popozudo

Eu cai em uma onda de copiar. Acho que ando lendo muito, aí deve ser a consequência lógica. Quero ser um Machado de Assis, mas logo me vejo com um Carlos, um Mário, um Fernando Sabino nordestino. Vez ou outra, para honrar minha terra, tenho surtos regionalistas e fico cara a cara, lápis a lápis, papel com papel, com o José Lins do Rego. Faço dele minha referência. É mania, mania de grandeza dizem meus amigos, mania de querer ser o que é quase impossível. Esse século não está para poesia. Vou acabar correndo para o lado das assombrosas composições, inteligíveis por uma pequena parcela de dançantes e popozudos autores. Rala, rala, rala e rala mais. A poesia mudou de lado e agora todo mundo pode se auto intitular escritor, compositor ou coisa que valha menos de um centavo.
—  Theu Souza