predadora

Pássaro Selvagem

Pensar você é poesia predadora.
É laçar o verso e perder as rédias
Adentrando terrenos ainda desconhecidos.

Pensar você é salto livre entre nebulosas.
Êxtase fugaz, delírio de primavera.
É fechar os olhos e ver, “aCross”.

Pensar você é alçar voo
Do pico da montanha mais alta.
É perder-se na natureza virgem.

Quem és, criatura sublime?
Por certo és ave, planando o infinito,
Porque causas ânsias de liberdade.

Quem és, criatura devastadora?
De certo és fera indomável, arrebatamento agudo,
Porque causas ânsias de paixão.

És sublime e devastadora.
És a tua própria imagem.
És o Pássaro Selvagem!

Eumesma. (Inspirado em @passaro-selvagem, linda de viver)

anonymous asked:

Ze tu jogo Henry, ner o que acho dos pensamento da Lyla ( ͡͡° ͜ʖ ͡°)

Caralho esse jogo é muito safado, eu não consigo jogar um segundo sem ficar com a Lenny face estampada na cara, a Lyla e o Henri são dois fogo no cu que meu Deus é o tempo todo mandando cantada e indireta um pro outro, Jesus nem eu sou predadora que nem esses dois e olha que eu canto todo mundo

A Patricinha  o Caipira

Capítulo 16  :

 ARTHUR

 Liguei minha caminhonete e parti para o Taurus. O bar não era muito longe, mas eu não deixaria o Arthur levar minha pequena em casa, então precisaria estar motorizado.

~~—~~~~

Cheguei no bar e cumprimentei quase todo mundo — vantagens e desvantagens de cidade pequena. Dei um beijo no rosto da Raquel, que estava do outro lado do balcão. Mesmo antes de pedir, eu já estava com minha cerveja favorita na mão. Dei uma piscada para Raquel e recebi um sorriso de volta.

Adorava sua espontaneidade, com ela não tinha tempo ruim, além de ter um coração enorme. Tenho pena do desgraçado do ex-marido dela: perdeu uma grande mulher.

Raquel apontou na direção da pista de dança e virei para ver o que era.

Uma loira que eu nunca tinha visto me encarava de forma predadora. Seus olhos me analisavam dos pés à cabeça. Dei um meio sorriso para ela antes de voltar minha atenção para Raquel.

— Não sabia que você tinha virado casamenteira — brinquei, e ela apenas sorriu de volta antes de continuar atendendo os outros clientes.

O som não estava muito alto, pois o show ainda não havia começado. Casais se espalhavam pela pista de dança, e grupos de jovens conversavam de forma animada. O Taurus era o point da cidade, e estava começando a ficar bem cheio. Senti uma mão no meu ombro e notei que a loira que me encarava estava ao meu lado.

— Oi, gato — disse com a voz maliciosa.

A garota era gostosa. Virei de lado para olhá-la melhor e tinha que reiterar o que havia pensando: ela era muito gostosa.

— Oi, linda — respondi, dando meu melhor sorriso. Pelo jeito, a noite prometia.

Conversei um pouco com a garota, que se chamava Aline. Descobri que ela estava fazendo estágio em uma fazenda da redondeza. Era uma futura candidata a colega do Luan, pois estava se formando em Agronomia. Na verdade, eu paguei com a língua: quando a vi se aproximar, achei que seria só mais um rostinho bonito em um corpo gostoso, mas me surpreendi. Aline era uma excelente companhia e tinha um papo incrível.

Convidei-a para dançar e ela prontamente aceitou. Caminhamos para a pista de dança ao som de Santorine. Uma música lenta, muito boa de ouvir, ainda mais agarrado a uma bela loira.

Dancei mais duas músicas com a Aline e voltamos para o bar. Estávamos tomando uma cerveja quando ouvi meu nome sendo chamado. Eu me virei e meu queixo caiu. Era Mel me chamando, e Lua estava ao seu lado.

Porra, fiquei tão duro, que podia enfiar um prego na madeira, martelando com o meu pau.

Lua, estava sexy, gostosa.. muito delicia.. quente como o inferno.

Podia até ser uma patricinha, mas era uma potranca gostosa pra caralho. Daria um tiro no pé, só pra sentar ela de pernas abertas e foder sua vagina naquele exato momento.

Deus! Estou ferrado.

LUA

— Melanie, me conta um pouco mais sobre o seu primo — pedi, mas nem sabia por quê.

Na verdade eu sabia, mas não deixaria que ela descobrisse que o caipira tinha me atraído.

— O que você quer saber? — ela me perguntou um pouco surpresa.

Me sentei em uma cadeira ao lado dela, e, antes que eu pudesse filtrá-las, as palavras saíram da minha boca.

— Ele tem namorada? Putz! Ela vai desconfiar.

Melanie me olhou confusa, e eu achei que ela não me responderia.

— Sim e não! — exclamou olhando para o nada.

Então o estado de confusão mudou de lado, e era eu quem estava perdida na história.

— Como assim? — continuei o questionamento.

— Arthur não namora, mas todas as mulheres da região o namoram. — Deu de ombros.

Excelente! Esclareceu tudo. Melanie notou meu olhar perdido e continuou.

Capitulo 85

O semestre apertado chegou ao fim. Era julho, período de férias escolares. Com muito custo, Clara deixou a capital para visitar os pais no interior, já que tinha vinte dias de recesso antes no novo semestre. Prometeu retornar em dez dias para cumprir seus planos com Vanessa e viajarem para o litoral nordestino, onde a loira faria um trabalho para um catálogo de moda verão.

Ano de eleições há muito tempo eram tempos de tortura para Vanessa. O poder político de seu pai em Mato Grosso do Sul era sua principal lembrança da infância, quando ela nasceu seu pai assumiu seu primeiro mandato nacional. O imperador do gado não se contentou em ser apenas o homem mais rico do estado, usou do seu suposto amor pelo Pantanal para conquistar destaque na bancada ruralista, os seus feitos e métodos escusos para provar e estender seu poder no seu curral eleitoral e pelos diversos setores do governo se propagavam pelos corredores do congresso e do senado, além de ser eventualmente abafados quando um jornalista mais sério tentava divulgar.

Naquele ano, o senador Acrísio Mesquita tinha outro plano. Lançara-se candidato a prefeito de Campo Grande, ambicionando em dois anos concorrer ao governo do Estado. O filho mais velho tentava seu terceiro mandato para vereador, assim, a família Mesquita se concentrava mais uma vez na maratona das urnas. Vanessa nunca se envolvia, mesmo com os protestos veementes do pai e as constantes ameaças de cortar benefícios caso a filha caçula não ajudasse nas campanhas. O máximo que o pai conseguia da fotógrafa era sua promessa de não protagonizar escândalos, não dar margem para macular a honra da família exigindo comportamento exemplar longe dos holofotes da imprensa.

No entanto, aquele ano prometia ser diferente. Vanessa não era mais uma estudante anônima, seu nome no meio fashion já a tirara dessa condição, especialmente pela presença frequente da fotógrafa em festas badaladas de lançamentos de revistas e desfiles. Por esse motivo, as agências de publicidade especializadas em marketing político encontraram na vida da filha caçula do senador Acrisio um prato cheio para incitar fofocas, especulações, minando a imagem de família tradicional do maior nome do Partido Social Cristão da Família.

A postura ultraconservadora do partido do senador Acrisio, o fazia um dos maiores defensores dos “valores morais cristãos”, tais valores eram vendidos como aqueles que protegem a família de males como: as drogas, a violência, a prostituição e o homossexualismo. Assim, expor a filha do senador como uma lésbica assumida era um ponto importante para atacar sua campanha.

Durante os dias que Clara estava com os pais, Vanessa fora assediada por diversos meios por repórteres, fotógrafos, indagando especialmente fatos sobre sua sexualidade e envolvimento com top models e atrizes. Não precisou grande esforço por parte desses profissionais para encontrar alguma testemunha, ou ainda, alguma modelo atriz querendo mídia gratuita para surgir como uma ex-namorada de Vanessa.

Com isso, Vanessa viu sua vida ser transformada em um inferno. De um lado estava a conhecida impressa marrom distorcendo, reinventando, mentindo fatos e eventos, manipulando frases e imagens, pintando Vanessa como uma lésbica predadora. Do outro lado, estava a pressão massacrante de seu pai e seus irmãos, especialmente Douglas, o mais velho, também político, cobrando satisfações e seu prometido comportamento exemplar.


– Você vai vir para Campo Grande hoje mesmo Vanessa! – Douglas berrava ao telefone.


– Ah jura? O que te faz acreditar que você tem algum poder sobre mim? Maninho eu não sou um dos seus assessores corruptos, não te devo nada, não tenho nada a fazer em Campo Grande, estou com uma agenda lotada de compromissos profissionais.


– Compromissos profissionais? Você chama de profissão viver em festas beijando mulher, soltando flashes no seu brinquedinho caro?


– Bela descrição você absorveu sobre o que tem sido minha carreira como fotógrafa hein?


– Vanessa pouco me interessa com quem você transa! Se você quer viver nessa sujeira, nessa safadeza, por mim não ligo, desde que você não leve a minha carreira e do papai pra lama junto com você!


– Não que isso te interesse ou faça diferença para você, mas o que estão divulgando é mentira! Não sou essa promíscua que estão pintando! Sim, eu gosto de mulher, mas, atualmente só de uma, com a qual estou namorando há meses.


– Você tem razão, isso não me interessa nem faz a menor diferença para mim. Se você não quiser que o papai dê o jeito dele nessa situação, trate de vir para Campo Grande hoje mesmo!


Vanessa não levou a sério as ameaças do irmão. O que realmente a incomodava era Clara se machucar com as fofocas ardilosas e falsas que se espalhavam pela mídia a respeito dela.


A preocupação da loira tinha fundamento, tão logo Clara tomou conhecimento das notícias vinculadas, tratou de cobrar explicações da namorada.


– Você quer me dizer o que está acontecendo Vanessa?


– Oi meu amor, saudades também…


– Vanessa não me enrola!


– Clarinha isso se chama política. Estão querendo atacar meu pai através de mim. Tudo isso é fruto da sujeira que se faz na vida das pessoas pra respingar nos outros..
.

– Quer dizer que você nunca ficou com aquela modelo esquelética, a Alexia?


– Com ela eu fiquei… Mas, estávamos separadas amor…


– E com aquela adolescente enjoada da novela, a Monique não sei de que?


– Merda, também fiquei, mas ela é maior de idade!


– Porra Vanessa! Precisava passar o rodo? Ficar se esfregando, passando a mão em todas que chegassem perto?


Clara desabafou esmurrando sua cama.


– Meu amor, não foi nada sério com nenhuma. Estão exagerando, as fotos foram manipuladas, eu não estive em metade dos lugares que alegam que estive, posso provar isso.


– Sabe o que pior nisso tudo? Eu vim para cá com o intuito de dizer a verdade para meus pais, que estamos morando juntas, que nos amamos, mas agora levo meu tempo defendendo você, tentando fazê-los acreditar que você não é má influência para mim.


– Meu amor desculpe-me… Eu não poderia supor que isso fosse acontecer. Meu irmão está quase usando meu fígado como patê no café da manhã, tenho repórteres na minha cola o dia todo, não sabe o inferno que está sendo, e ainda mais com saudades de você.


– Não tente me sensibilizar… – Clara disse se desarmando.


– Ao menos você estando aí está protegida desses abutres. Mas me sinto tão sozinha aqui enfrentando tudo isso…


– Você não está sozinha, logo estarei ao seu lado para enfrentarmos isso.


A volta de Clara para São Paulo não representou calmaria para o conturbado momento de Vanessa. A tal viagem para o nordeste foi cancelada, a agência não viu com bons olhos o escândalo que a fotógrafa estava envolvida. Os últimos dias de férias do casal foram praticamente em prisão domiciliar.

Em uma das raras vezes que Vanessa saiu preferiu fazê-lo sozinha para resolver assuntos profissionais, para evitar expor Clara, e exatamente nessa ocasião, recebeu a desagradável visita do seu sogro: o senador Acrisio Mesquita.


– Não vai me convidar para entrar?


O homem alto, com traços fortes, perguntou altivo. Clara nervosa e pálida engoliu seco e apenas abriu passagem para o sogro adentrar.


– A Vanessa não está.


Clara falou com a voz trêmula enquanto o senador observava o apartamento.


– Eu sei. Por isso estou aqui, desejava falar a sós com você.


– Co-co-comigo?


– Não vejo outra pessoa nessa sala.


A característica grosseira da personalidade de Acrisio se apresentava a Clara.


– Você é mais bonita do que eu esperava. Imagino que você é uma moça inteligente, afinal é uma das melhores alunas do seu curso atualmente, e veja só, está investindo em um partidão que é a minha filha!


Clara permaneceu muda, ainda atordoada com aquela visita, e apavorada com os objetivos desta.


– O que o senhor quer comigo?


– Muito simples: quero que suma da vida de minha filha.


– O quê? – Clara exclamou arregalando os olhos.


– Isso mesmo que ouviu. Suma da vida da minha filha, por sua própria vontade, antes que eu providencie um estímulo para que isso aconteça.


– O senhor está me ameaçando?


– Não sou homem de ameaças, sou homem de ação. Estou apenas te concedendo uma chance de não se comprometer.


O tom ditatorial de Acrisio e suas ameaças implícitas irritaram Clara, movida por sua personalidade forte e seu sentimento por Vanessa a menina cresceu esquecendo a intimidação que aquela visita representava e respondeu:


– Não me comprometer? Senador, eu quero lhe informar que é tarde para o senhor me falar isso. Já estou comprometida. Comprometida com sua filha, com o que sinto por ela, com nossos planos de vida juntas, e nem mesmo o senhor com todo poder que esbanja vai me dissuadir a sumir da vida dela.


– Você não sabe brincar com fogo mocinha, acha que pode mesmo me enfrentar?


– Não estou brincando senador. Nem muito menos é meu desejo enfrentar o senhor. A única coisa que quero é viver em paz com sua filha.


– Você tem noção do que mais essa moda da Vanessa está me custando? Está me arrancando uma prefeitura, meu prestígio nacional, minha posição no partido!


– Moda?


– Porra, é mais uma moda dela pra me atacar, pra chamar minha atenção, mais uma rebeldia dela. Desde criança ela faz isso, vivia entrando em seitas estranhas, se vestia como uma maluca só pra manter a pose de menina revoltada, inventou de ser fotógrafa, depois DJ, depois inventou essa moda de ser… De gostar de mulher!


– O senhor se julga mesmo o centro do universo hein? E conhece muito mal sua filha.

Para iniciarse en la novela negra

Uno de los maestros del género noir se encuentra en Argentina para participar del BAN!, el festival dedicado a la novela negra que se celebra en la ciudad de Buenos Aires. 

En La Nación, John Connolly nos recomienda diez libros para aquellos lectores que quieren iniciarse en el género. Lista muy confiable, dicho sea de paso:

Keep reading

O ônibus abandona a cidade, mais uma vez, vou embora, mas agora é diferente. Não levo a sensação de me sentir pela metade, não me sinto completa, estou transbordando. Transbordo seus beijos que sabem invadir minha boca, a língua intensa e predadora, as mordidas e as marcas vermelhas pelo corpo.
O gosto do seu maxilar, a barba quase espetando e seu sexo roçando o meu, por cima das roupas. Chupo seus dedos e a língua, tudo o que quero é senti-lo bem dentro de mim. Então ele me joga no chão, cavalgando sobre meu corpo, me sinto em êxtase.
Nas escadas do prédio onde fica o apartamento da minha vó.
Me pressiona, me prende enquanto uma das mãos causa arrepios pelo meu corpo todo, a língua chupa com intensidade a ponta do meu seio. Chega, preciso sentir a sua invação. O meu gemido se mistura ao seu, e eu quero gritar para exorcizar o meu prazer reprimido. O dedo começa a fazer joguinhos com o meu clitóris, aumentando a intensidade, vibro de prazer, minha perna treme e eu estou completamente entregue quando seus dedos entram no meu corpo. Por favor, pare, nao consigo controlar mais. A calça jeans é um empecilho, tenho seu sexo na minha mão, sinto que ele já perdeu o controle tanto quanto eu. Sentir, quantas vezes já disse sentir? Ele me faz sentir tanto.
—  The secret of Eloise
Capítulo 47

Olharam-se fascinadas enquanto caminhavam de volta ao salão da festa.


– Você teria mesmo coragem de me apresentar como sua namorada? – Vanessa perguntou tímida.


– Se essa fosse a única forma de você acreditar em mim, sim, eu teria.


– Bom saber disso, mas, por hoje você escapa desse desafio… Só não vai escapar de me tirar daqui para me deixar exausta de tanto fazer amor comigo…


A loirinha mordeu os lábios destilando puro desejo pelo olhar. Não foram para casa, Clara deu uma desculpa às amigas e a irmã que levaria Vanessa ao hospital, por que a amiga não passava bem, logo retornaria para buscá-las no clube.


– Aonde você vai me levar hein? – Vanessa perguntou entregando as chaves do carro a Clara


– Ainda não estou acreditando que você vai me deixar dirigir essa máquina… – Clara disse com os olhos brilhando conferindo o carro.


– Ow! Você tem mesmo habilitação não é?


– Claro que tenho!


– Não me diz que você aprendeu a dirigir em um trator!


– Para Vanessa!


– Então, aonde vamos? – Vanessa perguntou entrando no carro.


– Aprendi com uma pessoa, que ao fazer o convite a alguém, esse alguém tem que estar satisfeito pela minha companhia, não importando o destino.


– Ah pentelha! Olha aí, usando minhas palavras contra minha pessoa!


Clara gargalhou.


– Você vai gostar.


Clara deu partida no carro, depois de afagar a mão de namorada. Vanessa não parava de dar orientações, preocupada com a segurança do seu carro.


– Olha o quebra-molas! Pra que tem um quebra-molas nessa cidade? Você dobrou e não deu sinal? E se viesse uma carroça desembestada atrás de nós e batesse na minha traseira?


Clara optou por apenas sorrir para não se irritar com a namorada. Em pouco tempo, e depois de subir por uma rua íngreme, seguiu por uma estrada de terra, cercada por altas árvores que escureciam o caminho.


– Seria um momento ruim para perguntar se minha namorada é uma serial killer que traz forasteiras para o mato e enterra seus corpos depois de matá-las?


– Que absurdo Van!


Clara exclamou e continuou:


– Não enterro os corpos, empalho todos e os guardo em um porão…


Vanessa arregalou os olhos, depois que Clara fez uma curva repentina e freou bruscamente.


– Agora, vamos a pé.


– Ah! Não saio desse carro não!


Vanessa cruzou os braços, apreensiva. Clara prendia o riso.


– Van, eu não acredito! Você está com medo de mim?


Vanessa ficou tímida, baixou os olhos.


– Se você ficar aí, não vai saber o que vim te mostrar, e vai perder algo incrível!


Clara apelou para a curiosidade da namorada, desceu do carro e caminhou lentamente, como se esperasse a decisão de Vanessa segui-la. Não demorou até a fotógrafa o fizesse.


– Estou aqui, agora me diz, o que você vai fazer comigo? – Vanessa perguntou em tom de desafio.


– Você se lembra de quando você se exibiu no sítio, escalando uma árvore, dizendo que a moça da cidade se dava bem no mato?


– Claro que lembro.


– Quero ver a garota da cidade se garantir nessa árvore aqui.


Clara parou diante de uma árvore gigantesca, semelhante às outras, entretanto, através da sua copa uma fresta da luz do sol lhe destacava das demais.


– Você quer me ver morta mesmo né? Olha a altura dessa árvore!


Vanessa disse indignada. Clara olhou para o relógio, em seguida se desfez das sandálias, amarrou os cabelos e escalou na árvore, até atingir o alto dela através dos galhos.


– E aí moça da cidade? Vai ficar só olhando?


Vanessa balançou a cabeça e perguntou:


– Porque mesmo vale a pena eu arriscar a integridade do meu pescoço e fêmur pra te acompanhar nessa loucura? Você deve ter treinado a vida toda subindo em pau de sebo em festa junina pra ter aprendido a subir assim como subiu aí!


– Tem gente que está com medooooo! – Clara provocou.


Como menina tinhosa, Vanessa aceitou a provocação. Tirou o tênis, respirou fundo, e começou a sua escalada, sem sucesso, escorregou três vezes seguidas, o que despertou as risadas de Clara, e obviamente a fúria da loirinha também. Como se defendesse a própria honra Vanessa se sentiu motivada, mais que isso, obrigada a subir naquela árvore, agarrou-se com toda força que tinha quando mais uma vez os escorregões ameaçavam seu objetivo, até alcançar a namorada no galho forte no alto, se sentou ao lado de Clara praticamente cuspindo os pulmões.


– Está tudo bem Van?


Clara perguntou segurando o riso. Sem condições de verbalizar qualquer palavra Vanessa recuperava o fôlego e enxugava o suor que escorria pelo seu rosto ruborizado, apenas consentiu com a cabeça seu estado. Clara esperou a namorada voltar ao seu estado normal para lhe falar:


– Desde criança, eu escapava para cá quando queria me esconder, por ter cometido alguma travessura em casa, ou simplesmente quando não queria falar com ninguém. A casa dos meus avós fica aqui perto, então eu sempre fazia isso, até meu avô descobrir e me entregar pros meus pais, temendo que algum acidente grave me acontecesse…


– Clara, desculpe-me, sei que deve ter um sentido muito lindo e profundo em você dividir esse lugar de refúgio comigo, mas, da próxima vez, você me fala isso lá em baixo?


Vanessa olhou apavorada para a altura que estavam. Clara gargalhou e respondeu:

– Trouxe você aqui por outro motivo sua boba e insensível! – Clara brincou. – Um dos motivos que me fazia vir aqui, era ver o pôr-do-sol daqui de cima, sempre foi uma imagem que me marcou, era como se renovasse minhas esperanças e energias, não importava o quão grande fosse à encrenca que eu estava metida, assim como o sol se escondia pra descansar e nascer brilhante e forte no dia seguinte assim eu teria que agir, me escondia até tudo se acalmar para surgir de novo disposta a consertar tudo e me redimir.


– Você sempre foi precoce? Uma criança filósofa? Sério? Você é chata desde pequenininha?


Vanessa implicou como conseqüência recebeu tapas no braço da namorada.


– Eu só pensava que tudo ficaria bem quando eu via essa imagem, mais tarde quando as coisas se complicavam para mim, relembrava a imagem que me trazia essa sensação… A luz através dessas folhas, o tom, as cores… Como você é fascinada por isso, quis dividir com você essa paisagem.


Clara apontou para o sol que se punha o céu vermelho por cima da serra, a luz entrecortada pelos galhos, e a postura contemplativa da moça era de longe, a imagem mais bonita que Vanessa poderia ter. Algumas mechas de cabelo soltas no rosto de Clara e um sorriso discreto na boca desenhada tendo como fundo aquele jogo de luzes e cores naturais foi a foto mais perfeita que a loira conseguiu captar na sua mente, ela sabia que tal fotografia a acompanharia para sempre, mesmo não podendo torná-la física, já que não estava com sua câmera ali.

Segundos depois de silêncio e contemplação, as namoradas se encararam, e selaram aquele momento com um beijo delicado.


– Linda imagem, a mais linda de todas é essa que tenho agora… Você colada em meu rosto…


Vanessa sussurrou.


– Melhor descermos daqui, eu acho que não consigo resistir a você por mais tempo… E amar você aqui de cima pode ser trágico…


Riram juntas.

Com a tarde indo embora, ainda sob a proteção da natureza tranqüila, Clara abriu a porta de trás do carro, e puxou o corpo de Vanessa sobre o seu enquanto se deitava no banco.


– Clarinha… Aqui?


– Quero você agora…


Não precisou repetir. Vanessa avançou em sua boca em um beijo faminto, com sua língua percorreu cada pedaço da pele de Clara que ia ficando desnudo pela pressa de suas mãos a despir. O desejo tórrido ditava a entrega de Clara às mãos e movimentos de Vanessa, que pedia espaço entre as pernas da namorada com sua coxa, encaixando-a na altura do seu clitóris, roçando no sexo de Clara até sentir a umidade se configurar no prazer anunciado, se confirmando nos gemidos, e nas unhas sendo cravadas nas costas de Vanessa, quando esta finalmente penetrou seus dedos naquela cavidade encharcada e pulsante.

E quando Vanessa recostou seu rosto entre os seios de Clara, foi a vez desta se deliciar em seu corpo de maneira livre, sem restrições. Sorriu satisfeita, quando deslizou seus dedos pela nuca e costas de Vanessa e viu sua pele eriçar, segurou então o rosto da namorada pelos cabelos, mordiscou seus lábios, lambeu seu pescoço, provocando-lhe até tomar sua boca com a voracidade de um felino algoz diante de sua presa. Vanessa não ofereceu resistência à sua predadora, entregou-se à sua boca derretendo-se na ânsia de ser devorada. E a boca de Clara fez isso, devorou o corpo da fotógrafa, as mãos foram coadjuvantes, mas conduziram o sexo de Vanessa até a língua de Clara, faminta por mergulhar naquele mar de prazer derramado entre as pernas da loira. Depositou ali sua boca, sugando, se deliciando, percorrendo com a língua toda extensão dos pequenos, grandes e apetitosos lábios, edemaciados pelo tesão incontido, pelo gozo liberado por gemidos que chegaram à proporção de um grito de êxtase totalmente justificado.

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Os dias que restaram do feriado representaram uma árdua luta entre sensatez e o desejo insano despertado pela paixão, louca por ela mesma em seu conceito, tal sentimento por várias vezes colocou o jovem casal de meninas em risco, quando durante as refeições uniam as mãos por baixo da mesa ou roçavam os pés pelas pernas uma da outra. Outras vezes, a mão de Vanessa escapulia entre as coxas de Clara, com afagos nada inocentes, provocando na namorada uma onda de calor que a obrigava a se retirar mais cedo da refeição com uma desculpa esfarrapada, para antecipar o momento de estar a sós de novo com Vanessa.

A família reagia inocente. Definitivamente eram incapazes de ver malícia na amizade entre a colega da capital e Claea, menina estudiosa, exemplo de determinação na família. Vanessa facilmente agradou a todos, e já se dirigia aos sogros com o título de “tios”, para agradar a cunhada, gentilmente improvisou o “book” de Vitória, o que fez a garota se tornar a presidente do seu fã clube oficial.

Na manhã de quarta-feira de cinzas, Vanessa e Clara retornaram a São Paulo, o namoro agora oficial para elas entraria em outra fase na qual, o segredo absoluto sobre o teor da relação delas precisava ser revisto. Seus olhares denunciavam muito mais, pareciam atraídos por alguma força mais potente do que a gravidade, esconder de Marcelo e Júnior o que elas eram na verdade seria tarefa impossível, apesar de Vanessa relutar em tal decisão temendo as conseqüências.