prefeitura

Não, não dá pé. Ele já se sente cansado, mas compreende que ainda precisa nadar um pouco. Dá cinco ou seis braçadas, e tem a impressão de que não saiu do lugar. Pior: parece que está sendo arrastado para fora. Continua a dar braçadas, mas está exausto. A força dos músculos esgotou-se; sua respiração está curta e opressa. É preciso ter calma. Vira-se de barriga para cima e tenta se manter assim, sem exigir nenhum esforço dos braços doloridos. Mas sente que uma onda grande se aproxima. Mal tem tempo para voltar-se e enfrentá-la. Por um segundo pensa que ela vai desabar sobre ele, e consegue dar duas braçadas em sua direção. Foi o necessário para não ser colhido pela arrebentação; é erguido, e depois levado pelo repuxo. Talvez pudesse tomar pé, ao menos por um instante, na depressão da onda que passou. Experimenta: não. Essa tentativa frustrada irrita-o e cansa-o. Tem dificuldade de respirar, e vê que já vem outra onda. Seria melhor talvez mergulhar, deixar que ela passe por cima ou o carregue; mas não consegue controlar a respiração e fatalmente engoliria água; com o choque perderia os sentidos. É outra vez suspenso pela água e novamente se deita de costas, na esperança de descansar um pouco os músculos e regular a respiração; mas vem outra onda imensa. Os braços negam-se a qualquer esforço; agita as pernas para se manter na superfície e ainda uma vez consegue escapar à arrebentação. Está cada vez mais longe da praia, e alguma coisa o assusta: é um grito que ele mesmo deu sem querer e parou no meio, como se o principal perigo fosse gritar. Tem medo de engolir água, mas tem medo principalmente daquele seu próprio grito rouco e interrompido. Pensa rapidamente que, se não for socorrido, morrerá; que, apesar da praia estar cheia nessa manhã de sábado, o banhista da Prefeitura já deve ter ido embora; o horário agora é de morrer, e não de ser salvo. Olha a praia e as pedras; vê muitos rapazes e moças, tem a impressão de que alguns o olham com indiferença. Terão ouvido seu grito? A imagem que retém melhor é a de um rapazinho que, sentado na pedra, procura tirar algum espeto do pé. A ideia de que precisará ser salvo incomoda-o muito; desagrada-lhe violentamente e resolve que de maneira alguma pedirá socorro, mesmo porque naquela aflição já acha que ele não chegaria a tempo. Pensa insistentemente isto: calma, é preciso ter calma. Não apenas para salvar-se, ao menos para morrer direito, sem berraria nem escândalo. Passa outra onda, mais fraca; mas assim mesmo ela rebenta com estrondo. Resolve que é melhor ficar ali fora, do que ser colhido por uma onda: com certeza, tendo perdido as forças, quebraria o pescoço jogado pela água no fundo. Sua respiração está intolerável, acha que o ar não chega a penetrar nos pulmões, vai só até a garganta e é expelido com aflição; tem uma dor nos ombros; sente-se completamente fraco. Olha ainda para as pedras, e vê aquela gente confusamente; a água lhe bate nos olhos. Percebe, entretanto, que a água o está levando para o lado das pedras. Uma onda mais forte pode arremessá-lo contra o rochedo; mas, apesar de tudo, essa ideia lhe agrada. Sim, ele prefere ser lançado contra as pedras, ainda que se arrebente todo. Esforça-se na direção do lugar de onde saltou, mas acha longe demais; de súbito, reflete que à sua esquerda deve haver também uma ponta de pedras. Olha. Sente-se tonto e pensa: vou desmaiar. Subitamente, faz gestos desordenados e isso o assusta ainda mais; então reage e resolve, com uma espécie de frieza feroz, que não fará mais esses movimentos idiotas, haja o que houver; isso é pior do que tudo, essa epilepsia de afogado. Sente-se um animal vencido que vai morrer, mas está frio e disposto a lutar, mesmo sem qualquer força; lutar ao menos com a cabeça; não se deixará enlouquecer pelo medo. Repara, então, que, realmente, está agora perto de uma pedra, coberta de mariscos negros e grandes. Pensa: é melhor que venha uma onda fraca; se vier uma muito forte, serei jogado ali, ficarei todo cortado, talvez bata com a cabeça na pedra ou não consiga me agarrar nela; e se não conseguir me agarrar da primeira vez, não terei mais nenhuma chance. Sente, pelo puxão da água atrás de si, que uma onda vem, mas não olha para trás. Muda de ideia; se não vier uma onda bem forte, não atingirá a pedra. Junta todos os restos de forças; a onda vem. Vê então que foi jogado sobre a pedra sem se ferir; talvez instintivamente tivesse usado sua experiência de menino, naquela praia onde passava as férias, e se acostumara a nadar até uma ilhota de pedra também coberta de mariscos. Vê que alguém, em uma pedra mais alta, lhe faz sinais nervosos para que saia dali, está em um lugar perigoso. Sim, sabe que está em um lugar perigoso, uma onda pode cobri-lo e arrastá-lo, mas o aviso o irrita; sabe um pouco melhor do que aquele sujeito o que é morrer e o que é salvar-se, e demora ainda um segundo para se erguer, sentindo um prazer extraordinário em estar deitado na pedra, apesar do risco. Quando chega à praia e senta na areia está sem poder respirar, mas sente mais vivo do que antes o medo do perigo que passou. “Gastei-me todo para salvar-me, pensa, meio tonto; não valho mais nada.” Deita-se com a cabeça na areia e confusamente ouve a conversa de uma barraca perto, gente discutindo uma fita de cinema. Murmura, baixo, um palavrão para eles; sente-se superior a eles, uma idiota superioridade de quem não morreu, mas podia perfeitamente estar morto, e portanto nesse caso não teria a menor importância, seria até ridículo de seu ponto de vista tudo o que se pudesse discutir sobre uma fita de cinema. O mormaço lhe dá no corpo inteiro um infinito prazer.
—  Rubem Braga.
Nightmare

Prólogo/Informações


Capítulo 1 – O primeiro nível: A descoberta.

Pov. JungKook

Era mais de meia noite, a pequena luminária estava ligada para que eu me acomodasse. Não foi exatamente difícil entrar ali, faltavam alguns dias para a venda. O problema exatamente era a pessoa que estava comigo, reclamando de provocar coisas que não seriam boas. Park Jimin era uma graça quando tinha medo. Meu saco de dormir estava arrumado perto da parede, ele dormiria comigo como um bom namorado faria – ou pelo puro medo.

- Você nunca assistiu filmes de terror? – perguntou cismado – Quem procura sempre acha.

- Assisti vários. – respondi simples, então decidi brincar. – O que tem mais medo sempre morre primeiro, Jiminie.

Pude ouvi-lo bufar alto como se dissesse claramente que entendia meu ponto de vista e não estava querendo prova-lo. Fui até ele, massageando seus ombros e beijando sua bochecha. Claro que ele relaxou, dando um sorriso meigo e assentindo. Eu era uma criança curiosa, qual o problema disso? Tudo bem que agora eu já não era mais criança, porém a parte do “curiosa” sempre estaria ali.

- É só uma casa – falei.

- Se é só uma casa, então o que estamos fazendo aqui?

- Provando um ponto de vista – sorri – É só uma noite.

- Você me prometeu que veríamos uma animação e dormiríamos juntos – soltou outro bufar – E então veio com essa casa… Isso é propaganda enganosa.

- Prometo que quando sairmos daqui… Eu vou fazer o que você quiser.

- O que eu quiser? – arqueou uma sobrancelha – Inclusive… Fisicamente?

- Qualquer coisa – pisquei e ele riu. Batalha vencida.

-Ei… Pombinhos – Yoongi chamou da porta – Vamos começar a instalar as câmeras, NamJoon pediu ajuda.

Assenti pra ele e vi quando o mesmo saiu, voltei minha atenção para Jimin que esperava uma reação, beijei seus lábios lentamente e sorri pra ele.

- Vamos lá… Dê uma chance.

Jimin apenas deu de ombros, não era como se houvesse opção. Andamos pelo corredor, encontrando Hoseok com seus fones de ouvido colocando uma câmera em um tripé. Fui até a cozinha, Jin e NamJoon instalavam algumas ali também.

- Onde quer que eu coloque? – perguntei curioso.

- No seu quarto – sorriu de maneira besta e revirei os olhos – Sem sexo essa noite.

- Como se fosse excitante – Jimin rebateu fazendo-nos rir.

- Jiminie… Pode colocar? – perguntei – Eu vou colocar ao redor da casa.

- Leve Taehyung com você – NamJoon disse sobre o ombro – Ele está jogado em algum canto jogando.

Taehyung não perdia uma chance de fugir do serviço ou irritar NamJoon. Jimin pegou os equipamentos, me dando um tapinha na bunda ao passar e tive que rir, procurei meu melhor amigo que estava jogado na banheira, jogando alguma coisa.

- Você é uma coisa mesmo – cruzei meus braços – Vamos lá pra fora colocar as câmeras.

- Modo furtivo – disse-me fazendo um “ok” com os dedos – E seu namorado?

- Está instalando no quarto…

- Uh – arqueou uma sobrancelha e fiz minha típica cara de quem não queria falar sobre – Se você o trouxe pra impressionar, sinto muito.

- Não é por isso – joguei minhas mãos com raiva – Por que essa implicância com o Jimin?

- Ele está se borrando, JungKook.

- E…? - fiz sinal com a mão pra ele continuar – Eu acho que está com ciúmes.

- Talvez… – suspirou – Mas as câmeras não vão se instalar sozinhas.

Estiquei a mão e o ajudei a sair da banheira. Andamos com as câmeras, foi um pouco estranho ter que disfarçar e colocar tudo rapidamente. A vizinhança naquela era bem remota, maioria de alguns idosos, o que consistia em puro silêncio e dormir cedo. Depois de tudo pronto, NamJoon fez o teste e pudemos ver as pequenas telinhas em seu computador, estávamos monitorando caso dormíssemos.

- E agora? – Jimin perguntou.

- Vamos contar historias de terror – Taehyung balançou as sobrancelhas.

- Pare com isso – Jin deu um tapinha nele – Mas realmente… Se tiver alguma coisa nessa casa, como vamos chamar?

- Não vamos – meu namorado disse sério – Não vamos mexer com isso.

- Vamos apenas esperar uma hora – afirmei – Depois disso vamos ver o que acontece…

Fui para o meu quarto, abrindo um salgadinho e beliscando, Jimin juntou-se a mim, ficando em silêncio e observando as paredes. Taehyung apareceu um momento depois, perguntando se podia ficar ali jogando, então nós três permanecemos em silêncio.

- Você pesquisou sobre os antigos moradores? – Jimin perguntou baixinho.

- Sim… Nada muito anormal – dei de ombros – Por quê?

- Essa casa não parece perfeita de mais?

- Devo concordar com o baixinho – Taehyung disse sem olhar para nós – É mais arrepiante do que a antiga.

- Eu não vi a antiga – Jimin ficou curioso – Como era?

- Bem… – fui eu que respondi – Era maior, não sei o motivo. Também não havia segundo andar, somente um cômodo nos fundos.

- Era maior que isso? – franziu o cenho – Então era enorme.

- Minha mãe disse que o senhor que morava aqui era bem fechado – Taehyung voltou a falar – Depois que a mulher dele morreu, ele mal saía de casa.

- Bom, ele perdeu alguém que amava – meu namorado disse triste – É meio compreensível.

Pude ver Taehyung revirando os olhos e o chutei de leve, ouvindo-o murmurar um palavrão. Eu sabia muito pouco do antigo morador, a prefeitura não divulgou nada e também não havia grande polêmica. Era um senhor de idade, aposentado, acabou morrendo de enfarte e só isso.

Acabou que deitei no colo de Jimin, e devo ter cochilado. Quando acordei no meio da noite, meu namorado dormia pacificamente, assim como Taehyung. Seu pequeno vídeo game portátil em sua barriga, desligado. Levantei coçando os olhos e querendo usar o banheiro, quando saí no corredor tive que parar… Em minha visão periférica, havia alguém parado na outra extremidade. Girei em meus calcanhares e parei de respirar.

Uma garotinha loira… Um vestidinho branco simples estava em seu torço. Ela sorria de modo normal, como se quisesse conversar comigo. Era um sonho ou eu estava mesmo vendo aquilo? Tive medo de falar e acabar fazendo com que ela sumisse.

Uma risada de criança, ela correu, e eu fiz o mesmo, tentando alcança-la no corredor, topei com Jin que bocejava e quase caí duro.

- O que está fazendo acordado? – perguntou sonolento.

- E-eu… – gaguejei olhando para trás de seu corpo – Eu podia jurar…

- Vai me dizer que viu um fantasma? – disse debochado e quando não ri, ele apenas continuou – AQUI? AGORA?

- Quieto – fechei meus olhos – Sim, aqui… Agora. Ele passou… Por você, tecnicamente.

- O QUÊ?

- Que bagunça é essa? – Yoongi surgiu no corredor – Por que vocês estão berrando?

- JungKook viu um fantasma.

- Sério? – Yoongi arqueou uma sobrancelha – Bom… Vamos checar no computador.

NamJoon quase dormia em sua própria mão, quando nos viu tentou se endireitar e falhou. Tive que explicar umas cinco vezes o que havia acontecido, e quando vimos a filmagem, simples. Não havia nada ali…

- Jeon – Yoongi colocou a mão em meu ombro – Talvez tenha sido o sono.

- Talvez – repeti mais pra mim mesmo – Melhor ficarmos acordados, se aparecer de novo, já sabem.

Voltei para o quarto, ambos ainda estavam dormindo. Com cuidado, acordei Taehyung e pedi que fizesse silêncio, ele foi comigo até a sala e ficamos encarregados de olhar pela cada procurando o fantasma da garotinha. Com a minha lanterna, andei pelos cômodos, iluminando e procurando com cuidado. Ouvi um berro… Era Jimin. Droga! Corri pela casa, entrando no quarto e vendo meu namorado encolhido, com o rosto coberto.

- Jimin? – chamei – O que houve?

Ele se virou lentamente, olhando ao redor e quase pulando em mim. O abracei forte, sentindo seu coração acelerado.

- Havia algo aqui – falou rápido – Eu juro!

- Algo tipo o que? – Taehyung perguntou da porta.

- Uma menina…

- Eu disse – sorri convicto – Precisamos acha-la.

- Nem a pau – Jimin soltou – Nunca mais…

- GENTE! – ouvimos um berro – NA COZINHA.

Corremos pela casa enorme, encontrando Hoseok na cozinha segurando uma frigideira, apontou para o balcão e havia algo rabiscado na bancada de madeira: “saia pela porta dos fundos”.

- Vamos… – comecei a caminhar animado. Jimin segurou meu braço negando com a cabeça e respirei fundo – Está tudo bem, ela não vai nos machucar.

- Como pode ter tanta certeza? – foi Hoseok quem perguntou – Eu não vi nada e já acho que talvez tenhamos que tomar cuidado.

- Ele tem razão – NamJoon disse sério – Vamos fazer o seguinte. Eu, JungKook e Yoongi vamos lá fora… Vocês ficam aqui.

Com cuidado, saímos pela porta dos fundos, o cuidado era devido ao fato que se alguém nos pegasse ali, seriamos presos por invasão. Andei pelo quintal, procurando com cuidado, o céu estava aberto, o que nos ajudava a enxergar pelo menos um pouco sem lanternas. Sobre uma mureta estava a menina, sorrindo pra mim, fiz sinal com a mão e os dois pararam perplexos.

- O que você quer? – perguntei baixinho – Qual o seu nome?

Ela não me respondeu, continuou parada encarando-me com aquele sorriso. Não havia uma aura dizendo-me que estávamos encrencados, e sim uma calmaria. Apontei para a casa e continuei:

- Você quer nos dizer alguma coisa sobre a casa? – perguntei ainda calmo e ela assentiu – O que você quer?

Nada. Ela não disse nada, apenas sorriu ainda mais, apontando para a porta dos fundos. Não entendi exatamente o que ela queria dizer, parecia falar para entrarmos novamente. Mas o que aquilo significava?

- Ela quer que entremos? – Yoongi perguntou confuso.

- Parece que sim – respondi sério – Depois que entrarmos, você quer que achemos alguma coisa?

Ela sorriu ainda mais e entendi que estávamos realmente nos comunicando. Ela queria que entrássemos novamente, buscássemos alguma coisa… Era algum começo.

- Onde está essa coisa? – perguntei com calma.

- Melhor você citar algumas coisas – foi a vez de NamJoon se pronunciar – Algum lugar da casa, ela não parece que vai falar diretamente.

- Está no quarto dos fundos? – perguntei e ela não se mexeu – Na cozinha? – nada – No quarto da frente? – ela sorriu novamente daquela maneira grande.

Seu pequeno corpo se mexeu, soltando um risinho e correndo pelo jardim. Ainda na penumbra, vimos quando ela sumiu em direção ao fundo do terreno. Só havia um caminho, voltamos para dentro e encaramos os outros lá dentro.

- Ela se comunicou com a gente – falei sorrindo.

- O quê? – Jimin soltou com medo – Nada disso…

- Mandou buscarmos algo no quarto da frente – Yoongi disse sincero – Parece uma caça ao tesouro. Ela vai aparecer novamente se não acharmos?

- Tomara que não – Hoseok sussurrou, porém o ouvimos muito bem – Vamos acabar com isso logo então…

Praticamente fomos em fila indiana, alguns de nós pareciam prestes a participar de uma invasão da SWAT, o que deixava o clima meio engraçado. Com cuidado, abri a porta do quarto da frente, onde Jin e NamJoon estavam dormindo e cuidando. Não havia nada ali, entrei e olhei para as paredes limpas e lisas. O piso havia sido trocado há poucas semanas, não tinha nada, se alguém achou… Foi muito antes de nós. Olhei para a janela e lá estava a garotinha, sorrindo pra mim, indiquei com a mão e todos que já estavam em silêncio não ousaram dizer qualquer coisa.

- Onde eu devo ir? – perguntei animado – Na cozinha?

- Te proíbo de dizer porão – Jimin sussurrou.

- Quieto – Taehyung alertou – Continue, Jeon.

- Na cozinha? – perguntei com calma e ela assentiu – E depois? Quarto do meio? – ela não respondeu e continuei – Banheiro?

Ela sorriu grande e correu. Parecia como jogar detetive, seguindo as pistas de alguém, só que nesse caso, esse alguém não estava mais entre nós. Ainda excitado, segui para a cozinha e encontrei o balcão com outra mensagem “bata na parede do banheiro quatro vezes”.

- Você não está pensando em fazer isso… Está? – meu namorado perguntou.

- Vamos – disse animado – Ou vocês podem ficar aqui.

- Nem a pau – Jimin colou-se em mim – Eu não quero nunca mais ficar sozinho nessa casa.

O banheiro não era tão aperto, caímos todos ali sem sufoco. Depois de fechar a porta, NamJoon assentiu pra que eu continuasse, bati quatro vezes na parede e nada. Quando estávamos todos quase desistindo e saindo, passos no corredor passaram pela porta do banheiro, vimos um vulto por baixo da mesma. Ninguém se mexeu, não parecia ser uma criança e sim um… Salto alto? Então do nada a maçaneta começou a mexer como se alguém quisesse entrar, todos se afastaram do pedaço de madeira, respirando ofegante. Os passos saíram e veio o completo e total silêncio.

- Isso não tem a menor graça – Hoseok disse baixinho – Quem vai sair primeiro?

Revirei meus olhos, indo até a porta e abrindo. Olhei para ambos os lados e nada. Saí e fiz sinal para os outros, voltei para a cozinha e o balcão ainda estava riscado, mas com outra mensagem “ela não gosta de barulho”. Quem não gostava de barulho?

- Oh cara – Taehyung soltou – Isso está muito doido.

- Vamos verificar as câmeras – Jin disse sério – Se tinha alguém na porta do banheiro, provavelmente está registrado.

O problema era: quando entramos no quarto, todas as câmeras estavam off-line. NamJoon tentou arrumar, o que nos rendeu pelo menos uns cinco minutos, quando por fim as câmeras voltaram, ele buscou o backup dos arquivos, ninguém quis dizer nada quando finalmente vimos o vídeo. A pessoa não estava do lado de fora, e sim dentro, algo entrou conosco no banheiro.  

- Tinha algo com a gente – Yoongi sussurrou – Mas…

- Nós precisamos achar aquela menina – falei convicto – Precisamos saber o que fazer agora.

- Sério mesmo? – Jimin soltou perplexo – Posso falar com você por um minuto?

Assenti e pedi que os outros esperassem ali, fechei a porta do quarto e me afastei um pouco, Jimin cruzou os braços, parecia com medo.

- Eu vim até aqui porque confio em você – começou sério – E parece que você não entende a gravidade da situação.

- Jimin…

- Não – cortou-me – Eu não vou mais ser dobrado, isso já está passando dos meus limites.

Cocei a cabeça sem saber o que falar, ele não podia sair no meio da noite, sozinho. Eu também não podia apenas abandonar todos os meus amigos ali e ir embora. Era um impasse e ele sabia muito bem disso.

- O que você quer que eu diga? – suspirei.

- Vamos apenas dormir – falou sério – Amanhã vamos embora. Se quiser caçar seus fantasmas, por mim tudo bem, mas faça isso sem mim.

- Ou…? – perguntei confuso.

- Ou eu juro que irei embora – nos encaramos – E se eu for, pode apostar que estamos terminando.

Jimin ia terminar comigo? Arregalei meus olhos. Eu passei dois anos gostando dele antes de finalmente conseguirmos namorar. E agora eu estava ferrando com tudo? A porta do quarto abriu, Taehyung saiu de lá com uma carranca.

- Deu pra ouvir tudo do quarto – bufou alto – Estou indo jogar.

Agora Taehyung ficaria bravo comigo também. Jimin apenas saiu andando, voltando para o nosso suposto quarto, os outros vieram até o corredor, com uma cara que dizia claramente que ouviram tudo.

- Eu sinto muito – Hoseok falou sério – Talvez seja melhor mesmo a gente dar um tempo, não é culpa dele, você tê-lo trazido e ele sentir medo.

- Nisso Hoseok tem razão – Jin assentia – Melhor ir falar com ele.

- EU ACHO MELHOR VOCÊS VIREM AQUI – ouvimos Jimin praticamente berrando.

O que seria dessa vez? Quase corremos até o quarto, a menina estava parada, olhando para Jimin com certa… Curiosidade? Puxei meu namorado, abraçando-o de lado e respirando fundo. Eu também não podia negar aquela presença.

- Quem não gosta de barulho? – perguntei alto – Você quer nos mostrar alguma coisa?

Ela sorriu pra mim, apontando para a porta do quarto. As paredes do quarto do nada começaram a ficar mofadas. Jimin soltou um berro grudando-se em mim, enquanto todos estavam perplexos. Taehyung veio correndo e parou quando nos viu ali… O que diabos estava acontecendo? Olhei meu relógio e ele estava quebrado. A garota correu por nós, saindo pela porta e corri atrás dela, a cozinha parecia… Não, estava completamente diferente. As janelas eram antigas, de madeira, pintadas de um verde claro. A cozinha completamente branca, agora era de tijolos. A porta para o jardim estava aberta, e continuei correndo.

- JEON – ouvi alguém me chamar, porém não parei.

Lá fora, estava tudo completamente diferente. Havia outro pedaço da casa, também pintado de branco e verde. E tinha um segundo andar neste, um pequeno parquinho com balanços e a menina me encarava de cima da mureta. O que era aquilo?

- Meu Deus – Yoongi soltou perplexo – O que é isso?

- Eu não faço ideia – olhei ao redor – Mas não parece a mesma casa.

- É a casa anterior – Taehyung disse chocado – Antes de ser demolida.

Jimin correu até mim, abraçando-me e dizendo que tudo estava diferente. Claro que estava, algo fora do normal estava acontecendo ali. Não podia ser real, aquilo não podia estar acontecendo. Uma casa não mudava assim, do dia para a noite.

- A JANELA – Hoseok gritou e nos viramos.

Na casa dos fundos, havia uma mulher na janela, encarando-nos. Ela parecia gritar, porém não havia som, e sua cabeça começou a… Mexer tão rápido parecia mais um vulto. A garota correu, dando uma de suas risadas infantis.

- Eu quero ir embora – Jimin sussurrou pra mim.

- Está tudo bem – segurei seu rosto – Eu vou dar um jeito. Ok?

- Melhor voltarmos pra dentro – NamJoon disse sério.

Ao entrarmos na casa, continuava a mesma coisa, o modelo antigo. Voltamos para a sala, vendo todas as câmeras fora do ar, NamJoon tentou buscar os backups, porém nada. Parecia que não havia funcionado, a hora parecia estranha.

- Um problema pessoal – Jin surgiu do corredor – A porta da frente está trancada.

- O quê? – Taehyung soltou.

- Trancada – ele repetiu – E as janelas também.

Como assim a parte da frente estava trancada? Não havia como sair sem ser pela frente, a parte de trás estava ocupado, com uma casa enorme. Fora os muros enormes dos lados. Não havia vizinhos próximos…

- Vamos esperar amanhecer – NamJoon disse irritado com o computador – Então podemos sair daqui e tento recuperar o drive.

- Venha – puxei Jimin – Vamos até o quarto. Ok?

Ele assentiu meio choroso, era obvio que estava com medo. E quem não estaria? Eu não estava exatamente com medo, contudo aquilo tudo estava muito além do que imaginei. Quando nos sentamos no saco de dormir, ele aconchegou-se em mim.

- Desculpe ter te trazido aqui – disse sincero – Eu não queria te deixar com medo.

- Eu sei – beijou minha bochecha – Desculpe ter dito aquilo.

- Não tem problema. Juro que você me assustou, muito mais que os fantasmas.

- Você consegue ser meigo até em horas como essa, JungKook.

- Desculpe pombinhos – Taehyung apareceu – Mas me disseram pra ficar aqui…

Ficamos os três em silêncio naquele quarto mofado. Falei para os dois que se eles quisessem dormir, eu ficaria de guarda. Jimin demorou a pegar no sono, e Taehyung piscava lento jogando algo qualquer. Quando dei por mim, lá fora começava a clarear e olhei meu relógio. Não marcava a hora corretamente, então cutuquei meu namorado, beijando-o levemente nos lábios, como uma criança ele abriu seus olhos, coçando-os e vendo a luz do sol se infiltrando pela janela.

- Temos um problema – NamJoon apareceu na porta – A porta não abre. As câmeras voltaram tem cinco minutos, mas não consegui acessar o drive.

- É só ligar pra alguém – Jimin disse preocupado – Pra algum parente, ou amigo.

- Estamos sem sinal – Jin balançou o celular – E as baterias estão acabando.

- Podemos pular o muro – Taehyung respondeu sonolento – Não deve ser impossível, estamos em um numero grande. Alguém pode ir atrás de ajuda.

- Ou podemos quebrar uma janela – Yoongi deu a ideia – É só vidro mesmo.

Parecia uma boa ideia. Procuramos uma janela de frente para a rua, o mais engraçado é que não havia ninguém passando do lado de fora. Era estranho? Sim. Yoongi buscou um dos tripés, segurando-o com força e investindo contra a janela. Nem arranhou…

- É vidro à prova de balas? – Taehyung perguntou – Quando pesquisei sobre a casa não havia nada disso.

- Deixe-me tentar – pedi para Yoongi, que me passou o tripé e com força bati contra o vidro. Nada, nem um arranhão. – Vamos tentar arrombar a porta.

- Já tentamos – Hoseok disse sério – Não abriu.

- Vamos tentar a ideia do Taehyung… – Jimin lembrou.

Saímos pela porta da cozinha, procurando um ponto de acesso para o muro. Com cuidado, tentamos ajudar Taehyung a pular para o outro lado, porém ele sentou-se ali, parando bem sério e olhando para o horizonte.

- Tae… – avisei – Seu nariz está sangrando.

- O quê? – ele virou-se perdido. Fiz sinal para seu nariz, ele passou os dedos ali e viu o sangue – O que é isso? Por que…?

Ele quase caiu do muro, só não se quebrou porque seguramos suas pernas a tempo, o descemos do muro, Jimin lhe trouxe água e ele piscou perdido várias vezes.

- O que houve? – perguntou.

- Como assim o que houve? – franzi o cenho – Você tentou pular o muro.

- Claro que não – encarou-me – Vocês disseram pra tentarmos quebrar a janela, primeiro.

Ninguém entendeu absolutamente nada. Olhei para os outros que estavam com uma cara engraçada de confusão, ele não se lembrava de ter subido ali? Ouvi um riso e lá estava a menina de vestido branco. Jimin segurou minha mão, e os outros se juntaram.

- O que você quer? – perguntei sem minha animação, ela riu – O que temos de fazer?

Ela foi até uma das balanças, brincando ali e rindo baixinho. Meu sangue ferveu, todos estavam assustados e tinha algo muito estranho acontecendo ali.

- O QUE VOCÊ QUER? – gritei pra ela.

A garota parou do nada, ficando séria. Encarou a casa por alguns segundos, se virando para nós e fazendo sinal de silêncio com o dedo. Não era para fazermos barulho? Franzi o cenho, ouvindo uma voz de mulher vindo da casa.

Estávamos presos ali… E o pior… Acompanhados de alguma coisa.

 💕 𝔀𝓮𝓵𝓬𝓸𝓶𝓮 𝓽𝓸 𝓵𝓪𝓰𝓾𝓷𝓪'𝓼 𝓹𝓻𝓲𝓭𝓮 𝓵𝓾𝓪𝓾 !!

orgulho, do catalão orgull, pode ter conotação ruim ou boa, dependendo da situação. quando em tom pejorativo, significa sentimento egoísta, admiração pelo próprio mérito, excesso de amor-próprio; arrogância, soberba. entretando, quando usado de forma positiva, significa sentimento de prazer, de grande satisfação com o próprio valor, com a própria honra. é nesse segundo sentido que junho foi escolhido para ser o mês do orgulho lgbt.

quando tony iseman assumiu a prefeitura de laguna beach em 2016, não havia uma pessoa na cidade que não havia escutado os boatos sobre a sexualidade da mulher. esta, porém, nunca fez questão de negar ou afirmar nada sobre o que era falado sobre isso. no lugar, sempre falava sobre a economia da cidade ou alguma melhoria sendo implantada. entretanto, desde o começo de seu mandato, troca provocações com a bancada mais conservadora de políticos do estado da califórnia. 

no mês de junho não seria diferente. aproveitando o tema que tanto está sendo debatido e enaltecido, a prefeita decidiu que também faria sua parte. ainda mantendo sua sexualidade em segredo, espalhou cartazes sobre o tema e começou a organização de um evento, mantendo segredo sobre ele o máximo possível. logo começaram a ser espalhados novos cartazes, dessa vez com as informações sobre um luau na praia.

o ambiente parece mágico. o mar abençoou o evento com a água mais quente que o normal, assim como a areia que parece mais fofa. não há nenhuma espécie de sujeira no local, que geralmente já é bem limpo. as luzes foram espalhadas de modo que todo o local ficasse iluminado, permitindo, inclusive, que a visão das mesas fique clara, permitindo que todos os convidados saibam o que está sendo servido — o que vai de frutos do mar e carnes para frutas e bebidas alcoólicas.

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A prefeitura de Red Hill da às boas-vindas aos seus mais novos ocupadores de ruas, quer dizer, moradores!! Os players têm 24 horas para mandar suas urls, caso contrário as vagas e fcs serão liberadas, boa sorte!!

  • OLHA É LINDSEY MORGAN!! Ah não, aquela ali é realmente KORIAND’R KORY ANDERS, aonde em seus dias de glória era chamada de STARFIRE. Parabéns, WONDER.
holocausto

As quinas, os cheiros, as vozes e as coisas não ditas moram onde nenhum livro e nenhuma cifra (ou cifrão) pode detalhar. A dor é uma propriedade publicamente singular, ou singularmente publica - de todo mundo mas só minha. Incomoda o vazio de desconhecer os porquês da vida e incomoda perder. Talvez os estudos e as teses e a fé e os cabos dos laboratórios científicos que procuram incessantemente respostas para cada lacuna um dia percebam que viver é, principalmente, perder. Saramago deixou: tudo o que começa nasce do que acabou.


Eu sei, algumas barreiras para quebrar e alguns limites para respeitar. Há uma ponte na parte remota e envergonhada do meu peito que me arrependo de ter cruzado. O gosto de querer deixar para trás si mesmo por não conseguir parar de pensar e ir fundo e fundo e cada vez mais fundo em acusações particulares e lembranças ruins permanece em conserva no canto da boca, como um bilhete.


Vinte e quatro meses atrás escrevi o que escrevo agora: medo. O medo é Zeus e Hades, que drenar suas asas e deforma o cérebro. Barreira e limite, âncora e vela. Andar e continuar perdido. Me diz o preço do oásis porque meu grito é pouco mas é tudo que tenho. Quiçá eu possa descansar no ácido da sua língua e te ligar pedindo por paz e paz, paz, paz, só paz. Te escrever uma carta definitiva - com inúmeras alternativas - e rir do nascer do sol, amar a rua da sua casa. Quiçá eu coloque fogo no rascunho do que seremos, ou num pneu em frente a Prefeitura. A revolução parte simultaneamente de pontos remotos e um deles deve ser nós dois.


Cruzar as pernas e acender um cigarro é a melhor idiossincrasia que se compra no mercado. Eu vi, daqui dois mil anos a tristeza ainda fará parte dos livros de História e esse elefante acinzentado posto no meio da sala continuará me atrapalhando a assistir TV.


Yasmin

anonymous asked:

amore se não for pedir mto podia da um spoiler do que vai ser o evento pra poder dar uma planejada em starters e interações, por favor?

sure, lov!! então, a pessoa que manda na prefeitura de laguna é a toni iseman e existem boatos sobre ela ser lgbt. como você deve saber, junho é o mês do orgulho lgbt e mesmo que a prefeita nunca tenha afirmado e negado os boatos, ela organizou um luau com a temática na praia principal. será bem bonitinho, eu juro!! só vou ficar devendo a apresentação de pabllo vittar.

anonymous asked:

Tem uma coisa que eu preciso entender... Como é que dois anos atrás os petistas ou apoiavam ou não se importavam com o fato de Temer ser vice presidente? O homem que vocês demonizam hoje recebeu os mesmo 54 milhões de votos. Michel Temer é presidente da república, e a culpa é de quem votou nele.

Beleza, vou explicar porque não é não. Mas antes de explicar eu vou dizer: EU não votei nele, nem na Dilma, e de fato não votei AT ALL, que fique claro. 

Ponto 1: As opções eram limitadas.
Eu mesma decidi não votar, mas muita gente que se viu entre Dilma e Aécio percebeu que não tinha exatamente uma escolha perfeita. Muita gente escolheu Dilma, mesmo estando aliada à Temer, porque era o que parecia que ia mais de acordo com seus interesses (votar no Aécio seria bem mais distante, já que a proposta dele era oposta, certo?).

Ponto 2: o PMDB é historicamente um partido de centro.
É histórico a aliança do PMDB à quem lhe dê mais vantagens, é de praxe que eles balancem para o lado que compense mais para o partido. É bem comum dizer que é quase um partido esquizofrênico, já que por conta dessas alianças você acaba com candidatos que já foram completos oponentes concorrendo juntos, como na chapa Marta (ex-PT) e Matarazzo (ex-PSDB) em São Paulo esse ano. Desse modo, ninguém esperava que eles dessem guinadas nem pra lá nem pra cá, e simplesmente se mantivessem em suporte a quem quiser que estivesse no governo, e se esperava que fosse quem eles apoiaram nas urnas, ou seja, o PT. Ninguém tinha como prever pra onde o Temer iria, se é que iria, então ninguém tinha como se importar com o vice, mesmo que estivesse em dúvida o suficiente pra ir olhar isso (e geralmente não estavam por conta do Ponto 1).

Ponto 3: Temer foi eleito, mas não com esse plano.
Mas, ok, se você mesmo assim quiser culpar quem votou na Dilma por eleger o Temer, até aqui, eu até entendo. O problema mais crucial vem agora: Temer foi eleito sob o plano de governo de Dilma. Foi eleito como aliado de Dilma. Foi eleito com um plano de país X. Agora, chegado ao poder, vai aplicar o plano de governo de outro partido, se aliou aos partidos opostos e tem um plano de país Y. Não foi isso que ninguém que votou na Dilma, ou nele, como quiser chamar, votou pra acontecer. É tipo eu votar num candidato a prefeitura que diga que, sei lá, vai construir várias praças e arborizar a cidade toda enquanto promove iniciativas pró lgbt e aí quando ele chega no poder ele resolve vender o Ibirapuera pra fazer estacionamento e promover o Bolsonaro à secretário de educação. Eu não votei pra isso, entende? 

Colocando esses três pontos, te digo: ninguém votou no Temer. Alguns aceitaram o Temer por falta de opção, outros aceitaram por simplesmente não poder prever o que ele faria, mas NINGUÉM, ninguém deu aval ao plano de governo que ele tem apresentado, NINGUÉM deu aval para as alianças que ele resolveu inverter, NINGUÉM deu aval ao projeto de país que agora ele quer implementar, um projeto de país que foi derrotado sistematicamente nas urnas, e que, de qualquer modo, ta aí, sendo enfiado goela abaixo de todos nós. Isso caracteriza transição de poder sem aval eleitoral, e isso caracteriza golpe, queira usar a palavra ou não. Tá permitido criticar ele sim, seja lá de que lado você tenha estado nas últimas eleições, porque ninguém votou nesse projeto e nessas pessoas que agora fazem parte dele.

Anjos não perdem tempo com literatura

Eu trabalhava num hospital da cidade empurrando mortos e feridos. Carregava pacientes para alguns setores como reanimação, centro cirúrgico e necrotério. Certa vez, num domingo chuvoso, um cara que eu costumava conversar morreu. Ele não tinha ninguém. Era um sozinho e fodido na vida. Estava com câncer no fígado e gostava de jogar conversa fora comigo. Sempre quando ele me via no hospital abria um sorriso e falava, falava, falava sem parar. Citava uma porrada de escritores e filósofos e contava histórias de amor. Falava das putas que se apaixonou no garimpo de serra pelada. Esse cara tinha uma filha em algum lugar do mundo que o rejeitou por ser alcoólatra e mendigo. Aí eu peguei um saco bem grande para cobrir seu corpo, ele estava com a barriga muito inchada e azulada. Minhas mãos tremendo. Lágrimas escorriam do meu rosto. Gostava muito dele. A solidão do cara era linda. Me identificava com toda sua dor. Com sua história de vida. Com sua forma de bater e levar porradas da vida. Um legítimo pugilista lírico anônimo que o mundo de vez em quando cria. Então peguei um conto que escrevi na noite antes dele falecer, tranquei a porta e comecei a ler. Li chorando. Gaguejando de emoção. Então o carro do necrotério da prefeitura chegou. Fiz questão de ir com ele até o cemitério. Com a mão pesando sobre seu peito. Aí antes do coveiro jogar terra por cima dele, pedi que abrisse o caixão e vi seu sorriso lindo e negro pela ultima vez. O coveiro perguntou se ele era meu pai. Aí respondi que não. Anjo não tem filho. Anjos aparecem e somem da vida gente como o amor. Toda vez que estou na fase final de um livro lembro dele. Estevão daria um puta escritor, mas dizem que anjos não perdem tempo com literatura.


Diego Moraes 

A divulgação do relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi o mote decisivo para a retirada de uma estátua do presidente Arthur da Costa e Silva do principal ponto turístico de Taquari (RS), cidade natal do ditador. Com auxílio de uma máquina retroescavadeira, a prefeitura derrubou o busto que ficava na Lagoa Armênia, desde 1976, na tarde desta terça-feira.

Vocabulário #6 - City


academia
(f) /a.ka.de.’mi.ɐ/~/a.ka.de.’mi.jɐ/ - gym  
alameda(f) /a.la.’me.dɐ/ - lane, grove
apartamento(m) /a.paɹ.ta.’me͂(n).tu/ - apartment
avenida(f) /a.ve.ni.dɐ/ - avenue  
bairro(m) /’baj.hu/ - neighborhood
bar(m) /baɹ/ - bar  
beco(m) /’be.ku/ - alley, dead end
boate(f) /bu.’a.tʃi/~/’bwa.tʃi/ - nightclub  
boteco(m) /bu.’te.ku/ - tavern, pub
botequim(m) /bu.tʃi.’kĩ/ - tavern, pub  
bueiro(m) /bu.’ej.ɾu/~/bu.e.ɾu/ - manhole
café(m) /ka.’fɛ/ - cafe, coffee house  
calçada(f) /kaw.sa.dɐ/ - sidewalk  
câmara de vereadores(f) /’kɐ.mɐ.ɾɐ.dʒi.ve.ɾi.a.’do.ris/ - city council      
carro(m) /’ka.hu/ - car 
centro(m) /se͂(n).tɾu/ - downtown
cidade(f) /si.’da.dʒi/ - city  
cinema(m) /si.’ne.mɐ/ - movie theater  
comunidade(f) /ko.mu.ni.’da.dʒi/ - community (also an euphemism for “favela”)  
condomínio(m) /kõ(n).do.’mi.nju/ - condo
construção(f) /kõs.tɾu.’sɐ͂w/ - construction site, building 
cruzamento(m) /kɾu.za.’me͂(n).tu/ - crossing
delegacia(f) /de.le.ga.’si.ɐ/~/de.le.ga.’si.jɐ/ - police station       
distrito(m) /dʒis.tɾi.tu/ - district     
edifício(m) /e.dʒi.’fi.sju/ - edifice, building
esgoto(m) /is.’go.tu/ - sewer
esquina(f) /is.ki.nɐ/ - corner  
estacionamento(m) /is.ta.sjo.na.’me͂(n).tu/ - parking lot
farmácia /faɹ.’ma.sjɐ/ - pharmacy     
favela(f) /fa.vɛ.lɐ/ - favela, slum  
faixa [de pedestre](f) /’faj.ʃɐ/~/fa.ʃɐ/ - zebra crossing
fórum(m) /’fɔ.ɾũ/ - courthouse
hospital(m) /os.pi.’taw/ - hospital  
hotel(m) /o.’tɛw/ - hotel       
loja(f) /’lɔ.ʒɐ/ - store   
metrô(m) /me.’tɾo/ - subway
metrópole(f) /me.’tɾɔ.po.li/ - metropolis
museu /mu.’zew/ - museum   
ônibus(m) /’o.ni.bus/ - bus
padaria(f) /pa.da.’ɾi.ɐ/~/pa.da.’ɾi.jɐ/ - bakery  
parque(m) /paɹ.ki/ - park
pedestre(m) /pe.’dɛs.tɾi/ - pedestrian    
pista(f) /’pis.tɐ/ - traffic lane
praça(f) /’pɾa.sɐ/ - square      
prédio(m) /’pɾɛ.dʒu/ - building    
prefeitura(f) /pɾe.fej.tu.ɾɐ/ - city hall, town hall, prefecture    
quarteirão(m) /kwaɹ.tej.ɾɐ͂w/~/kwaɹ.te.ɾɐ͂w/ - city block
restaurante(m) /hes.taw.’rɐ͂.tʃi/ - restaurant            
rua(f) /’hu.ɐ/~/hu.wɐ/ - street     
ruela(f) /’hu.’ɛ.lɐ/ - alley, pass
semáforo(m) /se.’ma.fo.ɾu/ - traffic lights  
shopping(m) /’ʃɔ.pĩ/ - shopping mall  
sinal(m) /si.’naw/ - traffic lights, sign
subúrbio(m) /su.’buɹ.bju/ - suburb  
supermercado(m) /su.peɹ .meɹ.’ka.du/ - supermarket
teatro /te.’a.tɾu/~/tʃi.’a.tɾu/ - theater
tráfego(m) /’tɾa.fe.gu/ - traffic  
trânsito(m) /’tɾɐ͂.zi.tu/ - traffic   
viela(f) /vi.’ɛ.lɐ/ - alleyway

Algumas das principais avenidas de Campo Grande amanheceram hoje com nomes diferentes. É só uma manifestação neste fim de março, 50 anos depois do golpe militar no Brasil. Não tem validade, mas é a nova tentativa para o fim de homenagens politicamente ultrapassadas.

Na rua Ernesto Geisel, esquina com a avenida Afonso Pena, o adesivo que é uma cópia fiel do layout adotado pela prefeitura, indica que nesta segunda-feira a avenida esqueceu o ex-presidente militar e agora faz festa para Marçal de Souza, líder indígena assassinado em Mato Grosso do Sul, por lutar pela demarcação de terras na década de 80. A numeração da quadra também foi alterada, agora é de “1964 a 2014”.

(Foto: Pedro Peralta)

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Usuário em Destaque: Adams Carvalho

Blog: ffffixas

No Tumblr Desde: Janeiro de 2011

Esta semana falamos com um dos artistas mais ilustres aqui da comunidade Tumblr. Adams Carvalho tem um traço único e que se reconhece à distância. Ele também é colaborador permanente da Folha de S. Paulo. Recentemente, o ilustrador fez parte da produção do longa Zoom, que conta com Gael García Bernal no elenco, um trabalho do qual se orgulha muito e que estreia entre nós no dia 31 de março.

O nome do seu blog, ffffixas é uma referência a um modelo popular de bicicleta. Como começou esta obsessão com as fixas?

O nome ffffixas é uma referência às fixed gears (bicicletas de roda fixa). Em 2009, eu acessava muito o blog ffffound, e lá eu comecei a ver muitos posts sobre estas bikes. Procurei conhecer mais sobre elas, e montei a minha primeira fixa nessa época. Ao mesmo tempo, comecei a fazer ilustrações com esta temática e resolvi montar um tumblr para divulgar estes desenhos. Eu já tinha um outro tumblr com outros trabalhos pessoais, mas o ffffixas começou a ficar mais conhecido, com mais seguidores e mais reblogues das imagens. Acabei adotando ele como principal blog e publicando todos meus desenhos pessoais nele.

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