planta jarro

TÔ SENTINDO TUA FALTA.

amanhã tu vem me ver, e eu tô com saudade.

saudade do teu cheiro, do teu toque, do teu sorriso, do teu abraço, da tua voz, da tua doçura, de tudo… de ti…
vem logo!
eu deixei a porta aberta, e mesmo se estivesse fechada, tu sabe que eu guardo uma cópia da chave embaixo do jarro de planta, haha.
é pra se por acaso eu me perder de mim mesmo, sempre ter certeza de que algum lugar me espera.
mas eu sempre gostei mais de abraços.

sinto falta de morar no teu.

saudade de quando éramos um só. de quando nos falávamos todos os dias. saudade de ouvir tu me chamando de vida, ou dengo. saudade de estar contigo.
queria poder ir na tua casa, e te buscar pra dormir comigo. te prender no meu peito e nunca mais te soltar.

lembra quando fomos pra casa de praia? foi um dos melhores momentos da minha vida. nós dormimos juntos pela primeira vez… sinto falta disso.

por favor, vamos fazer diferente. vamos tentar de novo, e fazer dar certo. eu não quero desistir de ti, moço.

lembra quando nos perdemos na praia? um dos momentos mais engraçados que já vivi.
lembra dos micos? das brincadeiras? das gargalhadas? das piadas? das cócegas? eu nunca esqueci.

nunca esqueci o quanto você tocou meu coração e o agarrou com os cinco dedos.

moço, eu te amo, tá? vem logo!
a porta tá aberta. não precisa chamar, só vem. chega de surpresa e tapa meus olhos. faz eu sentir teu cheiro e antes de tu falar, eu já saber quem é. depois me abraça e diz que nunca mais vai me soltar.
me prende forte e diz que está tudo bem, e que agora tu está aqui.
só vem.

sinto sua falta…

me beija.
quero sentir o doce do teu beijo.
quero me embriagar com teu cheiro.
quero saciar essa sede de você.

vem logo!

Reações dos paqueras se a Docete ligasse para eles no meio da noite para dizer que perdeu a chave de casa e está trancada do lado de fora

Armin: Você perdeu sua chave? Ah, pode vim dormir aqui em casa, não se preocupe. Não fique aí sozinha, venha para cá. 

Castiel: Você perdeu sua chave de novo? Aff, mas como você é tonta mesmo! Fica quietinha aí que eu chego já, já. Não sai daí!

Kentin: Você tem para onde ir? Se quiser eu posso pesquisar o número de algum chaveiro 24 horas, deve ter, não é? Mas calma, fica tranquila que vai dar tudo certo.

Lysandre: Você está presa fora de casa? Você não quer vir aqui para casa? Vem para cá e amanhã resolveremos isso com um chaveiro, ok? Você pode dormir aqui, não se preocupe.

Nathaniel: Você não precisa se preocupar com isso, há uma chave reserva no jarro de planta bem aí ao lado da sua porta. Eu coloquei uma chave porque eu te conheço, sei como você é boa para perder as coisas… Como assim você perdeu a chave reserva? Então não tem chave nenhuma?! Eu estou indo aí agora! Calma, fica tranquila, vou ligar para um chaveiro. Me espera aí que estou chegando.

Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente.
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas coisas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos…

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros…
—  “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro.

III

Ao entardecer, debruçado pela janela,

E sabendo de soslaio que há campos em frente.

Leio até me arderem os olhos

O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês

Que andava preso em liberdade pela cidade.

Mas o modo como olhava para as casas,

E o modo como reparava nas ruas,

E a maneira como dava pelas coisas,

É o de quem olha para árvores,

E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando

E anda a reparar nas flores que há pelos campos…

Por isso ele tinha aquela grande tristeza

Que ele nunca disse bem que tinha,

Mas andava na cidade como quem anda no campo

E triste como esmagar flores em livros

E pôr plantas em jarros…

– Alberto Caeiro