prumos

A verdade é que são dias difíceis e confesso que me perco fácil na multidão. O mundo parece girar ao contrário. Eu tenho medo da maldade, eu custo a me aceitar na rotina do dia a dia, meu coração é impressionável demais, eu me encanto com facilidade e de uma forma intensa pelo interior das pessoas, minha loucura é inventativa ao extremo e no final sempre quebro a cara, me fodo toda com minhas fantasias alucinantes. A culpa é minha de ter um coração que quer sempre voar, um corpo indócil que detesta viver e uma mente lisérgica e ofegante. E quando a coisa fica negra, meu pai sorri e diz que vai passar, artista é sempre assim, como se houvesse alguma dignidade em tudo isso. As vezes, chego a me convencer que, finalmente, tudo vai ficar bem. Mas, em algum momento nessa minha caminhada, eu tropeço em mim mesma e mergulho no meu abismo incurável. Eu sou uma pessoa fora de prumo, minha diagonal aponta pra queda, meu tempo na terra está por um triz.
—  Elisa Bartlett
Eu me misturei com a chuva no vidro. Eu desaguei amor. Cansei de te superar, agora eu te acostumo. Sem prumo, sem rumo, aí fumo a saudade que eu sinto e evaporo as lembranças. Esquecer dá trabalho, esquecer você abre uma cicatriz, fico feliz, só não caio por um triz e então peço bis, nessa coisa que é gostar de você e só eu que não sei fazer, ou sei, mas esqueci. Esqueço as palavras, os versos, mas amor mesmo só rima com teu nome. Então você some, a saudade me consome e o coração morre de fome. Ninguém vive de lembrança, dançar com a saudade cansa, dá vontade de chorar igual criança, é sempre a mesma dança. Só o que fica é a esperança. A esperança é um urubu pintado de verde, eu espero que viver sem mim seja fácil pra você. Eu desaguei amor e escorri no vidro embaçado, lembrando de como era estar ao seu lado, querendo morrer atropelado, pelo seu sorriso marcado. Eu não vivo mais de amor, dos próximos dias eu só espero fé. A felicidade é aqui perto? Porque eu tô indo a pé.
—  Ciceero M.

mas meu bem,

cê tem um dom
que ninguém mais tem

me faz perder o rumo
o passo
o prumo

e que Deus me perdoe, 
perco até mesmo a fé,

cê me desconserta por inteiro, moça,

me faz errar o verso
que nem era pra ser rima

mas culpado seja
o seu riso,

agora é.

—  Stanley Menezes

Quantas vezes você já ficou na pior, mas depois tudo começou a melhorar e voltar aos prumos? Então, só estou querendo dizer que agora é só mais uma vez, acontecerá novamente. Sempre fica tudo bem. Acredite!

Prumo

Cada letra lapidada
Na alma e no papel
Na forma de versos
Com tantos sentimentos
Guinam por caminhos
Diferentes direções
Passeando longe da razão
Atravessando corações
Em cada peito uma seta
Que de emoção serve de alerta
Para estes versos sem rumo
Que só no folego da vida
Encontram seu prumo

Yurgen Maas

Tente não prometer nada à ninguém. Digo isso porque só se promete algo para uma pessoa importante e ninguém gosta de ser decepcionado. Coloque um foda-se no fim de tudo que te deixa mal mesmo que seja difícil. Se você soubesse com é difícil se encontrar e ter que viver na sombra de quem você nunca foi, de não se conhecer direito, de não saber como fazer para acertar teu próprio prumo. E na maioria das vezes, a única coisa que temos que fazer é aceitar e seguir em frente, não ficar batendo na mesma tecla, acredite que isso só piora as coisas. Olha, eu sei que é difícil aceitar algumas coisas, mas, às vezes a única opção é essa. Eu sinto saudades de quase tudo, de quando eu era pequena e não precisava me preocupar com coisas de adultos, quando eu trocava as roupinhas das minhas bonecas ou de quando brincava de se esconder o dia todo, quando eu estava na escola e só pensava em estudar. É duro ver as coisas se acabando, ver o que eu vivi estar sendo destruído pelas pessoas. Ao passar do tempo as pessoas vão mostrando quem elas são de verdade e vão indo embora. Não que eles façam falta, é porque eu não entendo a graça de entrar na minha vida, dizer coisas bonitinhas, fazer promessas e ir embora. Tô me desapegando de tudo e de todos; então, se quiser - só se quiser de verdade -, faça comigo, me procure, porque eu cansei de correr atrás. Eu não quero viver pra agradar os outros. Eu digo pra mim mesma que vou parar de me importar com o que pensam, mas é difícil tapar os ouvidos para o que me guiou por tanto tempo, difícil ignorar as vozes no acostamento da minha estrada. Eu queria que o tempo me guiasse, que a opinião dos outros não me envolvesse tanto, mas como dizem: querer não é poder; continuo seguindo, errando, dando murro em faca, só para ver se aprendo, infelizmente não é o que acontece. Tô tentado suavizar a minha existência, fazendo o máximo para não decepcionar ninguém, não passar uma imagem errada, mas não tô bem fazendo conta disso, pois não sei realmente que imagem que sou, não sei se o que estou mostrando é o mais verdadeiro, não sei, apenas não sei. Eu vivo tentando me descobrir para tentar dar o melhor de quem eu sou à mim mesma, e um dia à quem resolver ficar e deixar eu me apegar sem medo de errar, mas de tantas camadas de alguém que eu nunca fui e nunca serei me cobrindo eu acabei me perdendo no caminho da descoberta. Eu não sei quem eu sou, e tenho medo de saber. Mas quero me encontrar para poder me levantar e não me importar com o que os outros falam, por que as camadas que me cobrem se importam, mas eu sei que o meu verdadeiro eu não.
—  -Escrito por Milene, Paula e Ana Laura em Julieta-s 
O mundo estava em chamas, e o solitário Sol se tornava um iceberg quando alguém não superava uma perda. Eu nunca sonhei que conheceria alguém como você,  e eu nunca sonhei que perderia alguém como você. Mas perdi. Meu desejo era sair por ai. Sem rumo, sem prumo até me reencontrar. Que coisa perversa de se fazer, criar um laço e depois desfazê-lo sem um real porquê.
—  O Sol ainda está frio. O mundo insiste em se desfazer nas chamas. 
Ret

Ja comecei a subir e não vou mais descer O que me destruiu, farei desaparecer Melhor me deixar quieto Pra coisa não feder Eu conheci o inferno, não queira conhecer E uma vez lá, sempre um pouco lá Agora poucas coisas podem me fazer chorar Perdi o prumo, eu vivo em fuga Agora eu bebo e fumo pra ignorar Me desfazendo em versos Em meu cinismo Em meu deboche, em meu pessimismo Chame de suicídio, rótulos são em vão É na Luz da Perdição Que eu me encontro e vivo Ontem matei uma garrafa de whisky Já não sei se ando feliz ou triste Perdido eu sempre tô Meu amor, não desisto Sou mais uma vítima Desse mundo promíscuo

Todo mundo gosta de imaginar o Calvin sendo pai, mas o que me faz perder o prumo é pensar nele sendo filho, sabe? Deitado no sofá, a cabeça no colo da mãe, ela mandando ele fazer aquela barba…
😢😢😢

O Homem Velho

“O homem velho deixa vida e morte para trás
Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais

O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
O homem velho é o rei dos animais

(…) Os filmes, livros, filhos, discos
ditos como um vendaval
Espalham-no na ilusão do seu ser pessoal
Mas ele dói e ri, indivíduo, maravilha sem igual
Já tem coragem de saber que é imortal (…)”

Foto de Vitor Silveira, in “A Terceira Margem”, 2016
Poema de Caetano Veloso, in “Velô, 1984

O Imperador - Oportunidade para arrumações e para estabelecer relações sinceras. Distribuir o tempo de modo criterioso. Arrumar as coisas, desde o simples reparo de um objeto até o esclarecer de fatos difíceis numa relação. Tempo de colocar em prática as ideias e os planos que, se estivermos no prumo, se realizam naturalmente.

A Imperatriz - Fase de extraordinária criatividade. Momento em que um problema, por muito tempo ocultado, pode se tornar consciente. Possibilidades de novas ideias, criatividade. Tensões interiores que podem ser expressas através da música, poesia, ideias, trabalhos manuais.

A força que une os opostos permite o novo vir à luz!