plantamal

Seis horas. Seis e pouco, tanto faz. É sempre que o agora se desfaz. E nos muitos mais tardes da rotina, semeamos o incógnito de nossas estatuetas trincadas. O equilíbrio mora num terremoto sísmico, cínico, carrasco. Dessa vez o agora chora, amanhece, mas não me pertence. Sou ventríloquo de bramuras previsíveis, e coloquei todas as linhas na tua mão. Conduza-me! Não me restam mais assim tantas escolhas. Teu toque rouba-me o suposto ser; dou-te todas as cordas de minhas vertentes, menos uma. E esta é o cachecol de meu suicídio, com o peso de todas as minhas vertigens engavetadas na alma. O medo, descartando cada instante da vida, adoece. Meus olhos poentos fitam os teus, através de uma carta manuscrita que sequer terminei; as minhas pálpebras plantam sonhos num jardim futuro, florido, debaixo da tua cama, onde nem faço ideia de como chegar. Planos são assim: falecidos por si só. Consequências doces são necroses pútridas germinando violetas. E eu ainda olho a carta, inacabada. Meus dedos rastejam sobre a mesa, sobre a caneca de café, sobre o pêndulo da ansiedade, da espera, que enferruja a alma nos porões do aguarde. Finco meus olhos sobre essa carta como quem olha a nudez áscua da pessoa amada pela primeira vez. Ou talvez pela derradeira, ciente de uma morte breve, que cabe no silêncio de dois passos. Meu ânimo fraqueja, rendendo-se ao cansaço corpóreo, insiste em dobrar meus cotovelos sobre o marfim da mesa, mas a alma suplica o canto, dos últimos canteiros do peito: extrair tudo que tenho, até que o coração seque, embrulhar e enviar pelos correios junto a minha desmesurável saudade até minha amada.

Quase sete, e a noite decorre lenta. Rasteja. E é assim sempre.

Sou tinta e céu, pincelando tua face em acalantos embevecidos, mas minha alma murcha, como um buquê nunca entregue, na guilhotina de saber que nem tenho o teu endereço.
—  Annd Yawk

meu corpo é casa de ninguém.
chegam e fazem moradas
os homens, os bichos…
fazem estâncias, aram a derme,
abrem sulcos, putrefam a carne
plantam suas tristezas
colhem suas alegrias.
depois partem, me partem
em dois, em três, em cacos.

meu corpo é terra de ninguém.

“Wayne Adams e Catherine King decidiram morar, com seus filhos, em uma casa flutuante localizada na costa de Tofino, Columbia Britânica, no Canadá. A construção denominada Freedom Cove (“Enseada da liberdade”, em português) é uma fortaleza sustentável que flutua em águas oceânicas, onde há interação entre casa, mar e jardim.

A casa flutuante, possui pinturas coloridas com cores vivas ao redor de 12 plataformas interligadas por trajetos de madeira, que servem de estrutura para espaços de convivência, moradia, estufas e reservatórios de água doce.O mundo flutuante da família é totalmente sustentável, já que eles plantam seus próprios alimentos e colhem diversos tipos de vegetais, ervas, frutas e flores comestíveis. Grande parte da água doce é garantida pelas chuvas e por uma cachoeira próxima. A eletricidade é gerada por painéis solares.Wayne começou a construir este pequeno país das maravilhas em 1992 e, desde então, ele e a mulher fazem seus trabalhos ali.(…)”
—————————————————————————————————————-
“Wayne Adams and Catherine King decided to live with their children in a floating raft located on the coast of Tofino, British Columbia, Canada. The building called Freedom Cove is a sustainable barge floating in ocean water, where there is interaction between home, sea and garden.

The houseboat features colorful paintings with bright colours around 12 platforms connected by wooden paths that serve as a framework for living spaces, housing, greenhouses and water reservoirs.This floating world is fully sustainable, as they plant their own food and harvest a variety of vegetables, herbs, fruits and edible flowers. Much of the fresh water is guaranteed by the rains and a nearby waterfall. Electricity is generated by solar panels. Wayne started building this little wonderland in 1992 and since then, he and his wife do their jobs there.(…)“

mais em: http://www.hypeness.com.br/2015/03/a-familia-que-construiu-sua-propria-casa-flutuante-e-sustentavel-no-meio-do-oceano/

me desculpa, mas não me satisfazem apenas as incompletas químicas, nem o que fazes sem amor, tampouco os abraços de um braço só. metafísicas só agravam a saudade que nem mesmo se plantam em raízes no peito — metades me agonizam, não tem jeito.

no meu céu cabe apenas a lua cheia; amores minguantes sempre falecem no primeiro horizonte, e viram enfeites de prateleira.

—  Annd Yawk