é porque eu não entendo a graça de entrar na minha vida, dizer coisas bonitinhas, fazer promessas e ir embora. Tô me desapegando de tudo e de todos; então, se quiser - só se quiser de verdade -, faça comigo, me procure, porque eu cansei de correr atrás. Eu não quero viver pra agradar os outros. Eu digo pra mim mesma que vou parar de me importar com o que pensam, mas é difícil tapar os ouvidos para o que me guiou por tanto tempo, difícil ignorar as vozes no acostamento da minha estrada. Eu queria que o tempo me guiasse, que a opinião dos outros não me envolvesse tanto, mas como dizem: querer não é poder; continuo seguindo, errando, dando murro em faca, só para ver se aprendo, infelizmente não é o que acontece. Tô tentado suavizar a minha existência, fazendo o máximo para não decepcionar ninguém, não passar uma imagem errada, mas não tô bem fazendo conta disso, pois não sei realmente que imagem que sou, não sei se o que estou mostrando é o mais verdadeiro, não sei, apenas não sei. Eu vivo tentando me descobrir para tentar dar o melhor de quem eu sou à mim mesma, e um dia à quem resolver ficar e deixar eu me apegar sem medo de errar, mas de tantas camadas de alguém que eu nunca fui e nunca serei me cobrindo eu acabei me perdendo no caminho da descoberta. Eu não sei quem eu sou, e tenho medo de saber. Mas quero me encontrar para poder me levantar e não me importar com o que os outros falam, por que as camadas que me cobrem se importam, mas eu sei que o meu verdadeiro eu não.
—  -Escrito por Milene, Paula e Ana Laura em Julieta-s 
Prumo

Cada letra lapidada
Na alma e no papel
Na forma de versos
Com tantos sentimentos
Guinam por caminhos
Diferentes direções
Passeando longe da razão
Atravessando corações
Em cada peito uma seta
Que de emoção serve de alerta
Para estes versos sem rumo
Que só no folego da vida
Encontram seu prumo

Yurgen Maas

O mundo estava em chamas, e o solitário Sol se tornava um iceberg quando alguém não superava uma perda. Eu nunca sonhei que conheceria alguém como você,  e eu nunca sonhei que perderia alguém como você. Mas perdi. Meu desejo era sair por ai. Sem rumo, sem prumo até me reencontrar. Que coisa perversa de se fazer, criar um laço e depois desfazê-lo sem um real porquê.
—  O Sol ainda está frio. O mundo insiste em se desfazer nas chamas. 
te peço: vem

é teu aniversário, mas sou eu quem envelhece mil anos a cada despedida, a cada abraço, a cada desengano: somos nada.

e de nada em nada, escrevo poemas e encho páginas de um caderno inteiro. você bem sabe dos meus exageros, dos meus mundos hiperbólicos que não te conto, mas te choro porque seus ombros são galhos onde (condor) paro pra repousar. eu descobri que só sou feliz quando posso voar sem rumo, sem prumo, sem desconfiar de quando e como chegar. quando voo alto, não dói tanto quanto quando piso no asfalto. quando voo livre, consigo repousar e rir.

mas tem outro tempo: teu abraço. é lugar, mas é tempo porque é pouso e pausa (pausa é tempo) e tenro. tenho medo de nunca mais chegar num olhar seu e sentir solos de guitarra por você. já ouviu aqueles gritos desesperados do dave? (ain’t that the way it always starts?) é assim que me sinto por você nos dias nublados. e quando faz sol: praia, anzol, leblon. nunca soube mesmo nadar.

voltamos pra cá: somos nada. só lembro que isso dura mais de dois terços da minha vida. nada nunca chegou tão perto de ser minha casa. e é isso. sou eu que faço mil anos luz de idade hoje: todos eles na iminência de ser raio lunar da tua estrela. feliz, apago minha luz e faço fotossíntese em ser nada pra você. (condor) pouso nisso e deixo alvorecer poesia.