plantamal

meu corpo é casa de ninguém.
chegam e fazem moradas
os homens, os bichos…
fazem estâncias, aram a derme,
abrem sulcos, putrefam a carne
plantam suas tristezas
colhem suas alegrias.
depois partem, me partem
em dois, em três, em cacos.

meu corpo é terra de ninguém.

me desculpa, mas não me satisfazem apenas as incompletas químicas, nem o que fazes sem amor, tampouco os abraços de um braço só. metafísicas só agravam a saudade que nem mesmo se plantam em raízes no peito — metades me agonizam, não tem jeito.

no meu céu cabe apenas a lua cheia; amores minguantes sempre falecem no primeiro horizonte, e viram enfeites de prateleira.

—  Annd Yawk