plebeu

“Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras
Secretamente, entre a sombra ea alma.

Te amo como a planta não floresce e leva
Dentro dela, oculta a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive obscuro em meu corpo
O apertado aroma que ascende da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque sei amar de outra maneira,

Senão assim deste mode em que não sou nem és
Tão perto que a tua mão no meu peito é minha mão,
Tão perto que se fecham seus olhos com meu sonho”

—   (Soneto XVII – Pablo Neruda – Traduzido)

Então a tão bem resolvida nobre, que nunca lançou um olhar furtivo para ninguém além dos príncipes - colocando-lhes defeitos e dizendo que não eram bons o bastante -, se apaixonou pelo plebeu? Quanta ironia, não? Ela que nunca sentiu nada por ninguém, teve seu coração balançado por uma figura tão peculiar e fora de seus padrões. Mas ela tem esperanças que o plebeu ainda seja príncipe. 

Tem o Príncipe, de olhos brilhantes, que se fixam nos meus por alguns intantes. Ele sorri, vira a cara, ri com os amigos. Sim, ele sabe o efeito que tem sobre mim, uma plebéia. É nele que eu penso quase sempre, por ele que eu faço loucuras. Por ele, que já tem sua Princesa, mas continua a bater os olhos em mim de vez enquando, não sei por quê. E tem outro Príncipe, um que carrega o mesmo sobrenome que o primeiro, mas que é completamente diferente. Mesmo sendo tão nobre, se considera um plebeu. Faz de tudo para arrancar sorrisos meus, que eu não acho que valem todo seu esforço, esse doce Príncipe me vê como sua Princesa, me protege, cuida de mim. Eu amo os dois de maneiras diferentes e não acho que um dia deixarei de amá-los.

Querida distância,

por que separa tantas pessoas que  se amam? Muitas se machucam por nunca poder tocar, ouvir a voz de quem tanto precisa. Por um lado, eu até te entendo; se morassem tão perto, não daria valor para a amizade e para o amor. Mas pensando por outro, é uma dor terrível que sentimos quando queremos o abraço de uma pessoa e não pode ter por causa de você, distância. O que mais dói é saber que outras pessoas podem ter o que você mais deseja; ver, ao vivo, aquele sorriso que te faz suspirar ou até segurar na mão de quem te faz sorrir.

para que você existe? (Commoner)

Em meio a noite, a bela moça se encontra jogada em um canto qualquer preenchido pela neve. Teu sangue escorria no belo vestido azul, sangue aquele derramado por sofrimento, sangue que não havia de ter sido derramado porém, o mal já havia ocorrido. Lágrimas de desespero ainda corriam pelo rosto em  sinal de sofrimento eterno. Não procuravam por ela, não se deram ao trabalho, afinal muitas vezes ela sumira procurando que sentissem a falta dela. Porém dessa vez havia sido diferente. Ela colocara o mais belo vestido que tinha, arrumara o cabelo de modo que de longe poderíamos observar o negro brilho de seu olhar. Em sua mão havia um punhal antigo, ele lhe foi dado em seu decimo sexto aniversario. A menina então fugiu, correu rápido em direção a incerta escuridão. Se jogou ao chão, lágrimas escorriam pelo teu rosto como um grito silencioso de desespero. Palavras ecoavam em sua mente vazias, aqueles seriam seus últimos pensamentos. Trazia em seu olhar a mentira de um sorriso e a verdade de um coração frio. Escreveu em meio a neve com os dedos gelados: “ Me desculpo com todos que prometi continuar, mas não haverão coroas e lindos sorrisos que irão me preencher o vazio. Irei de encontro ao meu plebeu de coração nobre.” . Deitou-se no chão, tremendo de frio. Mordeu os lábios e roxos, apertou os olhos para ver o último floco de neve cair e sacou a adaga. Apertou-a contra teu pescoço. “ Me desculpa. ” - ela sussurrou. E estava feito, o corte profundo em teu pescoço haveria de leva-la a escuridão indecifrável.

Nalani M R ( perverted-angel)

Do Casamento Real e minha realidade

“Os contos de fadas dizem mais da realidade para as crianças do que a própria realidade”.

Anderson Almeida.

         Casamento, muita pompa, muita alegria e tudo isso compartilhado com o mundo, belezas inigualáveis, o casamento do século.

         Juntando os trapos, nenhuma pompa, a alegria reprimida entre os dois, belezas inalcançáveis, o rolo nada sério.

         Enquanto um príncipe se casa com uma plebéia no Reino Unido com toda pompa possível, aqui estou eu, escolhendo sair ou não de casa. A minha Rainha, ela mesma Rainha Elisabete disse com todas as palavras, você quer, você terá.

         Mas não sei se quero, namorar? Casar? Amasiar? Aqui estou eu sem saber o que fazer, a única coisa que posso fazer é especular, pensar nas varias possibilidade dessa união dar certo ou errado, mas claro tudo não passara de especulações se eu não fizer nada. Tenho que provar para aprovar e ter o conhecimento empírico; para poder dizer eu experimentei, eu sei do que estou dizendo. Nem tudo na vida tem que se provar pra saber, mas isso é algo totalmente intangível para se colocar em palavras.

         Ter a liberdade de um relacionamento aberto, ter a possibilidade de se enamorar muitas mulheres e ama-las, mesmo que de forma diferente, pois nenhuma se iguala a outra; claro, tudo não passa de especulações, o futuro é pura especulação, mas tenho que ter certeza de estar preparado para quando o futuro chegar que eu estarei preparado para poder fazer acontecer da melhor forma possível; o ideal é algo a ser buscado, alcançado talvez, mas nunca desistir de alcançá-lo.

         Assim vivo a cada momento me preparando para o futuro e não me esquecendo de que o amanhã está por vir e que só tenho o hoje, e esse hoje é resultado de ontem. Estou no mesmo quarto á vários anos, como eu poderei mudar de uma forma tão devastadora da noite para dia? Não poderei, por isso vou com calma e paciência, vivenciando e experimentando o prazer e a dor do mundo em afecção a mim e descobrindo a mim mesmo conhecendo o mundo; relacionando o interior com exterior em busca de respostas que somente eu posso chegar, mas claro com a ajuda de todos os irmãos sejam eles bons ou ruins.

         Os bons eu sigo, os maus eu exploro e aprendo para não seguir e fazer igual. Deus é meu ideal, Super-homem quem sabe, o Diabo eu desdenho, mas ainda o sou, por isso me aceito como ser que aceita o devir, esperando o melhor que esta por vir.

 

Anderson Almeida, 29 de abril de 2011.