prazer alheio

Espelho

Me olho.
Semblante sério.
Vejo rugas.
Velho.
Velhas.
Marcas de guerra.
Na luta pelos sorrisos
E dos choros contidos
Sou mais um
Rugas
Que nomes teriam?
Minhas dores?
Meus amores?
Cabelos brancos.
Louise os tiraria
Um a um
Me deixaria a cabeça
Lisa feito a avenida
No centro da cidade
Cidade de pedra
Pesada, curvada
Sinuosa aos prazeres
Do sofrer alheio
Outros velhos
Outras marcas
Outras rugas
Nos bancos das praças
Recobro a consciência
Eu nem passei dos 25
Mas minha alma já cansa
Cansada do mundo
Que não nos alcança.