piso-preto

O meu bloco de notas se encontra vazio.

As linhas do meu caderno com cheiro de passado enrustido me lembra tudo aquilo que tento olvidar, eu queimo e jogo fora as folhas que não me convém, de certa forma, eu tento manter o equilíbrio entre a linha tênue das minhas vontades e das minhas necessidades, eu luto pelo silêncio mais profundo e enlouqueço com marcas de café preto pelo piso de madeira na velha casa, os tijolos estão ficando velhos, podres, mas permanece com todo o equilíbrio de manter esses cômodos perversos que nos serve de moradia nas mais tristes noites de verão, eu consigo enxergar daqui o morro dos ventos uivantes, e isso me faz pensar do nosso romance vagabundo de quinta categoria, romance esse que não existe nos dicionários da vida, e sim nas histórias mais banais, que conseguem quebrar aquilo que chamamos de coração ao meio, fica duas bandas ensanguentadas, eu posso dividir um pouco dessa dor com você, eu posso tentar colocar em palavras tudo que me vem à tona, meu líbito nunca foi abandonar o meu bloco de notas, nem os meus cadernos com páginas tristes.

Onde se encontra mesmo a tinta vermelha da minha caneta de tampa azul? 

Eduardo Alves, indeferindo.