pra que serve

a vida é um caminhão que te atropela quando você resolve atravessar a rua. que te quebra as pernas e mostra que correr nem sempre é o melhor remédio. você aprende a engatinhar, a andar. pra começar a dançar pelas ruas e bares e festas. e numa madrugada meio morna onde tudo esfria e nada esquenta você questiona o que veio fazer nesse mundo. pra que serve estar aqui quando seu corpo permanece parado enquanto sua mente flutua pelas dimensões infinitas de um céu profundo e estrelado. deita aqui no gramado e segura minha mão. não precisa dizer nada, não. só compartilha comigo esse abismo que é o silêncio. eu sei que não há resposta certa. mas eu aceito a errada, pra combinar com todo o resto. aqui e agora é o que nós temos.

Pra quê serve a madrugada? A madrugada serve pra tudo. Ela serve pra você chorar porque está se sentindo sozinha, porque não tem ninguém pra abraçar, ninguém pra dormir de conchinha e não tem ninguém pra te falar ao pé do ouvido “eu amo você, durma bem”. A madrugada serve pra você sorrir porque teve um belíssimo dia, porque encontrou os amigos, porque beijou aquela pessoa que você ama e porque você conseguiu realizar o seu sonho. Ela serve pra você comemorar, beber, sair, se divertir, pular, gritar e festejar. Ela serve pra você assistir aquele filme romântico ou aquele filme assustador. A madrugada serve pra você pegar seu celular, colocar os fones de ouvido e colocar pra tocar aquela playlist que você adora. Ela serve pra você tomar aquela xícara de café quente junto com seu livro preferido. Ela serve pra você gritar, mas aquele grito cheio de prazer com seu namorado ou até mesmo com aquele cara que você conheceu na balada e jura que só será sexo. Ela serve pra você deitar na cama, virar para um lado, depois pro outro e não conseguir dormir direito porque está com uma insônia daquelas. A madrugada serve pra você escrever, escrever seus textos cheios de sentimentos, escrever sua história de amor ou sua história de decepção. Ela serve pra você ligar desesperado pro seu namorado porque não consegue dormir, porque não pará de pensar nele. Ela serve pra você aconselhar aquele seu amigo desemparado e triste. Ela serve pra você deitar na ponta da cama e orar, agradecer, pedir e contar da sua vida pra Deus. A madrugada serve pra você comer aquele doce escondido e sair da tão assustadora dieta. Ela serve pra você ver aquele capítulo tão esperado da série que você gosta. Ela serve pra você olhar as suas redes sociais, pra você stalkear aquela pessoa que você gosta e pra você mandar aquele boa noite cheio de carinho. Ela serve pra você discutir a relação, falar o que tanto te machuca e depois fazer as pazes. A madrugada serve pra você pensar na vida enquanto está deitado na cama. Ela serve pra você trocar muitas carícias com seu amor. Ela serve pra você jogar aquele jogo viciante. A madrugada serve também, é claro, para dormir e sonhar. A madrugada não é um simples horário do dia, na madrugada tudo pode acontecer, porque é quando só existe você e você.
—  A madrugada serve para sermos nós mesmos.
As vezes eu tenho dó de Deus, porque ele não tem sossego. As pessoas sem caráter, lixos, hipócritas faltam fazer um altar pra dizer que serve a Deus, faz texto, coloca na descrição... Fia (o), se ligue! Não é porque colocou Deus no meio que você vai deixar de ser o lixo de pessoa que é.
Sou as lembranças que me cortam o peito.

te encontrar depois de te perder fez tudo colidir dentro de mim. no tempo sem te ver me questionava como seria te rever; bem, entre todas as opções possíveis escolhemos o silêncio. ele sempre foi mais seguro pra você, C, mas pra mim ele não traz paz, mas deixa eu te confessar: nada anda trazendo paz. eu odiava vírgulas e nunca entendi muito bem quando e como usar, sempre exagerei no uso ou no desuso da mesma, mas tu veio com um ponto e todo mundo sabe pra que serve o tal do ponto final. o fim das coisas sempre é triste demais pra mim. não há final bonito, C. o nosso pelo menos não chegou nem perto disso. e agora eu tô te vendo e tá doendo. você está sentado algumas cadeiras a frente, com aquela camisa que eu vestia sempre e te devolvia com o meu cheiro e eu confesso que te olhei algumas vezes pra tentar reconhecer algum traço meu presente em ti. não achei. nem o meu cheiro se encontra mais ali. dizem que sempre é mais fácil pra quem coloca o ponto final, C. você me comprovou que sim. mas deixa eu te falar que pra quem recebe o ponto é devastador ou pelo menos pra mim foi e tá sendo.
e por pura ironia, de tudo que você foi e nós formos, você virou apenas uma letra nos meus textos e lembranças que me doem. teu ponto final me tirou o direito de falar sobre você e até mesmo o direito de continuar amando você. mas o que tu não sabe, C, é que meu coração tá quebrando a regra e me fazendo continuar te amando. me falaram que escrever sobre alguém que se foi é desastroso porque é uma linha tênue entre eternizar o outro ou expulsar o sentimento de vez. acho que involuntariamente te eternizei, C.
começou a chover e se você olhasse pra janela agora, iria ver que o céu tá derramando as lágrimas que eu não posso derramar. iria ver os meus olhos lá e saberia que tudo ainda é por você.
C, eu continuo aqui, sentada atrás de você, escrevendo pra você e te olhando por tempo demais, enquanto você já não tem motivos pra olhar pra trás e como numa zombação da vida, eu te vejo olhando pra frente e sorrindo. “não erra de novo, segue em frente, você merece mais que isso”, você me diria se pudesse (e se isso não fosse sobre um nós que nem existe mais).
e eu realmente queria seguir e não te escrever mais, mas eu sou só o que sobrou disso, sou só as lembranças, o que ficou daquilo que a tua ausência levou, C.

Escreva. Mesmo que não seja com as palavras mais bonitas, nem que a vírgula ou o ponto final estejam nos lugares certos. Escreva, mesmo sem saber quando se usa o porque junto ou separado, ou a crase, ou o dilema do mas e mais. Simplesmente escreva. Escreva porque sempre haverá alguém que irá se identificar e levar consigo um pedacinho do seu texto, nem que seja aquela virgulinha que você acha que botou no lugar errado. Escreva, porque aquilo que você sente pode ser o que alguém por aí também está sentindo, porque é legal achar alguém no mundo que nos entenda. Escreva seus pensamentos, suas ideias, qualquer coisa, mas deixe que suas palavras toquem alguém. Afinal, é pra isso que serve um texto: mudar o mundo, nem que seja só um pouquinho.
—  Anna Heinzmann
Tudo o que eu sei sobre essa coisa de amor

Sabe, eu já vivi algumas historinhas de amor. Não muitas, mas todas intensas. Digamos que eu saiba o que é encontrar uma garota desconhecida, conhecê-la melhor, explorar seu corpo, suas qualidades, suas manias, seus defeitos e, apesar de tudo, me apaixonar por tudo isso. Em teoria, quando tudo isso se une e dura por algum tempo, estamos diante de um caso de amor.

Tudo bem, mas teorias são teorias. E a vida é bem mais complexa do que isso. Estamos falando de pessoas, seres humanos - geralmente idiotas, indecisos, inseguros. Pessoas que raramente sabem o que quer. Que dificilmente lutam pelo que querem. Que esperam perder o que tinham pra resolver lutar.

Acho que já deu pra perceber que este não é um texto otimista. Só um aviso.

Em primeiro lugar, as pessoas estão perdidas no tempo. Aquela velha demarcação “passado, presente e futuro” não significa nada pra maioria delas. Ora, vejam só: pra que serve o passado? Claro, pra muitas coisas. Rir, chorar, lamentar, se inspirar ou pra tirar lições que podemos usar no presente. Isso! Não podemos simplesmente voltar no tempo e alterar os erros que cometemos no passado. Tampouco podemos reviver os bons momentos de outrora. Logo, a única utilidade que podemos lhe dar é tirar boas lições das merdas passadas para não repeti-las no futuro. Bingo.

Mas como eu já disse, as pessoas são idiotas. Não conseguem separar passado de presente e passado de futuro. Na cabeça de um imbecil, passado e presente se misturam. Poucas são as pessoas que conseguem terminar totalmente um relacionamento para abrir espaço para outro. Não, elas preferem embarcar em novas histórias, mas ainda machucadas ou ressentidas com coisas do passado. Trocam mensagens com exs, só pra ressaltar o quanto lamentam por tudo ter dado errado. Ficam lembrando das coisas boas e chorando pelas coisas ruins. E qual o resultado disso? Exatamente: não curtem o momento. Deixam a felicidade do presente ir embora, deixam a oportunidade de um futuro feliz passar como um trem a 80 por hora diante dos olhos.

Outra coisa bem chata é a hipocrisia. Hipocrisia em todos os sentidos imagináveis: nas liberdades, no ciúmes, nas atitudes, nas palavras, em tudo! Dentro de um relacionamento, as pessoas se sentem livres pra fazer coisas que não querem que você faça. Uma garota mimada vai defender com fervor o seu direito de continuar conversando com seus amigos homens, já que isso é super normal, além de estarmos num mundo moderno livre de preconceitos. Mas vai implicar com o fato de você continuar conversando com as suas amigas mulheres.Qual a diferença? Homens são mais fracos, mais propensos a vacilos? Não. Os moleques com os quais elas estão acostumadas a conviver talvez sejam. Homens, não.

Sem contar aquele tipo específico de homem que não é amigo da garota, não é parente, não é parceiro, não é nada. É simplesmente aquele cara que vive passando uma cantada aleatória, tentando alguma coisa. Aquele cara que se passa por amigo pra tentar beijar mais uma boca e ostentar pros amigos no grupo de funkeiros no whatsapp. A maioria das mulheres é inocente demais pra distinguir um amigo de um interesseiro e trata esse tipo de cara com a maior educação possível. Porém, homens são escrotos em sua totalidade. Pra muitos, educação é sinônimo de “quero te pegar”. Uma curtida na foto errada e “bum”, já temos um imbecil acreditando ser o motivo de noites de sono perdidas.

Se formos falar de distância brutal entre palavras e atitudes, a coisa complica ainda mais. Dizer um “eu te amo” é extremamente fácil e conveniente. É aquela frase que soa bem aos ouvidos, que faz com que nos sintamos bem. Mas não quando alguém te diz isso duas semanas após te conhecer. Pior ainda é quando a pessoa guarda essa frase pra quando você desiste, depois de inúmeras mancadas e desencontros. Acho que o “eu te amo” é o último recurso de gente desesperada, de gente que não te valorizou e tenta lançar uma última cartada pra te manter por perto.

Pedir pra que eu abra mão de determinadas coisas na minha vida não é algo que me incomode muito. O que me incomoda de verdade é quando a garota exige esse tipo de coisa e não está disposta a fazer o mesmo. Quer que eu pare de dar atenção pra garota X que vive dando em cima de mim? Ótimo, eu paro! Mas você vai parar de dar atenção pro garoto Y que vive te convidando pra sair? Não. Claro que não. O que vale pra mim não vale pra você, não é mesmo? Afinal, amizades entre homem e mulher é a coisa mais normal do mundo. As mulheres adoram dizer essa frase quando é conveniente pra elas.

Homens também são hipócritas ao extremo. Homens traem, tentam trair e chegam perto de trair numa frequência que as mulheres jamais serão capazes de imaginar. Eu digo isso porque conheço muitos homens, a maioria dos meus amigos são homens e vejo tudo isso. É meio deprimente ver um amigo saindo pra tomar umas cervejas com você e tentando pegar o telefone de uma garota, enquanto a dele está em casa esperando ele chegar. Os caras traem a confiança de suas mulheres por muito pouco, por quase nada. Por garotas que muitas vezes não são mais bonitas, nem mais gostosas. É simplesmente pelo prazer de trair, pela sensação de fazer coisa errada. E é aí que eu me sinto um peixe fora d'água. Um cara estranho.

Já dá pra prever que vou ser um cara solitário quando o assunto é amor. Na verdade, já sou. Daqui a alguns anos, quem pegar minha fatura do cartão provavelmente vai ver entradas únicas pro cinema nos finais de semana, passagens aéreas pra uma pessoa só pra outro país, entradas unitárias pra museus, reservas de quartos pra uma única pessoa no litoral e por aí vai. Sempre tive medo de ser um cara que vive pro trabalho, mas hoje já aceito isso como sendo o destino menos pior. Não tenho preparo psicológico e emocional pra suportar toda a hipocrisia e a podridão das pessoas. Toda a confusão mental, toda a indecisão e todos os ônus que uma relação séria pode trazer.

Pode ser que, de repente, eu encontre uma mulher segura, que saiba o que quer, que tenha capacidade de esquecer o passado, viver o presente e planejar o futuro sem pestanejar, sem olhar pros lados, sem dúvidas, sem hipocrisias, sem problemas. Mas é só um “pode ser”. É como se meu destino já estivesse traçado: ser feliz, mas sozinho. Ser feliz comigo mesmo, me completar todos os dias e tentar não precisar de ninguém ao meu lado. Acho que dou conta disso. Na verdade, tenho que dar.

Um dia iremos morrer. Todos nós. E aí? O que sobrará de tudo isso? O que sobre de tudo que construímos, vivemos? O que sobra de todas as coisas que estavam dentro de nós? Nossos sonhos, nossas vontades, os infinitos pensamentos que passam pela nossa cabeça… Os nossos medos, nosso jeito de ser… O que acontece com tudo isso? Não quero entrar em religião, mas não sei se acredito nessa coisa pós morte. Em todas as coisas que eu já ouvi sobre pós morte, quero dizer. Não sei se existe um céu ou um inferno. Mas também me soa estranho virarmos apenas matéria orgânica. Quer dizer, acabou? Nossos corpos serão enterrados, viraremos parte do solo, e pronto, acabou? Isso é tão triste. Pra que serve a vida então? Mas se existir essa coisa de céu e inferno, lhe faço a mesma pergunta: pra que serve a vida então? Um teste pra sabermos se iremos para o céu ou para o inferno? Vejo as pessoas vivendo de modo privado com medo do que vai vir depois da morte. E vejo gente jogando tudo para o alto o tempo todo porque depois que se morre acabou. Que está certo afinal? O que nós levamos daqui?
—  Bruna E. B.

para e pensa
somos um ponto
somos o infinito
o mar intergaláctico que nos cerca
pouco se importa
se rimos e choramos
se rimamos ou cantamos

eu rimo porque nao sei cantar
eu canto pra minha voz nao falhar
eu falo pra nao perder
eu penso e começo a derreter

todos nos queremos o iluminado
o puro e salvo
aquele que bate é o mesmo que cura
ele me prende depois diz que me ama

sou significante?
sou um verme?
do que me importa
ja assinaram esse papel
chamado atestado de óbito

vou esperar paciente
implorar ao tempo algumas vezes
talvez sim; talvez não
pra que me serve a razão?
se ela mais me prende
do que liberta meu coração.

O que realmente é tudo isso? Não me refiro a uma delimitação, a tudo, tudo mesmo. O que é esse redemoinho de coisas que acontece dentro de nós, dentro do mundo? Pra que serve tudo isso? Para nos fazer entender o quê? Gostaria de entender sim. Entender o porquê precisamos viver para aprender, e não pode vir uma pessoa e nos ensinar tudo, assim, como a matemática por exemplo. Porque tudo tem que ser tão demorado, complicado, e sofrido assim? Por que as coisas não podem ser mais simples, sem essas complexidades todas? Eu não entendo, sinceramente. Por que temos que errar até aprender, e mesmo aprendendo, fazemos errado. Se o ser humano diz que a perfeição não existe, então por que julgamos as imperfeições? Por que inventamos um modelo o qual todos os seres existentes devem seguir? Por que tantos por quês? E o amor, ein? O que é esse sentimento afinal? Alguns dizem que o sentimos somente uma vez na vida, e outros dizem que só quem o sentiu pode descrevê-lo. Eu lhe digo uma coisa; já o senti e cada vez que tento descrevê-lo, sai algo diferente. Então é isso, afinal? Temos uma percepção diferente de todas as coisas, sempre, em momentos diferentes, e mudamos a todo segundo. Mas me diga o porquê de tudo isso. Qual é o motivo de termos que viver, sofrer, aprender, amar, perder pessoas, ganhar pessoas, para depois morrermos, sem nada, sem ninguém. Andar por aí, muitas vezes, e perceber que estamos sozinhos, e que na verdade não temos ninguém. Que todas as pessoas querem nos ver pelas costas, nos dando mal e sofrendo. E por que o ser humano é assim, desejando mal para todos que não se encaixam nas suas preferências? Se é tão óbvio que todos somos diferentes, por que ainda nos importamos com essas diferenças? Se estamos aqui pra viver, por que sempre que precisamos de alguém nos encontramos sozinhos? Essas perguntas me veem na mente a todo momento, e cada vez que isso acontece me pego pensando nas coisas que nos fazem feliz. Por que me disseram que a felicidade é momentânea; porém, se for isso, por que toda vez que amamos alguém e temos a pessoa, o mundo fica mais cor-de-rosa? Por que parece que o sol brilha mais forte, ou que as pessoas são mais bonitas? Que as rosas não espinhos, ou que todo inverno fica não tão gelado? Isso faz algum sentido pra você? Acho que todas as pessoas gostam do conforto de ter alguém que as desejam e aconteça a reciprocidade nessa relação. Mas e quando isso acaba, ein? É totalmente ao contrário. As coisas e as cores se tornam mais vívidas quando não há o alguém por perto, e você encontra a felicidade em você mesma. Depois, tudo se torna tão simples né? Você sai, se diverte, cria expectativas diferentes. Quem sabe se apaixona algumas vezes, e repete tudo o que já houve. Se existe amor verdadeiro, então, porque tudo acaba? O amor são as felicidades momentâneas que algo ou alguém nos trás? Eu realmente, com toda sinceridade, não sei. Eu sei, que a necessidade de ter alguém a todo lado e isso ser correspondido é maravilhoso. O fato de você olhar para alguém e ver que seu sorriso ao te ver é verdadeiro, é incrível. E perder essa pessoa por algum motivo, ou ser ela ao deixar de amá-lo primeiro, é decepcionante. Talvez isso te torne mais frio, mais rude, ou menos simpático com relação ao tau amor, se isso afinal, for o amor. Mas se estamos aqui para viver, sem saber o porquê, sem saber o “que”, sem saber de nada, o mais velho método e não encontrado melhor até hoje, é somente viver. Deixar a vida seguir, e esperar por uma resposta. Errar, acertar errando, acertar errado. Afinal, é o que nos resta, não? O que nos resta é amar.
— 

acho que é de 2013

reapaixonarse