poema de bolso

Poema de bolso XLIII

“Drummond às avessas”

Não serei eu o poeta de um mundo mecânico,
Não ei de cantar versos a seres orgânicos
Que não sentem o próprio Ego metafísico.
Sou poeta dos que pensam, dos que sentem,
Dos que mentem a si mesmos,
Dos que amam.

Sou poeta de louco, de loucuras,
De eloquências cheias de esperança,
Sou poeta de naturezas vivas,
De tempos, de existências construídas.
Não versarei naturezas mortas.
Não cantarei vidas não vividas.
Sou cativo dessa alma existencialista
E hei de esculpir palavras, como os homens esculpem pensamentos.
Minha matéria está nos pensamentos, está nas amarguras,
Nas brancuras, nas fraquezas, nas loucuras,
Nos humanos.


Medeiros Costa

Poema de bolso XLII


chamas e fumaças ocultavam a lua
                                                   escura
           do deleite noturno
dos passos atrasados
              esfumaçados
passos de bombeiros
passos
de policiais
passos de muitas pessoas,
              tanto dentro quanto fora da casa.

e o fogo destruiu
              (e ainda destruía!)
o amor que, passado as madeiras, existia;
dentro das janelas, das portas, no meio das asas do fogo;
num pássaro que tanto e tanto amei e que agora queimava!


Medeiros Costa