pertenceu

Palavras não bastam, não dá pra entender, e esse medo que cresce e não para. É uma história que se complicou e eu sei bem o porquê. Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços, me entorta as costas e dá um cansaço. A maldade do tempo fez eu me afastar de você. E quando chega a noite e eu não consigo dormir. Meu coração acelera e eu sozinha aqui. Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão. Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão. Pro tanto que eu te queria, o perto nunca bastava e essa proximidade não dava. Me perdi no que era real e no que eu inventei. Reescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer, e te dedico uma linda estória confessa. Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você. Te contei tantos segredos que já não eram só meus. Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu. Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor, essa paixão é antiga e o tempo nunca passou. E quando chega a noite, e eu não consigo dormir. Meu coração acelera e eu sozinha aqui. Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão. Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão.
—  Tiê.
Não é bonito ver o céu nublado numa noite que você só pediu estrelas. Não é agradável ter uma tempestade quando você decide ir a praia. Não é prazeroso sentir a chuva quando você está resfriado.
Não é bonito, não é agradável e não é prazeroso te ver e não te ter. Ainda mais quando você me pertenceu, quando eu pertenci ao seu coração.
Que tempo ruim estou passando, não?
—  M.

se fosse há um tempo atrás, eu teria te procurado, te chamado, me esforçado para te ter mais perto, por mais tempo. mas eu demorei tanto para me remendar, costurar os meus trapos, ficar inteira - conseguir essa paz. eu não mereço alguém que não queira, pelo menos muito estar comigo. eu sou muito intensa para me contentar com migalhas, mensagens ignoradas, decifrar entrelinhas (do que eu queria que você tivesse dito/mas não disse)

decidi não fazer barulho por pessoas tão silenciosas.

é melhor você ir, já que nunca me pertenceu.

Numa total falta de senso, você se pôs a chorar, lamentar pela perda de algo que nunca foi seu. E você esperneou, gritou, bateu o pé e disse que não abriria mão. Mas, meu bem, para que esse auê? Ele nunca foi seu. Não entende? Para quê todo esse gasto de energia? Como você pode não querer abrir mão de algo que, na verdade, nunca lhe pertenceu.
—  Christiellen Pinto.
Eu tinha que amar você o suficiente para deixá-la partir. Foi a coisa mais difícil que já precisei fazer, e não pretendo passar por isso de novo nunca mais. Mesmo assim, meu coração sempre pertenceu a você. Tenho certeza de que você continuou sentindo isso.
—  Ren, A Viagem do Tigre

Se você me chamar às 4 da manhã, porque está com saudades eu não vou me importar. Se você estiver triste eu vou tentar te alegrar. Se você precisar desabafar aqui estarei eu, pra te ouvir, pra te aconselhar se você pedir, se você precisar. Se você quiser ficar em silêncio, respeitarei seu silêncio e te abraçarei, te confortarei até você cair no sono. Se você precisar chorar, eu estarei aqui para enxugar suas lágrimas, com aperto no peito porque não há nada que me doa mais do que te ver chorar. Se deitada no meu ombro, você cair sono, eu não vou rir se o cansaço te fizer roncar. Se você precisar gritar eu não vou te impedir, eu te apoiarei, eu gritarei junto com você e no fim nos olharemos e riremos disso como dois loucos que somos. Se você ficar com tanta raiva a ponto de precisar esbravejar, bater ou xingar, te deixarei esvaziar sua raiva, mas no fim serei aquele que te acalmará e fará vocêse sentir melhor. Mesmo te achando linda quando está brava. Não importa como, eu vou te amar. Não importa como, eu estarei lá por você, te darei minhas mãos, meus ombros, meus braços, é tudo seu, principalmente o coração afinal ele sempre te pertenceu

Ah, menina. Ele já sumiu faz tempo. Para de tentar achar, para de procurar ele em cada rosto que vê. Para de procurar motivos para ele voltar. Para de pegar o telefone, discar o número dele e ficar muda. Para de sentir falta dele. Para de querer voltar. Para de amá-lo. Ele se foi. Ele te deixou. Entenda isso, e para. Deixa ele ir, se permita ser feliz sem ele. Você consegue. Deixa ir, ele nunca te pertenceu. Deixa ele ir e deixa o amor que você sente por ele ir junto. Menina, você merece muito mais. Você merece alguém de verdade. Um amor de verdade.
—  Menina, deixe que vá
É doloroso quando te cobram o que nunca deixou faltar, quando te julgam, quando duvidam dos seus sentimentos, palavras e juramentos. E mesmo sabendo que é uma espécie de armadura diante das circunstâncias na qual vivemos, é ruim ser igualado á amores que não somaram no passado.
—  Então vá, nunca me pertenceu

(Anotação)

Tenho pensado em algumas verdades, daquelas que vem num rompante, quase doídas.

Já não encanto com ninguém. Não franza o cenho assim, digo porque me permitia ser tocada até por sorrisos na rua. Algo dentro de mim cruzou os braços como quem me olha contrariada. Talvez eu esteja naquele momento de quase encantamento atemporal, mas não penso nisso. A verdade é que não venho levando a sério aos outros corpos, nem mesmo o meu. Repenso o pensamento anterior, em verdade tenho me desencantado.

Chico canta Ligia ao fundo e me reconheço, apesar de adorar a chuva. Pauso. Penso que seria bonito andar por Copacabana, visitar algum sebo em Ipanema, viver o cotidiano carioca que nunca me pertenceu. Eu sempre senti dores alheias, talvez isso faça o próximo pensar que jamais tive as minhas, como se nunca houvesse vivido Atrás da Porta ou Olhos nos Olhos. Já vi olhares de adeus, já me rasguei, deitei desamparada no piso frio. Senti-me uma entre tantas outras que respiram resignadas a compreensão de toda a tolice que sentir dá. E tantos outros amaram tão mais e melhor. Ainda assim, insisti. Quando não me restou nada além da memória de toda a efemeridade, parti. Gosto de pensar que há motivação anterior ao reconhecimento. Dói pensar que quase ninguém me conhece absolutamente, digo quase com esperança infantil de que há observador capaz de me decifrar. Me apontam o dedo, me afirmam. Não me sabem, não me vêem.

G.

Ando tão triste ultimamente, sabe
Dessas tristezas que te machucam a pele
Ando tão sozinha
Dessa solidão que a gente carrega pelo braço
E ninguém nota esse meu estado
Tão quieta
Tão na minha
Parece que nada mais importa
Eu devia partir
Nada nunca me pertenceu.