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Juntei todas as minhas forças, e mais algumas que peguei emprestadas de amigos, gurus e santos, e disse adeus à única coisa que realmente me dava alegria nesta vida. Claro que eu adoro meu apê, minha cachorra, meu trabalho, meus amigos, meus livros, viagens, músicas. Tenho uma vida ótima. Mas nenhuma dessas coisas se comparava ao prazer que eu tinha ao ouvir o barulhinho de uma mensagem dele chegando. Ou de quando o porteiro dizia seu nome e o meu coração disparava tanto que eu tinha medo de morrer antes de o elevador abrir a porta. E olhar para ele, com o seu sorriso misturado de pior e melhor pessoa do mundo. E olhar o brilho dos seus olhos sem saber se vinha da alma ou da lente de contato. Enfim: olhar e me sentir errando tanto e acertando muito. Isso tudo fazia valer os últimos dez, quinze ou quarenta dias sem saber se ele estava ou não vivo. Era um jogo estúpido, mas o brindezinho que eu ganhava no final justificava os dias de luta perdida. Mas aí resolvi começar o ano fora dessa palhaçada. Essa não parece a história de uma mulher esperta ou que merece uma história melhor. Quem pode cobrar da vida uma história de verdade se fica alimentando uma coisa desse tipo? Chega (…) A esperança de que ele ligasse ou aparecesse ou ficasse para sempre fazia a vida ser boa não importasse a espera. Mas mais uma vez eu pergunto: essa parece a história de uma mulher esperta e que merece receber da vida uma companhia bacana, madura, profunda e para a vida? Não. Óbvio que não. Por isso, com muito custo, chacoalhei minhas mangas. E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora. Doeu um, dois dias. No terceiro, a melhor coisa do mundo virou a melhorzinha. Que virou a décima melhor. Que não virou nada.
—  Tati Bernardi
Tá sentindo falta? Você deveria é sentir vergonha na cara isso sim. VERGONHA de correr atrás de quem não dá um passo para te ver, vergonha de tentar falar sempre com quem só te deixa falando sozinha, vergonha de querer ver uma pessoa, que ao invés de pensar em você, pensa em outras. Ai quando ele tem a boa vontade de te responder, e voltar, ele vem com a maior cara de cachorro sem dono, pedindo para ficar com você de novo. Você olha para ele e pensa: Caramba, eu corri tanto atrás dele, e agora que eu "desencanei " ele vem atrás. Ele não tem um pingo de vergonha na cara? Mais quer saber menina, você gosta quando ele vem atrás. Você xinga ele, fala mal dele para meio mundo, mais se ele vem atrás de você, a coisa muda. Diante disso vergonha mesmo quem deveria ter, é você! Ele volta quando ele quer, fala com você quando bem entender, e você responde. E ainda fica com aquele sorrisinho no rosto de mulher apaixonada iludida, achando que as coisas vão mudar.O que você precisa mesmo menina é vergonha na cara e amor próprio. É o que falta em você!
Tento me concentrar numa daquelas sensações antigas como alegria ou fé ou esperança.Mas só fico aqui parado, sem sentir nada, sem pedir nada, sem querer nada.
—  Caio F.de Abreu.
Vi uma frase por aí: “não confie em quem some”. Acho que eu concordo com ela. Por que? Porque acredito que não há correria no mundo que seja grande demais para alguém ser incapaz de dar um telefonema, enviar uma mensagem ou dar um jeito de manter o contato. Nem mesmo a distância é mais desculpa, já que a internet facilita a comunicação e não exige nenhuma proximidade para isso. As pessoas aparecem quando querem, essa é a verdade. E se esse querer só acontece em situações extremas ou uma vez por ano, é porque a vontade não é tão grande assim. E se ela não é tão grande assim, adivinhe? Você deve considerá-la tão descartável quanto a sua presença para esse alguém.
—  Natália Almeida. (Diseas-e)