poente

eu quero uma palavra que silencie o peito,
desacelere o sangue, faça poente a dor num olhar vibrante.
eu quero uma palavra que me lembre o azul tônico, inviolado,
que rasgue a carne e mostre a alma emborboletando a vida.
eu quero uma palavra que alivie os danos, acenda os opostos
e diga que o amor é o sol que morena a pele e faz vibrar a alma.
uma dança de cabelos trançados e fitas coloridas,
uma melodia de ossos floridos, corais e cardumes inesquecíveis,
um movimento lento e preciso pontuado na rotina do beijo.
eu quero uma palavra no formato exato do meu vazio.

Vez ou outra conhecemos pessoas tão bonitas de alma, que nossa vontade primeiro é: guardar num potinho e por no guarda-roupas, logo depois você pensa o quanto a pessoa é magnífica e como o mundo precisa conhecer alguém assim, então deseja que o vento leve o que a pessoa diz aos quatro cantos. Que o universo lhe conceda asas para voar e só lhe imponha um limite: o poente do sol.
No meu 1° do Ensino Médio eu pude conhecer alguém com uma alma tão bonita (mesmo que tão machucada), e eu pude acompanhar o crescimento dessa pessoa, desse ser de luz, que tanto me inspira amor. E eu desejo que cada ser nesse universo tenha oportunidade de conhecer alguém tão brilhante como essa moça.

A letter for Natália.

Eu sei que você também tem medo das partidas, petite. Porque o céu não será mais o mesmo e as flores não serão mais as mesmas e os discos não tocarão mais as músicas da mesma maneira. Eu estou cansada e é por isso que preciso da partida: porque estar presa em um ponto não satisfaz a minha humanidade e o meu coração é muito precioso para ser submetido a cordas e sufoco. Os meus olhos às vezes pesam tanto que sequer há lágrima - a vida já me cobrou demais e ontem mesmo li sobre 61 poentes e despertares. Há algo que você precisa entender, já dizia Nina: “Você precisa aprender a se levantar da mesa quando o amor não está mais sendo servido”.
Às vezes a gente precisa colocar os pés descalços no mundo.

C.

Os classificadores de coisas, que são aqueles homens de ciência cuja ciência é só classificar, ignoram, em geral, que o classificável é infinito e portanto se não pode classificar. Mas o em que vai meu pasmo é que ignorem a existência de classificáveis incógnitos, coisas da alma e da consciência que estão nos interstícios do conhecimento. Talvez porque eu pense de mais ou sonhe de mais, o certo é que não distingo entre a realidade que existe e o sonho, que é a realidade que não existe. E assim intercalo nas minhas meditações do céu e da terra coisas que não brilham de sol ou se pisam com pés - maravilhas fluidas da imaginação. Douro-me de poentes supostos, mas o suposto é vivo na suposição. Alegro-me de brisas imaginárias, mas o imaginário vive quando se imagina. Tenho alma por hipóteses várias, mas essas hipóteses têm alma própria, e me dão portanto a que têm. Não há problema senão o da realidade, e esse é insolúvel e vivo. Que sei eu da diferença entre uma árvore e um sonho? Posso tocar na árvore; sei que tenho o sonho. Que é isto, na sua verdade? Que é isto? Sou eu que, sozinho no escritório deserto, posso viver imaginando sem desvantagem da inteligência. Não sofro interrupção de pensar das carteiras abandonadas e da secção de remessas só com papel e cordéis em rolos. Estou, não no meu banco alto, mas recostado, por uma promoção por fazer, na cadeira de braços redondos do Moreira. Talvez seja a influência do lugar que me unge de distraído. Os dias de grande calor fazem sono; durmo sem dormir por falta de energia. E por isso penso assim.
—  Fernando Pessoa.
Uvek mi je bilo smesno to kako neko moze provesti 2-3 sata na klupici u parku na -20 sa osobom koju verovatno za par meseci,eventualno godina,nece ni poznavati..koja ce biti samo daleka proslost. Dok nisam upoznala tebe. Nisam mogla da verujem kako se ljudi ponizavaju i kako se trude oko nekoga ko to ne ume da ceni. Ko je jednom leden,a vec sledeceg trenutka deluje kao da si taj led uspela da otopis,mada,na kratko. Dok nisam srela tebe. Uvek mi je bila ljigava i sama pomisao na sudbinu,sta je to? Obicna rec zbog koje zaljubljeni gube glavu jer se prime na to da ih je ta velika sudbina spojila? Dok nisam upoznala tebe. Vidis, sve je to meni bilo bez poente. Sve je to meni bilo smesno,ljigavo. Nije kao da si bio jedini u koga sam bila zaljubljena,bilo je i pre tebe nekih,sitnih,vrlo slabo vrednih pomena. Ali opet..nisu uspeli da probude osecanja koja si u meni budio ti. Dok si bio tu. Sada,nakon sto si otisao,sve je idalje tu..naterao si me da zavolim sve sto sam mrzela,da se pomirim sa manama ljubavi i da ih preokrenem u vrline i da potpuno budem bezglava kada si ti u pitanju. Sludeo si me znas..ovu ludu glavu si okrenuo za 180 stepeni,i nisi mario..ne krivim te,nisi ni mogao da naslutis da ces ovoliki trag ostaviti..
I znas. Tebe mi nikad nije bilo dovoljno. Bicu iskrena. Nikad mi nije bilo dovoljno samo 2-3 sata sa tobom na promrzloj klupici na kojoj ti se zadnjica ledi,nije mi bilo dovoljno ni na +30 sedeti sa tobom i topiti se od suncevih zraka koji su mi przili kozu. Tebe mi nikad nije bilo dosta..verovatno si zato i otisao. Ali da si samo razmislio. Da,
mi je pre tebe sve bilo nebitno.
Da mi je pre tebe ljubav bila samo rec,a sada o njoj pisem.
Da mi je pre tebe zaljubljeni par licio na dvoje kretena koji ne znaju sta ce sa sobom.
Da si samo shvatio i uvideo koliko je sa tobom sve imalo smisla,pa cak onda i kada ga nigde nije bilo,znao bi..
Znao bi da nije vreme da odes. Ovako,sunce moje lepo,mogu ti samo pozeleti da nekom drugom grejes dane nakon kise,ulepsavas svitanja,i krades osmehe.
Ti,za mene vise nisi sunce,mene vise ne grejes.
Nakon tebe, sve je ledeno i sve je mracno.
Nakon tebe,sve je ponovo izgubilo smisao..
—  ultravioletna.(Teodora Vuković)

Tens nos olhos o outono,
Nos lábios a primavera…

Enquanto teus lábios cantam
Canções feitas de luar,
Soluça cheio de mágua
O teu misterioso olhar…

Com tanta contradição,
O que é que a tua alma sente?
És alegre como a aurora,
E triste como um poente

—  Florbela Espanca, livro “trocando olhares”
Era uma vez um bando de patos selvagens que voava nas alturas. Lá em cima era o vento, o frio, os horizontes sem fim, as madrugadas e os poentes coloridos. Tudo tão bonito! Mas era uma beleza que doía. O cansaço do bater das asas, o não ter casa fixa, o estar sempre voando e as espingardas dos caçadores… Foi então que um dos patos selvagens, olhando lá das alturas para a terra aqui embaixo viu um bando de patos domésticos. Eram muitos. Estavam tranquilamente deitados à sombra de uma árvore. Não precisavam voar. Não havia caçadores. Não precisavam buscar o que comer: o seu dono lhes dava milho diariamente. E o pato selvagem invejou os patos domésticos e resolveu juntar-se a eles. Disse adeus aos seus companheiros, baixou seu voo e passou a viver a vida mansa que pedira a Deus. E assim viveu por muitos anos. Até que… Até que, num ano como os outros chegou de novo o tempo da migração dos patos. Eles passavam nas alturas, no fundo do azul do céu, grasnando, um grupo após o outro. Aquelas visões dos patos em voo, as memórias de alturas, aqueles grasnados de outros tempos começaram a mexer com algum lugar esquecido dentro do pato domesticado, o lugar chamado saudade. Uma nostalgia pela vida selvagem, pelas belezas que só se veem nas alturas, pelo fascínio do perigo… Até que não foi mais possível aguentar a saudade. Resolveu voltar a ser o pato selvagem que fora. Abriu suas asas, bateu-as para voar, como outrora… mas não voou. Caiu. Esborrachou-se no chão. Estava gordo demais. E assim passou o resto de sua vida: em segurança, gordo de barriga cheia, protegido pelas cercas e triste por não poder voar…
—  Rubem Alves em Ostra feliz não faz pérola.

Entre as lacunas do meu peito um menino choraminga, contido em suas dores íntimas, seus anseios pueris. Tento acalmá-lo, dirigindo-lhe alentos fármacos, tocando-lhe a fronte estarrecida ante as suas próprias teimosias, De olhos tempestuosos e aguados, a criança, por ora, apenas me observa. E como se ela recorresse ao pedido de um abraço, à súplica de um acolhimento apaziguador, subitamente suas mãos miúdas erguem-se rumo ao céu; envolvo-a no meu colo e lhe sussurro aos ouvidos atentos:

– Permita que o seu coração bata aos compassos do tempo. E que o sorriso sobreponha-se às suas lágrimas sempre que uma dor encontrá-la à beira da noite. Não tenha medo, doce infante. O calor da sua alma secará o suor do seu corpo.

Nietzsche Cywisnki, O menino dos olhos poentes

poente queda

o sol em ruínas
faz deste céu imenso mar
gélido,
nos obriga a costurar velhos andrajos
para vestir com lassidão novos heróis
sujos.

incólumes estamos da fronteira.
as últimas guerrilhas nos apontam rifles,
os últimos mestres perecem, suspiram,
um estertor de bolas de canhão ganha o céu
e o esquenta
por milésimos de segundo enquanto o sol se apaga.

propagam panfletos
discursos
pixações na muralha da china
e os pau-brasis sequer movem um dedo
e os bem-te-vis cegaram em medo,
as ruas e os preços, congelados.
no horizonte o sol desponta em metade:
há brilho,
mas não há calor.

não há mísseis nem missões
não há tiros nem remissões
tudo quedou-se pelo receio,
pelo pavor impresso nas faces três-por-quatro cidadãs
quando soube-se que ao menor passo
pode-se rasgar trajetória pensada,
não cumprida.

à guisa de dança mitológica
melancoliam as folhas das bananeiras
na mercê da fria calefação histérica
imposta pelo juízo.

desvaneço.
o sol declina
pra escuridão dos tempos
consumir todas as preces.

no embalo da cólera sinfônica
o velho disco romano
some,

enfastiado.

Gondoltam, nincsenek nagy igenyeim, megnezem, hogy egy laptop a windowsos alapon jobb befektetes mint egy uj mbp-t venni.

Ellovom a poent, nem. De azert az eleg duhito, hogy 600£ kornyeken meg mindig csak ilyen apuka laptopok vannak, amin majd megy az excel meg facebookon likeolom a jozsi viragait.

17" ssd es tobb 16giga - nagyreszt gaming vasak maradtak fent a szuron illetve valami magikus sony vaio… es mind egy rugo korul van.

De az, hogy 2017-ben meg arulnak 800£os laptopot windows 8.1el, az kurva vicces.

Visto-me de amor e suspiros para que no silêncio da ausência eu rememore os ruídos do encontro de nossas almas afoitas e passionais; colidimos no mundo e, por determinação do destino, obrigamo-nos a limitar certa distância entre os meus olhos e os seus. Entretanto, como nos refizemos senhores de nós mesmos, determinamos que nossos corações novamente irmanariam-se através de um abraço carinhoso. Por ora, resta às nossas forças íntimas suportar a carência de toque em vista de um futuro que, ante o olhar da alvorada, tornar-se-á um presente ao longo da extensão de uma singela e infinita manhã.
—  Nietzsche Cywisnki, O menino dos olhos poentes