pertencido

Volta logo, volta pra mim, entrei em desespero na possibilidade de te perder de vez, mesmo nunca tendo me pertencido. Volta porque to ofuscando essa presunção dentro do peito, desafogando tudo que antes era oculto, dando um passo que não poderei retroceder. Volta porque quando a saudade passa a ser maior que o orgulho, já virou amor.
—  Chandy Melo
Ando vivendo as margens de mim mesma, eu acordo de manhã e sinto que falta algo e nas vezes em que eu sei o que é percebo que me falta plenitude e fé nas variantes existentes entre o que eu sou, o que eu quero ser e o que tenho sido pra amar você. Existem lacunas mal preenchidas no meu dia que não tem pertencido ao amor e eu não sinto assim tão pouco. O amor tem medo de mim e eu tenho medo dos outros. Você talvez nada tenha a ver com isso, com essa bobagem toda de amar alguém, mas entenda não é por mal a brabeza que lhe causo. O excesso desce com um rio pelo meu corpo inteiro e invade de infinitos o pouco que eu ainda tenho de racionalidade. Boa sorte pra viver com isso, você não é obrigado a ficar marginal desse excesso, você pode vivê-lo plenamente e ter fé no amor e nas flores que eu plantei no jardim. Mas tá tudo bem se não quiser, o importante é que as flores crescem, independente de quem regue seu espaço.
—  Chão de folhas.

Ainda anseio pelo momento em que te irei conhecer pela primeira vez, como se fossemos totalmente estranhos e não soubéssemos que nos tínhamos pertencido um ao outro. Mas esse momento não vai chegar e por muito que me custe, a vida continua.

Foi tão de repente, tão inesperado, não foi pensado. Foi como um choque elétrico, daqueles que seu coração acelera e seu cabelo fica em pé, meio que de surpresa que deixa seu corpo arrepiado. Não foi premeditado, nem por vontade, nem foi curiosidade ou desejo. Foi a vontade de querer cuidar, de estar perto, segurar seu mundo, me tornar seu mundo, tomar suas dores e tristezas para mim. Não foram os olhos, nem o cabelo, nem o jeito de andar e se vestir. Foram as palavras, o sorriso sincero. Não foi um lance de corpo. Foi de alma. Uma saudade, uma urgência, uma necessidade de uma coisa que nunca te pertenceu, mas era como se já tivesse te pertencido. Foi amor. É amor.
—  Rosllayne Alexandre