polegares

astigmatismo

Deixa eu pegar sua vontade de ser feliz na palma das mãos

Cuidar dos teus medos e das tuas implicações sobre teorias que o mundo te dá

Deixa eu pegar teus calos e acariciar para que você esqueça que um dia já pegou firme na solidão,

Deixa eu te fazer feliz mesmo que por um minuto você sinta uma vontade absurda de me excluir da sua vida pra sempre

Eu sou uma pessoa difícil de lidar, eu assumo. Mas aí você aparece e tudo aqui fica ainda mais difícil de lidar, eu nem sei mais onde por as mãos!

Deixa eu brincar com a sua franja e fazer carinho no seu lábio com meu polegar esquerdo trezes vezes por dia

Deixa a gente se perder no tempo, achar que são 19h43 quando na verdade já passa das 22h30

Eu te prometo fazer um café bem forte antes de você enfrentar seu trabalho matinal todos os dias até você comprar iogurte para o café da manhã mesmo eu estando na dúvida se você gosta ou tanto faz

Deixa eu colocar teu caos num pote junto com o meu e abri-lo toda madrugada pra observá-los dançando a quinta sinfonia de Beethoven enquanto nos preparamos para dormir de caos atados

Deixa eu te olhar nos olhos e falar descaradamente sobre o meu amor pelos seus cílios e depois encostar meu nariz na sua boca pra sentir o melhor cheiro que minhas narinas tiveram o prazer de se aproximar

Eu sou um completo caos romântico

mas você é o borrão mais bonito que meu astigmatismo já viu.

Da galáxia que deveríamos ter explorado juntos

Ficamos perto demais do Sol. Queimamos neurônios, sonhos, destinos. As estrelas torciam por nós. Fechamos os olhos, fizemos pedidos. Houston, tínhamos um problema? Queria ter ficado em módulo lunar, queria aterrizar no teu desconhecido, levar um pedaço de ti pra casa. Medi nosso amor distante com os dedos, tapei planetas com meu polegar, e céus, me senti pequeno diante disso, diante de ti. Faltou oxigênio, faltou pulsar no meu coração, faltou colecionar os anéis de Saturno, faltou chorar nos braços do supremo Júpiter. Desconfiei que você iria voltar pra Terra, mas nunca pensei que eu fosse querer virar poeira estelar. 

Gabriela Giacomini.

Ah, sente o ar
Com o polegar
Repensa
Urbaniza
Me tata
Me arca
Com o teta
E o ar que toca.

Me planeja
No teu crono
E gama
Nos meus metículos
Quadrados.

És infalível
Meus caminhos desvendou
Não bastasse
Invadir, arquiteta
Encheu de ar
Meu seio
Também.


Funda a mim
Dimensão
Três dê
E fica
Comigo
Até o fim
Da construção.

A professora da minha filha

Capítulo 24 :

 - Lembro, claro. – Respondeu.

- Será daqui a duas semanas, numa quinta-feira, mas a festinha será no sábado, para que todos os amiguinhos e parentes dela estejam presentes. – Comentou – Inclusive você, Lua.

- Eu?! – Perguntou surpresa.

- Claro. – Sorriu – Melinda te adora, você é professora dela, e além do mais, está saindo comigo. – Estendeu à mão para ela.

- Você me deixa sem graça, Arthur. – Sorriu e deu a mão a ele.

- Não tem necessidade. – Acariciando a mão dela com o polegar – Somos solteiros, gostamos da companhia do outro e estou bastante interessado em você, Lua.

- Também sinto interesse por você, Arthur. – Disse um pouco corada.

- Então não precisa ter vergonha. – Sorriu – Vai ter que aprender a viver com meus beijos, meus carinhos, meus convites…

- Acho que posso conseguir. – Sorriu de volta – E Melinda?

- Ela já viu você e eu nos beijando ontem, me fez várias perguntas em casa e precisei dizer a ela que estávamos saindo juntos e que algumas vezes iríamos nos beijar. Melinda entendeu muito bem. – Alisando com o polegar a mão dela.

- Vou precisar a me acostumar com sua filha me vendo beijar o pai dela. – Mordeu o lábio inferior.

- Podemos começar agora.

Ele inclinou-se para frente e ela fez o mesmo, já entendendo o que ele queria. Os lábios se tocaram de modo suave e ele colocou a mão em sua nuca, fazendo pequenas carícias com os dedos, enquanto Lua colocava a mão em seu rosto e alisava sua bochecha. Era um beijo calmo e carinhoso, sem apelo sexual, e ela cada vez se derretia mais por Arthur. Melinda observava a cena de dentro da piscina e sorria feliz. Sua tia Lua e seu papai estavam se dando bem, e se tudo desse certo, ela teria uma mamãe em breve, e o melhor, seria a professora que ela tanto amava.

Arthur afastou-se devagar e Lua foi abrindo os olhos encontrando com os dele, ambos sorriram ao mesmo tempo e ele levantou, colocando sua cadeira colada com a dela. Ambos deitaram-se de barriga pra cima ao lado do outro e voltaram a conversar.

- Viu? Não foi tão difícil. – Ele comentou.

- É. – Lua sorriu – Logo eu me acostumo.

- Lua… – Chamou-a – Infelizmente, no aniversário de Melinda não podemos demonstrar que temos algo mais, a professora Collins também irá à festa.

- Tem razão, pode deixar que irei apenas como a professora de Melinda.

- Vai ser um desperdício ficar a noite toda no mesmo lugar que você e não poder lhe dar um único beijo. – Aproximou-se dela e roçou o nariz em sua bochecha.

- Vai ser difícil mesmo, já estou até me acostumando com os beijos. – Sorriu e Arthur lhe roubou um beijo.

Melinda veio correndo até eles e rindo. Estava contente pela proximidade dos dois e sentou na beirada da cadeira do pai.

o polegar da mão esquerda

tens o mesmo nome do meu irmão mais velho. talvez por isso te chamo com certa intimidade antes mesmo de tu me abrires qualquer possibilidade de romance. pedi uma vez para que me contasses sobre tuas cicatrizes, pelo puro prazer de te ouvir narrando devagar as marcas na tua pele, como se assim eu pudesse te conhecer mais de perto e a nossa amizade ativasse memórias de infância, corrompesse o tempo, aderisse aos teus acidentes, dedos cortados, quadro negro, brinquedos de girar, corridas de moto. as paixões são todas inventadas, mas, ao nos darmos conta disso, algo já foi disparado. tu tens muito trabalho para os próximos meses e eu tenho pressa.

A professora da minha filha

Capítulo 19 :

- Eu também te acho um homem muito interessante, bonito e muito inteligente. – Olhando para ele.

- Então concorda em sair comigo?

- Sim. – Sorriu – Acho que será maravilhoso.

- Sem dúvida. – Sorriu de volta.

O garçom trouxe o vinho e serviu duas taças. Brindaram e cada um bebeu um gole. Arthur colocou a taça na mesa e segurou a mão de Lua que estava gelada pelo nervosismo. Ele ficou acariciando com o polegar e ela cada vez se derretia mais com aquele contato.

- Seus pais ainda moram no México? – Ele perguntou iniciando uma conversa.

- Sim, eu costumo passar minhas férias com eles. – Explicou – E os seus?

- Meu pai faleceu faz dois anos, mas minha mãe mora aqui na cidade não muito longe da minha casa. Como eu já te disse, ela me ajuda muito com Melinda.

- Sinto muito pelo seu pai. – Disse com sinceridade – Não tem irmãos?

- Tenho um irmão, mas ele mora em Chicago, é dentista. Nunca gostou muito do lado dos negócios. – Sorriu – Costumamos nos ver pouco, ele é muito ocupado e eu também. Irmãos?

- Uma irmã, ela é jornalista. Eu a vejo quando visito meus pais, pois ela mora perto deles.

- Imagino o quanto deve ter sido difícil pra você largar sua família e vir para cá. – Ele bebeu mais um gole de vinho.

- No começo eu sentia muita falta deles, mas com o tempo fui aprendendo a me virar sozinha. Sinto saudades, mas hoje em dia sei lidar com isso. – Sorriu para ele.

~~-~~

A comida chegara e ambos comeram em meio a uma conversa amigável. Lua adorara o sabor e o tempero do ravióli e sem dúvida todos os elogios ao restaurante estavam corretos. Degustaram mais um pouco do vinho após terminarem seus pratos e continuaram conversando sobre assuntos em relação aos seus gostos pessoais, buscando se conhecerem melhor. Arthur a levou até em casa e ao parar com a BMW em frente ao edifício de Lua, ele virou-se um pouco no banco e a olhou.

- Será que eu posso subir, Lua? – Perguntou – Não me leve a mal, mas é melhor eu começar a te buscar na porta do seu apartamento.

- Vamos sair mais vezes mesmo? – Olhando para ele.

- Se você aceitar, sairemos infinitas vezes. – Sorriu.

Ela retribuiu o sorriso e Arthur saiu do carro, abrindo a porta para ela e ajudando-a a sair. Lua subiu com ele e abriu a porta de seu apartamento, não era muito pequeno, mas era simples, porém bem ajeitado e aconchegante. Ela colocou a bolsa em cima de uma mesinha no canto e perguntou:

- Aceita um chá? É o único que tenho para servir. Não costumo beber vinhos.

- Chá está perfeito. – Foi até o sofá e sentou-se.

~~-~~

Minutos depois ela voltou carregando uma bandeja com duas xícaras. Colocou-a na mesinha de centro e serviu uma para Arthur. Sentou no outro sofá pegando também sua xícara e olhou para ele.

- Espero que esteja bom.

- Está ótimo! – Disse após tomar um gole – Belo apartamento.

- Obrigada. – Sorriu – Eu gosto de morar aqui, é do tamanho ideal pra mim que moro sozinha.