poeta de banheiro

Pílulas

Quando é azul, faz feliz
Quando é preta, nem tanto
Quando é vermelha, faz assim
Quando é Laranja faz assado

Felicidade instantânea garantida
Ou seu dinheiro de volta?
Quem cai nessa balela?
Pois não é que cai, não é que caiu!?

Felicidade é bixo solto
Que vai e vem sem desgosto
E se desgosta do caboclo
Esse ai só passa sufoco

Daí é verde, amarela,
Laranja, cor de flor
Couve-flor, e pira enfim.

1 de Setembro de 2006

Esfinge

Recoberta de rotos panos
Enigmas entre-secas areias
Estatual ex-gente
Permanece

Até mais mesmo que quem ex não é
Que permanece, abisma.
Duro feito pedra, frágil feito pó
Puro pó
Pedra antes fosse, será talvez
Com quietude, quem sabe

Mesmo mesmo é que mantém seus segredos
Em postura eretíssima, 
Desconfortável
Eterna, bem bem eterna

Permanece lá,apenas para a próximos abismar
O terror mesmo é quase abismal
E sem jogo textual
É decifrado ou devora-te!

Em pedra-pó bem bruta
Encanta com a beleza
Envolve com bem muita destreza
E abocanha feito leoa

Escaravelhos roem entranhas
Teu enigma sem desfeito, 
logo sem defeito
Derrotou mais um
Pobre coitado foi, não teve seu quinhão
Devorado foi coração, e o resto que 
não muito deve importar


Mais carne é coisa que rota.
E se enrola e panos brancos, que rotam.
E enrolam segredos enrolados
Que decifram-se ou engolem-te.
E não necessáriamente na mesma ordem
Encarneiam coração escaravelhos.


Gabriel Hamdan Ferreira
28 de Agosto de 2006

Timidez

De beleza é que se abastou
Por de simples linda ser…
Jeito simples, sorriso
Gente forte, assim mesmo.

Queria só, mas não mais só,
Teus sorrisos, alguns, para mim
Mas de jeito em trejeito…
Ficou tão difídil assim?

E de palavras mal ditas,
Intenção turvou em medo.
Mesmo com cuidados cheio de dedos
Nem com eles te toquei
E eu que só queria um dedinho de mim aí dentro.

Pois há dia em que sol insiste
Há? Pois não são todos?
Coragem é que há de nascer.
E cheio de cristalino bem querer
Me rasgarei ai dentro.
Ah! se aí dentro eu não entro!

Pois quero, e sinto que é de bem
Malditas as palavras. As que me enrolo
Malquistas as memórias, as que ignoro
E de belezas e ilusões
Me deixas tornam-se quereres sem fim.
Eu te quero bem assim.

E quem te dedica esse amor?

8 de Setembro de 2006