plantas no asfalto

Vai mesmo reconhecer sua provável futura tragédia na suposta tragédia alheia, Maria do Bairro?

Ah, não, não! As pessoas depositam uma carga de verossimilhança muito grande em coisas que podem nos fazer torrar os miolos e afogar o rosto em 32 lençóis pelo resto da vida. Não, não, não!

É culpa dos poetas? Pode ser culpa dos poetas.

Talvez, também, daquela vizinha intrometida que, em suas frases de efeito revigorantes e banhadas de experiência (ou não), carrega a sombra de uma vontade estapafúrdia de querer que você se ferre bem muito e nunca mais consiga dormir à noite, porque a sua vida está uma merda e você também é uma.

TUTORIAL RÁPIDO DE COMO DEFINHAR RIDICULAMENTE:

1- Leia matérias que ninguém diz que lê às 3:50 da madrugada e chegue à conclusão de que você é a madeira que o cupim não quis fazer de almoço.

2 - Baseie mais um pouco a sua vida na vida das outras pessoas, das plantas, dos pardais, dos asfaltos esburacados.

3 - Baseie a sua vida na vida da mulher que anuncia a previsão do tempo; diga às paredes que você não precisa saber da previsão do tempo, mas, sim, do seu destino e vá olhar o horóscopo na internet.

Isso é muito bom! Todo mundo deveria fazer isso e ir chorar depois para os amigos que não dão a mínima e pedem para você parar de reclamar e ir fazer algo para mudar as coisas ao mesmo tempo que repetem o mesmo para si próprios, porque todo mundo tá no mesmo Titanic (e sem um Jack bonitão).

As pessoas (eu também, e você também, nem vem me olhar com essa cara de “não tenho nada a ver com isso”) montam suas “suposições de vida” em cima das “suposições trágicas de vida desgraçada” das outras pessoas e, poxa, por ser todo mundo humano, né, todo mundo com pâncreas e laringe, sai achando que vai acontecer da mesma forma.

É isso. “Claudete perdeu o dedo médio cortando a unha com a tesoura de cortar grama. Se eu fizer isso, vou perder o meu também.”

Um pouco estúpido? Um pouco estúpido
(para não dizer absolutamente).

Mas é o que você faz todo dia (sem perceber).

É o que a gente faz todo dia (percebendo).


Abril de 2016.